3 de outubro de 2016

A volta daquela que não foi

Hoje, eu vou almoçar coxinha.

Isso nada tem a ver com o resultado das eleições de ontem para prefeito de São Paulo. É apenas uma constatação muito da feliz porque eu amo coxinha e quase nunca tenho a oportunidade de começar a semana tão bem assim. Então, eu vou almoçar coxinha de verdade e tenho todo o direito de ser feliz por causa disso. Assim como tenho o direito de me sentir aliviada por não ter votado no Doria e, de certa forma, não fazer parte da atual política paulistana. Também não votei no Haddad, caso você esteja se perguntando, apesar de sua descendência libanesa; o que muito me apraz.

Eu não sei você, mas tenho dificuldades com partidas e chegadas. Quando as pessoas estão indo embora, eu não sei o que dizer nem mesmo sentir. Quando elas estão chegando, acredite, é ainda pior – estou contente em vê-las e ao mesmo tempo adoraria que não se demorassem muito porque, meu deus, como eu enjoo fácil das pessoas. É bem complicado ter nascido na espécie dos seres humanos. Terei que conviver com eles de igual para igual para o resto da minha vida.


Estou tentando dizer que eu voltei.

Não que eu tenha ido para algum lugar ou, sei lá, estivesse lavando o cabelo. O que acontece é que todo relacionamento tem sua crise e, veja só você, crise é comigo mesma. Nesse meio tempo criei outro blog para falar de outras coisas e percebi que isso aqui estava me fazendo falta. São seis anos de Bonjour Circus – tenho crushes e amizades que duraram bem menos do que isso. Escrevi muito, conheci muitas pessoas, ganhei diversos leitores incríveis e até um livro publiquei. Ou seja, não dá para terminar algo assim com tantos laços e afeto. Pode ser que eu esteja sob efeito do consumo exagerado de brigadeiro, mas a intenção é nobre.

Tudo será como antes? É o que a gente se promete. As pessoas estão por aí dando o melhor de si mesmas e comigo não é diferente. Eu estou tentando. Tentar é a melhor opção no momento e acredito ser um ato de coragem, também. Os tempos são difíceis, as pessoas não se entendem direito, o preço da nêspera está um absurdo, mas eu permaneço. Contra toda a impermanência, eu permaneço.

É, para você ver: eu fico inspirada pracaralho quando tem coxinha no almoço.

26 de agosto de 2016

É o fim?

O horário político começou e eu não poderia estar mais desolê. Não me entenda mal. Acho ótima a democracia, esta instituição tão razoável, e todo mundo tem o direito de discursar e roubar quantos minutos o TRE permitir. Quero dizer, roubar talvez seja um termo que preciso evitar enquanto falo de política. É muito complicado, como vocês podem ver, dar minha opinião sobre horário político. O que eu estou tentando dizer é que não há o que ser dito sobre esse assunto porque, assim como a morte, as eleições são inevitáveis.

Não consigo consertar esse parágrafo. Desculpa.

Eu nem queria escrever sobre isso, mas foi a forma que encontrei para puxar assunto com vocês. Façamos de conta que entramos todos em um elevador e só iremos descer lá pelo 20º andar. Ou seja, já que temos um tempinho à toa, nada melhor do que a política para começar uma conversa necessária. Sim, concordo, eu poderia ter falado do tempo. Acontece que não sou esse tipo de pessoa – posso ter inúmeros defeitos, mas esse não é um deles.

Um clássico.

Dentre todas as coisas que poderiam dar errado na minha vida (tipo quando tomei a decisão de instalar o Google Chrome no notebook), jamais imaginei que o blog estaria na lista. Qual é! Só não percebeu quem não quis: faz tempo que o Bonjour Circus se tornou um problema. O fato da maioria das blogueiras que conheço estarem fechando seus blogs também não me ajuda nesse momento crítico. A casa está esvaziando e eu permaneço ali, com um quitute em uma das mãos, uma migalha pendendo dos lábios, sem a menor ideia do que estou fazendo.

Semana passada perdi um dos meus cachorros, que tinha 18 anos de idade. Foi horrível. Optamos por sacrificá-lo no conforto de casa após uma semana de sofrimento e nada ocorreu do jeito certo (se é que existe um maldito jeito, ainda mais certo, para isso). Há três dias estou com torcicolo na nuca, que é possível ter se tornado crônico. É o início da minha corcunda, eu digo, mas ninguém me leva a sério. A quantidade de contas à pagar ultrapassa minhas verbas. Minha parede branquinha ganhou sua primeira mancha e perdeu um pedaço. Bem na minha santa frente, na mesa onde trabalho! Ativei as notificações do Facebook na área de trabalho e agora não sei como tirar. Meu deus, isso está me matando.

Por que eu escreveria sobre isso em um blog? Não me sinto no direito de roubar seu tempo (todos permaneçam sentados e mantenham a calma, não estou falando mais de política). Ainda me lembro do dia em que vim aqui para escrever sobre a chegada do Benjamin e no meu medo de ser um Rottweiler; e sobre o Tony, quando tentei encontrar seu verdadeiro dono; até mesmo da Luna, que parece que chegou em casa ontem, mas já faz mais de ano. Eu não sei para onde foram as coisas legais! Não sei porque tanta merda está me atingindo. Há muito tempo não sou sincera comigo mesma. É, pode até parecer fácil para você, mas ser sincero consigo mesmo é um troço que, se a gente não praticar, acaba se esquecendo de como se faz.