A arte de ser Paulista

Eu nasci, cresci e estou mofando na cidade de São Paulo. Nunca, jamé, morei em outro lugar a não ser na Europa, onde passei um ano. Um turbulento ano. E como todo bom paulista não conheço nem metade da minha própria cidade, nem metade da minha própria região. Moro no extremo sul da capital, um lugar sombrio que parou no tempo e se afasta cada vez mais da civilização paulista por conta das placas tectónicas, segundo eu mesma. Podem apostar, logo Interlagos, Parelheiros, Cidade Dutra e todo o resto se tornará uma ilha habitada por índios canibais. Mas não é sobre minha aldeia que quero falar.

Quem mora em São Paulo é obrigado a conviver com todo o tipo de gente, menos paulistas. Sofremos de uma séria troca de identidade. Temos convicção de que somos italianos ou pelo menos encarnação deles. Japoneses  são nossos primos de primeiro grau, e tudo o que se come em Sampa é massa ou sushi. Americanos são nossas sombras, e sombra aqui engorda. Com tamanha variedade de cultura, que vai da Argentina ao Japão, é fácil encontrar de tudo, é fácil tropeçar em tudo, é mais fácil ainda acontecer um tremendo colapso. Cearenses fazem sushi melhor do que os japoneses, por exemplo. Tanto as pessoas como o tempo são excêntricos. Quando saímos de casa levamos um casaco, um guarda-chuva e um protetor solar. Levamos também bolachas, música, balas de menta e livros pra passar o tempo enquanto não chegamos em casa. Às vezes levamos um policial militar a tira-colo quando pegamos o mesmo ônibus que a torcida do Corinthians ou quando descuidamos o calendário de jogos e saímos de casa com uma camiseta do time adversário. Paulistas ficam mais felizes quando é quarta-feira. Porque tá no meio da semana, e fim de semana tem shopping, ou porque é dia de pastel na feira. É, a gente fica feliz com um pastel. Tudo fica aberto nos feriados e domingos. Ninguém dorme, na verdade. De vez enquando trombamos com escoteiros limpando estátuas de Bandeirantes, mas bem de vez enquando mesmo. Tem muita placa de Curitiba porque o licenciamento é mais barato. E, nossa, como tem paulista reclamando do "jeitinho brasileiro". Tem paulista reclamando de tudo. Tem paulista que não reclama de nada, não faz nada. Esses montam partidos políticos na maioria das vezes.

Ser paulista é um sentimento, não uma certidão de nascimento. Você sente que é paulista. Pode perguntar: De onde você é? "Eu nasci em Manaus. Vim de Porto Alegre. De Minas. USA. Israel". E pergunte mais: Quem você é? "Eu sou paulista."

3 comentários:

Natalya Leopize disse...

Eu sou paulista! ^_^ AHSUDHASUDH Faz muito muito tempo que fui pela ultima vez pra sampa, nem lembro direito pra falar a verdade. Onde eu morava (interior do MS) era cheio de paulistas, assim como eu.

Beijinhos

Lucí disse...

Prazer.

Eu sou gaúcha. Sinto isso por meu estado, apesar de viver anos em SC!

"Eu sonhava em pegar carona e viajar, pena que pessoas como vc nao passou com seu fusca amarelo"..

Bjito.

Michele disse...

Obrigada por suas palavras e pelo carinho em meu blog! Acredite, suas palavras foram algumas das que me deram forças no dia de hoje! A Clara e eu somos meninas de sorte mesmo! Ah e sim, ela tem excelente gosto musical! Adora quando "tocamos" piano, ouvimos Mozart ou Vivaldi. Quando não gosta da música, acredite, ela chuta sem parar, chega a doer! hahaha

Hoje estou exausta, mas amanhã será um novo dia, eu sei! :)

Quanto à São Paulo, também conheço pouquíssimo, mas adoro desvendar novos lugares! :)

Beijos!

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