Quando eu tinha 13 anos estudava em um colégio público de manhã junto com a turma do colegial, ou seja, os grandissíssimos e independentes deuses de 17 anos. Eu achava a vida deles um máximo e não via a hora de chegar aos meus 17 anos pra ser dona do meu nariz e poder encher meu fusca amarelo - até então imaginário - de malas, bonsais e seguir toda vida pra praia. Meus 18 anos eram tão inalcançáveis que provocavam calafrios na espinha. Se com 17 eu seria capaz de ir à praia com meu fusca, com 18 eu chegaria à Itália sem nem precisar comprar uma passagem aérea. Ainda de quebra encontraria um belo italiano camponês que seria meu marido pro resto de meus dias.
Isso não é um post digno de abertura nem um post sobre como-devemos-aproveitar-a-juventude, é uma reflexão de como perdemos tempo, e de como eu, uma garota de 23 anos, cheguei a exaustão assim tão cedo. Antes dos 18 anos amar é pra sempre, comer de vez enquando e manter-se equilibrada quando possível.
Depois dos 18 anos amar é complicado, comer é vício e manter-se equilibrada é obrigação.
Era muito mais fácil sonhar, muito mais fácil ter medo. Era mais difícil conquistar espaço, quase impossível se fazer respeitar. Era eu e o muro, eu em cima dele, ele sob meus pés. O momento era o certo mesmo quando errado e sair da linha era aceitação na tribo.
Hoje o mais fácil pra mim é olhar pra trás e sentir falta de alguma coisa. Seja passado ou o que não passou. Eu sou respeitada e tenho lá meu humilde espaço, meu cafofo com personalidade própria. Posso escolher minha tribo, mas não me encaixo em nenhuma. Talvez um lado meu ainda seja uma menina que amarra um lençol no pescoço e sai voando pela rua ou talvez esse lado tenha se enroscado com minha ansiedade de vez. Um passo é um quilometro, o momento certo pra mim é sempre o errado.
Sinto falta do encaixe dos meus 18 anos. Eu não era nada além de uma adolescente, mas eu sabia o que era.
Que mais não seja, ainda não comprei meu fusca amarelo.




6 comentários:
gente, adorei aqui, layout super digno! já estou seguindo!
engraçado né? muito relevante essa síntese que vc fez antes e depois dos 18, e é bem isso mesmo!
Nem sei como chegou ao meu blog, mas seja bem vinda! ;)
27 de agosto de 2010 22:53
eu nunca tive essa ilusão de que 18 anos é a idade do sucesso. e olha que eu já tenho 17 ein x)
mas vamo vê o que que rola quando eu chegar aos 18 :D
beeijo!!
28 de agosto de 2010 00:40
Antes de comentar sobre o post, gostaria de agradecer pelos seus comentários no meu blog. Fico muito feliz com o elogio ^^
Eu também me via com dezoito anos sendo super independente, namorando, sem dúvidas... Enfim, era uma vida sem complicações rsrs. Eu estou numa fase de relembrar (e sentir falta) do que eu fazia há alguns anos atrás, dos momentos que passei, das pessoas que eu convivia. Aquela sim era uma fase sem complicações! Ah se eu soubesse disso naquela época "/
Abraço ;D
29 de agosto de 2010 17:32
Particularmente não gosto de fusca, mas gosto do amarelo, e achei sensacional o blog. adote mais esse seguidor... (:
1 de setembro de 2010 22:54
oie, vi seu comentário no meu blog e vim espiar o teu. ADOREI!!
bj
9 de setembro de 2010 19:49
Nossa, esse post me fez pensar em muita coisa. Coisas que às vezes não paramos pra observar com o passar o tempo. Ontem eu estava no colegial, hoje estou prestes à me formar na faculdade. Tudo voou, na mesma velocidade que nós, com nossas capas de lençol (toalha de banho, no meu caso). Hehe.
Gostei do blog, e da forma em que escreve. Tô seguindo! ^^
25 de novembro de 2011 10:46
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