Quem nasceu primeiro?

NOTA:
A Clara fez essa pergunta no post passado e cá estou eu no embromation-tion, embromatiooon.

Normalmente quando fico sem sinal de internet em casa (valeu, Speedy, abraço!) eu caio na besteira de começar a escrever. Eu escrevo muito. Na maioria das vezes nada aproveitável, assim como esse post, mas ai depende da opinião de vocês. Não me cabe fazer chantagem emocional ou oferecer um Kit 25 de Março pra meus leitores arcaicos agradecerem a graça alcançada. Tenho cá comigo que pra uma teoria decente é necessário a imparcialidade religiosa. Portanto enfrento, pelo bem da ciência, o despejo de casa, a exclusão da herança de dívidas e o desligamento oficial de minha igreja Protestante (a qual nunca visito, anyway). Tudo isso pra somente esclarecer uma meia dúzia de cabeças (ou não, ou menos). Concluo então que mais vale uma teoria na mão do que a multiplicação de pães.
Não, eu não sou pseudo-intelectual, só uso a Wikipédia e o Google com saúde.

A TEORIA

Como anunciei no início do post, vou tentar expor aqui em meu canto de libertinagens a resposta que todo o Universo anseia. Vamos começar pelo Big Bang que além da TPM deu origem ao Planeta Terra. Muito mais do que nossa Casa, esse planeta é sacaneado em suas pesquisas no Google pelo site Terra, é o 5º maior no Sistema Solar, 71% de sua superfície está coberta pelo Rio de Janeiro por água e seu fim está marcado pra 2012 (ou não). Nele habitam cerca de 280.000 espécies diferentes de animais, 950.000 espécies diferentes de insetos, paulistas, Lauri Ylönen, eu e você. Sendo assim, concluímos porra nenhuma. Ninguém pergunta quem nasceu primeiro em nossa espécie. O homem, a costela ou o espermatozoide? Não, nós viemos dos macacos. Ninguém pergunta quem nasceu primeiro entre Noé ou Dercy Gonçalves. Todo mundo sabe que foi ela. Pois bem, a galinha é uma ave, ou seja, assim como qualquer ave ela faz parte do grupo Arcossauromorfos, que inclui os crocodilos e os dinossauros. Isso já desvia nossa atenção da galinha e nos leva pro período Permiano Médio, onde essa cambada toda surgiu. Mas quando foi isso, moça circense? Foi na era Paleozoica, há 299 milhões ou 245 milhões de anos atrás. Voltando ao Permiano Médio, falemos dos dinossauros. Cerca de 225 milhões de anos atrás eles viveram na Terra até o período Cretácico (há 65 milhões de anos), quando foram extintos. Sim, vocês sabem, eles sumiram da face da Terra. Exceto uma linhagem. As aves. O que a galinha é? A galinha é uma ave.
Eu concluo então, que no período Permiano Médio, na era Paleozoica, um dos parentes mais próximos do dinossauro surgiu. Gallus gallus domesticus, é seu nome. Ao que tudo indica, galinhas existem nas Américas porque os espanhois da Espanha as trouxeram no século 15. Lembrando que na era Paleozoia os dinossauros também colocavam ovos, mas não surgiram por conta dos espanhois. Ou seja cereja, não chegamos a conclusão nenhuma, a não ser que agora sabemos que o ovo já existia antes de um T-Rex se transformar em galinha. Segundo cientistas ingleses, foi descoberta uma proteína no ovo da galinha, chamada OC-17, que é extremamente necessária pra abrigar a gema e seus fluídos de proteção enquanto o filhote se desenvolve lá dentro, o pintinho, sabe? Leia a matéria completa aqui.
Tire suas próprias conclusões e passem a se perguntar de onde vieram os dinossauros, de onde então veio o ovo, como os dodos podem entrar nessa história, de onde os espanhois tiraram a galinha, qual é a dos ovos na Páscoa e, principalmente, de onde viemos, pra onde vamos. Porque a vida sem mistério e sem Google, não é vida.

Perguntas que não querem calar

O título é autoexplicativo. Se alguém tiver mais alguma pergunta esdrúxula, extremamente misteriosa, que vale uma nota 10 pra se safar da recuperação ou que simplesmente deixe uma pulga atrás da orelha, por favor, não se acanhe e manda que eu respondo (ou não).

Com quantos paus se faz uma canoa?
Eu nem sei porquê essa pergunta ainda vaga pelas conversas do cotidiano, é meio óbvio. Uma canoa se faz com um tronco só, de cipreste ou peroba. Também é chamada de caiaque aqui no Brasil. Essa pergunta deveria ter sido feita pela última vez por portugueses no "descobrimento" dessa zona toda, mas é respondida à exaustão até hoje.

Quem matou Odete Roitman?
Vale Tudo foi uma novela de 1988/1989, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (juntaram o fubá todo). Confira a sinopse aqui, eu até escreveria, explicaria, mas é uma novela que me dá gastura, gosto não. Odete Roitman (Beatriz Segall) é assassinada por Leila (Cássia Kiss) por engano. Leila achava ser a amante do marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria, eterno Brás Cubas) atrás da porta. Acompanhe a morte de Odete Roitman aqui e aqui (parte 1 e 2 pra ninguém ficar perdido na história).

O quadro da Independência do Brasil é falso?
Não é falso, mas também não é verdadeiro. O quadro foi nomeado como "Independência ou Morte" e quem o pintou foi Pedro Américo, um cara que nunca pisou no Brasil, muito menos esteve presente no dia da independência. A independência foi proclamada em 1822 e o quadro foi concluido em 1888 em Florença (Itália). Um dos erros mais babacas são as centenas de cavalos espalhados pela cena. Não havia cavalos no Brasil em 1822, só burros. Isso mesmo, jegues, mulas, seria cômico se não fosse trágico. O detalhe do escravo no canto esquerdo com sua carroça e seus bois é o "tapa buraco" da história, talvez um dos primeiros no Brasil, de fato, ele só está lá pra preencher uma falha na centralização da pintura. E por que houve erros nos cálculos de Pedro Américo? Porque ele era um péssimo plagiador. "Independência ou Morte" nada mais é do que uma pintura sem vergonha feita por cima do quadro da revolução francesa (1789/1799). Faça sua própria comparação clicando aqui.

Como é um pé de noz moscada?
Sabe aquele chazinho milagroso? Aquele gostinho no purê de batata? Já viu sua mãe ralando aquele caroço? Já tentou ralar, mas ralou o dedo? No fundo não é uma pergunta que não quer calar, mas eu sempre quis conhecer uma noz moscada antes de ser brutalmente usada em receitas. Conheça o pé e a história clicando aqui.

Por que o céu é azul?
Quando a luz solar chega na Terra, encontra um obstáculo: a atmosfera, ou seja, a grande massa de ar que envolve o planeta. Ao esbarrar nas moléculas de ar, as ondas de diferentes tamanhos (e cores!) começam a se espalhar cada uma de um jeito. As ondas de menor comprimento se espalham com mais facilidade. E qual a cor da menor onda de luz? Exatamente: azul!
Fonte: Invivo.

Dust in the Wind

Não, eu não vou falar sobre essa música nem vou colar a letra aqui com uma foto de um casal promíscuo qualquer. Vou falar sobre as poerias de nossa música ruim brasileira que foram levadas pela graça de Deus e pelo vento. Em um singelo e nostálgico post vou relembrar tempos ruins que não voltam mais, ou voltam, mas só pra fazer propaganda de cerveja. Essas bandas fizeram um considerável sucesso na mídia em épocas diferentes, mas creio que pelo mesmo motivo (?). No mínimo cometeram o mesmo crime. Tirei poeira do baú, infelizmente o abri e trouxe aqui pra compartilhar com vocês. Sim, o trocadilho do título com o post orna (ou não).

P.O BOX
Que eu saiba essa banda tem apenas uma música de sucesso. Em qualquer apresentação na TV, qualquer gravação de shows, eles cantavam a mesma música. Pesquisando no Google - e achando que encontraria qualquer informação sobre P.O. Box RIP - encontrei o blog do vocalista da banda, onde no ano de 2007 ele postou uma notícia pra seus fãs (hã?):
Estamos no maior pique com o novo trabalho. Depois de uma semana "abastecendo" nosso novo escritório com informações gerais (...), room-list (...), além de outros detalhes, a partir de amanhã, já voltaremos para estúdio para continuar a gravação do novo CD.
Oi? Mas é verdade. Apesar do Site Oficial estar jogado as moscas, tudo indica que eles tem uma agenda (hã?) e segundo o vocalista estão abrindo shows pra Bruno & Marrone. A fama tem suas peculiaridades.

Netinho
Oh Milla, assim você já sabe de quem eu tô falando. Essa música meio que marcou minha infância, por mais que seja inconveniente revelar isso. A notícia mais recente do Millo da Ilha do Sol foi sua revelação: "Eu sou bissexual". Pois é, e tudo começou há um tempo atrás...
Como se não bastasse o conjunto geral da obra, Netinho tem um Site Oficial. Com uma depressão, ele decidiu se afastar dos holofotes antes de 2005, segundo uma entrevista que deu, e agora tem shows marcados em sua agenda, dvds e tudo mais.

Virguloides
Banda formada em 1997, eu jurava que tinha sido no início dos anos 90. Virguloides, pra enriquecer mais esse meu post "vergonha alheia", grudou seu hit Bagulho no Bumba em todas as rádios, em todas as bocas, em todas as banheiras do Gugu. O último cd lançado foi em 2000, e chegaram a participar do Rock in Rio (quando ainda era no RJ e o nome fazia algum sentido). Terminaram da mesma forma que começaram.

Só no Sapatinho
Não era só o nome da música, era o nome da banda também (pra mim é novidade). Essa música foi trilha da novela Torre de Babel (1998/1999), escrita pelo meu queridíssimo Silvio de Abreu. Não achei nenhum vídeo decente, só esse. O que me faz pensar que deveria existir mais gente com bom gosto e senso de ridículo.

Cravo e Canela
O que você se pega cantando, assim do nada, uma vez ou outra? O que você canta, tirando um sarro, quando um assunto envolve um negão? Lá vem o negão.
Também não estão passando por miséria, pelo menos participaram de carnavais até o ano passado e do Reveillon de Garopaba em 2010.

(Des)equilíbrio

Em cima do muro havia dois jovens de paletó e gravata. Dois jovens de paletó e gravata refletiam como poderiam descer do muro e vagar pelo jardim. No jardim havia uma jovem de laço esverdeado preso aos seus cabelos encaracolados da cor do outono. Roseiras mortas e um cachorro separavam os dois jovens de paletó e gravata da jovem de cabelos encaracolados da cor do outono. Um mundo de possibilidades, outros muitos jovens de paletó e gravata, muitas roseiras tão vivas quanto o ódio da discórdia, separavam os dois jovens em cima do muro. O muro separava a própria separação. Não fosse a rivalidade, o paletó, a gravata, os tempos e o sorriso da jovem, não haveria muro. Não haveriam roseiras. Não fosse a jovem, não haveria muro! Os dois jovens se entreolhavam. Sim, concordavam, não haveria aquela jovem dos cabelos cor de outono, mas sim um mundo de jovens com variados tipos de cabelos e cores divididas por um imenso muro. Haveria um mundo dividido por uma imensa aflição. A jovem continuava no jardim. O muro continuava separando-a dos dois jovens de paletó e gravata. As roseiras continuavam mortas.

Um paletó caiu, um jovem de gravata caiu. O jardim foi pisado por um dos jovens que suava e o ar escalava seu peito, sendo mais forte que a gravidade, mais forte que o coração que palpitava descrontoladamente, pulava desobedientemente, para o lado de dentro do muro, para o lado de fora da boca. A alma corria a frente para chegar antes à moça e morrer aos seus pés. O corpo chegava sôfrego tardiamente. O corpo sentava ao lado da jovem com cabelos encaracolados da cor do outono. O corpo à beira da morte não falava. O coração sumcubia então ao sorriso cor de primavera da jovem. Um sorriso que lhe cutucava a alma aos seus pés e a fazia acordar.
Em cima do muro havia um jovem de paletó e gravata. Um jovem de paletó e gravata refletia ao olhar para seus pés ainda pendurados, os joelhos dobrados, ele sentado em cima do muro. Um único jovem observava os outonos e as primaveras aflorarem da jovem que era separada dele por roseiras mortas. Era inverno no rosto do jovem de paletó e gravata. O coração lhe pulou para dentro, se escondeu em um lugar intocado. O jovem pulou para fora do muro.
Do lado de fora do muro um jovem sem paletó e sem gravata jogava fora garrafas que continham bilhetes dentro. A fogueira queimava papeis de promessas que não existiam mais, pois o destino de toda e qualquer promessa é morrer no esquecimento, ou nas chamas da covardia de um jovem que pulou para o lado errado do muro. Com gravata e sem paletó o jovem se trancafiou em si mesmo e construíu um muro. De cima desse muro o jovem enfrentava as aflições e agonias de qualquer jovem que ama em silêncio. Bem do alto, com o mundo aos pés, com as jovens de todas as estações aos pés, o jovem vestiu um manto enegrecido que o escondeu, e seu muro era singular, composto somente pelo lado de fora.
A jovem de outono fez-se primavera com o outro jovem sempre de paletó e gravata. A gravata com a primavera fez-se verão. Fez-se inverno. Fizeram-se anos. Fizeram-se outras estações. Fizeram-se filhos. Fizeram-se família. E eu continuo aqui. Bengala, paletó e gravata. Assistindo à eles, orando por mim, contando-lhes as gotas de minha chuva. Em cima do muro.

NOTA:
Inseri no blog um formulário de contato para dúvidas, reclamações (mimimi, conta pra sua mãe) ou sugestões na página O Circo. E pra quem se interessa (ou não) agora tenho um FormSpring pra tocar o terror. Sintam-se a vontade.

Porquê o mundo tem que acabar

São milhares de filmes sobre meteoros, ETs, apocalipses, invasões e teorias. Tudo por um único objetivo: destruir a Terra. Diretores e escritores se ocuparam fervorosamente em criar um final pra nós e pra eles mesmos. Explodidos, alagados, abduzidos ou julgados por Deus, nós e nosso planeta viramos poeira no universo e tudo fica mais vazio. Até mesmo o extinto povo Maia queria nos destruir, e continuam querendo, fazendo com que sua teoria ultrapasse séculos. Eles nunca nos deixarão esquecer (seja lá o que for).

O planeta está mudando, sim. Como tudo que possue vida muda. Não é culpa de 2012 o fato da Terra estar engolindo áreas terrestres com suas ondas. Não é culpa de um ano em específico os furacões, as tempestades, o gelo em São Paulo. O Cristo Redentor não irá desaparecer pela força negativa de 2012 nem será queimado pelas bolas de fogo apocalípticas. No máximo um grupo de paulistas rebeldes podem ir lá tentar derrubá-lo. O que eu quero dizer é que nenhum povo, por mais extinto e inteligente que seja, não teria tamanha força cósmica. Porque a União faz o açúcar, e nada mais (os Comunistas concordam comigo). 2012 é tão eficiente quanto o Jump Day. Nostradamus ri de 2012.
Tudo bem, "eu quero acreditar, moça circense", então vamos ser um pouco mais otimistas. Haja psicólogo e terapia pra tanto negativismo e vício em catástrofes. O fim do mundo é uma expressão muito abrangente, engloba diversos significados, e gente senta e chora e faz filme e entra em depressão. Pra uma adolescente de treze anos o fim do mundo é algum boneco Playmobil do Restart casar com, sei lá (com o quê além de um vaso de samambaia?). Não generalizando. Pra uma mãe o fim do mundo é seu filho pintar o cabelo de amarelo-gema, usar calças apertadas de couro ou ser fã do Zé do Caixão. Simplificando, o fim do mundo vai além do que nós podemos imaginar. Tão além que o fim pra uns é o começo pra outros. Seguindo essa linha de raciocínio, podemos imaginar que o fim em 2012 será um começo em 2013. Tudo o que conheços, da forma como conheços, será diferente. Talvez tenhamos que reaprender a viver conforme as mudanças que acontecerão. Talvez tenhamos que mudar de apartamento, pra mais longe do mar. Talvez o Cristo Redentor se torne, misteriosamente, São Paulino. E se a política fosse democrática? E se funcionários públicos sorrissem mais? E se amar fosse menos egoísta e mais dadivo?

Eu só gostaria que as pessoas entendessem que nem tudo tem que acabar em céus nublados, nuvens caindo ou chuvas de pedras. Nem tudo precisa terminar em fogos de artifício, mágoas, pessoas chorando, pessoas perdendo pessoas. Seria mais plausível as pessoas cuidarem ao seu redor além de sua aparência. Seria, sim, o fim do mundo quando conseguíssemos enxergar nosso reflexo no espelho como um livro do que fazemos, vermos além das rugas e lembrarmos o que as trouxeram, perguntarmos por que tem que acabar assim?, e encontrarmos as respostas em nós mesmos.

Porquê eu gosto da Florbela Espanca

NOTA:
Voltamos com nossa programação normal.

Flor Bela de Alma da Conceição foi uma poetisa portuguesa de Portugal. Nasceu e morreu em 8 de dezembro.
Após duas tentativas frustradas, Florbela tentou suicídio pela terceira vez e não resistiu. Em 1930, por uma overdose de barbitúricos (joga no Google) Florbela Espanca morreu aos 36 anos de idade. Como todo bom poeta Florbela sofreu na vida, penou, chorou e seu suicídio pôde ter diversas causas. Náufragos matrimoniais, abortos, a paixão pelo irmão falecido três anos antes e enfim o edema pulmonar.

Me identifico com Florbela de uma forma que eu mesma desconheço, não sei até onde vai nossa ligação, qual é o limite das coincidências. Como a maioria das coisas, não fui eu que conheci Florbela, foi ela quem me conheceu. Surfando pelas waves da internet encontrei um poema que atingiu meus olhos como agulhas. Depressa, muito depressa mesmo, joguei no Google e dei de cara com um nome que me pareceu muito familiar, mas vá saber de onde. Florbela Espanca acenava pra mim.
Desde meus 13 anos escrevo poemas, crônicas, waka waka e Florbela, ali em sua poesia, pareceu escrever sobre mim. Você só conhece Florbela se ler Florbela. Posso ficar aqui te explicando o quanto ela foi mulher, doce, terna e amargurada e esperançosa e apaixonada e dependurada, dependente de um amor impossível, mas você só irá entender isso se mergulhar um minuto de sua atenção em suas poesias.
Você deve viver, sentir e ser Florbela Espanca.

O poema que tanto me chamou a atenção, me deu luz aos olhos mimimi, blá blá blá foi "Eu", do Livro de Mágoas publicado em 1919, e que na verdade é o poema mais "modinha" de Florbela, o que todas, todos e indefinidos mais gostam.

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!


E dou-lhe ainda mais quatro poemas pra te convencer de que Florbela Espanca é sua banana com aveia de cada dia. Uma pena pra mim serem apenas cinco poemas ao todo, por mim colocava toda vida as obras completas, mas sei que você me agradece pela graça alcançada. Então resumi-se em trechos mais quatro poemas preferidos, e joga no Google os poemas completos.

Doce Certeza, coletânea Trocando Olhares iniciada em 1916 por Florbela e publicada postumamente em 1994.

Hás de tecer uns sonhos delicados...
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!...


Tortura, também da colêtanea Trocando Olhares, 1994.


Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!


Ruínas, Livro de Sóror Saudade publicado em 1923.


Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar.


Amar!, poemas de A Mensageira das Violetas.


E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... para me encontrar...

Steve Lee

Eu não gosto de fazer awê com assuntos delicados, como a morte por exemplo. Principalmente a morte pra ser sincera. Eu acho que é um momento de reflexão, e isso pede quietude. Steve Lee nem de longe foi meu parente, eu não tenho nada que ficar remoendo dores pelos cantos da casa, isso por si só já é um ótimo motivo pra esse post não existir. Não, eu não estou triste, não estou sofrendo, muito menos chorando. Mas ainda assim me senti desconfortável de publicar o post de hoje, onde eu indicaria bandas que gosto, incluindo Gotthard.

Pra quem não sabe, não conhece ou não se importa Steve Lee era vocalista da banda Gotthard (Suíça) e uma das vozes mais potentes e cativantes que eu já ouvi. Morreu nos EUA atingido por uma moto em uma estrada. Não existe formas estúpidas de se morrer. A morte em si é estúpida. De qualquer forma, Gotthard marcou minha viagem à Suíça, e foi um dos meus melhores amigos quem me os indicou. Eu passei 16,4 quilometros ouvindo Gotthard, no túnel Gotthard. Um túnel que me levou à Itália, depois de muita viagem. Eu ouvia Gotthard o tempo todo. Eu queria ir em um show deles em Lugano, mas faltou companhia. Gotthard me impediu de ouvir muita merda de crianças insosas de no máximo 13 anos de idade. Eu chorei menos de saudade por causa do Gotthard. Por causa, enfim, da voz do Steve Lee.

Então se eu lhe devo algo em troca por tanto apoio durante um período difícil, lhe devo um Obrigada. E adeus.

Da obrigação

NOTA:
Não gosto de falar sobre política nem perder meu tempo tentando filosofar sobre o Brasil. Sim, isso é perder tempo, mas após os resultados das eleições de ontem eu fiquei simplesmente boquiaberta ao ver a que ponto a população pode chegar com sua "democracia". Gritar por justiça na tv todo mundo quer, mas fazer justiça é pra poucos.

Eu faço parte da parcela de brasileiros que gostam e respeitam seu país. Isso aqui não é uma zona, isso aqui não é um lixo. As pessoas são, a política é. Há uma ténue linha que separa o lixo humano da beleza natural do país e sua cultura diversificada. Eu e um punhado a mais de gente nos equilibramos sofregos nessa linhasinha mediocre. Após morar 1 ano lá fora comecei a dar ainda mais valor ao que temos e no fundo não damos importância, "porque é tudo uma bosta mesmo". É inútil ficar aqui expondo os pontos positivos do país, o pior cego é aquele que não quer ver, então eu vou fazer o que todo mundo faz: eu vou falar mal da política brasileira e suas leis. Talvez não.

Nossa criação de berço é das mais simples: nós somos obrigados a alguma coisa. Somos obrigados a sobreviver, a sair da classe média baixa, a aguentar sujeiras de toda espécie em todos os setores, somos obrigados - pensam muitos - a nascer brasileiros. Mais do que isso, somos obrigados a dar lugar aos idosos nos ônibus e nos metrôs, assim como pra gestantes, mulheres com crianças de colo ou deficientes físicos. De 4 em 4 anos somos obrigados a votar em qualquer outro político aleatório que não fará nada de diferente a não ser nos obrigar a aguentá-lo lá, na cadeira principal. A gente tem que usar cinto de segurança, tem que pagar R$2,70 de passagem, tem que esperar o sinal ficar vermelho pros carros. E por que tudo isso? Porque a gente não sabe votar. Ah é, eu poderia encher esse texto de linguiças e dizer o quanto somos ignorantes e que nunca vamos aprender a escolher o candidato menos ladrão. Poderia ficar correndo atrás do próprio rabo e defender meus compatriotas, porque nós somos infelizes vítimas de uma elite gananciosa.
Mas eu não vou fazer isso.
Não vou fazer isso porque eu nasci em berço esplêndido e captei toda a mensagem de tudo isso. De milhões de brasileiros, eu fui uma de poucos que leu o Hino Nacional e compreendeu qual é meu papel aqui. A intenção não é sentar e esperar que me entreguem de mãos beijadas um emprego, uma educação, o mínimo de senso social. Eu levantei e busquei o que era melhor pra mim. Enquanto uns reclamam "que saco ter que dar lugar pra esses velhos" eu, na minha mais humilde forma de pensar, acho que isso é uma questão de respeito ao próximo. Se eu estiver passando mal, se estiver com o pé machucado, não vou dar lugar pra ninguém, por mais que o meu banco esteja pintado de amarelo, por mais que as placas me obriguem a levantar. Não é desrespeito, não sou fora da lei. Eu estou impossibilitada de ceder um lugar, é só isso. Mas se não existissem esses bancos reservados ninguém se levantaria, e por que? Porque brasileiro só faz as coisas quando é obrigado, ele é tão alienado e preguiçoso que não enxerga nem a um palmo do seu nariz.
"Eu estou levantando e dando lugar a essa senhora porque o adesivo na janela me manda fazer isso, e não porque ela está toda encurvada, com as pernas doendo e tem 60 anos a mais que eu".
"Esse moleque sentado não me dá o lugar porque é um preguiçoso, um vagabundo, e não porque ele acordou às 5:00 da manhã, trabalhou duro o dia inteiro e está voltando pra casa só agora, às 20:00".
Deu pra entender? É muito fácil a gente errar a ténue linha do conhecimento sobre as coisas básicas da vida. Ainda mais pra quem se conforma fácil. Basta uma cesta básica, um cartão furreca de "Bolsa Família" que alimenta três bocas, mas é pra uma família de sete filhos. O que importa é dar na boca, e não ensinar a pescar.

Por esses e milhares de outros exemplos que sou a favor do voto obrigatório. Se o Brasil tem a democracia mais ditatorial que já viram, a culpa tem que ser de alguém. "Eu não me importo", eles dizem. "É cuspir no prato que come", eu aviso. Pra um povo que não sabe atravessar uma avenida, não sabe parar o carro na faixa de pedestres nem entende que elevar idosos e mulheres com leis de proteção é inconstitucional, até que temos sorte, até que a elite gananciosa tem piedade vez ou outra. Eles vão nos guiar como gado pra onde eles quiserem, porque é como gado que a gente se comporta. Se conforme com isso também ou levante a bunda e busque informação. Você é brasileiro, não me envergonhe. Não seja obrigado a nada, você deveria desafiar o teu peito a própria morte. Isso já basta pra uma Pátria Amada.