8 de abril de 2011

Circo Borboleta

A gente reclama. Ah, como a gente reclama! Reclamamos do clima, das contas, dos preços, dos atrasados e dos desavisados. Quando não tem do que reclamar, a gente olha para o espelho e se força a encontrar alguma coisa. Aí reclamamos do nariz, do alinhamento dos olhos, da cor do cabelo, da textura da pele. Escrevo assim, com toda essa certeza, porque sou uma reclamona profissional. Mas aí a gente se depara com alguém que tem todos os motivos para reclamar, só que esse alguém não reclama. Esse alguém sorri, até mais que você.

Nick Vujicic é um australiano de 28 anos que nasceu sem as extremidades de seu corpo. Veja você, é um cara muito do bonito sem os braços nem as pernas. Ao invés de ficar em casa dependendo dos pais e reclamando, Nick se tornou palestrante motivacional, além de ser formado em contabilidade e planejamento financeiro. O cara é bidiplomado. Não satisfeito, Nick aceitou um papel no curta metragem Circo Borboleta. Dirigido por Joshua Weigel, o filme conta a pequena história de uma trupe circense comandada por Mendez (Eduardo Verástegui). Mendez, por sua vez, acaba se deparando com Will - atuado por Nick - que se vende como aberração no espetáculo secundário de um outro circo.

Sabe, chorei quando assisti (e quando li) Marley & Eu. Acho que todo mundo chorou. Mas com Circo Borboleta o choro veio de um lugar diferente. As lágrimas eram tão profundas que eu não reconhecia sequer o gosto delas. Nick fez com que meu choro brotasse de um canto que mal conheço, mas sei que está ali pedindo por mais atenção e carinho. Assisti o curta por três vezes e chorei em todas elas. Depois, passado o temporal, fiquei sentada em frente ao computador pensando. É, eu pensei nos meus braços e pernas, ali, me esperando para levá-los aonde eu quisesse ir. Pensei em todo meu corpo e saúde que não me permitem correr para longe da infelicidade. Pensei, principalmente, se a infelicidade estava ao meu redor e era fruto de consequências ou se estava dentro de mim. Como já ouvi dizer: há lobos em nós, e o vencedor é aquele que você alimenta.

Pensei se eu, e tantos outros por aí, estávamos esperando que um cara sem pernas e braços chegasse para nos dar uma lição de vida. Um cara que, literalmente, teria que se arrastar para se aproximar de nós. A gente, normais como somos, não nos levantamos sequer para buscar um copo d'água. Pense nisso você também.

Clique aqui para assistir o curta e expandir sua filosofia de vida.

16 comentários:

Leila Ice Girl disse...

Ah reclamões profissionais, é tipico dos seres humanos, que nunca fica satisfeito com o que tem, de vez em quando é bom um choque de realidade, não que a deficiência ou problema de outra pessoa nos faça bem, mas nos ensina sobre valorizar o que temos.

Andreia disse...

Reclamar é fácil. Reclamamos dos quilos a mais, do vizinho do lado que põe o volume da música a alto e bom som, do padeiro, até de nós mesmos reclamamos!

E no meio de tanta reclamação nunca paramos para pensar que se nós estamos mal, há sempre alguém que está pior que nós. Devíamos agradecer ter saúde, dois braços e duas pernas. Muitos querem ter saúde mas essa é cara demais. Queriam ter dois braços e duas pernas, mas elas não são como as unhas: não crescem quando são cortados.

E apesar de tudo, há pessoas no mundo que acham que estar na moda é apontar os braços e as pernas de propósito. O cúmulo dos cúmulos!

Pessoas como o Nick enchem-me de orgulho, e me fazem ver que os meus problemas não são nada comparados com os dele. (Há cegos a conduzir e mudos a dar aulas. E ouve um surdo - Beethoven - que conseguir criar musica de tal forma que ainda hoje se ouve falar dele. Se eles são capazes disto e muito mais, porque nós (os "normais") não havemos de ser?

Gostei do texto. Como sempre deixou-me filosófica.

Kamilla Barcelos disse...

É verdade, eu me sinto a pior espécie humana quando fico reclamando a toa da minha vida e tem maior galera que teria sim motivos para reclamar, mas não sorriem. Me interessei muito pelo curta. Vou ver1

Rodolpho Padovani disse...

Preferi assistir antes de vir comentar, eu já tinha visto um video do Nick que me deixou arrepiado no dia e esse curta foi tão singelo e encantador que não tem como não brotar uma lágrima enquanto você assiste.
Muito bom mesmo, obrigado por ter citado aqui e ter nos mostrado essa maravilha.
Nessas horas que paramos pra pensar que deficiência é uma coisa de espírito e só é deficiente quem quer.

Beijos.

Renata disse...

Eu convivo com isso quase todos os dias, Del. E e eu sinto muita raiva de pessoas assim, que não dão valor ao que tem. Me revolta, faz surgir essas lágrimas aí desses lugares que você não sabe da onde vem.

Já ouvi tantas, mais tantas histórias que me fizeram ficar assim, refletir mais. E isso só me fez ficar ainda com mais raiva dos seres humanos, por serem capazes de fazer uma podridão sem fim.

Talvez a parte mais ruim dessa história, seja com que isso você amadurece muito mais rápido. (Eu amadureci e com isso levo uma outra visão da vida, e ás vezes as pessoas pensam que eu sou chata, metida, que não sei o que falo quando entro em discussões que não são minhas para tentar enfiar um pouco de massa cefálica nessas pessoas que são preconceituosas, que não tem a mínima noção das coisas que falam e não sabem o quanto machucam alguém) Mas enfim, todo mundo uma hora tem que crescer. Eu só cresci (por dentro) mais rápido que muita gente por aí.

Renata disse...

Só que não adianta você refletir hoje e dizer que aprendeu a lição se amanhã você já esqueceu tudo. E isso acontece com muita gente.

Milena M. disse...

Ai, Del, tô tentando há horas ver o curta, mas minha internet não tá muito boa hoje. Depois que eu tiver visto volto aqui pra falar dele.
Eu já vi um vídeo do Nick, foi muito como um tapa na cara pra mim. Eu sou uma pessoa muito reclamona, mas o que eu gostaria mesmo de mudar é minha mania de desistir das coisas. Acho que é estupidez ficar aqui reclamando e abandonando meus projetos por fraqueza, sendo que tenho todas as chances de realizar tudo que eu quero.
Depois volto pra comentar do curta. :*

Thais disse...

Eu imagino como deve ter sido diferente essas lagrimas que brotaram de tão profundo. Deve ser a mesma sensação (só que contrária - vá entender né) que eu tive quando assisti uma peça de comédia aqui em Brasília. Gente, mas era tão engraçado, vinha uma gargalhada de dentro, mas de um lugar que eu nunca tinha sentindo. Muito estranho mesmo!!!!

http://thaisacorrea.com/b/

Gabriela Petrucci disse...

Se não estou enganada, no meu antigo colégio, sempre usavam vídeos deles com a gente. E sempre era aquele tapa na cara, mas passava uma semana já tinha todo mundo esquecido. Seres humanos... :T

Bárbara Garcia disse...

Eu reclamo... e mais tarde fico com peso na conscência pensando nessas pessoas que sofrem mais do que eu. Isso não muda o fato de eu voltar a reclamar mais tarde... e ficar com peso na consciência novamente (é um ciclo sem fim).

Não pude assistir agora o curta, mas vou salvar o link para expandir minha filosofia de vida mais tarde :)

Beijos.

Vanessa disse...

Ah, vou guardar o link para assistir este curta. Esse cara é um exemplo mesmo, viu?

Loma Sernaiotto disse...

Sabe, não quero dizer que sou uma excessão a humanidade e dou valor à toda a felicidade da vida. Reclamo, sim. Mas, quando me sinto mal com algo, rapidamente me vem a cabeça essa idéia de que reclamo de barriga cheia. Dou valor extremo ao meu corpo, braços, olhos... à casa em que vivo e à comida na mesa. Sei que tem MUITA gente que teria todos os pré-requisitos da vida (ai se houvesse!) para reclamar sem dó, mas que não o faz. Adorei a dica do curta, mas não to pra chorar! Assisto, um dia! =) Kiss!

Michele disse...

Um choque de realidade que todos nós merecemos levar! Como você disse, encontramos diversos motivos para reclamar do que está perfeito, enquanto tantos com reais dificuldades, vivem sua vida da melhor maneira que podem. E mais, conseguem ser felizes assim!

Um beijo!

Eu Hein Natasha disse...

Caraca, eu vi esse video desse moço tb, tb acheo um sacode bem dado!
=****

Au disse...

Tenho a impressão que já passaram um vídeo sobre ele na Faculdade, e causou as emoções que você descreveu...
Reclamos demais e fazemos de menos (quando fazemos...) para mudar. Provavelmente o problema está em quem analisa o problema, em quem enxerga os obstáculos e já se sente derrotado.

Ótimo texto!

Beijo!

Jaya Magalhães disse...

Não vi o curta. Verei. Li seu texto pensando numa infinidade de coisas, mas, principalmente, o quanto já me choquei com essas imagens, essas histórias, esses tapas na cara. E pensei que esqueci, também. Porque existe toda aquela coisa da lembrança adormecer, entende? A gente, no instante em que recebe a graça, se propõe a um mundo de coisas. Mas passa. E o foda é isso: sempre passa.

Obrigada por me trazer esse sentido, novamente. E que ele não vá embora.

Um beijo.

P.S.: Seus comentários no Líricas., não sei nem agradecer. Só sorrio e agradeço. Sempre. E bastante. (:

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