11 de maio de 2011

Água para Elefantes

É lógico que eu tenho que comentar sobre o filme mais aguardado por mim. Quem conseguir assistir Água para Elefantes sem lembrar de minha pessoa, ganha um mastro central para armar a barraca.

Não, eu não sou contra adaptações de livros para o cinema. Tão pouco entendo o trauma das pessoas e a cara de dor que fazem ao descobrirem que tal livro irá virar filme. Sim, a história é picotada e às vezes até transformada, mas o que devemos esperar do resumo de, sei lá, 500 páginas para 2hrs ou no máximo 3hrs de filme? Quem aguenta ficar sentado por mais de 3hrs em uma sala escura lotada de gente mal educada fazendo barulho e comentários dispensáveis? Deitar em sua cama quentinha e confortável para ler como bem quiser um livro é o total oposto, concorda? Quando li a notícia de que Água para Elefantes iria parar nos cinemas, minha única e mais singela reação foi uma sensação de desmaio. Minha ansiedade atacou todo meu corpo impiedosamente, mal pude ler por completo a nota publicada na internet.

Entendam, desde pequena sofro com essa paixão avassaladora, mas desde nunca ela foi correspondida. No Brasil, pelo menos, não há um grão de areia sobre a história circense. O pouco que consegui é fruto de uma incansável pesquisa na internet e sebos ignorados que vivem em posição fetal no canto escuro literário. Em uma tarde dominical, estávamos meu namorado e eu passeando aleatoriamente na Fnac da Av. Paulista, quando sofri um golpe bem no meio da minha testa. Como assim, eu perguntei com o tom de voz mais alto do que manda a etiqueta, que livro é esse? Água para Elefantes brilhava sua capa circense no meio de outros livros, quase como um orfão velho demais. Eu o agarrei, devorei a sinopse, passei folha por folha e procurei por câmeras. Vai que era pegadinha. Passos apertados e cabelos ao vento me levaram ao caixa mais próximo, naquela tarde, naquele gesto de receber a nota fiscal e levar o livro comigo para casa, eu soube: o mundo circense, o meu mundo, estava ganhando seu lugar ao sol.

Sim, devorei a história. Sim, chorei. Não, o livro não era nenhuma obra de arte, mas abordar a arte que move minha vida era mais do que suficiente. Sara Gruen se tornou uma diva intocável que eternamente terá meu agradecimento. Dona Sara é a Björk circense do meu ombro (não curte The Rasmus? então, desculpae, mas você não vai captar a piadinha mediocre). Enfim, tenho que cuidar para não deixar esse texto enorme. Mania chata de tagarelar sobre assuntos que gosto. Vou me policiar para não soltar nenhum spoiler, sou ótima nisso, meu objetivo nem é comentar tecnicamente sobre fotografia, coadjuvantes, falhas entre livro vs. filme e ai de mim querer perder tempo reclamando da (sempre) péssima atuação de Robert Pattinson. Se houve química, não sei. Christoph Waltz roubou a cena? Sem dúvida alguma. Água para Elefantes não teve sequer a metade da magia circense, assim como o livro, mas ter assistido o meu mundo ganhando forma, vozes e até outros admiradores, não teve preço.

Há muitos detalhes técnicos correndo pelo filme que só uma trupe pode compreender, mas a intenção nunca foi um documentário, e sim o bom e velho romance envolvendo a atmosfera ilusionista do circo. Sou insosa, chatonilda, de mal com a vida e por isso não explico qual é a vibe de água e elefantes. Quem entendeu, ótimo, quem fez cara de estepe rolando no deserto, azar. Recomendo o filme? Claro, meu Deus! Mas o livro sempre vem em primeiro lugar, até porque você não vai querer fazer comentários infelizes. O mais importante é se despir desse insuportável "politicamente correto" e entender que nos anos 20/30 o circo era uma das poucas atrações para distrair a população. Os animais selvagens eram o zoológico da época, logo, uma pessoa enfiando o braço na boca de um leão só podia se tornar na coisa mais sensacional do planeta. É necessário ter extremo cuidado na observação. O uso de animais no circo jamais foi apoiado por mim, porém, usemos do bom senso. August, apesar dos pesares, apesar de ser um filho da puta, por vezes deixou claro a logística circense.

Chorei, tampei os ouvidos, achei tudo muito injusto, mas no final o circo nunca deixou de ser a representação teatral do mundo. Loucos, freaks, habilidades excêntricas, pessoas inescrupulosas, sorrisos falsos, hierarquias, diversão. Tudo coberto por uma tenda onde só quem estiver muito disposto entra para ver no que vai dar. Paga para ver, porque se não pagar, leva cano de ferro na cabeça e é convidado, sutilmente, a se retirar. Outros voam para fora do trem antes da hora, outros escolhem pular para dentro dele e viver o desconhecido. De qualquer forma, não há definição melhor do que a de August: é tudo uma ilusão.

Seja um bom caipira, levante-se e aplauda.

8 comentários:

Gabriela Petrucci disse...

Adorei! :D
Tanto o post quanto o filme.
Achei o filme muito mágico! Uma vibe incrível, inexplicável mesmo. Preciso ler o livro urgente!
Adorei, também o que você disse sobre o circo ser a representação do mundo. Muito bom!

Beijo

Michele disse...

Vi outro dia um trailler em algum canal que não me lembro sobre esse filme e me lembrei SIM de você! haha Achei bem interessante também, apesar de não ter esse carinho e admiração que você tem pelo circo. Acho que vale, até mesmo para quem não curte tanto assim, por parece uma boa história! Como você disse, começamos a admirar a trajetória circense quando entramos na sua história, quando pensamos o quanto tudo isso significava há algumas décadas e o quanto tudo evoluiu.

Eu me divirto com seus comentários! Achar que bebês jogavam comida pra fora por diversão foi o máximo! hahahahahaha

Ah sim, meu Dia das Mães foi gostoso demais! Muito bom e sendo o primeiro, a gente nunca esquece!

Um beijo, querida!

maria elis disse...

onde eu posso pegar meu 'mastro central para armar a barraca'?! '-'
(IUASIAUSIAUSIAUSIAUSIASUIAS)

não sei você, mas eu sou do tipo que julga o livro pela capa e quando vi a capa desse livro eu simplesmente me apaixonei *o* e a felicidade ficou completa quando eu o encontrei na biblioteca esperando por mim. eu li esse livro tem uns dois anos, mas o roteiro ainda estava salvo na minha memória e quando eu vi o cartaz no cinema, não acreditei. gostei muito do filme e é claro que eu chorei ._.

tô de pé e aplaudindo (:

beijas, del :*

[saudade]

Leila Ice Girl disse...

Que texto lindo, Del, para variar né? Eu acho o máximo ver alguém falando com tanta empolgação de uma coisa que gosta, claro, me anima a ver o filme, (mesmo com a presença non grata de Robert Pattinson) e ler, claro, já que uma boa leitura é insubistituivel; ainda não conheço Água para elefantes, mas se conhecer certamente lembrarei de vossa pessoa.

Jana Barreto disse...

Ah, Del, não sei se eu rio ou choro dessa adaptação. Quer dizer, que quase chorei (de ódio, que fique claro haha) quando soube que era o 'Edward Cullen' que ia fazer o Jacob. PQP, num guentei, sabe? Realmente ele é um ator sem 'expressão' como me disse uma amiga blogueira (@babizinhafarias). Antes de saber eu estava dando pulos de alegria, batnedo no teto, quase. E me jogaram no chão porque eu não vou pagar 22 pilas pra ouvir grito de adolescente maluca, né? --' haha Desisti de ver no cimena, mas estou maluca pra ver tudo! Todo mundo tá falando MUITO do ator que faz o August. Me arrepio só de falar o nome do cara pois quis esganá-lo várias vezes no livro. xD E juntando às criticas: pq Robert e Reese?? Por quêêêêê?? haha

Ei, me diz uma coisa? Aparece o Kinko (o palhacinho... escreve assim?) e o cachorrinho no filme? Gosto tanto deles :D

Kamilla Rodrigues disse...

não vejo a hora de ver esse filme no cinema

Jana Barreto disse...

mmmaaaaas que sacanagem! o blogger tarado COMEU meu comentário... --'

Kamilla Barcelos disse...

Não li o livro, ainda não vi o filme. Eu me sinto uma usurpadora de ver o filme sem ter lido o livro antes, como se eu trocasse a história verdadeira pela adptação. Vai entender... Não pense mal de mim, mas a minha relação com o circo nunca foi das melhores, ou melhor, nunca me encantou.

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