6 de junho de 2011

À escritora, com carinho

Quando você nasceu, menina, não tinha destino algum. Era um barquinho solto à sorte no mar de ondas bravas. Ninguém, ninguém, ninguém sabia onde ou no quê você iria se chocar. Nem você. Ora essa, muito menos você. Pois bem, cá estamos. Posso lhe falar agora usando um tom mais severo, de gente grande, apesar de você entender melhor o uso da gentileza. Mas nunca é tarde, mulher, para aprender que a gentileza, na verdade, não existe. Você há de compreender que o que existe é a oportunidade. Digamos que a gentileza seja uma sensação a qual nem todos são fieis. Mas vamos ao que nos interessa...

Você acabou por se chocar na misericórdia que é ser um humano da ciência inexata. Uma ciência impiedosa que não nos ensina coisa alguma, pelo contrário, só faz nos jogar e acumular perguntas e mais perguntas. Então escreva, mulher. Escreva para, durante a vida, calar uma dúvida ou duas. Não, não lhe garanto mais do que isso. Se conseguir calar uma sequer, sentirá a satisfação dos deuses. Faça de seu destino uma armadura e combata seus medos de ser pessoa. Comum, sim, mas pessoa única. Não se esqueça disso, é importante o saber. Pessoa única que atracou no continente certo.

Não venha, depois, me dizer que tudo aconteceu errado, do jeito errado, no momento errado. Te digo agora que você escolheu a alma que lhe convinha, e zarpou de nossa terra sem olhar para trás. Você sabia. Pode não saber agora, mas um dia soube. Às vezes é necessário sentar, outras você deve correr e há vezes em que deverá simplesmente esperar. Escreva em todas as vezes, mesmo que seus manuscritos sejam queimados, afogados ou perdidos. Cada um deles, assim que terminado, tem destino traçado. Acredite.

Dia 4 foi meu aniversário. É, pois é. Eu queria deixar passar em branco, mas seria no mínimo estranho o blog não ter nada comentado sobre o aniversário da blogueira. Vá lá, um texto antigo. Datado da minha adolescência que permanece atual até hoje, mesmo aqui no alto dos meus 24 anos.

8 comentários:

Flor disse...

Del, feliz aniversário!

Nascemos na unica certeza de morte, o que separa um extremo do outro é um abismo de mistérios. Não existe garantia de felicidade, pelo contrário, é muito mais provável que a gente sofra por muito tempo. Mas existem pequenos milagres embutidos no decorrer no dia, e nesses é até possível sorrir! Aproveite cada milagre desse, e que eles se tornem cada vez mais freqüentes, até chegar ao outro extremo.

Um beijo e muito obrigada pela força de sempre!

Andreia disse...

Acho que as únicas certezas que temos na vida é que nascemos e morreremos algum dia. O resto do tempo é a nossa decisão como o iremos aproveitar.

Não acredito que exista um destino traçado, algo que já está predestinado a acontecer. '-'

Parabéns! =D

Jana Barreto disse...

Sabe que eu pensei que você não ia mesmo postar? Não sei se faz o seu gênero esse negócio de aniversariar no blog, ainda mais com a fase pré-aniversário acabando contigo, né? hehe

Sabe do que eu me lembrei nesse teu post? Do livro A Hospedeira. Essa coisa de alamas, sei lá... Acredito sim, que a gente escolhe como vai voltar e mesmo que apareça estranho, ou sem propósito, tudo deve ter uma ordem natural, sei lá o quê. rs

Beijokas, Del! Muita saúde. ^^
PS: teve bolo? se for de chocolate, eu QUERO!

Té mais =*

Jana Barreto disse...

digitei TUDO ERRADO! =/

sobrefatalismos disse...

São raras as pessoas que realmente nascem com o dom da escrita. Mas com essa carta do passado, percebo que você já é uma delas. Abraços.

Jaqueline Silva disse...

Parabens Del *--* Como você escreve bem,adorei. A partir de agora estarei acompanhando o seu blog com maior prazer. Beijo

Gabriela Petrucci disse...

Ah, parabéns Del! Tanto pelo aniversário quanto pelo texto!

Beijo

Lusinha disse...

Realmente, se a escrita conseguir lhe calar uma única dúvida, comemore e dê-se muito por satisfeita.
Bjitos!

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