13 de agosto de 2011

Pelas bordas

Há dias em que não quero ser eu mesma. Às vezes falo o que as pessoas querem ouvir. Outras vezes digo o que elas esperam que eu diga. Também converso da forma que manda a etiqueta. Acho tudo um absurdo, uma sacanagem, um crime. Só porque a sociedade quer que eu ache isso. Não tenho paciência para puxar assunto, manter assuntos e tão pouco buscá-los por aí. Só quero sombra e água fresca. Só quero levar as coisas com a barriga e deixar por isso mesmo. "Amanhã eu resolvo". Segunda-feira eu começo. Na próxima vez serei mais simpática e extrovertida. Se houver segunda chance, darei o melhor de mim.

Há anos que quebro promessas. Esqueço metas, objetivos e apago da agenda compromissos comigo mesma. "Hoje não quero. Hoje não dá. Hoje não é um bom dia." No fim das contas, hoje nunca chega. Hoje nunca se encaixa na semana. Acordo naquela vontade de recomeçar, mesmo quando não há nem o começo, e coloco os pés no chão frio. A vontade vai embora porque, convenhamos, a realidade é gelada demais. Então, todo um sistema de sabotagem começa a engrenar. E mais uma vez, ser eu mesma se torna cansativo. Provar da minha própria personalidade é improvável. Ser sincera na terapia, abrir o coração para os próximos, socializar com os conhecidos se transforma em uma batalha naval.

Há sempre o risco de ser atingida. Não pelos outros nem por suas reações, mas pelo impacto da coragem de ter sido o que sou. Às vezes, por incrível que pareça, é impossível. Simplesmente não tenho vontade. É um dar de ombros, um virar de costas, um sorriso sem os olhos. Me permito ser covarde sim, e não nego. Me escondo nas entrelinhas, no entortar de boca, no gole de café. Fico ali no fiasco, dependurada, rezando para ninguém notar. "Ela está sendo sincera? Verdadeira? É isso mesmo que pensa?". Nunca se sabe. Nunca sei. Para descobrir, preciso acordar na manhã seguinte determinada a encontrar a resposta. Caso contrário, jamais saberemos em que dia estou. Se no hoje ou no aguardo do amanhã.

12 comentários:

Carol disse...

Mais um post maravilhoso , Del. As vezes é realmente impossível, dá até vontade de sair da gente mesmo, fico cansada de mim. É fato.

Leila Ice Girl disse...

como diz uma amiga, adorei e aderi, Del, nossa, nem sempre é facil conviver com nós mesmos

Jana disse...

Somos a nossa melhor companhia e ao mesmo tempo a pior. Verdade é que ninguém pode fazer por nós as nossas tarefas na 'evolução'.

Também tenho uma preguiça de mim mesma, Del... Na verdade, me acho um saco, não me aguento na maioria do s dias. Só quero olhar pro teto, ser nuvem e divagar, divagar, divagar. Acho que venho me sabotando desde os 18 e só Deus sabe onde isso vai me levar. Ou se não vai me levar a lugar nenhum >_<

PS: e ai, garota, tuitando muito hoje, hein? Recuperada? E seu pai, está bem?

Beijos!

Bia disse...

Vou te dizer o que é isso: preguilson ideológica!
Sei bem, tenho passado!
As pessoas sempre esperam um posição minha, uma opinião, uma dica... esperam que eu discuta por aquilo que acredito, que eu tente mudar a opinião alheia, que eu lute pelos meus ideiais, mas ultimamente tudo que tenho falado é "ok", ah nem, estou cansada de ficar discutindo a toa, pra que? eu não vou mudar nigm, cada um pensa o que quer, não é mesmo?
não falo o que querem ouvir, porque até pra isso tenho preguilson!

Carlos Massari disse...

as pessoas sempre deixam tudo o que não interessa pros próximos dias porque, simplesmente, não interessa. seria legal se ninguém deixasse nada pro dia seguinte. talvez fosse um ideal de liberdade.

Isadora disse...

nunca sei se gosto mais do seu blog, assim, visualmente, ou dos seus textos. hoje eu descobri: de você. que lindo :)

Kamilla Barcelos disse...

Posso dizer? Você não está sozinha nessa. Durante seu texto todo eu me identifiquei muito. O problema é que ainda não resolvi essa questão. Estou perdida também.

Iasmin Cruz disse...

Oi.
passei pra lhe fazer uma visitinha.
Ótima semana .

http://iasmincruz.blogspot.com/

sobrefatalismos disse...

Muitas vezes sintoq ue tenho obrigação com as coisas que envolvem o meu bem-estar, o futuro, as realizações. Isso é ruim, às vezes até encaro como uma maneira de egoísmo e tento pensar nas outras pessoas - e deixo quase tudo para amanhã.
Ainda não consigo me ver diante de um psicólogo, moça. São intrusos, estranhos na minha vida. Não os vejo como um espelho.
Beijão.

Jana disse...

Del, te passei um meme, se você gostar e puder postar, pega lá :)

Elizia Cavalcante disse...

Nossa que post amravihoso, me identifiquei muito com ele, pq muitas vezes me sinto assimm, querendo sair de mim. Parabéns Del, mais uma vez.

Lusinha disse...

Ótimo texto Del! Às vezes me sinto assim também.
Bjitos!

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