8 de outubro de 2011

Um dia como outro qualquer

Desânimo, é essa palavra que me define. Depressão? Não sei. Sempre achei essa palavra muito forte. Por mais que os médicos denominem assim um estado emocional, a palavra continua soando errada. Eu sou uma pessoa desanimada. Pronto. Não quero sair, me divertir, conversar nem assistir alguma coisa. O que eu quero? Nada. Nunca acreditei ser possível uma pessoa querer nada, mas hoje penso diferente. E essa é a vida, um abrir incansável de horizontes. Posso sofrer com a montanha russa de sentimentos ao longo do dia, mas o desânimo, esse sim, é fiel ao cliente. Cedo, tarde, de madrugada, meia noite, não importa. O desânimo está aí para melhor nos atender. Já me perguntei diversas vezes se isso é opcional. A terapia, andei aprendendo, por enquanto não vai me entregar a resposta de mão beijada. As coisas não são fáceis assim, por mais que a gente reze pelo contrário.

Passadas grandes. É esse meu segredo. Quando quero nada, dou um pulo gigante para o próximo nível. Quero nada, mas quero tentar querer alguma coisa. Então, eu me esforço. Como hoje, por exemplo. Estava aqui, querendo nada da vida e a vida querendo muito de mim. Essa exigente! Eu viro a cara, amarro meu burro e saio assoviando, mas a danada vem atrás. "Espere aí, mocinha! Onde você pensa que vai? Estou precisando de você!". Ah vida - eu retruco - vai catar coquinho na ladeira, minha senhora! Às vezes funciona, mas a sensação de queda vertiginosa fica por minha conta. Sempre há um troco, e essa é minha maior fé. Mas o que quero dizer mesmo, é que hoje saí e fui parar no shopping perto de casa. Tinha aqui, mofando na gaveta, um bilhete de troca da loja Renner. Não é maravilhoso você ter até quase um ano para efetuar a troca? Para preguiçosos como eu, é maré cheia.

Pois bem, fui trocar meu bilhete de R$39,90. Que, aliás, troquei por uma calça de R$69,90. Mas sobre isso não vamos debater, porque a metade que foi tragada pelo buraco negro de minha existência foi o troco que a vida sempre dá. O cosmo deve ter usado para comprar cremes a base de esperma. Chegando na loja, é claro que eu não encontraria nada interessante por esse preço. Tão pouco lingeries ou meias, que custam quase o preço total por unidade.

— Não vou trocar todo esse dinheiro por um único par de meias! - eu disse.

Continuei, então, garimpando nas araras cheias de estampas feias que ninguém quer comprar, vendidas por míseros R$19,90. Eu tenho fé que um dia ainda encontro uma peça linda nessas araras. Sabe aquele velho esquema feminino de esconder a peça entre outras roupas, araras e até seções? "Vou sair da loja rapidinho, mas depois volto para te comprar, sua linda!", esse esquema de sobrevivência. Saímos da loja não antes de esconder o tesouro, meu bem. Isso mesmo, um dia eu consigo e passo a perna na concorrência. U mad? Problem? Só que não foi o caso. Fiquei a ver navios na Renner mais sem sal que já conheci.

Esse é outro horizonte que a vida abriu ao longo da minha caminhada feminina: as lojas mudam suas roupas conforme a localização do shopping. É um pouco canalha, acha não?! Se bem que a moda que veste as mulheres do Jardins não pode vestir nós, do extremo sul de Sampa, a região esquecida por Deus. Primeiro porque os gostos devem ser diferentes, assim como as ideias. Depois o preço. A plebe não está podendo gastar o vale refeição mais o vale transporte em apenas um casaquinho. Enfim.

Estou transformando um simples texto, de finalidade analítica, em uma história sem fim. Fato é que fui com um bilhete de R$39,90, nenhuma animação e poucas opções de trocas. Voltei para casa com um par de sapatilhas, outro par de pantufas cor de rosa, um pijama e duas calcinhas. Além do Big Mac muito bem acomodado em meu estômago, juntamente com guaraná, batatas fritas e torta de maçã. Eu amo torta de maçã mais do que... eu ía dizer mais do que The Rasmus, mas eu e você sabemos que isso é mentira. Amo mais do que lasanha. Lógico que completei o saldo com meu cartão, que tenta me esfaquear cada vez que o tiro da carteira. "Poupança o caralho, né?", ele reclama. Mas é péssimo de mira, sempre acaba sendo esfregado na maquininha capitalista.

Voltei para casa mais pobre, sim. Com duas sacolas e passando mal de tanto comer. Mas eu estava voltando para casa, e não curtindo meu desânimo dentro dela. Ri, reclamei dos preços de sapatos, esbarrei em uma criança que corria solta pelo corredor (só pela diversão da coisa) e ainda comprei as pantufas mais confortáveis de todas as gerações preguiçosas do mundo. Vi gente, como minha mãe diz, e por mais que eu não goste de socializar, ver gente vivendo é sempre bom. Porque existe vida lá fora. E nenhum dia é como o outro. Todos tem sua particularidade. Hoje, por exemplo, eu descobri que a vida sem desânimo não dói, e que eu ainda sei viver assim. Por mais que eu queira me convencer do contrário.

16 comentários:

Leila Ice Girl disse...

Ah del como sempre me identifiquei em diversas partes do texto, tenho muito desse desânimo, pouca vontade de viver, com tanta coisa pra dar conta, enfim, mas sair de casa e ver gente é sempre bom mesmo, mesmo que em algumas ocasiões as pessoas me deixem mais desanimadas, sempre acontece de se deparar com situações engraçadas ou que você pode tirar algo engraçado, ou rir dos outros, enfim. Eu preciso viver sem esse desânimo, sabe, preciso pelo menos voltar a escrever no meu blog :D

Ulli Uldiery disse...

Eu queria comentar alguma coisa, mas não encontrei as palavras certas, acho que é porque não sofro desse fiel desânimo, às vezes ele bate em minha porta, dá um olá, me acompanha principalmente nos domingos frios, mas vai embora, tenho uma vontade de viver que às vezes me assusta, mas é pra viver do jeito que eu gosto e viver nem sempre é socializar. Um beijo, gosto cada vez mais das tuas palavras.

Flor disse...

Del, sofro desse desanimo cronico, mas não posso me dar ao luxo de fazer nada, porque a vida exige que eu esteja pronta e disposta todos os dias. Dai eu saio e tenho que sorrir o dia inteiro, rezando pra dar 17h e eu não ter que esboçar outro sorriso falso. Acho que no meu dia existem apenas duas horas em que eu fico realmente animada e feliz pra fazer algo. De resto.. bem, queria poder fazer... NADA.
Amava a Renner. Mas de um tempo pra cá não encontro nada que me faça querer gastar meu dinheiro ganho com sorriso falso, então...

Beijos :**

Jamylle disse...

deeeeeeeel, mil desculpas de verdade. eu coloquei o layout errado e nem percebi, desculpa!

Lari disse...

Nossa, Del. Você me descreveu total. Saio com meu burrinho também, dando um tchau pra vida, mas ela sempre volta DHSOFUIHSDUIFOH. Mas eu nem me arrependo, e até gosto desse desânimo certas horas. O problema é que meus amigos são muito animados, e tenho que dar desculpas pra ficar em casa. Tenso.
Beeijo, Del.

Mayana Carvalho disse...

pior é quando você mascara seu desânimo em uma tentativa frustrada de parecer forte. às aparências, digamos apenas que funcione satisfatoriamente.

Andreia disse...

O teu post me lembrou uma época em que eu praticamente não saia de casa. Se saísse era porque era obrigada. Falar com os outros? Nem pensar! Demasiada timidez ao meu lado.

Mas acho que todos acabamos por socializar algum dia. Por conviver mais.

Mas acho que você não deve desanimar tanto. Afinal, você está viva e só isso marca toda a diferença.

Ana Lu disse...

Ai, por mais que a gente lute contra tem vezes que o desânimo toma conta né? =(
Tem um desânimo do além batendo na minha porta agora nesse fim de ano, eu tô fazendo de tudo pra não deixar entrar.
Tomara que o daí passe!!
Beijos!

Aym disse...

compreendo isso. também estou num momento assim. não sei definir muito bem o que sinto... mas tento me distrair com coisas que gosto.
beijos
bom domingo.

Del Santana disse...

Del, tantas vezes me sinto assim, querendo nada. Sair, ver gente nova, ver coisa nova é bom nessas horas (ah, pena que é difícil eu sair sozinha, sério. Isso é horrível, precisar de alguém para poder sair. Às vezes, bem raramente, eu consigo).

E vamos tentar sempre querer alguma coisa, pois assim a mente trabalha e evita que pensamentos ruins tomem conta dela.

Hoje fui na Riachuelo e Marisa, também tentei garimpar nas araras cheias de estampas feias; não tive sucesso nessa tarefa. haha

Beijo

gabs. disse...

MAAAAN, desânimo é comigo mesmo! Aff, vida. haha. Tenho preguiça de tudo ;S
Ver gentes *--*

E, fia, a marisa é beeeeem melhor huauhahua #fikdik
;*

Thay disse...

Não diria que desânimo me define, mas procrastinação, com certeza! E pior que isso só tem se agravado por esses dias, justamente quando eu deveria estar terminando meu TCC. Ligo o computador, fico encarando meu trabalho e, quando percebo, já estou fazendo coisas nada relacionadas a ele! Ahh, preciso me policiar!

E poxa vida, o que tem acontecido com essas lojas? C&A, Renner, Marisa - só tem roupas estranhas! Se eu consigo encontrar uma blusa de que realmente goste já me sinto sortuda. E outra que eu não tenho muita paciência pra ficar garimpando, minha irmã caçula é a que geralmente faz esse tipo de serviço por mim. XD

E José Cândido já encontrou um lar?
Outra coisa, prometo que já estou encerrando: muito obrigada pelo comentário no meu último texto. De alguma forma suas palavras me trouxeram um sentimento muito bom de calma, sabe, de que não adianta me descabelar nem nada, que as coisas serão se tiverem que ser. Obrigada mesmo! <3

Beijo Del!

Karina disse...

Todo mundo tem seus dias de desânimo e de querer nada. Aliás, eu não acredito em ninguém que diz estar feliz todos os dias sem exceção. Sair e ver gente é uma arma poderosa, na minha humilde opinião. Alguma coisinha sempre pode te animar numa dessas, não é?
E nunca comi torta de maçã.
Beijo!

sobrefatalismos disse...

Eu também andava assim, muito desanimada. Minha solução sempre foi acumular os meus dias com o máximo de atividades que eu pudesse. Resultado? acabei estressada - diagnosticada mesmo com estresse. Mas tudo bem. fiz compras, assim como você e, apesar de parecer fútil e leviano, até que deu certo essa tática de me fazer um agrado de vez em quando.
Nada como um dia após o outro.

Roberta disse...

eu ando com um problema sério de desânimo ..
não quero sair de casa, nem pra ir na padaria,
minha mãe reclama mas não tenho vontade (é chato!)
nada pra fazer lá fora :/

Kamilla Barcelos disse...

Apesar de eu já ter tido depressão, eu também me considero uma pessoa desanimada.
Já consegui comprar duas batas lindas na Renner por apenas 10 reais cada uma. Esse tipo de acontecimento é só uma vez na vida e outra na morte. Fato.

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