Esses dias fui à banca. Sabe? Banca de jornal, revistas e utensílios domésticos vagabundos da Caras. Ok, ao menos ela está tentando se safar da era tecnológica. Enfim, não é esse o problema. Eu não compro nem assino revistas, não leio jornal sujando as mãos de coliformes fecais e sentindo cheiro de gráfica com salários atrasados. Porém, todavia, volta e meia passo em frente a uma banca avulsa, que sobrevive aos novos tempos, e de dentro do ônibus posso fazer uma leitura rápida pelas capas. Descubro quem matou quem na novela das 6hrs, quem vai trair quem com quem de quem não sei nada na novela das 9hrs, às vezes até rola uma nova descoberta científica e - principalmente - vejo como devo administrar meu corpo e vida social. Não sei como, mas certas revistas sabem até que tenho vida sexual ativa, e se convidam à fazer parte desse meu mundo íntimo.
As revistas me mantém informada sobre quem comer e como ser comida sem serem requisitadas.
Em São Paulo existem farois que demoram 3 min. Nesses minutos, eu lhe garanto, aprendo os mais variados segredos de uma vida saudável e feliz. Edição após edição. Os segredos nunca acabam. Por mais que eu já saiba como depilar minhas pernas, e que cera fria não é recomendável, essas revistas se preocupam em me manter avisada mês após mês. Às vezes semana após semana. Mesmo estando em um relacionamento estável, a boa vizinhança impressa faz questão de me alertar sobre o que não dizer e o que dizer para o namorado. Também acham necessário o lembrete diário de como pintar o olho e para tomar extremo cuidado com o uso do pincel errado. Não preciso nem pesquisar preços, elas adivinham o que quero em minha necessaire e colocam ali todos os preços com fotos photoshopadas e tudo, menina! Pensar? Imagine! Basta comprar a Juliana Paes na capa mais próxima e descobrir o que a danadinha faz para manter aquele corpo. Seu mundo irá cair ao descobrir que exercícios e alimentação saudável lhe proporcionam saúde tanto estética quanto clínica. Pois é, eu também jamais imaginaria que seria, assim, tão fácil.
Sempre rola uma entrevista ou outra bajulando um ego ao qual nunca teremos acesso. Sabe como é, aquela conversa marota sobre filhos, casa, affair, marido, dia a dia e essas bobagens que só existem na vida dos famosos. Porque nós, ora bolas, nós vivemos dentro de um escritório sem janelas ou dentro de ônibus parados em farois. Não temos tempo para uma vida normal. Sequer temos tempo para pensar em viver, por isso essas revistas são úteis. Elas nos mantem informadas e nos fofocam quais as posições sexuais, que os seres humanos de um planeta far far away, estão usando. Como é a rotina de uma trintona, lá, no mundo real. Correm atrás do próprio rabo porque, convenhamos, chega uma hora em que atingimos o clímax e não há mais o que gemer, minha gente. Mas, ainda assim, compramos as edições na esperança de algo novo ter acontecido no mundo das pessoas com vida social saudável.
Vai que apareceu uma nova técnica para organizar os móveis dentro de casa! Vai que passar batom se tornou uma ginástica complexa! Vai que fazer sexo passou para o outro nível e agora é necessário um novo joystick! Vai que alguém na redação abriu os olhos, saiu do coma, largou a birita, finalmente descobriu o que é prazer e resolveu escrever de verdade, para variar.
Talvez um dia, quem sabe, as revistas descubram que estão publicando no planeta errado, para o público errado. Porque, obrigada, mas já estamos por dentro de qual calcinha levar e como praticar exercícios. Ao contrário do que demonstram suas capas, somos de pele e osso, não máquinas. Tão pouco bonecas de plástico brilhando à luz de um estúdio fotográfico com um sorriso estuprando nossa verdadeira feminilidade. Não subestimem nossa inteligência achando acertar na mosca o que queremos para o próximo verão. Suas liquidações não são minhas liquidações, porque não tenho o salário de uma redatora trancada em uma bolha fashion. Eu dispenso suas dicas quanto a homens, já adquiri auto confiança por um preço bem mais camarada. Ou melhor, de graça. Dispenso página por página que, enquanto viradas, vão varrendo meu bom senso.
No mais, é insultante esse mundo impresso.
As revistas me mantém informada sobre quem comer e como ser comida sem serem requisitadas.
Em São Paulo existem farois que demoram 3 min. Nesses minutos, eu lhe garanto, aprendo os mais variados segredos de uma vida saudável e feliz. Edição após edição. Os segredos nunca acabam. Por mais que eu já saiba como depilar minhas pernas, e que cera fria não é recomendável, essas revistas se preocupam em me manter avisada mês após mês. Às vezes semana após semana. Mesmo estando em um relacionamento estável, a boa vizinhança impressa faz questão de me alertar sobre o que não dizer e o que dizer para o namorado. Também acham necessário o lembrete diário de como pintar o olho e para tomar extremo cuidado com o uso do pincel errado. Não preciso nem pesquisar preços, elas adivinham o que quero em minha necessaire e colocam ali todos os preços com fotos photoshopadas e tudo, menina! Pensar? Imagine! Basta comprar a Juliana Paes na capa mais próxima e descobrir o que a danadinha faz para manter aquele corpo. Seu mundo irá cair ao descobrir que exercícios e alimentação saudável lhe proporcionam saúde tanto estética quanto clínica. Pois é, eu também jamais imaginaria que seria, assim, tão fácil.
Sempre rola uma entrevista ou outra bajulando um ego ao qual nunca teremos acesso. Sabe como é, aquela conversa marota sobre filhos, casa, affair, marido, dia a dia e essas bobagens que só existem na vida dos famosos. Porque nós, ora bolas, nós vivemos dentro de um escritório sem janelas ou dentro de ônibus parados em farois. Não temos tempo para uma vida normal. Sequer temos tempo para pensar em viver, por isso essas revistas são úteis. Elas nos mantem informadas e nos fofocam quais as posições sexuais, que os seres humanos de um planeta far far away, estão usando. Como é a rotina de uma trintona, lá, no mundo real. Correm atrás do próprio rabo porque, convenhamos, chega uma hora em que atingimos o clímax e não há mais o que gemer, minha gente. Mas, ainda assim, compramos as edições na esperança de algo novo ter acontecido no mundo das pessoas com vida social saudável.
Vai que apareceu uma nova técnica para organizar os móveis dentro de casa! Vai que passar batom se tornou uma ginástica complexa! Vai que fazer sexo passou para o outro nível e agora é necessário um novo joystick! Vai que alguém na redação abriu os olhos, saiu do coma, largou a birita, finalmente descobriu o que é prazer e resolveu escrever de verdade, para variar.
Talvez um dia, quem sabe, as revistas descubram que estão publicando no planeta errado, para o público errado. Porque, obrigada, mas já estamos por dentro de qual calcinha levar e como praticar exercícios. Ao contrário do que demonstram suas capas, somos de pele e osso, não máquinas. Tão pouco bonecas de plástico brilhando à luz de um estúdio fotográfico com um sorriso estuprando nossa verdadeira feminilidade. Não subestimem nossa inteligência achando acertar na mosca o que queremos para o próximo verão. Suas liquidações não são minhas liquidações, porque não tenho o salário de uma redatora trancada em uma bolha fashion. Eu dispenso suas dicas quanto a homens, já adquiri auto confiança por um preço bem mais camarada. Ou melhor, de graça. Dispenso página por página que, enquanto viradas, vão varrendo meu bom senso.
No mais, é insultante esse mundo impresso.



