Cadê meu dono? (Parte III)


Antes de começar o texto, preciso responder a duas perguntas: 1) Não, o dono dele não apareceu; 2) Não retirei a foto dele do blog, só a coloquei na página O Circo. Sei lá, deu alok e achei que estava "poluindo" a sidebar (olha o TOC aí, gente).


O Tony está aqui há mais de um mês. Já está acostumado com a rotina da casa e com todo mundo que mora ou frequenta aqui. Não que sejam muitas pessoas porque, tirando meu namorado, não vem mais ninguém. Portanto, esse é o último texto sobre a saga do pequeno tapete de banheiro (apelido que o namorado deu) que caiu no meu colo. De agora em diante, Tony continuará hospedado aqui em casa esperando por sua verdadeira família ou, quem sabe, se associando cada vez mais a minha. Claro que voltarei a mencioná-lo no blog, mas não como um boletim informativo e sim como um simples texto de rotina. Cumpri meu dever de pacata cidadã e agora deixo o restante com o cosmo. Ele irá decidir se Tony sai ou fica. Mais ou menos como um BBB só que de boa qualidade.

Por duas vezes tentei tosar o pêlo dele. Sei que não tem mais acento, e fodace. Da primeira vez tudo saiu melhor que o esperado, já na segunda vez, Tony ficou com um singelo buraco de rato em seu penteado canino. Nada que a espera e a natureza não possam consertar. Mas ficou decidido que, assim que possível, o pequeno será levado para o Pet Shop mais próximo e ficará longe de minhas mãos munidas por tesouras. Não reclamei do combinado porque taí um direito do qual abro mão. Minha rinite também agradeceu. Tony então, pobrezinho, deu seu sorriso maroto de costume. Ele adora nos olhar entre suas sobrancelhas avantajadas com um sorriso de língua de fora. Seus olhos parecem duas jabuticabas.

Uma vez agregado, é certo que não o criamos desde filhote nem sabemos qual sua idade. Por isso, ainda estamos o conhecendo. Minha mãe está completamente apaixonada por ele e sempre o enche de beijos. Eu também me acostumei com sua presença pela casa e Benjamin, definitivamente, arranjou um "irmãozinho". Todas as manhãs, Tony entra no meu quarto, sobe na minha cama, na minha cabeça, e lambe meu rosto para me acordar. Quando está com fome, começa a nos morder. Se está com sede, mas não tem água no potinho, ele o arrasta fazendo o maior barulho até onde estivermos e faz cara de "tem como?", abanando o cotoquinho (não dá para dizer que ele tem um rabo). Às vezes ele come sentado. Adora rosnar para o Tobias, meu outro cachorro, e o odeia gratuitamente. Ainda não o levei ao veterinário por que$tõe$ pe$$oai$.

Tony adora morder as patas traseiras do Benjamin e brincar de ponte, passando por debaixo dele que tem o dobro do seu tamanho. Ele ainda faz xixi dentro de casa, mas só quando está ocupado brincando e não tem tempo de ir para o quintal. Quando minha mãe está trabalhando, ele vira minha "pantufa". Vai para todos os lados que vou, me acompanhando, e só pára quando eu paro. Chego a sentir dó do bichinho porque sou hiperativa. Descobri que ele gosta do calorzinho do notebook. Tudo indica que ele não sente falta dos antigos donos, mas sempre que um de nós saímos o outro precisa segurá-lo, se não ele sai portão afora. Aliás, enquanto eu estava na terapia dia desses, minha mãe contou que ele fugiu. Quase perdemos o perdido!

Quando minha mãe abriu o portão para entregarem a ração, Tony disparou por entre os pés dela e desceu a rua correndo. Latiu para todo mundo, para todos os cachorros, pulou, farejou, deu a volta na esquina e sumiu. Minha mãe foi atrás dele, mas quando ele entrou na outra rua ela, com pouca paciência, virou as costas e entrou em casa. Alguns minutos depois, Tony voltou com o rabo cotoco entre as pernas e subiu direto para o meu quarto, onde ele se esconde para não levar bronca.

Sabemos que existe uma propaganda com o jingle "Tony, Tony, uuuuuh!", mas nem com reza braba nos lembramos qual é. De qualquer forma, adoro chamá-lo de "Tony, Tony, uh!" e ver seu cotoco balançar freneticamente. Para nos comprar, ele fica nas duas patinhas traseiras e se estica todo apoiando as patas dianteiras no nosso joelho. É um fanfarrão! Já tem coleira e fica louco quando minha mãe a coloca para os dois me acompanharem até o ponto de ônibus. Tony, claro, causa o maior frisson.

Ele adora babar a casa inteira depois de tomar água. Gosta de me encontrar pela casa quando me escondo dele (o Benjamin que o ensinou a brincar). Adora comer besteiras e roubá-las de cima de algum móvel que consiga alcançar. Tem medo de fogos de artifício. É viciado em colo e quer toda a atenção do mundo para ele. Sempre me recebe com grandes comemorações, só falta esticar um tapete vermelho e jogar confete. Já entrou para minha pasta de fotos caninas. Já faz falta quando estou na rua. Não gosta do meu pai, adora minha mãe e vai com a cara do meu namorado. Gosta de carinho no topo da cabeça, mas só aquele feito por mim.


Hello! I'm 16 years old...

Hoje é o Dia Internacional do The Rasmus. Isso mesmo! Nós temos um dia só nosso, onde podemos esquizofreniar à volonté. Acabei de escrever um texto de comemoração no The Rasmusologia, mas percebi que o Bonjour Circus não seria o mesmo sem uma comemoração também. Aliás, eu não seria a mesma se não falasse de The Rasmus hoje (e durante o ano inteiro)!

Até foto eu publico em nome deles...
Convenhamos que eu até demorei para começar a tagarelar sobre eles aqui no BC. Vocês não tem do que reclamar. Além disso, será gostoso, indolor. Será com carinho, jeitinho. Fica com medo, não. Relaxa. Não vou cair na besteira de começar a explicar como, quando, onde e porque a banda surgiu. Wikipédia, Google e Last FM existem para melhor servirem nossas dúvidas. Só quero compartilhar essa parte gostosa da vida com quem quiser ler. Sem pretexto, segundas inteções e muito menos esperando por um excelente feedback. Isso aqui é um monólogo onde eu dano a falar se como o mundo se importasse muito comigo, ao invés de estar simplesmente girando junto com ele no universo.

Não acho legal ficar tietando aleatoriamente em post de blog, a coisa tem que ter o mínimo de sentido, mas quando falo sobre The Rasmus coerência é a última opção. Não porque fico louca demais para transparecer maturidade, mas sim porque a falta de coerência é opcional. Simples assim. Permito viajar na maionese (expressão tirada do fundo do baú) e escrever ou falar o que der na telha. Porque é a emoção que me guia quando falo sobre eles. Eero, quando muito entusiasmado ou simplesmente em seus momentos esquizofrênicos, se apresenta como um menino de 16 anos de idade. É mais ou menos assim que me sinto em relação a eles, com eternos 16 anos. Afinal, foi com essa idade que os conheci, momento que permanece congelado no Hall das Grandes Lembranças e Acontecimentos e com moldura dourada.

Reconheço que, por dois ou três anos, não me dediquei muito a banda. Isso mesmo. Eu, Del, já sobrevivi a dias livres de The Rasmus. Não sei como consegui, mas é digno de ser estudado por alguma organização científica da Marvel. Foi um buraco negro formado entre o primeiro clipe assistido até o surgimento místico, celestial e milagroso de In the Shadows na MTV. Porque essa emissora só sabe transmitir Restart e bandas escandinavas comendo feijoada. Se você acompanha o blog, é meu amigo ou conhece o básico sobre minha pessoa, não se surpreende ao saber que me encantei com o clipe todo trabalhado em época remota com toque de fantasia. Um mocinho muito pálido com penas negras no cabelo e um baixista muito do lindo chamaram minha atenção e posso dizer que foi amor à primeira vista.

Quem são eles? Então, descobri que já conhecia. Ah, são eles! E meu coração havia ganhado um nome: The Rasmus. É como um cometa, só acontece a cada 100 anos e nem todos são agraciados. Muita gente passa pela vida sem uma banda, ou o que quer que seja, que preencha por completo aquele vazio reservado. Muitos ficam de coração incompleto, a mesa ali, eternamente servida de cadeiras vazias e vela se apagando aos poucos. Eu, boa desbravadora que sou, de primeira encontrei tudo o que procurava em apenas quatro pessoas. Um poeta, outro todo espiritual, o criativo e inquieto e também o pequeno notável ex-míope, que enfeita os dias com um simples sorriso e segura o poeta pelas calças para esse não cair barranco abaixo. Preservando, assim, uma espécie em extinção.

Como dito antes, não gosto de tietar. Não importa quão pessoal o blog seja, eu tenho que respeitar os leitores que não gostam das mesmas coisas que eu. Mas está assegurado na aba "A Circense" que The Rasmus é uma parte importante de mim e falarei deles, você querendo ou não. Caso não tenha lido a página, lamento, mas precavi todo mundo.

Vocês não precisam ler esse texto, sequer tentarem entender porque gosto tanto deles. É tudo desproposital, só para deixar registrado no BC um pouco mais sobre mim. The Rasmus e eu, não adianta, somos unha e carne. Até para mim é inexplicável. Para mim também é misterioso o lugar de onde vem toda essa admiração. Não sei o que seria de mim sem o Norte que eles me oferecem. Tenho plena consciência de que não é reciproco. Sei bem o meu lugar. Mas isso não me impede de praticar meu lado altruísta, aquele amor incondicional de bobeira. Quem gosta muito de banda, ou qualquer outra coisa, sabe que isso sempre proporciona bons momentos, pensamentos e até descobertas. Coisas únicas que ninguém mais poderia nos oferecer.

O que eu mais gosto na banda? O modo como seus fãs se sentem extasiados ao encontrarem outro fã no meio dessa gente toda padronizada. Somos poucos (ou talvez muito espalhados). Todo mundo quer ser pássaro, usar penas na cabeça e aprender finlandês. Da Suíça, trouxe quatro penas legítimas e acredite, não irei exitar em usá-las quando a ocasião permitir. No mínimo, darei duas delas para o verdadeiro dono. Não sou do tipo que irá dizer "Muito obrigada por tudo", não. Disso eles já sabem. Sou do tipo que diz "Até que enfim nos reencontramos". Afinal, todos estamos perdidos nas sombras, tateando no escuro. Quando o palco nos ilumina, é de bom tom festejar. Se bem que apalpar é a única coisa que está faltando nessa relação de tantos anos. Não é?!

 Well... yeah!

Fuck me, baby, one more time!

Daí que eu estava pesquisando sobre circo no Tumblr e me deparo com uma surpresa.

Se lembra da infância nos anos 90? Sem internet, celular nem Playstation. Somente aqueles ensolarados e malfadados domingos, onde éramos obrigados a acompanhar a mamãe no supermercado. O que pedíamos em troca era, no mínimo, um KinderOvo. Não é verdade? Comigo era assim. Eu voltava para casa carregando sacolas plásticas - porque sustentabilidade nessa época era para os fracos - cheias com caixas de leite da Parmalat (para trocar por pelúcias mais tarde), verduras, pão e em meu poder a única unidade de KinderOvo derretendo na mão. Quando eu chegava em casa, largava as compras na cozinha, largava minha mãe reclamando algo sobre ajudar e corria para o meu quarto. Mal conseguia esperar pelas altas aventuras prometidas na propaganda, ao abrir meu KinderOvo. Uma sensação bem Willy Wonka.

Por mais que meu eu-interior soubesse que o que me esperava era um brinquedinho mequetréfe contrabandiado por crianças asiáticas, o meu eu-cinderella sempre esperou por um sapatinho de cristal. Disso me lembro bem: a minha cara de decepção. Um carrinho. Um aviãozinho. Uma coisinha aleatória para montar com adesivos que, se ingeridos, me matariam envenenada. É, a gente sempre espera demais, nunca de menos. Isso tudo para exemplificar minha cara ao pesquisar sobre circo e ter como resultado a Britney Spears.

Em algum momento, alguém achou genial a ideia de Britney lançar um álbum chamado "Circus". A eterna adolescente americana, que se recusa a crescer mentalmente, um dia acordou e disse: "Tá aí! Vou ferrar a vida das pessoas circenses". Porque sim. Por um lado, Britney resolveu admitir que sua vida é um circo e que ela se comporta como palhaça. Por outro lado, Britney quis dar um fatality na Christina Aguilera, como acontece há anos. Dona Britney mostrou à pobre Christina como é que se faz essa coisa de circo. Dona Britney me mostrou como é que devemos perturbar uma pessoa. E ela é boa nisso.

Seus fãs também acham de bom tom sair por aí marcando "circus" a torto e a direito. Mesmo três anos após o lançamento do álbum. Mesmo que esse álbum não tenha nada a ver com arte circense. Mesmo que "Circus" seja, na verdade, um mico (com o perdão do trocadilho). O single que leva o nome do álbum nada mais é do que uma garota se achando muito especial. Uma garota sendo interpretada por uma mulher, mãe, casada, separada, saída de clínica de reabilitação e sociopata portadora de guarda-chuvas. Ótimo ter beijado a Madonna para o mundo inteiro ver. Beleza ser a queridinha da América. Tudo muito lindo. Mas me expliquem como ela consegue ter mais resultados de pesquisa do que o vampiro Cullen que fez um filme sobre circo? Ninguém rebloga as fotos dele. Ninguém fala de Água para Elefantes. Estão todos muito ocupados publicando fotos e mais fotos da Barbie brincando de pop star.

Não odeio a Britney de Tal, o ícone da adolescência dos anos 90 (e já estamos em 2011, né!). Muito pelo contrário! Não tenho espaço na agenda para isso. Quero mais é que ela seja muito feliz e que todos a deixem em paz, pobre coitada. Mas que ela seja feliz lá longe, bem longe, para nunca mais atrapalhar minhas pesquisas!

O rato come queijo, o gato bebe leite...

A Ulli Uldiery comentou em algum texto que eu deveria escrever sobre o filme dirigido por Selton Mello, "O Palhaço", já que tem tudo a ver comigo e com o BC. Respondi que sim, com certeza, mas que escreveria só depois de assistí-lo porque quando o assunto é circense, vocês sabem, derreto antes mesmo de conferir o produto. Domingo passado fui com meu namorado ao Playarte assistir, por cortesia da Porto Seguro, o filme que esperei por um ano ou mais.

O palhaço triste que faz todos rirem não é novidade no mundo circense. Pode ser considerado clichê, mas ainda assim é uma das mais belas formas de praticar tal arte. Benjamin administra o Circo Esperança ao lado de seu pai, Valdemar (Paulo José), e ambos promovem o ato central do espetáculo com a interpretação da dupla Pangaré e Puro-Sangue. Apesar da clara homenagem que Selton Mello faz aos comediantes brasileiros (porque eu não tenho coragem de chamar Didi Mocó de palhaço), posso dizer que tanto ele quanto Paulo José usaram da vertente Tramp (ou "vagabundo"). Palhaços de andar pesado, cara entristecida e de pouca habilidade social. O que deu o toque final que a história precisava.

A história, porém, gira em torno de Benjamin que, ao meu ver, resolve os problemas de todo mundo menos os seus. Arrastando os pés e de maquiagem simplificada, ele perambula de uma cidade a outra, no Brasil dos anos 70, com um pedaço de papel envelhecido que diz ser sua Certidão de Nascimento. Ela representa sua frustração e falta de identidade. Não digo o documento, mas sim a personalidade. No começo do filme, Lola (Giselle Motta) se aproxima de Benjamin com a desculpa do calor, dizendo que ele precisava de um ventilador em seu cômodo, e deixa um convite para ele observá-la. Benjamin, então, olha para si mesmo no espelho. Ao meu ver, é o ponto de partida para sua busca de auto-conhecimento. Estando praticamente toda sua vida escondido atrás da maquiagem e roupa de palhaço, Benjamin semeia a decisão de se encontrar. O ventilador nada mais é do que seu desejo de sair do Circo Esperança para conhecer outra vida e, principalmente, outro Benjamin.

Sei que posso estar viajando na mensagem que O Palhaço quis transmitir, mas na verdade me identifiquei muito com os dilemas do personagem de Selton Mello. Um Zé Ninguém que não sabe ao certo quem é, o que quer e muito menos por onde começar um novo caminho. Enquanto todos ao seu redor lhe pedem coisas e soluções, Benjamin não consegue conquistar seu espaço para realizar suas vontades nem seus problemas pessoais (representados pela Certidão de Nascimento envelhecida e o ventilador). Enquanto ele interpreta seu alter ego ao lado de seu pai, Benjamin não arranja tempo para se desfazer de Pangaré e ser ele mesmo. Enquanto a trupe circense sobrevive como pode com o dinheiro dos espetáculos capengas, Benjamin não encontra brechas para que alguém o faça rir.

É clichê, mas Selton Mello interpretou um dos palhaços mais melancólicos e maravilhosos que já vi.

Infelizmente, achei que não exploraram a parte em que ele sai do circo para viver uma vida "comum". Senti falta de mais acontecimentos e dilemas entre a identidade, o emprego e sua volta para o Circo Esperança. Houve também um erro terrível, onde todos lhe pediam CPF sendo que na década de 70 o Brasil ainda usava o sistema CIC. Mas nada que não seja digno de perdão já que a fotografia, os outros personagens, as tiradas cômicas e todo o resto estava perfeito. Até linguagem circense usaram ao mencionar o "enterrar defunto"! Assim como a preocupação com o vento, o estilo cigano e o jogo de cintura que toda trupe deve ter (se quiser sobreviver). Também senti falta dos espetáculos, mas como eu disse, o filme gira em torno da melancolia de Benjamin. Não é um filme altamente circense, com intenção de homenagear a arte.

Saí do cinema secando os olhos, porque se eu derreto antes mesmo de conferir o produto circense, imagine depois! Voltando para casa, percebi que todos nós temos um pouco de Benjamin. Todos queremos nos descobrir, nos aventurar, nos experimentar. Todos queremos "um ventilador", mas quase sempre não temos condições de comprá-lo. Muitos de nós, e aí eu me encaixo, fazemos os outros rirem. Palhaçamos nosso cotidiano com a intenção de alegrar aos outros, mas anda difícil encontrar quem nos alegre. Existe um palhaço em mim. Existe um em vocês. Seja ele Augusto, Carabranca, Pierrot ou de qualquer estilo, todos os nossos palhaços internos se perguntam:

 "Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?"

UniverSo Paralelo

Reintegração de posse na favela da familia no Jardim Aeroporto.
— por Weber Sian
Essa é só mais uma das centenas de fotos espalhadas pela internet, que ilustram a tática policial para cumprir a Reintegração de posse em áreas invadidas. Não é novidade para ninguém que policiais fardados sem identificação em seus uniformes usam da força bruta para retirar famílias inteiras de seus barracos, que se equilibram sôfregos por cima de córregos e entre paredes de papelão.

Na última terça-feira, dia 9, a comunidade foi surpreendida com uma ordem de despejo. Um pedido de reiteração de posse, alegando que as famílias se encontravam em situação irregular, previa a retirada de todos os habitantes da comunidade em um período de 48 horas. Houve confronto entre a polícia militar e os moradores, que foram vítimas de violência. Contra as famílias, foram usadas bombas de gás lacrimogêneo e gás pimenta, que irritam olhos, nariz e boca, causando mal-estar e até sensação de pânico.
É nosso dever manifestar e reivindicar nossos direitos como civis. Eu jamais abrirei mão disso. Quando o cinto da democracia aperta, nós devemos ser os primeiros a reclamar. Se algo está errado, fora do lugar, exagerado ou intolerável, nossa voz cívica deve brandar por todo o Estado. Ainda mais quando famílias carentes e sem recursos estão envolvidas em tais crimes democráticos. Pessoas pobres que não tem onde cair mortas, devem ser defendidas por nós que, aos trancos e barrancos, adquirimos o básico para sobreviver na sociedade brasileira que, sabemos, enfrenta diversas dificuldades.

A polícia cumpriu a reintegração de posse de um prédio que estava ocupado na Avenida Ipiranga, no Centro de São Paulo, SP. Os moradores do prédio seguiram em passeata até a Câmara Municipal de São Paulo e estão acampados na frente do prédio.
Permita-me acrescentar algo ao seu cartaz, minha senhora: O judiciário é vesgo, só enxerga a Burguesia. E a Burguesia só enxerga a si mesma. Nos últimos dias todos acompanhamos a ocupação e desocupação da Reitoria da USP. Apesar de ter provocado um belo barulho, muita gente ainda não sabe qual foi o teor da reivindicação dos 70 e tantos alunos. A única coisa que todos concordam (pelo menos nos jornais e em conversas "de bar") é sobre a revogação do convênio firmado entre a USP e a Polícia Militar. Ao que tudo indica, os estudantes dizem sofrer opressão dos policiais militares presentes na Cidade Universitária. Acho que não cabe mais a nós discutir se eles querem mais liberdade para fumar maconha ou qualquer coisa que o valha. O que nos cabe discutir é: aonde estavam todos esses estudantes enquanto os mesmos PMs reintegravam terrenos invadidos?

Onde estavam as mentes abertas e evoluídas da USP, enquanto o mesmo serviço expulsa mães de suas casas, com crianças de colo, debaixo de porrada? Onde estavam os revolucionários da USP quando centenas de mães perderam seus filhos para o tráfico de drogas? Aquela mãe lutadora, cujo filho morreu vendendo maconha para comprar o mesmo tênis que quem a compra usa, estava sozinha. Não havia estudantes formando um cordão humano para proteger todas aquelas famílias que sofreram, e sofrem, com a violência policial. Famílias essas, que convivem diariamente com o preconceito. Jovens que não tem o que comer e cheiram cola para disfarçar a fome, não podem revolucionar o movimento militar. Eles morrem muito antes de um estudante da USP se formar.

Pois é.

A sua beca não torna você uma pessoa melhor. Faça o favor de limpar seu rabo com ela, caro estudante revolucionário. Faça o favor de se retirar do seu mundo estudantil para lutar lado a lado contra a opressão sofrida por essas famílias. Defenda o pai que trabalha o dia inteiro para alimentar uma família de sete pessoas ou mais. Saia de sua Cidade Universitária para arrancar o problema pela raíz. Faça o favor de conviver com a mesma polícia que nos atende aqui, do lado de fora do seu mundinho repleto de professores, provas e festas regadas a Open Bar. Sinta na pele o que é não ter direito para comer, quanto mais estudar!, e ser acordado por policiais metendo o pé na sua porta. Tirando das suas mãos o pouco que você tem porque, ora essa!, os revolucionários ainda estão presos dentro da universidade. Nada podem fazer. Nos desculpe, crianças e jovens sem futuro, mas terão que aguardar debaixo da ponte pela chegada dos recém-formados. Nos desculpe, mães e pais que trabalham no farol para manter seu barraco de pé, mas esses recém-formados irão fechar o vidro do carro nas suas fuças.

Porque eles tem diplomas.

Nós, cidadãos comuns que estudam em universidades comuns, teremos que conviver com o crime e com a banda podre da polícia, porque a polícia treinada e democrática estará aprisionada na Cidade Universiotária. Infelizmente vocês, pobres coitados, e nós não podemos entrar lá porque é uma burguesia demasiada concorrida. Nossas escolas públicas não conseguem cumprir com a demanda exigida pela FUVEST. Nossos salários de call center e caixa de supermercado não conseguem competir com os cursos preparatórios tão pouco com nossa sobrevivência. Ah, os filósofos da USP devem saber que a corda sempre arrebenta no lado da sobrevivência. Sabem na teoria, isso é certo. Mas como pecam na prática!

Que falta de traquejo, Brasil...

Tantos estudantes assustados com a prática rígida da polícia, sem sequer saber o que é ser expulso da própria casa. Não sabem o que é ser expulso da própria vida por um punhado de maconha. A vida de muita gente anda manchando esses punhadinhos (seja de crack, cocaína...) "que não fazem mal a ninguém". Só a si mesmo. E os desinformados somos nós.

Não me venha falar de opressão, USP. 
É vergonhoso.

A (falta de) arte do Horóscopo

Lá estava eu na sala de espera de um consultório qualquer, lendo uma revista. Só nessas ocasiões leio revistas. Infelizmente, os consultórios nunca tem Superinteressante. Talvez porque seja um roubo pagar R$11 e tanto em uma revistinha super fina. Talvez porque eles alimentam o preconceito e acham mesmo que mulheres só gostam de ler Contigo e o escambal. Talvez porque Época e Veja sejam as revistas que condizem com minha idade, mas sou a única que ainda não percebeu isso. Seja lá qual for a razão, peguei uma Quem (ou sei lá qual) e comecei a folhear. Quis muito acreditar que a gravidez de Beyoncé mudaria minha vida, mas eu realmente caguei para a vida dela. Assim como ela para a minha.

Passei por mais algumas reportagens investigativas que demonstravam estrangeiras vestidas de biquíni na praia. Sei lá, talvez eles tentavam descobrir porque raios uma pessoa usa biquíni na praia. Quanta gente démodé! Daí, quando dei por mim, estava na página de Horóscopo. Meu sistema de defesa tampou os olhos e berrou que estava derretendo. Eu tenho uma superstição estranha, na qual conferir o horóscopo proporciona uma maré de azar. Não importa o que os astros reservaram para Gêmeos, se eu bater os olhos para conferir, vou bagunçar tudo. Ou melhor, o cosmo vai embaralhar as coisas só pela diversão da coisa. Por isso, nunca leio meu horóscopo. Nunca. E não pense você que não tive oportunidades de testar minha superstição. I've tested it!

Bom, o problema é que Gêmeos estava gritando por mim, e como meu pé está enfiado na jaca até o calcanhar, achei que não haveria mais nada que o cosmo pudesse fazer. No trecho, dizia que eu encontraria muita tranquilidade no meu lar. Comecei a sorrir. E que minha situação financeira (como sempre) iria melhorar. Dei gargalhadas internas com direito a tapinhas no joelho. Por fora, uma perfeita lady checando seu horóscopo e sendo fútil. Por dentro, uma demente se engasgando de tanto rir. Mas aí senti um pontapé na canela e levantei uma das sobrancelhas. Li e reli o trecho em que dizia: "Um amor antigo poderá voltar". Meu anjo e meu diabo apareceram de imediato.

— Quem será? - o anjinho perguntou.
— Quem quer que seja, vai trazer problema - o diabo disse, e depois cuspiu no meu ombro.
— Não poderia ser uma solução? - perguntei hesitante.
O diabo virou do avesso de tanto rir.
E o anjo também.

Minha memória não é das melhores. Nenhuma Brastemp. Procurei e procurei e procurei, mas não encontrei ninguém que deveria voltar ou que ao menos sustentasse tal possibilidade. Então, me inclinei para o lado do diabo e concordei. Se já tenho um namorado, e sou feliz com ele, para que o "amor antigo" voltaria? Problemas, claro. Se como eu não tivesse o suficiente deles pulando ao meu redor, puxando a barra da minha saia e pedindo e pedindo e pedindo coisas sem parar! Pensei em qual geminiano seria agraciado com aquela previsão. Com certeza não sou eu. Não há nada no meu passado que tenha sobrevivido ao Grande Incêndio. Mas aquela frase, ainda assim, me deixou com a pulga atrás da orelha.

— 'Sá bichinha pula demais da conta, sô! - o diabo, de chapéu na mão, comemorou em cima do lombo da pulga.

Por que fiquei intrigada? Porque comi trigo! Não faço a menor ideia. Por que isso virou texto? Não faço a menor ideia. Sentei aqui, lembrei disso, e comecei a escrever para ver se consigo tirar da cabeça. É, pois é, esse texto não tem finalidade alguma, assim como 90% da minha vida. Eu poderia dizer que o "amor antigo" é aquele que eu costumava sentir por mim mesma, há anos atrás. Mas as gargalhadas do anjo e do diabo me dizem que não. Não é nada disso.

O namorado mais bonito da cidade

Não sou do tipo que publica fotos pessoais na internet nem conto o que aconteceu ou deixou de acontecer no meu dia a dia. Porque sim. Claro que publico aqui muito sobre mim e minha vida, mas não me sinto a vontade em falar sobre meus problemas pessoais assim, letra por letra, tão pouco sobre os meus relacionamentos. Se o faço, é de forma melodramática metafórica. Tenho namorado, mãe, pai, amigos, cachorro e família louca grande, mas não tenho motivos em expor todo esse circo para qualquer um ler. Detesto fotos. Mesmo. Não sou fotogênica e fujo de câmeras feito o diabo da cruz! Com muito custo coloco uma foto minha em Facebook e o escambal só depois de ser devidamente pretoebrancoteada por mim. Há todo um processo de seleção e uma lógica complexa deve ser seguida. Desculpa por ter nascido desse jeito.

Namorado esses dias reclamou seu direito de ter seu nome escrito no perfil lateral do BC. Expliquei que não vejo necessidade em carimbar no cartório o fato de estar em um relacionamento sério e que comento sobre ele por aqui, em um texto e outro. Acho um saco publicar fotos juntos, falar sobre o relacionamento em todos os cantos, contar o que fizemos ou o que ele faz por e para mim. Sério. Não tenho nada contra quem faz isso, mas para mim não funciona. Prefiro viver um relacionamento a dois bem íntimo, criando e resolvendo os problemas como bem entendemos. Também prefiro ficar aqui, na moita, enamorada pelo Fernando Anitelli enquanto meu namorado baba pela Deinha Lamego. Somos desses.

Mas tudo bem, ele tem todo o direito de aparecer aqui trabalhado no título de Namorado da Del Lang há Seis Anos. Alex, nascido em Sampa, Mackenzista, conhecido por mim via internet (sim) e chato pracaralho é meu namorado há seis anos e estamos em um relacionamento seríssimo. O que faz você, homem, dar meia volta recolocando o chapéu e jogando o buquê de rosas no lixo. Porque na mente de Alex, há uma fila de palhaços trovadores na minha varanda. Muitos moços-corvos sobrevoando minha carniça. Deve ser o complexo de estar por fora da vida circense, coitado. O que ele não sabe é que já bebeu água do latão há muito tempo. E agora ele e vocês vão ao Google pesquisar o que significa essa expressão.

Eu espero...

Toda essa lambança inicial para lhes contar que fim de semana passado foi o melhor de todos. Estávamos em casa, ele e eu, sem muito o que fazer. Sem vontade de fazer alguma coisa também, confesso. Então, baixou nele o Chef que todo homem deve ter. Enquanto acessávamos um site especializado em hambúrguers, bons gordos que somos, ficamos com água na boca e decidimos brincar de calorias. Fomos ao supermercado lotado e compramos todos os ingredientes que, segundo ele, formariam o sanduíche perfeito. Eu sou do tipo que vai ao BurguerKing, senta e come. Ele é do tipo que presta atenção no que está comendo e gosta de variar os pratos. A gorda tensa e o gordo moderado, uma mistura explosiva. De volta em casa, começamos - ele começou - a preparação do sanduba que mais parecia uma obra de arte.


Com direito a picles, bacon, cebola e tudo o que deveria estar garantido em algum estatuto desses por aí. O meu, claro, todo bonitinho e bem estruturado porque sou uma pessoa cheia de TOCs. O do namorado ficou tão exagerado quanto ele, exibindo uma bela saia de alface americana e escapando recheio por todos os lados. Quase tive um orgasmo gustativo na primeira mordida e fui feliz durante todo o trajeto. Se eu soubesse que Alex era um Chef assim, tão engenhoso, já estaria casada e comemorando a marca dos 100 quilos.

No dia seguinte lavamos muitos quintais para justificar a heresia do dia anterior. Porque a vida, minha gente, é cheia de quintais sujos para nos trazer de volta à realidade. O almoço foi algo mais sensato, mas ainda assim digno de fotografias. Não fosse meu humor amargo, eu teria feito essa outra caridade aos álbuns de família. Mas pelo menos deixo aqui registrado esse pingo de momento entre nós, que somos um casal feliz ao nosso modo. Deixo aqui registrado que, sim, eu namoro, pombas! Registro também que não importa quantos palhaços trovadores Alex chute ao longo do meu caminho porque...

Sempre haverá o sanduba!

PS 1: Essa é a primeira e última vez que vocês visualizam uma foto minha tão nítida (e pode acreditar que já me arrependi de postá-la). Sim, ele pediu para retirar nossa foto porque é tímido! Exatamente. Eu disse que somos um casal feliz ao nosso modo.
PS 2: Alex, favor não corrigir minhas vírgulas e língua portuguesa de gueto. Obrigada.

Seis coisas que eu gostaria de fazer e ainda não fiz

Encontrei o meme no Is Adorable, mas acabou virando febre entre um grupo de blogueiras. Algumas surtaram e fizeram oito itens, outras resolveram sambar na nossa cara e rolou até tapa na cara. Eu prefiro me conter e, sôfrega, listar somente seis itens mesmo. Isso será difícil porque ao mesmo tempo em que quero fazer um monte de coisas, sei que não tenho coragem (ou seja lá o que for) para realizá-las. Também tenho consciência de que sou muito repetitiva em memes, sempre coloco as mesmas coisas e todo mundo já sabe que The Rasmus estará presente em algum item por um motivo qualquer. Mas prometo que dessa vez tentarei ser mais criativa.

#1 Lançar um livro
"Helena" está sendo escrito desde 2008. A história de uma mulher e seu amor platônico, que tem um amigo tagarela, outra amiga avoada e fútil e seu gato de estimação parou, há alguns meses, na página 50 e tantos. Eu sei o que quero fazer, sei qual caminho tomar para chegar ao final da história, mas estou sofrendo um bloqueio mental. Bloqueio emocional também. Na verdade, qualquer tipo de bloqueio que você conseguir imaginar. Acho que o livro, quando lançado, será um divisor de águas na minha vida. Portanto, creio que só conseguirei terminá-lo quando eu estiver pronta para isso (deixa a menina se enganar, gente). Mas não pense que quero um contrato gordo e suculento com uma editora de respeito e sucesso. Não. Lançarei meu livro pela janela por meio desses sites "independentes" onde qualquer um pode lançar qualquer punhado de cento e poucas páginas. Farei isso pela diversão e por meu amor em escrever, só isso.

#2 Participar de um projeto social
Tanto ONGs quanto projetos que surgem entre os dedos da sociedade. O "Free Hugs", por exemplo. Quero fazer a diferença na vida das pessoas, demonstrar que alguém ainda se preocupa com o rumo da sociedade e trata todos individualmente, levando em consideração seus problemas e sonhos. Ouvi alguém dizer que minha geração é composta por sonhadores. Não lembro quem disse ou se li em algum lugar, mas acho que não é uma informação errada. Até porque, esse tipo de atitude anda pipocando por todos os cantos, e as gerações que vão chegando alimentam a ideia. Isso é muito bom! Precisamos relembrar que somos pessoas e não gado indo para o abate.

#3 Patentear uma invenção
Sou dessas que olham para as nuvens e enxergam animais e diversas figuras. Vejo rostos em objetos (em tomadas, quem nunca?) e acho que muita coisa deve ser melhorada, extinta ou modificada. Já tive ideias que simplificariam o cotidiano, mas a maioria é bem idiota, claro. Há uma ou duas que merecem uma rápida análise feita pelas indústrias. Não, não vou escrever aqui quais são essas ideias. Só metade da minha genética é idiota, a outra metade é esperta o suficiente para manter todos os níveis do meu ego ativos. Também não sou tão pretenciosa quanto pareço, só um pouco. A verdade é que todo mundo quer inventar um escorredor de arroz na vida e ser feliz com o dinheiro depois.

#4 Fazer uma participação no circo
Loucura seria não querer isso. Pisar em um picadeiro, mesmo sem ninguém na plateia, é indescritível. Mas eu gostaria de viver na pele a experiência de se apresentar para um público que espera algo muito lindo, fantástico ou engraçado. Que quer aplaudir, gritar Bravo! e se emocionar. Como não sei nada sobre equitação, malabarismo, contorcionismo, ilusionismo e qualquer outro ismo, a única atração que me resta é o palhaço. A palhaça, melhor dizendo. Desfilar na cabeça de um elefante seria o clímax da minha vida, mas não acredito ter aparência para ser o cartão de visita de um circo (qualquer que seja o nível). Assistente de palco também caberia bem a minha falta de categoria. Qualquer dia desses, uso uma fantasia de palhaço (decente!) e monto um espetáculo no centro da cidade, só para justificar minha existência.

#5 Voar de balão
Eu morro de medo de altura. Sofro vertingens até em escadas rolantes, para vocês sentirem a gravidade do problema. Mas por outro lado, sempre achei o balão de ar lindo! Não é como o avião, que decola aos trancos e barrancos e depois fica suspenso no ar, descontrolando todas as leis da Física e da Mãe Natureza. É manso, silencioso, não há classe econômica servindo danoninho na maior cara de pau nem o estouro de champagne tirando uma da sua cara na primeira classe. O balão proporciona toda a emoção de ver o mundo do alto, as pessoas do tamanho de formigas, sem turbulências nem toalhas fervendo quentes. Deve ser uma grande experiência!

#6 Passeio em Paranapiacaba
Sou completamente apaixonada por trens antigos (aqui no Brasil chamamos de Maria Fumaça). São as máquinas mais lindas que a humanidade poderia inventar. Fico boaquiaberta toda vez que vejo uma de perto. No centro de São Paulo, próximo ao Mercado Municipal, existe o Memorial do Imigrante onde vou sempre que tenho oportunidade. Lá, eles conservam como podem uma Maria Fumaça que trouxe muitos italianos para a cidade. Oferecem até um minúsculo passeio (de ré!) enquanto contam a história da máquina. Mas o que quero registrar nesse último item é minha imensa vontade de fazer um passeio de verdade em uma Maria Fumaça completa e que sai da cidade para o interior. É a visita à Vila Inglesa que sai da Estação da Luz para Paranapiacaba. Tudo de Maria Fumaça! É a volta no tempo que minha alma precisa!