Últimos registros de 2011

Oi, gente boa.

O ano foi curto para todas as coisas que eu gostaria de postar aqui, no Bonjour Circus! A fila de textos está enorme e algumas coisas, infelizmente, perderam o sentido devido a espera que sofreram. Mas tudo bem, 2012 chegará para colocar tudo em pratos limpos. Até porque, se esse bloqueio mental circense continuar no próximo ano, minha lista de textos será rapidamente consumida. Então, eu serei obrigada a entrar em Hiatus e vocês irão me odiar. A fofoca irá me consumir por inteira, eu entrarei em depressão ao ouvir as pessoas dizerem que o sucesso (que não existe) subiu minha cabeça e eu chorarei por dias inteiros. Daí eu fecharei o Bonjour Circus e o mundo voltará a ser um lugar inóspito.

Desculpa, a TPM chegou mais tarde esse mês.

Depois de um post revoltado e sangrento, venho em missão de paz para registrar no Bonjour Circus as últimas migalhas do ano, que remanesceram após a publicação de textos que mereciam um Nobel! a sombra das obras literárias. Olha, a minha vontade de escrever é Z.E.R.O porque eu deveria estar de férias em Fernando de Noronha ao invés de trabalhar. De todos os lugares sensacionais onde eu poderia estar, o cosmo resolveu que está de bom tamanho ficar na frente do notebook escrevendo como se não houvesse o amanhã. Por isso, vou emporcalhar o texto com tópicos sem a menor vergonha na cara.

#1 Eu sei que meu texto anterior não teve nada de natalino, mas estou aqui para a retratação:
No quesito sentimentalóide, o Natal errou miseravelmente. Eu nunca tive uma família para juntar nas festas de fim de ano, portanto, não sinto falta disso. O problema é que nem meus pais gostam de reuniões aqui em casa. Cada um almoça/janta em um horário e, quando nos esbarramos pelos cantos, grunhimos ferozmente um para o outro. Mais ou menos como o Lobo Descamisado e o Vampiro que Brilha da saga Crepúsculo, acho. Ou talvez em melhor qualidade cultural. De qualquer forma, pecamos nos valores familiares, mas não deixamos a desejar no quesito material! Papai Noel esse ano estava obeso, coitado. Registrei o mais importante dos presentes só para colocar aqui. Não sei, as pessoas gostam de fotos em blogs. É um tanto sem lógica, mas a sociedade funciona assim mesmo.

DVD Segundo Ato, dois moletons e adesivos.

Pois é. Na falta de um moletom, ganhei dois moletons pretos da Zaluzejo Comercial! Mamãe comprou um dia, o namorado comprou no outro, e Seu Odácio deve estar encafifado com a logística da família dessa tal "Del Lang". Ô povinho louco do cu! Mas tenho que dizer que cheguei ao nível taquicardíaco de felicidade. Agora tenho dezenas de adesivos para colar até na testa do Benjamin, o dvd do álbum mais foda da trupe e um moletom sobressalente para trocar por chaveiros e pelo bem maior dessa nação: Fernando Dudu Anitelli!

Posso, Seu Odááááácio?!

#2 Eu sei que já fiz uma faxina homérica na minha Bat Caverna, mas teve outra:
Dessa vez natalina. Porque sim. Não sofro de TOCs, mas estou bem perto deles. Digamos que em negociação. Pouco antes do Natal, revirei mais uma vez meu quarto para me desfazer de todos os exus que se escondem nos cantos obscuros. Claro que não encontrei muitas coisas, já que a faxina de primavera foi o maior - e único - Epic Win! do meu ano. Mas mesmo assim, encontrei livros em lugares errados e coisas que não condizem mais com meu estilo de vida atual. Tipo uma carteira. Para que eu vou querer uma carteira?! Guardei a bonita longe do alcance dos meus olhos, que é para entrar em 2012 sem lembranças de pobreza aguda. Também encontrei um pacote de Ruffles pela metade, ou seja, recém aberto. Sim, porque eles já vem pela metade de fábrica (piada pronta). Bombons que ninguém gosta e sempre restam solitários na caixa, notas fiscais de quem compra esmalte e Tic Tac na farmácia, dvds e presentes importantíssimos de pessoas maravilhosas que foram esquecidos na escuridão da gaveta e muitas outras coisas.


O que restou dentro da gaveta, os livros e mísera coleção de canecas arrumados e a caixa de recordações atualizada. Clique para aumentar! Guardo meus livros dentro de um armário porque a) cansei de limpá-los toda semana para tirar o pó e poluição que se acumulam e b) porque não faz sentido colocá-los na estante!

#3 O Tony tosou-se:
É, tosamos o coitado do Milu! Digo, o coitado do Tony! Ele estava sofrendo bastante com o calor que fazia aqui, no extremo sul esquecido por Deus. Resolvemos que ele seria encaixado na agenda do Pet Shop e lá Tony ficou por um dia inteiro. Chegou em casa pulando em todo mundo, com cara de calango, e feliz da vida por estar 10 quilos mais leve e refrescado.

Para encerrar, vou contar que sem querer acabei fazendo outro layout para o Bonjour Circus. Sem querer porque abri o layout de teste só para ver se um código iria funcionar no The Rasmusologia e, quando dei por mim, estava retocando o que seria a nova cara do BC. Não sei se devo ou não usá-lo. Já estou acostumada com a cara daqui e acredito que vocês também. Por outro lado, não seria nada mau começar o ano com um layout novo. Mesmo que a novidade não dure nem duas semanas.

Acho que essa semana será agitada por aqui. Como eu disse antes, o ano foi curto para tudo o que quis postar e acabei me atrasando com a linha de textos. Por consequência ainda tenho a Retrospectiva do blog para postar e um último post do ano que eu gostaria de deixar aqui. O Ano Novo é no fim de semana e já estamos na quarta-feira, ou seja, só por milagre mesmo para conseguir fazer isso!

Aliás, tenho a sensação de que o meu 2012 se sustentará a base de milagres. O que pode ser assustador, bom ou ruim. Infelizmente, só irei descobrir isso no decorrer da história...

Boa noite, Santa Klaus

A figura do Papai Noel como a conhecemos hoje foi fruto da imaginação de Thomas Nast, que criou a ilustração em 1881 para uma magazine. Em 1931 a Coca Cola reutilizou a imagem de Nast, fazendo uma grande campanha e incluindo as cores do produto. Eu mesma acreditava que a Coca Cola era a idealizadora da ilustração, mas acabei encontrando essa informação durante a pesquisa que fiz para o texto. Esse Papai Noel não existe, tudo bem, mas realmente existiu um homem na Terra que prestava caridade à crianças e necessitados: o Nicolau de Mira, cujo dia de comemoração é 6 de dezembro. A partir dele nasceu a crença do Papai Noel e toda essa heresia desenfreada.

Não sei por qual motivo, razão ou circunstância as pessoas insistem em chamá-lo pelo apelido: Santa Claus. Sendo que Klaus, com K mesmo, não foi um cara com espírito natalino. Nikolaus 'Klaus' Barbie, ou Açougueiro de Lyon, não tinha nada de santo. Um amigo meu fez questão de me lembrar do dito cujo hoje, via Facebook, e eu fiquei pensando: Santa Klaus, mas... whattafuck! Enquanto Cássia Eller lamenta no Além que o mundo está ao contrário e ninguém reparou, minha porcentagem de ódio natalino aumenta. Porque, veja bem, onde foi parar a lógica mundial? Em qual parte da História decidimos que seria mais fácil somente nos jogarmos barranco abaixo e o que vier é lucro? Os pais ensinam aos seus filhos que Papai Noel existe, e tentam passar à eles a história do Menino Jesus, mas no dia 6 de dezembro todos estão ocupados demais para viverem sua cristandade.

As pessoas estão desesperadas por alguma coisa para acreditar, mas passam por cima de todas elas.
Trágico.

Enfim, esse texto não tem propósito algum. Só publiquei porque prometi que voltaria depois do dia 25 de dezembro, e cá estou. Eu tentei, o cosmo sabe que tentei, me envolver com sentimentos mais nobres nesse ano. Mas fazer o quê se a sociedade não colabora? As pessoas insistem nas histórias erradas, nos valores equivocados e se recusam a tomar doses cavalares de bom senso. Na noite de Natal, aqui no meu bairro, um grupo numeroso de Primatas resolveu que seria muito legal passar a noite inteira subindo e descendo a rua com suas motos. Mas assim, para essas pessoas que burlaram as Leis da Natureza e se safaram das rédeas da Inteligência Humana, não basta pilotar a moto. Você tem que estourar o escapamento e fazê-la roncar como um gigante! Não basta ser um ignorante, você tem que escolher justo a minha rua. De qualquer forma, depois da meia noite eles escolherem correr em uma avenida aqui perto. O resultado? Dois acabaram empacotados no IML. Peru é para os fracos, eles preferiram comer grama pela raíz.

E eu não tenho um pingo de dó.

Fora isso, o meu Natal foi sem graça como todo ano. Não teve rabanada, o que é motivo para cortar os pulsos com papel sulfite. Não teve neve, mas tem gente que ainda acha chique colocar algodão da farmácia na árvore. Não na minha, lógico, porque eu sou capaz de fazer uma pessoa dessa engolir cada pisca-pisca da casa. Teve presentes, muitos, todos! O que é bom porque o Natal só serve para isso mesmo. Pensei em tirar fotos do que ganhei, mas resolvi fazer a blasé. Quem me segue no twitter já sabe que ganhei um presente para raros! O que ninguém sabe é que meus presentes fizeram toda a diferença esse ano, criaram a própria estória deles. Mas, espere aí, acho que posso resumir isso com uma única fotografia!

 Benjamin foi um bom menino em 2011!

Sinceramente, ando alok nesse fim de ano e não consigo organizar as ideias para o Bonjour Circus. Também estou aproveitando que saí da zona de bloqueio mental para continuar escrevendo meu livro. Tenho centenas de ideias e todas elas chamam por atenção ao mesmo tempo. Cá estou, como disse antes, cumprindo com minha promessa de dar atenção à vocês depois do Natal. Ah, quer saber? O Bonjour Circus já faz falta no meu dia a dia! Fiquei tristonha por não postar aqui nesses dias, mas mesmo se quisesse muito não conseguiria. 

Agora o blog volta com a programação normal e, para concluir a tradição circense, a Cápsula do Tempo está aberta para inscrições! Espero que o Natal de vocês tenha sido melhor (ou menos pior?) do que o meu, de verdade. E que Santa Klaus tenha esquecido vocês!

Boicote

Oi, pessoal! Não vou postar mais antes do Natal e por isso venho aqui só para desejar um Feliz Natal a você que comenta, você que não comenta, você que stalkeia e todo mundo que visita o Bonjour Circus! Boas festas e até logo com textos novos após o dia 25 :)

Minha mãe sempre me ensinou a agradecer. Obrigada pelo pacote de balas. Obrigada pelo leite achocolatado. Obrigada por me oferecer uma mísera bolacha de todo o seu pacote com 30 unidades. O que importava era a intenção e não o presente. Por vezes quis perguntar: por que as pessoas não embrulham suas intenções ao invés de comprarem qualquer coisa? Assim, qualquer coisa mesmo. Muitas vezes ganhei brinquedos na véspera que amanheciam quebrados no dia de Natal. A perna da boneca estava caída, os cabelos ressecados e cheios de nós e a roupinha rasgada. As peças do quebra-cabeça eram de papelão, ficavam todas dobradas e tortas muito antes da minha superação em conseguir completar a maldita imagem de gatinhos. Na adolescência os presentes sumiram. Porque ninguém sabe o que dar para uma garota em transição, e calcinhas promocionais do supermercado carregam mensagens subliminares e um certo mal entendido. De lá para cá, todo mundo entendeu que chega, né. Cuidado que a menina desenvolveu senso crítico!

Agora que cresci, sou obrigada a presentear também. Então, compreendi que há todo um planejamento financeiro. Veja você, não me conforta saber que eu ficava abaixo da linha amarela no papel almaço das pessoas (Excel nessa época era para os monarcas). Uma inocente criança que escrevia cartinha para o Papai Noel, era passada para trás por marmanjos com benefícios sexuais. Por isso, sempre digo que nós - adultos - somos um bando de otários. Deixamos o sexo comprar tudo e todos!

Trágico.

Mas voltando ao foco, aprendi que nem todo mundo merece meu dinheiro. Muitos não merecem sequer centavos dele, mas mesmo assim sou obrigada a presenteá-los graças ao desgraçado do meu DNA ou o compartilhamento de gostos em comum. Tem gente que acha que só porque gostamos das mesmas coisas somos amigos. Eu, besta que sou, não tenho coragem de dizer que Olha, lamento! Mas no contrato não consta troca de presentes. Até a amizade virou negócio nesses tempos modernos. Devemos ter um contrato para evitar dores de cabeça posteriores! Caso contrário, não há Facebook que aguente. Justo por não ter assinado nada parecido, já que a Amizade! existe somente para uma das partes, acabo sendo pega de surpresa em festas de fim de ano. Sou agraciada por dois presentes: aquele embrulhadinho verde e vermelho que o amigo dá, e aquele bônus subentendido "Vale Um Presente Para Mim Também". E lá vai a Escrava Branca para o shopping usufrutuar o próprio presente, comprando outro para o Presenteador. Tem que ver essa Escritura aí, Deus!

Outra coisa que minha mãe me ensinou, foi jamais revelar o valor do presente. Minha mãe, a sua mãe, nossas avós e a sociedade como um todo. É uma das senhas secretas para sermos aceitos na sociedade que vive do lado de fora do hospício. Deixar de dar o presente é melhor do que deixar o adesivo de preço no pacote. Ninguém pode saber quanto vale sua intenção. Todos temos um preço! Alguns são gratuitos, em liquidação, promoção ou amostra grátis. Outros valem O presente que outrem presenteou, mas detestei. Então, tomaí essa merda e Feliz Natal! Há também os Vale Tudo. Vale Um Livro, Vale Um CD, Vale Uma Vida, Vale Um Amigo Novo e menos mão de vaca. Pena que nunca rola Vale Dinheiro.

Portanto, esse negócio de anunciar os preços e promoções na televisão é uma ideia meio furada. Tudo bem, é disso que o capitalismo vive, pobre coitado, mas como fazer para presentear as pessoas? Todo meio de comunicação está anunciando a torto e a direito os preços de seus produtos. Acho que com isso, toda essa preocupação em esconder nossos valores vai por água abaixo. Se de um lado temos a cara de pau de embrulhar qualquer resto de intenção que tenha sobrado no almoço, de outro a mídia desmancha o esquema. As máscaras caem e "Esse filho da mãe comprou um kit de fragrâncias para banho e só me deu o brinde?!" começam a pipocar em petições online por aí contra sua pessoa.

Você pode descobrir tarde demais que o Château Pape Clément que deu ao seu amigo, não condiz com o suco de uva de R$29,90 do supermercado que ele te deu. Com muita sorte, pode passar o dia inteiro assistindo TV e encontrar a propaganda do presente que ganhou. É, aquela saia linda está custando R$19,90 na loja de roupas mais próxima e você ainda leva dois cintos de graça! Mas, espera aí, sua amiga só te deu a saia. Talvez o casaco de inverno de R$190 que você iria dar para ela não seja adequado. Que tal um cinto?

É, sinto muito.

Os meus #5 pedidos

Eu disse que o BC sofreria uma overdose natalina.

Eu tinha uns 8 anos quando escrevi minha última cartinha para o Papis Noel. Não lembro o que escrevi nem os meus pedidos, mas tenho certeza que eram Barbies. Não mencionei a Paz Mundial, o que é uma lástima, já que uma criança que pede isso se torna um adulto bem aventurado. Só porque o cosmo acha bonitinho mesmo, na verdade, isso vale tanto quanto as orações de Justin Bieber pela África. Mas seja lá o que for, sei que ganhei o que pedi porque meus pais leram minha carta entregaram pessoalmente ao Papis Noel, após desbravarem as terras nórdicas em cima de seus trenós puxados por huskys. Tudo isso em uma única noite, aquela mesma, onde acontece o que mesmo? Ah, é. Os presentes, dãr!

Mas o que irei abrir no Natal se não pedir nada antes? Papis Noel pode ser muito inteligente e rico, mas ainda não desenvolveu as habilidades de uma cartomante. Trágico, eu sei. Dinheiro realmente não compra tudo. Então, já que mostrei o link do Bonjour Circus para ele ficar orgulhoso de mim, é aqui mesmo que farei minha carta. Quem quiser aproveitar para deixar algum pedido nos comentários, sintam-se a vontade porque o Papis está de olho. O que eu não faço para encher linguiça nessa bosta... 

#1 A Paz Mundial:
Será que ainda dá tempo de pedir isso para ganhar um bônus? Porque, veja bem, eu só tenho 24 anos de idade. Eu poderia estar na balada, poderia estar no salão de beleza ou viajando para Porto de Galinhas - o antro de orgia. Mas estou aqui me preocupando com a paz alheia. Enquanto os outros, vamos combinar, estão cagando e andando para a minha.

Porque ó, cansei. As pessoas esquecem meu aniversário. As pessoas chegam de mãos abanando e "mas você disse que não queria presente". E eu não quero mesmo porque o amor e carinho e consideração são muito importan... não! Não, Brasil. Não é assim que a sociedade funciona, não é desse jeito que a gente brinca. Se for para se valer disso, por favor, não desça para o Play. Aos interessados, favor comparecer ao link citado e fazer essa lista encurtar um pouco.

#3 Sistema Matrix de Aprendizagem
Então, já que não rola mesmo dinheiro para meus estudos de piano e francês e tecido e finlandês, será que posso ter uma daquelas máquinas usadas na dimensão de Matrix? Aquela lá, que você conecta uma entrada de USB (?) na nuca e toda uma aula de culinária, sei lá, é baixada para seu cérebro. Ou seria mais fácil pedir uma pequena verba doada por alguma Ong? Será que essas Ongs ainda protegem qualquer animal em extinção ou só os importantes?

#4 O guarda-roupa da Mariannan
Eu poderia ficar correndo atrás do senhor o ano inteiro, tentando ser uma boa menina e perguntando se o senhor anotou isso, aquilo e aquela outra coisa lá que fiz em busca de méritos. Tudo isso para completar meu guarda-roupa, que se encontra em ruínas assim como uma cidade pós-guerra, graças aos remédios que me proporcionaram 8 quilos a mais na balança (ou melhor, no quadril). Mas ao invés disso, vou resumir meus pedidos - e boas atitudes - em um único guarda-roupa alheio, situado na cidade dos meus sonhos. Mariannan é uma menina finlandesa, residente em Helsinki, que tem o guarda-roupa mais lindo que já vi por aí. Qualquer "look do dia" chora e fica depressivo após visualizar o que é ser bem vestido de verdade. Quero para mim. Quero agora. Quero morar em Helsinki também, se não for pedir muito.

#5 A paz de espírito
Pois de nada adianta desejar a Paz Mundial, enquanto os Homens não conseguem encontrá-la em si mesmos.

Os melhores de 2011

Não, não tenho nenhum selo de qualidade que garante minhas escolhas. Mas mesmo assim, decidi guardar todos os textos do ano de 2011 que chamaram minha atenção de alguma maneira. Acho válido reconhecer o trabalho dos outros, mesmo que seja só um hobbie ou uma publicação totalmente despretenciosa. É tão difícil receber um bom feedback, aquele feito por quem realmente leu o que você escreveu ou prestou atenção no que quer que você tenha feito, e comentou parabenizando ou fazendo uma crítica construtiva. Até agora tive sorte com os leitores do Bonjour Circus e do The Rasmusologia, mas ainda há muita gente por aí esperando o retorno merecido. Portanto, sem designação de lugares, apresento o Prêmio Bonjour Circus dos Melhores de 2011!


A arte do Natal

É tempo de falar em Natal e Ano Novo até todo mundo não aguentar mais esses assuntos e começarem a se matar.

Estou aqui com os fones de ouvido no mais puro silêncio. Só percebi agora que o álbum que estava ouvindo acabou. Pois é, ando assim: desligada e morrendo de sono pelos cantos. As pessoas precisam repetir tudo o que falam para mim e eu repito as minhas perguntas porque esqueço das respostas. Na última sessão de terapia, a psicóloga chegava a bocejar até os olhos marejarem, tamanha era minha energia negativa.

— Por onde você esteve, meu Deus? - ela perguntou depois de esfregar os olhos.

Quase respondi que estive em um terreiro, porque a minha vida é um. Recebo e trato todo o tipo de sociopatas, mortos ou vivos, e também qualquer problema celestial e dívidas a pagar que batem à minha porta. Parece que o Purgatório inteiro está encostado em mim. Na época de Natal e Ano Novo isso piora, claro. Minha vida é leve demais durante o ano, temos que trabalhar um pouco o lombo de burro para merecermos um mísero presente. Temos que falar assim, no plural, porque esquizofrenia nunca é demais. Mas veja você, falamos assim porque devo incluir todos os seres obscuros que estão encostados aqui, no lombo da plebe, senão ficam todos enciumados e queimam meu panetone por vingança. Depois minha árvore de Natal cai sozinha e não sei por que.

Ano passado, reclamei muito e o tempo inteiro sobre as festas de fim de ano. Também tentei acabar com a tradição capitalista, mas em vão. Esse ano, porém, estou mais sensível ou cansada demais para me importar. Ainda não decidi. De qualquer forma, apesar de continuar não gostando dessa época, vou fazer do meu dezembro um lugar feliz. Nem que para isso eu tenha que mergulhar na Sidra ou virar o ano engasgada com farofa da Yoki (quase escrevi engasgada com peru, eu sei que vocês adorariam, mas ando precisada de dignidade). Cansei desse ódio gratuito, cansei de lutar contra as tradições equivocadas desse sistema falido (falou a Che Guevara de biblioteca).

Mas é sério. Cansei de reclamar porque isso, veja só, não resolve nada. Sim, tive que pagar terapia para descobrir isso. Gente burra sofre. Esse ano resolvi que as coisas serão diferentes, mesmo que iguais. Ao invés de montar a árvore de Natal no dia 1º, montei no dia 6. O Advento não paga minhas contas, tão pouco meus pisca-piscas que não funcionam. Também não vou comer salada de batata nem usar calcinha vermelha no Ano Novo.

Assim como nos anos anteriores, também não tenho nada para comemorar nesse. Minha vida, aliás, bagunçou ainda mais. Sem eu mexer sequer um fio de cabelo. As coisas se bagunçam sozinhas, tem vontade própria e se jogam no chão quando tento educá-las. Nada de brócolis para elas. Ou o cosmo aprende de uma vez por todas que quem manda nessa porra sou eu ou o ano de 2012 chega chegando, derrubando tudo e todos e colocando os pingos nos Is. Estou disposta a negociações para facilitar o processo de concordata e prometo colaborar o quanto for possível para em 2012, esse danado, eu não me fuder tanto (porque pedir para não me fuder nunca mais é querer muito).


Por isso, aqui em casa as preparações já começaram como em toda boa família assalariada. A foto acima é da bagunça que a cozinha (portuguesa, com certeza) virou no manuseio dos biscoitos de receita duvidosa. Tudo o que leva sal amoníaco é duvidoso para mim, não tente me convencer do contrário. Tony e Benjamin não ficaram de fora da boquinha livre e marcaram presença com suas fuças curiosas e sedentas por doce. Por mais que minha mãe gritasse que isso não era saudável, eu continuava firme e forte na luta em prol de uma fotografia familiar adequada. Caso queiram saber, por enquanto ninguém morreu de virose. O Bonjour Circus, ultimamente, tem mais fotos do que eu gostaria. Mas está tudo bem já que 2012 só servirá para isso mesmo: a quebra de tabus e frescuras.


Há um papai noel mequetrefe pendurado na porta de entrada aqui em casa e já espalhei minha lista de presentes aos quatro cantos. Todos esses cantos estão vazios, mas tudo bem, prometi que até o final das festas irei trabalhar o meu Mas Valeu A Intenção. Mesmo que isso não traga benefícios. Mesmo que seja, na verdade, uma cilada. Mesmo que a minha intenção seja brutalmente ignorada por todos os Poderes e Olhares. Talvez, se eu usasse um cocar e gritasse Buga Buga para o sol, eu tivesse mais sorte em ser ouvida ao menos uma vez em 24 anos. Talvez não. Porque, convenhamos, se Deus começar a ouvir a plebe corremos grandes riscos de sofrer uma Revolução Brasileira. Ninguém quer viver o Anarquismo indígena. Está ruim, mas está bom.

Para finalizar, aviso que o Bonjour Circus sofrerá altas turbulências com memes e textos natalinos. Há muita nostalgia pela frente, segundo minha bola de cristal demonstra. Retrospectivas também estarão presentes, já que Roberto Carlos cantando e celebridades Globais vestidas de plebe não são o suficiente. Teremos as mesmas velhas novidades, como sempre, e muita torta de maçã aqui em casa. Porque sim. O meu Eu Interior continuará reclamando feito velho no parque, rodeado por pombos doentes, mas por fora serei uma perfeita Housewife americana da década de 50, enfeitando a casa com um sorriso no rosto. O meu Natal esse ano será o mesmo de sempre, só que ao contrário. Que Deus perdoe o genocídio de perus e que eles não queimem no forno. A estação natalina começou, boa gente. Salve-se quem puder!

Panela On Fire

Comento muito sobre The Rasmus, O Teatro Mágico e a arte circense. Todo mundo está cansado desses assuntos. Não que eu seja repetitiva, e também não necessito da autoafirmação, mas são três coisas simples que me definem melhor do que qualquer palavra que eu pudesse escrever para tentar me explicar. O Teatro Mágico, vocês sabem, é recente (nem tanto assim), portanto, há outras coisas que chegaram antes deles. Coisas que não ganham destaque porque sim. Uma dessas "coisas" é a banda P.O.D, aquela mesma, que canta Alive. Aliás, o clipe se encaixa perfeitamente com os últimos acontecimentos (sim, só me toquei disso agora)!

Não sei em qual ano conheci o Payable on Death, não tenho todas as músicas decoradas nem esquizofrenizo sobre eles a torto e a direito. Digamos que o que tenho pelo quarteto é uma admiração madura. Se a memória não falha, os conheci com esse mesmo clipe mencionado na época em que a MTV passava clipes (e não humor barato) e eu era adolescente o suficiente para ter tempo de assistí-la. Não sou adepta da vibe cristã que a banda cultua, porque sou herege, mas confesso que algumas letras conseguem me deixar emocionada. Melhor do que isso, algumas letras conseguem me fazer acreditar. Não cabe dizer aqui no que, mas simplemente acreditar.

Quando decidi participar da comunidade sobre a banda no Orkut, jamais imaginei que um dia iria conhecer as pessoas mais exóticas do planeta. Também não havia imaginado que eu, a nerd da classe (levando em consideração que os outros alunos mal sabiam ler), entraria para uma panelinha. Um grupo tão sarcástico e repleto de trolls se encaixou perfeitamente na minha personalidade. Eu, que nunca tive muita paciência com "novos fãs", havia encontrado o perfeito Circo de Freaks (se permitem o trocadalho). Hoje, com mais de 10 membros, nem parece que nosso pequeno grupo começou aos tropeços. Os anjos tortos renegados pelos cristãos, apedrejados pela Suprema Sabedoria da comunidade e malfadados pelos invejosos (oui!), cresceram e se uniram. Denominando-se: Panela On Fire.

O Sonny quer ibagens!

Mais do que um bando de gente, a POF se tornou um estilo de vida. Conforme o tempo passa, todos querem fazer parte dessa minúscula távola redonda repleta de personalidades excêntricas. Oferecemos, por exemplo, eu mesma, que toco o puteiro e xingo a mãe de todo mundo. Oferecemos o pequeno notável dislexo mais engraçado e sem noção já visto, ou simplesmente, nosso Bobo da Corte. Há também meu parente mais distante, o meu brimo predileto que ainda não conheci só por ironia do destino. Não posso esquecer do maior fã do P.O.D, o grande Benito. Eu poderia chamá-lo de lutador, mas ele é um cara que venceu na vida há muito tempo.

Faça um favor a si mesmo, conheça a maravilhosa banda dele: Zion'z

Eu jamais poderia esquecer de mencionar o Melhor Amigo de Todos os Tempos que ano após ano, seja aqui ou na Suíça, acompanha as minhas travessuras e sempre dá uma força para minha memória falha. CJ é uma das pessoas mais importantes da minha vida e uma das razões pelas quais gosto ainda mais do Payable on Death, porque é graças a eles que conheço esse cara.

Eu tampo a cara, sim. E você que é feio?

E o mais importante da nossa panela, é o respeito pela diversidade. Temos o menino da selva, o carioca malemolente, o Chapolin, nosso pior pesadelo em piadas Freddy, a nossa menina que não gosta de guarda-chuva aberto em rodoviária Tiê, a desnorteada Íssa e por fim, mas não menos importante, a querida da Laís.


Depois desses ainda surgiram pessoas dignas de menção como o Diego e o Macel, que abrilhantaram nossa fauna. A Neyla, visitante do BC que eu sei, com quem não converso muito, mas sei que é ela que administra os remédios do nosso Bobo da Corte. O meu amigo Com Força Clouds. E acho que tem outras pessoas que nunca ouvi falar porque a P.O.F é um circo mesmo. Entra qualquer um e só sai quem for normal.

Ufa!

Eu ainda poderia comentar sobre o memorável show da banda, onde fui acompanhada por uma parte dessa gente toda, mas acho que todo mundo preza por um tempo fora do BC. Chega de texto! Chega de contar o quanto gosto dessas pessoas e o quanto cada uma delas é importante mim! Chega de rasgação de seda porque na P.O.F o buraco é mais embaixo. Aliás, buraco exposto é sempre um perigo entre nós. Chega disso tudo, menos de dizer que enquanto eu tiver a amizade dessa panela, sempre me sentirei viva.

'Cause I could never turn my back away

No meio do caminho havia um palhaço

Sabe como é, né? Nem sempre estou com saco para esse negócio de terapia. Há umas duas semanas, talvez mais, não tenho o que contar para minha terapeuta. Descobri que não tenho problemas, foi o que eu disse à ela. Não tenho problema nenhum. Mesmo. O problema são os outros, sempre eles, com seus infernos pendurados em colares lindos da Channel. Os outros enchem minha cabeça de porcaria, pesam o mundo deles nos meus ombros e ainda por cima me cobram muitas coisas e atitudes. Eles cobram desculpas. "Por que essa menina não pede desculpa? É falta de educação!" Não, é falta de porrete mesmo, para afundar a sua cabeça. Mas como minha terapeuta recomendou que eu domesticasse meu Monstro Interior, estou me valendo de sorrisos amarelos e desculpa, mas o meu pinico ficou na outra bolsa! Esse pinico, coitado, sempre cheio com as merdas dos outros. Enquanto eu, toda imbecil gentil, faço nas calças mesmo.

Veja você, domesticar meu Monstro Interior. Que coisa fina de se dizer. Eu faço o que? Dou Biscrok? Ensino a sentar e a grunhir? Acho que o meu caso é de abate mesmo, mas não tive coragem de demonstrar tamanha visão realista para minha terapeuta tão otimista. Talvez ela também não tenha coragem (ainda!) de ser franca comigo, de trabalhar com o preto no branco, de tacar fogo no circo e dizer "Querida...", com aquela voz serena de Papai Noel, "acho que devemos parar por aqui!" Porque, olha, eu sou uma raridade. Sem querer me gabar, mas ainda está para nascer pessoa tão apta quanto eu a encontrar sociopatas. Tudo bem que existem em maior número aqui, do outro lado do muro do hospício, mas todos concordamos que metade deles passou ou está passando lentamente pela minha vida. Matar assim, um tiro e pronto, não tem graça. Antes arrancamos as unhas, depois os dentes e então desfazemos o quebra-cabeça aos poucos.

Enfim.

O que eu queria contar é que estava lá, tentando encontrar qualquer coisa para desabafar ou contar para minha terapeuta, que esperava ansiosa por mais um capítulo da minha odisseia. Sou uma nova e reluzante enciclopédia da Psicologia, acreditem. Então, comecei a trabalhar meu lado sensitivo com ela. Eu tenho um. Claro. Não tenho problemas nem sou freak o suficiente para viver em paz daqui para frente. Eu precisava ser sensitiva também. Porque sim. Desse jeito tem mais graça para o cosmo. Comecei a contar que estava eu, sossegada em casa, pensando em desgraças (síndrome do pânico manda lembranças) quando penso, involuntariamente, em um amigo meu. Não o vejo há anos e nossos caminhos são dificílimos de se cruzarem nessa Sampa de meu Deus. Só Facebook ajuda de vez enquando. Daí contei tudo isso e no quanto foi estranho começar a pensar nele e ter a sensação de encontrá-lo logo.

— Quando desci do ônibus, quem estava lá?
A psicóloga anotando ferozmente para depois repassar para seus colegas psicólogos. Talvez pensando "Freud que me perdoe, mas ele não sabia de nada!"
— Esse meu amigo. Ele mesmo!

Foi pano para a manga. Até livro emprestado ganhei. Alguma coisa com Jung e símbolos, mas não lembro o título. Só sei que estou ansiosa para começar a lê-lo porque eu sou estranha. Sério. Tenho consciência disso, ninguém precisa ficar com vergonha de me dizer.

Com essa história de sensitividade e o escambal, acabei ficando um pouco agitada. Não tenho certeza, mas acho que comecei a falar alto e a rir assim, do nada. Sou dessas. Porque se eu não rir do nada, não vou rir nunca. Que lástima. Mas a terapeuta percebeu, óbvio, e perguntou se eu havia feito "técnica de relaxamento" antes. Não, nunca fiz. Até porque, pela altura dos meus ombros tensos e meu olho direito sempre pulando, fica explícito que sou o tipo de pessoa que vive na adrelina. Não me chamam de Porra Loca a toa, minha gente.

Levando uma resposta negativa cheia de risadas, minha terapeuta fechou a janela da varanda, desligou as luzes da sala deixando apenas um abajur fraquinho aceso, e pediu que eu me sentasse o mais confortável possível. Feito isso, ela começou a pedir que eu imaginasse certas cenas. E a vontade de rir? Só Jesus na minha causa. Fiquei ali, sentada de olhos fechados e pernas esticadas, me segurando forte para não rir da situação na qual me meti antes de chegar aos 30 anos. Em plenos 20 e poucos anos, fazendo relaxamento para não infartar.

Quem já fez terapia ou técnicas do tipo deve saber como funciona. É aquele negócio de imaginar um campo com flores, ventinho fresco e sol morno. Depois, ao longe, aparece uma montanha forte, bonita e imponente. Vou confessar que é genial as sensações dessa técnica, fora a tranquilidade que passa. Quando cheguei aos pés dessa montanha (que depois ela me contou ser meu subconsciente), havia um atalho que me levaria até uma caverna lá dentro. Fiquei meio atrapalhada de imaginar tantos detalhes assim, já que minha cabeça estava 100% ocupada com a decoração da montanha, colocando ninho de passarinhos, vegetação rasteira, até horta eu plantei. Mas tudo bem, fiz um atalho meia boca e consegui entrar na tal caverna que ficava dentro do meu subconsciente.

— Dentro dessa caverna há uma fogueira - a terapeuta disse - Há um sábio sentado ao lado dessa fogueira, consegue vê-lo? (sábio que, segundo o que ela explicou depois, representa meu Eu Interior ou alma, depende de como cada um prefere chamar esse troço ae.)

Franzi meu cenho no imaginário porque, opa, desculpa. Caverna errada?! Havia um palhaço sentado ao lado da fogueirinha. Um palhaço. Sabe palhaço? Esse mesmo. Todo chique, tipo Anitelli, em trajes dos bons com detalhes dourados e chapéu. Havia um palhaço sentado dentro do meu subconsciente, cutucando a minha fogueira. Por um tempo fiquei sem ouvir o que a terapeuta dizia, só saboreei esse momento... único. Como diabos posso descrever esse tipo de coisa? A terapeuta pediu para que eu me sentasse de frente para ele e lhe fizesse uma pergunta. Oi? Uma só? Foi um momento tenso, muito tenso. Fiquei sem saber se perguntava o que, meu Deus, ele estava fazendo ali ou, sei lá, por qual motivo sou assim. Por que estou imaginando um palhaço? Como esse palhaço foi parar aí? Exagerei na dose de Teatro Mágico? Eu sou doente assim, de um tipo irreversível? Todas as estações e reencarnações? Apodreci?

Fiz todas essas perguntas, e a terapeuta já narrando minha saída da montanha, enquanto o palhaço ficava quieto, sem me olhar nos olhos, só cutucando a fogueira. Até que ele deu uma risadinha de ombros e sentenciou: Vai ficar tudo bem!

... ?

Tapa na cara da sociedade. Transgredi a raça humana. Talvez ele quis dizer que "Fica tranquila que no hospício é todo mundo gente boa." Somos todos boníssimos, Seu Palhaço, só ainda não sabemos disso. E até descobrirmos, teremos que viver assim mesmo, na lei da caça. Mas ficarei tranquila, já que o palhaço dentro do meu subconsciente (presta atenção nessa frase!) disse que ficará tudo bem. Nem meus remédios controlados são capazes de discordar dele. Vou te contar, é uma coisa poderosa.

Ao abrir meus olhos, a terapeuta esperava ansiosa (claro) pela revelação do que há dentro dessa minha cabeça que, com certeza, ela jamais viu igual em mais de 30 anos de profissão. Como contar? Fiquei no conto/não conto. Se eu contasse, corria o risco de ir dali direto para o Gardenal na veia. Se eu não contasse, jamais iria descobrir o que acontece comigo. Mesmo com o medo dos remédios de tarja preta, acabei contando...

Logo depois de terminar a descrição dos fatos, ela se ajeitou na cadeira. Meio sem o que falar. "Cada um imagina esse sábio de um jeito diferente?", eu perguntei super esperançosa. Ela contou que o comum (hahaha adoro quando inserem a palavra "comum" na frase para me diferenciar das pessoas normais) era imaginar um velhinho de cabelos brancos e barba longa. Mas convenhamos que coisas comuns para mim, pessoa que transcende a Humanidade de tão errada que é, não são o suficiente. Nunca serão.

— Na próxima consulta vamos conversar sobre essa coisa de circo, tudo bem? - ela disse toda gentil.

Gentil, sim.
Porque, na dúvida, é melhor não me contrariar.