6 de janeiro de 2012

Metendo metas

Estou fazendo uma imensa reciclagem emocional. Acumulei muitas raivas e mágoas durante minha vida e deixei muitas coisas incompletas também. Isso não é exclusivo, sei que todas as pessoas também carregam uma grande carga emocional. Cada caso é um caso, e no meu a maioria dos problemas surgiram dentro de casa. Não que eu vá cair na besteira de enumerá-los aqui!

Essa faxina é bem detalhada e dolorosa. Não é fácil deitar no divã e desfiar todos os contratempos pelos quais passei. Algumas pessoas dizem que é um absurdo pagar para alguém ouvir nossas reclamações. Essas pessoas, graças à Deus, devem ter amigos e familiares o suficiente para recebê-los com todo o carinho. Essas pessoas, felizmente, não sentem dores musculares terríveis por conta de problemas emocionais. Porém, infelizmente, essas pessoas jamais irão conhecer seus defeitos e passarão pela vida sem ter conhecimento de suas atitudes e muitas outras coisas. Porque nós, respeitável público, somos nosso maior desafio.

Na última consulta minha psicóloga chegou com uma novidade. É, se como minha vida não fosse repleta de novidades, ela chegou com mais uma. Eu aqui, pensando até fritar meus botões e me virando do avesso para me tornar uma pessoa melhor (para mim mesma!), não preciso de mais novidades nem descobertas surpreendentes. A psicóloga pensa diferente, claro, e decidiu me dar uma Lição de Casa.

— Quero que você pense em dez metas para 2012!

Assim, sem anestésico. Dez metas. Eu, que mal consigo escrever um meme, tenho que pensar em 10 metas para minha vida real. Essa vida que mais parece uma tenda toda esburacada e encardida, que o vento invade pelas fendas e faz aquele assovio macabro de arrepiar. O assovio do abandono. Então, logo que ela me disse, franzi a testa porque a) é uma pegadinha?; b) foi para mim ou meu Eu Lírico?; e c) o que são metas, doutora?

O que são metas, caro público de respeito? É pavê? Cumê? Fudê? É para perdê tempo pensando, pensando e pensando sem sair do lugar. Porque, veja bem, faz muito tempo que não estipulo metas. Isso se algum dia o fiz! Sinceramente não me lembro. Preferi escrever que faz tempo que ao invés de nunca fiz. Ando precisada de autoestima (mesmo a falsificada). Concordei em fazer minhas metas, todas bonitas e escritas para não esquecer. Concordei, mas não faço a menor ideia de como começar. Também não faço ideia de qual desculpa usar quando ser perguntada sobre elas. Eu e vocês sabemos que não serão feitas. Com muito custo consigo pensar em duas, ainda assim, com cara de meme blogueiro. É, eu concordei como quem coloca em si mesmo o laço da forca. Vamos lá, quebrar o pescoço cantando muito contente já que se correr o carrasco pega, se ficar a corda tranca.

Portanto, seria a primeira meta não ir contra meus princípios? Dizer não, quando é não? Mas o que são princípios, público circense? Vejam vocês, ando carente de auto-respeito. Carente de tudo, na realidade. Mas vá lá: #1 Princípios. Uma meta até bonita, profunda, mas não é algo que eu possa realizar com atitudes. E justo o que minha psicóloga quer é atitude! Valeria a tentativa anotar: #1 Princípios #1 Atitudes? Mas acho que ela não cai nessa. Além do que, é possível ver de longe que não sou uma pessoa de atitude. O que dirá minha psicóloga que me analisa a quase um ano! Atitude? VOCÊ?! Há.Há.Há! Nenhum profissionalismo será o suficiente para me libertar da verdade humilhante.

Enfim.

Peguei uma folha em branco do meu caderno e comecei a rabiscá-la. Dizem que as ideias sempre surgem quando estamos distraidos, mas acho que isso não se aplica quando estamos fingindo. Desenhei muitos bonequinhos, um sol que sorria, uma tenda torta e várias letras de músicas. Nada de metas. Cheguei a conquistar a grande superação de escrever o número 1, mas nada além disso. Logo, esse número se tornou um bonequinho que corria, pois desenhei bracinhos e perninhas. Ainda fiz três riscos para ilustrar que corria rápido. Depois de algumas horas ali, rabiscando o papel, o resultado foi algo assim:

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Uma lista de supermercado.
Talvez minha única meta seja o autismo.

Não que eu seja uma pessoa sem metas. Eu tenho, sei que tenho em algum lugar. Provavelmente de paredes descascadas, goteiras e ninhos de rato, mas ainda assim um lugar. Preciso pensar até a cabeça doer, mas com ou sem mapa, eu encontro esse lugar!

PS: Modifiquei a fonte do blog. Melhorou, piorou ou não fez a menor diferença? Respondam nos comentários, por favor :)

12 comentários:

Milena M. disse...

Sabia que eu acho bem melhor ter dificuldade na hora das metas? Porque quando você encontrar esse lugar, vai se empenhar nelas, não vão ser só listinhas de fim de ano sem nenhuma utilização real. Boa sorte na procura. E eu gostei do desenho :)
Beijo!

Babi disse...

já sou assim tão ansiosa que se fizesse metas quereria cumpri-las da noite pro dia. e talvez me viciasse e nunca mais vivesse que não pra cumprir coisas. não que minha vida seja muito diferente disso, mas sem ter um nome ("Metas"), parece menos doloroso.

Ana Luísa disse...

Ai Del, eu também acho muito complicado fazer metas, nunca nem tentei! As pessoas fazem listas de metas para o ano novo e eu acho mega engraçado, porque sei que jamais conseguiria fazer uma!

Andreia disse...

Acho que a parte mais complicada de fazer metas é conseguir leválas até ao final. No principio, corre tudo bem, mas aí vem aquela sensação "eu não vou conseguir" e então, parace que a única solução que temos é desistir. Eu sempre tenho dificuldade em terminar as minhas metas, e só reparo que cumprir com todas quando realmente acabei. 8D

Eu não sei se gostei? Sinceramente falando? Foi um choque para os meus olhos entrar aqui e ver outra fonte diferente. Gostava mais da outra, sei lá. Combina mais com o BC?!

Beijokas

Iasmin Cruz disse...

Oi, tudo bem?
O Refúgio das Palavras começa 2012 com grandes novidades e vim lhe convidar para conferir.

http://iasmincruz.blogspot.com/2012/01/novidades.html

Tenha um ótimo fim de semana.

Lilica disse...

Eu também faço terapia porque sou bem complicada! Mas a sua psicóloga é do mal hein! Logo 10 metas? É difícil traçar 2 imagine 10! Boa sorte com sua tarefa! Beijos

P.S.: Sua letra é linda!

Ana C. disse...

Oi, Del :)

Então, se meu psicólogo (nunca curti a ideia de ter psicólogA, embora até ontem eu quisesse ser uma. vai entender) me propusesse um negócio desse eu ia rir na cara dele e pedir logo a receita dos remedinhos de tarja preta, numa boa. Coisa diabólica esse negócio de metas, credo. Se bem que até ano passado eu tentei fazer - e acho que ainda tento porque participo daquele projeto 101 coisas em 1001 dias, mas eu não as considero "metas", é só um, hm, projeto de coisas que eu pretendo fazer. Ou seja, são metas mesmo e eu realmente preciso de análise porque complico até um simples comentário, veja bem. Enfim, não gosto da "pressão" que as metas impõe porque eu fico competindo comigo mesma tentando driblar a procrastinação/preguiça/falta de vontade e no fim não acabo fazendo nada daquilo que me propus. Daí me acho uma fracassada e acabo precisando voltar pro divã.
E sobre pessoas que acham um absurdo pagar alguém para ouvir nossas reclamações: são as que mais precisam de divã, na boa. E outra, no meu caso, se eu não pagar não vou ter ninguém mesmo, então vamo empregar esse dinheiro em algo que preste/valha a pena, né?

Beijo, sua palhaça (com todo respeito ;P)

Isadora disse...

Vou plagiar a Mafalda, aquela linda: que tal se, ao invés de planos, voássemos mais alto?

feliz 2012 :)

Del Santana disse...

Del, primeiro quero lhe agradecer pelo seu último comentário lá no meu blog (e me senti abraçada ;D).

Quanto às metas, nossa, eu sempre penso em fazê-las, sempre penso que TENHO que fazê-las, mas, no final, elas ficam perdidas em minha cabeça e, de vez em quando, uma ou outra surge do nada, só p/ me dizer: "estou aqui, será que você consegue me alcançar?"; é desafiador, só que muitas vezes me falta ânimo p/ encarar esse desafio.

E já pensei (tá, ainda penso) em "pagar alguém" para ouvir minhas reclamações, meus medos.

Gostei demais da sua listinha, Del! Dos desenhos, da sua letra :}

Sobre a fonte nova do BC, achei que ficou melhor a leitura, só que a outra mais miúda era cheia de charme, rs.

Beijinho

L.H.C disse...

Depois que todas as minhas metas não foram alcançadas, elas foram banidas, é, é um tipo de tática, saca, se eu não tenho meta, não tenho como me frustrar, eh, ainda não posso dizer que deu certo, mas, enfim.
Antigamente eu achava, pensava 'pagar pra alguém ouvir seus problemas, oi?", sei lá, mas hoje, eu bem queria poder pagar um analista viu, tô precisando de ajuda profissional, acho que só Freud na causa.
p.s
Eu adorei a nova fonte do blog.

Thay disse...

Meu medo é fazer as tais das metas e, depois, não cumprir nenhuma! Sempre penso em fazer uma lista dessas, mas prefiro ir vencendo as etapas que se apresentarem. Sei lá, acho que se eu realmente me propusesse a fazer algo assim ficaria enlouquecida tentando vencer essas metas e, acredito, não é esse o ponto do projeto. XD

Gostei da nova fonte! Me parece mais agradável de ler, apesar de que eu não tinha problema algum com a fonte anterior. :)

Beijo!

Anna Vitória disse...

Del, eu acredito que análise faz um bem danado, mas olha, psicólogos são tão clichês. Espera que daqui a pouco ela pede pra você listar suas qualidades e defeitos.
Deve funcionar, porque senão isso não era feito a torto e a direito, mas tenho lá meu pé atrás.
Não confio muito em metas, acho que escrever um monte de coisa que se queira fazer não seja o melhor jeito de mudar a situação.
Se a Isa citou a Mafalda, posso citar um cara que eu admiro pra caramba, cujas sugestões para 2012 foram as melhores que li até agora?
"Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai."
=)
beijo

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