20 de fevereiro de 2012

A arte do Cordel


Comecei a me interessar este tipo de literatura após conhecer o blog A Voz do Cordel. Como cheguei a este blog continua um mistério, mas sei que gostei logo de cara! Então, aos poucos comecei a me interessar pelo gênero literário como um todo.
Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes.
Normalmente os folhetos são ilustrados com xilogravuras, que se tornaram outra paixonite minha por associação. Logo de cara encontrei o 100 anos de xilogravura e comecei uma pequena coleção com imagens encontradas no Google. Tornei-me fã de J. Borges, que até agora parece ser o melhor. Muitas vezes acabo me distraíndo com os desenhos e esqueço da leitura! O nordeste, infelizmente, é pouco explorado dentre a cultura brasileira, mas sempre me interessei muito pelas tradições, músicas, cozinha e tudo o mais. Acho que não custa nada compartilharmos mais sobre ele.

Meu primeiro cordel foi Amôr de Perdição, de João Martins Athayde, publicado em 1951. A história se passa em uma cidade de Portugal (chamada Viseu), e gira em torno do casal Simão e Thereza, sendo acrescentada ao decorrer do enredo a Mariana, que se apaixona por Simão formando um triângulo amoroso.
Aqueles dois corações
em pleno viço e frescor,
se enlaçaram fortemente
nos élos do puro amor
um pulsando outro pulsava
pois sentiam a mesma dor.
É uma delícia ler em rimas e notar a simplicidade das palavras. Por enquanto li folhetos com histórias de amor porque os cordelistas tem uma visão menos, digamos assim, enlatada. O Brasil parece importar romances americanos ao invés de criar suas próprias artes; com exceção de Lisbela e o Prisioneiro, O Alto da Compadecida e alguns outros que se destacam da montanha de puro lixo. Nos cordeis encontrei muitas brigas entre famílias, juras de morte, fugas e a mais casta vida nordestina!

Logo depois li Amor em Face do Destino, o melhor até então; cheio de piadinhas, ironia e um ótimo enredo estruturado. Foi este que me convenceu a escrever um texto aqui, no Bonjour Circus. Após terminá-lo, não restou dúvidas de que eu deveria dividir a Literatura de Cordel com os visitantes do blog! A leitura rimada pode ser desconfortável para muitos, mas grande parte dos folhetos são pequenos. Vale a pena ao menos tentar. Na Casa Rui Barbosa estão disponíveis todos os cordeis de poetas e cantadores tanto da 1ª quanto da 2ª geração. É um acervo de encher os olhos!

3 comentários:

Babi disse...

del, se você gosta tanto de cordéis talvez fique feliz em saber que o instituto de estudos brasileiros da usp tem uma coleção inteira só com esse tipo de literatura. tem uns títulos ótimos, super bem-humorados. se algum dia passar pela cidade universitária, é só pedir no atendimento do arquivo pelos cordéis. =)

L.H.C disse...

Acho cordel legal também, não conheço muitos, é verdade mas é bem interessante o modo como os poetas organizam as rimas.

Jorge Filipe Ressurreição disse...

Boa noite! Onde posso encontrar o cordel "Amor de Perdição"? Está disponível na Internet? Abraço!

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