Mulheres em extinção


O maior erro da mulher é querer se comparar ao homem. Muitas sofrem do complexo de inferioridade que as convencem de que para ser alguém é necessário que seja como qualquer outro. Uma doença, realmente, cujo tratamento poucas procuram no divã. Desde o nascimento a mulher é condicionada ao caminho da mímica. Para ser feliz, ela deve atingir uma felicidade maior do que as mulheres ao seu redor experimentam, e é obrigada a se auto-afirmar durante toda a vida. "Eu sou mulher!", elas dizem, quase comprovando a verdade com um exame ginecológico em mãos. Infelizmente, tenho uma péssima notícia: nem tudo que possui vagina é mulher.

Nem tudo o que reluz é ouro.

Reclamei em meu twitter por várias vezes que "as mulheres pararam de pensar!", e explico: Naveguei muitas páginas no Google em busca de blogs femininos; o que encontrei foi nada mais do que notícias sobre maquiagem, beleza e moda. Se muito encontrei um blog recheado de vergonha alheia falando sobre futebol. Mulher realmente acredita ser especial quando entende de esporte. Sabe por quê? Complexo de inferioridade, novamente. Uma eterna luta entre sexos bem vinda pelos machos, com toda a certeza. Quem faz barulho muitas vezes só quer atenção, e consegue a custo do ridículo. As mulheres querem muito, o tempo inteiro, e de todo mundo. Estão sempre a procura do melhor, inatingível, impossível e inexistente. Isto não é um elogio. É a prova de que algumas de nós se perderam no caminho da submissão.

Submissas sim, e perdidas nos livros de fábulas, revistas juvenis e programas de televisão para donas de casa. Achando-se dóceis e femininas por assumirem um status de "meninas mulheres". Não, isso não é bonito. Seria melhor afirmar logo de uma vez que é uma infanto-juvenil frívola presa em um corpo desenvolvido de mulher. Assim como dezenas de inseguras que tentam se encontrar em livros de autoajuda barata, Crepúsculo, romances na Sessão da Tarde e Manifestos Feministas de quinta categoria. Veja você, ótimo gostar de ler e assistir determinados tipos de ficção e novelas, tudo em prol de esvaziar a mente para se desfazer de um dia árduo de trabalho, mas não me venha dizer que se tornou um ser humano mais inteligente após debater corajosamente sobre Uma Linda Mulher, ou qualquer coisa que o valha. Eu mesma assisto muitos filmes água com açúcar para acalmar meus ânimos e conseguir respirar com mais leveza no dia. A diferença é que não faço disso uma filosofia de vida.

Não quero um príncipe encantado, o emprego perfeito, namorar com caras que tenham carro, um guarda-roupa cor de rosa com estampas de onça nem dirigir um ônibus. Veja só, há muito que acredito ser capaz de tudo aquilo que quero fazer. Ninguém precisou me dizer que "Nós, mulheres, somos capazes de ocupar o lugar dos homens!" porque, gente, isso é óbvio. Temos dois braços, duas pernas, cérebro, coração, músculos e força de vontade assim como qualquer Homo Sapiens. Porra! O sonífero medieval afetou tanto assim? Olha o tamanho do estrago! Chegamos ao ponto de precisarmos ouvir de terceiros do que somos ou não capazes. E ficam orgulhosas, claro, quando ocupam um lugar "de macho". Se como estivessem fazendo um favor a humanidade. Poupe-me! A fábrica está liberando cada vez mais homens frouxos, é nossa obrigação fazer com que as coisas continuem funcionando. Trabalhar não é mérito, mas sim necessidade; é digno.

Enquanto algumas de nós, mulheres, nos preocupamos com o espaço oferecido, outras se incomodam com a problemática da minissaia. Acreditam que mostrar as pernas (e quase a bunda) é coisa séria e os homens, que possuem duas cabeças, devem respeitá-las. Pois é, elas ainda esperam algo dos homens. E sempre irão esperar. Por que? Olha ele aí de novo: complexo de inferioridade. Elas carecem da opinião masculina e sua aprovação. Confundem liberdade com libertinagem, e pensam estar abafando! Cultuam o corpo como seu bem mais precioso, o vende por 5 minutos de fama, se exibem para alimentar um ego doente e depois reclamam por Direitos da Mulher. Não acha correto eu estar aqui insultando? Todas fazem o que querem com seu corpo? Pois saiba que isso me afeta quando sou, involuntariamente, representada por este tipo; porque, ultimamente, a única coisa que se ouve falar são de mulheres nuas protestando por qualquer coisa ou discutindo sobre estupro em rede nacional em um programa que cultua o sexo vazio e a banalidade, reduzindo os participantes a lixo!

Neste círculo vicioso, as mulheres de verdade se perdem e não são ouvidas. Por troca de presentinhos e flores murchas, elas continuam apanhando de seus companheiros. Por um punhado de chocolate derretido e mensagens bregas no Power Point, elas continuam caladas. Ganham homenagens no Dia Internacional da Mulher, os homens abrem a porta do carro para elas, dão perfumes e não transam na primeira noite. Tudo ficará bem se continuarem assim: reclamando seus direitos, mas mantendo a preguiça. Então, mudam de assunto, cancelam a passeata, reescrevem um discurso porque, caso contrário, a luta pode funcionar. E muitas mulheres não querem resultado, mas sim mimos. Comparam-se aos homems para ver se alguém sente pena da pobre coitada que só quer viver em paz. Entendam que enquanto sentirem pena de si mesmas, nada irá mudar!

Vocês podem trabalhar em qualquer coisa, caralho. Desata o bico, desce do salto e deixe de se achar boa demais para quebrar a unha. Larga a mão de frescura, sua estúpida, e pare de choramingar pelos cantos pensando ser indefesa. Você consegue se defender sozinha! Não reclame dos homens, quem foi que disse que você é perfeita? Está com cólica? Tome um remédio e não se sinta especial por isso. É um fato biológico, desencana! Quer usar roupa curta, mostrar tudo e um pouco mais? Realmente, tem gente tão miserável que só possui o lado externo mesmo. Valorize-se, para ser valorizada. Esconda-se, para ser encontrada. Respeite-se, para ser mulher. Cresça, abra os olhos e aprenda: seu propósito não é provar para os outros que é capaz de algo, tão pouco ocupar o lugar de um homem. Seu dever é, e sempre será, ser mulher. Deixe de ser burra! As tantas mulheres soltas por aí como penas ao vento só entendem o recado quando dado na ignorância mesmo. Só pegam no tranco.

Chamo-me Del, me considero uma mulher desde os 20 anos de idade e sei o que quero para a minha vida. Sou grossa e faço outras mulheres chorarem. Apresento este texto como forma de protesto ao Dia Internacional da Mulher, que mais parece uma feira e uma desculpa para os homens fazerem cachota de nós. Seja lá qual for o intuito do dia, as mulheres conseguiram fazer com que tudo se perdesse ao longo do tempo em troca, novamente, de asneiras (como os índios). Não sou florzinha, e nem preciso de porra de dia nenhum! Sou boca suja, mas preservo minha intimidade entre quatro paredes, uma vez que não dependo do meu corpo nem de minha vaidade para chamar a atenção. Tenho amigos homens, em maioria, porque não suporto papo de mulher, suas variações de humor e seu complexo de santidade (além daquele outro citado várias vezes ao longo do texto). Tenho plena consciência de que o homem é um ser limitado, e não entro em pânico quando sou obrigada a tomar decisões. Não gosto que facilitem as coisas para mim. Muito obrigada, mas eu mesma carrego minhas sacolas. Sei me virar. Não tenho medo da solidão. Consigo abrir vidro de conservas. Aprendi baliza em cinco minutos. Homem é burro demais para ter criado o Machismo, acredite se quiser, isso foi obra das mulheres. E finalmente, de mulher basta eu!

Não estou cobrando nada de ninguém. Cada mulher é um tipo diferente e tem suas limitações, assim como eu tenho as minhas. Mas não me venha me encher o saco porque eu não cresci em meio a fragilidades, portanto, não tenho muita paciência para tal. Sei que fui uma filha da puta neste texto, mas pouco me importa. Não quero criticar ninguém nem oferecer a carapuça, só qusi expor meu modo de pensar. Tenho amigas mulheres (em minoria), gosto delas e de sua companhia. Como dito: há aquelas que se safam do grupinho acéfalo e, graças a Deus, conheço um número considerável! Também tive sorte de receber aqui no blog as blogueiras que pensam, discutem e são Mulheres de Verdade. Não sei como as encontrei ou elas me encontrarem, só sei que foi pura sorte. E gostaria de dizer a cada uma que me sinto honrada em dividir meus textos com vocês, que fazem tudo valer a pena!

Para finalizar, eu gostaria de deixar aqui algumas inspirações femininas!

11 comentários:

Janaina Barreto disse...

*palmas*
Grande, mas valeu ler cada pedacinho, Del! "respeite-se, para ser mulher". Essa semana eu vi uma pessoa no meu twitter que, Jesus, deve ser difícil alguém engolir aquela criatura. Mais se preocupa em levantar a bandeira do feminismo do que, de fato, viver a vida dela da forma que ela quer. Tem gente que é 8 ou 80.

E viva aos filminhos água com açúcar que não são usados como filosofia de vida. Posso estar me contradizendo aqui porque, sinceramente, vivo sonhando com os moçoilos bonitos e fofos dos filmes e livros. Ah, me deixa sonhar! xD

PS: "escolhi" não ter mais tantas amigas. Se na época do colégio eu já evitava trocar palavras com a maioria é pq sempre ficava rodando no mesmo assunto: garotos, roupas, cabelo... Não tenho paciência pra isso, mas também não gosto de futebol. Acho que fico no limite entre a frescura e a "rebeldia". haha

Beijoka, Del ;*

Blank Space disse...

Muito bom o texto, não concordo com tudo, mas pelo menos 80% do que eu penso está aí. Gosto muito quando alguém é corajoso e faz uma crítica (com fundamentos, é claro), porque atualmente tudo o que falamos tem sido levado para o lado da "inveja" ou "não critique porque cada um faz o que quer", e nenhuma discussão mais é levada à frente. As pessoas não querem discutir, argumentar, elas preferem podar todas as opiniões contrárias e que, de alguma forma, "cutuquem a ferida". Beijos

L.H.C disse...

Olha mulher machista é um negócio insuportável; particularmente eu não gosto do mundo dividido entre coisas de menino e coisas de menina, quer dizer, eu tenho que ser taxada da pouco feminina por que não gosto de arrebentar minha coluna com sapatos de salto alto ou encher minha cara de maquiagem? Mulheres querem ser valorizadas, mas são as próprias que vão para os bailes descer até o chão enquanto são chamadas de cachorras, sinceramente, às vezes um cérebro meio masculino não faz mal.

Ulli Uldiery disse...

Esse texto me fez pensar bastante, concordo com mt coisa...como a jana disse ai em cima, as pessoas hojem vivem no oito ou oitenta, não sabem encontrar o equilíbrio e se apropriam dos pensamentos de massa, são levadas ou preferem se deixar levar(prefiro esse termo) pela onda do "pode tudo, não precisa nem pensar". E a essência feminina foi se travestindo...
É preciso pensar, se amar, se valorizar, porque não tem maquiagem no mundo capaz de retocar beleza interior.

Camila disse...

Brilhante!

Anna Vitória disse...

Del, concordo em partes com seu texto. Acho que muitas vezes são as pessoas que, numa tentativa desesperada de parecerem politizadas e conscientes, saem dizendo qualquer porcaria que escutam por aí, ou repetem frases feitas que elas não entendem o significado e isso acaba por corromper um discurso sério, por uma causa legítima.
Eu também acho a auto-afirmação da mulher desnecessária. Eu acho que esse tipo de atitude tem mais cara de machismo do que qualquer outra coisa, porque ter que provar algo pra alguém é um jeito de mostrar que você mesma não acredita no seu potencial. Por exemplo, fico bem irritada quando as pessoas ficam ressaltando sem parar que a Dilma é mulher. Eu sei que isso é significativo pra história num contexto geral, mas acho ruim ficarem repetindo que a Dilma é mulher toda hora, como se isso fosse grande coisa. Como se ela, especialmente, fosse capacitada pra liderar um país e as outras não. Acho ruim. Ela é mulher, ok, mudemos de assunto. Tão capaz de prosperar ou foder com o país como um homem seria. No big deal.
Mas uma questão que me incomoda bastante seria com relação a visão que muita gente ainda tem da mulher como objetivo. Homens e mulheres. Homens, que não dão valor e não respeitam mesmo e mulher, que se sujeitam a isso. Acho que tem a ver com o machismo feminino, que é confortável aos homens, e que todo um contexto de sociedade, que remete láááá longe criou. Por isso que eu acredito que certas coisas merecem ser debatidas: para que as próprias mulheres reconheçam o seu valor. Porque os homens, os outros, se reconhecerem, só o farão de verdade quando as próprias mulheres tomarem a iniciativa. É assim pra tudo.
Não acho legal, não concordo e jamais sairia por aí com um vestido que deixa metade da bunda pra fora, mas não acho que isso seja uma prerrogativa de um vagabundo qualquer para assediar uma mulher. De forma alguma. O que ela faz, a forma como ela age, seja certa ou errada, não dá o direito a ninguém fazer o que quer que seja com ela. Penso assim.
E o Dia da Mulher, por mais inutilizado e comercializado que tenha se tornado, ainda tem uma certa importância, pois levanta discussões. Como essa que você trouxe, como a que eu tive com as meninas na Máfia essa semana. Ainda que numa esfera pequena, a data faz com que as pessoas falem, questionem, troquem uma ideia. Claro que é ridículo que isso aconteça uma vez ao ano, mas acho mais válido e mekhor que nada.
Beijo!

ternoazul disse...

Olha, nunca cheguei a me importar de verdade com isso. Com nada disso. Falta de engajamento da minha parte? Talvez, mas não é como se eu ignorasse os fatos históricos e não soubesse que eles têm lá sua importância. É só que "o homem melhor do que a mulher", "a mulher melhor do que o homem" ou mesmo "os dois são iguais", tanto faz. A questão é que o ser humano é deprimente e essa conclusão pra mim já basta. Sou dessas, não me contentaria em declarar a decadência só de um dos sexos, eu teria que enxovalhar logo a raça inteira. Então não vou entrar seriamente na discussão. Mas tem coisas que acho mesmo é engraçado, preciso comentar. Um exemplo, vivo(estudo) num meio considerado masculino, estudo com homens que alegam que eu pareço ter crescido no meio deles, quando na verdade cresci numa casa com três mulheres e nenhum homem. E pra você ver, eles consideram isso um elogio. Se eu fico ofendida? Ah, faça-me o favor. Enfim, de fato também tenho pouquíssimas amigas mulheres, mas tento ser otimista pensando que na verdade eu devo ter conhecido poucas mulheres nessa vida. Beijos.

Larie disse...

Organizastes meus pensamentos neste texto, Del!
Nunca liguei para o dia das mulheres, pra falar a verdade. Esse ano recebi umas cinco mensagens dos meus amigos da faculdade e ganhei um chocolate no dia. Bacana, mas sem muitas alegrias.
Assim como Natal do ano passado - o qual eu estava numa crise cética em relação a Deus, ao menino Jesus e aos ídolos da igreja - essa data e nada, para mim, é a mesma coisa. Afinal, sou muito bem tratada pelas pessoas que escolho andar e pela minha família sempre, portanto não acho lógico ser (mais) prestigiada em um único dia.
Sou estudante de engenharia e tem muita, mas muita gente mesmo, que acredita que vou ser sempre posta em segundo plano pelas empresas quando for lançada no Mercado de Trabalho. É triste ver que as mulheres - sim, porque as únicas pessoas que vieram me falar isso foram MULHERES! - ainda pensem desse jeito. É um tal de menosprezar a própria inteligência e o próprio esforço que Deus benza! A igualdade da sociedade já existe, em quem século esse povo vive?

Andreia disse...

Olhando para a imagem que colocastes no post, lembrei-me de um livro que li no inicio deste ano: "Naziran, uma mulher sem rostro". Depois de ler o livro nunca mais consegui olhar da mesma maneira os livros da Harlequin Ibérica (que é aquela editora que publica livros - que na sua maioria - 99% só tem sexo. Como se a relação se resumisse a isso.)


Nós reclamamos que alguém nos chamou de "vadia" e não paramos para pensar que em alguns países há mulheres que preferem tomar banho de gasolina - e depois acederem um fosforo - a ceder ao capricho dos pais e casarem.

Hoje há tão poucas mulheres que possam dizer que são mulheres. Vejo na cidade meninas de 13 anos a vestirem camisolas que são mais transparentes que a agua, sem conscienca que estao atrai todo o tipo de pervertidos. Jovens que mal deixaram as faldras com bebes nos braços. E mulheres que já tem idade para terem juizo a actuarem como autenticas prostitutas em pleno trabalho.

É terrível isso. Fico com vontade de vomitar quando vejo o cúmulo ao que algumas mulheres chegaram. E depois dizem que é culpa do namorado, que as não as respeita. Ora, toda a gente sabe que - quase - todos os homem só têm corpo de homem, mas a cabeça ainda é de andorinha. Não se pode pedir maturidade a uma criança não é?

Eu também acho que é melhor ter um amigO que uma amigA. <.<

Beijokas.

PS: É impressão minha ou o tamanho dos meus comentários tem aumentado ultimamente?!

Thay disse...

Esse é um dos seus típicos textos em que leio, acho tudo muitíssimo inteligente mas me faltam palavras pra comentar! O que dizer depois disso tudo? Concordo com grande parte dos seus argumentos, sabe. Uma mulher não precisa ficar se colocando a prova sempre, é terrível esperar por isso em pleno século XXI. E o que dizer das mulheres machistas? Acredito que em grande escala elas sejam piores do que os próprios homens machistas... =/ Enfim, né, Del só se superando na escrita! o/

Ba Moretti disse...

Concordo plenamente e super me identifiquei com a tua descrição.
Falou tudo e no tom certo. Como disse, tem gente que só entende no tranco mesmo. E que se for pra chorar, que chore. Ninguém derrete!
Sem palavras digo, TU É FODA! E me bate uma leve indignação por não morarmos na mesma cidade. Aqui, até os homens, já estão perdidos nas frescurices da vida. Tá complicado!

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