23 de abril de 2012

Benjamin, o cachorro atrapalhão

Não consigo usar títulos normais para esse cachorro hiperativo.

Benjamin está dando trabalho para aprender que sou eu que o levo para passear, e não o contrário. O momento que deveria servir para relaxar e curtir o clima fora de casa se tornou num verdadeiro cabo de guerra. Eu de um lado da coleira. Por fora, uma moça equilibrada que não se deixa dominar pelo cachorro. Por dentro, uma esquimó sofrendo com a neve queimando sua pele, aos gritos chicoteando o cachorro e tentando controlá-lo para não virar o trenó. Benjamin do outro lado da coleira. Se esgoelando e esbugalhando os olhos para engolir o mundo inteiro de uma vez só. Porque tudo é maravilhoso demais para ficar esperando, ele tem que alcançar as coisas antes que elas fujam dele. Mesmo que essas coisas sejam muros de casas, cantos de rua ou árvores. Talvez ele seja assim porque minha casa não tem grama nem muito espaço para ele correr, se exercitar e cheirar à exaustão. Ou porque o veterinário recomendou que ele não saísse de casa até tomar todas as vacinas de proteção, o que o segurou aqui do lado de dentro até seus 11 meses. Imagine segurar um cão hiperativo e curioso por todos esse tempo! 

Tarefa difícil.

Depois do acidente de carro, minha mãe passou a guiá-lo porque eu sentia muitas dores na coluna e no tórax. Hoje, meses depois, ela continua o levando vez ou outra. Veja bem, minha mãe é uma senhora baixinha. O Benjamin a arrasta quando bem entende para o lugar que ele escolher. Já comigo, o malandro sabe que o buraco é mais embaixo. Quando sou eu o guiando, Benjamin pondera em engolir o mundo ao seu redor ou continuar com o pescoço no lugar, porque faço questão de puxar de um lado enquanto ele puxa do outro. Normalmente funciona, mas é só ele farejar algo extraordinário para se esquecer do acordo. Sei que esse não é o método, mas meu pai - como sempre - não colaborou com o treinamento que eu vinha dando ao cachorro. Meu pai é o tipo de pessoa que veio a passeio no mundo. Trágico. Ele acha mesmo que as coisas se "auto criam". Portanto, quando o velho sai com o cachorro, deixa o animal fazer o que quiser e como quiser.

Não demorou muito para eu cansar de bancar a palhaça, ensinar de um lado para depois meu pai cagar do outro, e abrir mão do treino. Isso só me irritava mais ainda e confundia a cabeça agitada do Benjamin. Resolvemos que ambos iríamos ignorar a brutalidade do encontro de forças e seguiríamos arrastando um ao outro para o horizonte dourado. Tem dado certo, por enquanto. Claro, quando o amiguinho de Benjamin (Beethoven, outro vira-lata) aparece na rua para saudá-lo tão efusivo quanto ele, tudo vai por água abaixo. Eles acham muito engraçado brincarem comigo pendurada na coleira de Benjamin. Sou o pingente decorativo do meu cachorro. Beijos para você que se acha uma merda. É esse o impasse: ou Benjamin fica paraplégico ou eu fico maneta.

12 comentários:

MF. disse...

Bárbaro o texto. Acho fantástico quem sabe transformar em literatura um simples passeio com o cachorro. Tá, eu disse simples?

E deixa eu registar bem registradinho: c@%@&#*! que tesão de layout.

Invadi teu circo e pretendo ficar. Tem pipoca?

Beijoquinhas.
>>Palavras e Silêncio

Jana disse...

ih, Del, não se sinta tão só. Também vou passear com os meus cachorros todos os dias (veja bem, eu vou passear com eles e não levá-los pra passear, como deveria ser). Bidu, que é o filhinho do meio, quando fica de pé nas patas de trás, chega aos meus ridículos 1,56 de altura. Daí tu já imagina a força do bicho, né. Tenho pena de usar aquela coleira simples nele, sabe, então acabo colocando aqueles peitorais que, acho, são mais confortáveis. MAS claro que é só pra ele, pois daí ele tem muito mais apoio pra me puxar pra todo lado sem fazer muito esforço. E quando vê outros cachorros na rua é que a coisa fica realmente feia! Não saio mais sem a "escolta" da minha mãe porque já fiquei no meio de briga dele com outros (virei uma peneira de mordidas, nem preciso dizer né). Tem dessas coisas criar cachorros. Cachorros grandes são uns amores, mas são difíceis de controlar... rs Ainda mais o Benji que é meio amalucado =P Mas a gente leva e, dentro do possível, se diverte (eu, sim).

Ana Luísa disse...

HAHAHAHA, Ai, Del, tive que rir do relato. Eu posso contar nos dedos quantas vezes passeei com Kimmy na coleira, porque ela é total cachorrinha de apartamento. Mas quando eu resolvo passear com ela, dentro de algum parque, claro, ela é super lady. Capaz de deitar no meio do passeio, de tão preguiçosinha! E eu adoro sair correndo segurando a coleira pra ver ela doidinha correndo atrás.

Camila disse...

Só eu não tenho um cachorro pra passear comigo! :(
Mas dizem Del, que amigos são assim né, nos dão trabalho mas estão sempre do nosso lado. Meus conhecidos que têm cachorro sempre falam do quão amigos são... Vou ter que arrumar um cachorro, porque amigo mesmo tá difícil. rssrss

Natalia. disse...

Eu nunca tive cachorro. ):
Mas brinco sempre com os cachorrinhos que ficam na rua da minha casa, tem um que é só me ver que começa a abanar o rabinho, a latir, haha.
Tenho um coelho, o Dinho, ele não dá trabalho né, fica lá na casinha dele comendo, bebendo ou dormindo, ou os três! Pena que está velhinho já :/

Enfim, adorei o texto, como a "MF." comentou, também acho super legal a maneira como você transformou seu cotidiano em literatura, haha.

Beijos!

Mia Sodré disse...

Vixe, lidar com um cachorro hiperativo é realmente algo difícil e que requer paciência, força e habilidade. Coisas que eu nunca terei de ter (ao menos com animais) já que sou alérgica a eles. Mas aprendi que sou alérgica quando cuidava de um. Sim, já fui "babá" de cachorro, digamos assim. O que eu cuidava não era tão hiperativo quanto o seu, mas incomodava horrores querendo copular nas pernas das pessoas. hahaha
Bjo!
Wink!

Karina disse...

Tem como não rir da cena? HAHAHAHA Mas sei bem como é. A minha cachorra corria que nem uma maluca por todos os cantos e sem se importar com carros, outras pessoas e muito menos comigo. Acontece que ela é pequenininha e gordíssima, então ela se cansava fácil e não aguentava fazer o caminho de volta. Resultado: eu tinha que voltar com a madame no colo. Mas desisti. Agora ela só vai até a casa da minha avó, que é minha vizinha, e se contenta com o mundo que ela vê por lá.
Beijo!

Tali disse...

Benjamin, você é muito lindão menino!
Bom esse dia hein, rsrsrs.. apesar da falta de tempo também adoro passear com Bred o problema é que no final quem se cansa primeiro sou eu, alias ele também é um pentelho hiiiperativo

Bjs, e o Bred manda lambidas também =)
My Sinapse

Pablo disse...

hahahahha... fico imaginando! vira e mexe vejo um cachorro levando uma moça pra passear em frente de casa. acho muito engraçado ver ela caminhando na diagonal. ^^

Thay disse...

Simplesmente adoro quando você conta as peripécias de seus filhotes! Benjamin e Tony já são ícones do Bonjour Circus! Meu cachorro também é hiperativo mas a diferença crucial entre o Filé (isso mesmo, sou muito boa com nomes!) e o Benjamin é que um deles é um poodle! Ou seja, se ele inventa de me arrastar eu paro e pronto, ele fica enlouquecido pra sair do lugar e nada. Haha, mas aqui acontecia a mesma coisa, eu treinava de um lado, meus irmãos sabotavam de outro. Enfim, também larguei mão, não adiantaria nada meu esforço todo. XD

Beijo!

Maria J. disse...

Oh, que cão mais lindo. Não entendo como é ter um cão hiperativo, nunca tive um cão que pudesse levar para passear. Mas eu acho que é melhor deixar ele fazer o que ele quiser, contando que tu não se perca.

Isa disse...

que coisa linda, o Benjamin e você com ele :)

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