1 de abril de 2012

Bonjour, sou Del. Romântica.

O que me fez assistir este filme foi Angélica, uma das personagens principais, e minha identificação com ela; a ansiedade, insegurança, uma moça atrapalhada, porém esforçada em se demonstrar simpática. O filme começa com uma entrevista de emprego, justo uma das coisas que mais detesto nessa vida. Além de não existir uma linha de raciocínio - e sequer lógica - nas perguntas, você sempre acaba sendo analisado por quem não entende porra nenhuma sobre pessoas. Para minha surpresa, o dono da fábrica (Jean-René) é um homem tão nervoso quanto Angélica, faz terapia e tudo! Quando o telefone tocou, interrompendo a entrevista de trabalho, e depois ele explicou ao psicólogo o que essa invenção dos infernos significa para ele - só pude dar risada.


Angélica é tão apaixonada pelo o que faz quanto eu, mas ao invés de chocolate, eu amo escrever. O contato social a deixa paralisada, o que acaba impedindo seu crescimento profissional assim como os relacionamentos interpessoais; ela chegou a vender chocolates anonimamente para não ter que lidar com os comentários e a inevitável comunicação com os clientes.

O filme trata, enfim, sobre as dificuldades que ambos sofrem ao enfrentarem as relações. Jean-René, na terapia, recebe um exercício onde deve convidar alguém para jantar, e claro que sua opção é Angélica. No restaurante, cada um mudo em seu desconforto, me pergunto por qual motivo não falaram de chocolate; mas compreendo perfeitamente a confusão que uma mente aflita provoca. Não é fácil conviver com as armadilhas do pânico somadas a falta de traquejo. Nosso corpo entra em estado de emergência, como se estivesse sendo bombardeado ou ao menos anunciando a sirene de alerta. Qualquer sinal de que o mundo nos cobrará uma atitude é o suficiente para paralisarmos. Falo disto assim, com tanta certeza, porque convivo com tal instabilidade emocional desde que me entendo por gente.

É um complexo, uma síndrome, problema ou doença - não importa como a ciência prefere denominar - muito triste, pois mutila nossa vida e abrevia a existência. Deixamos de viver muitos momentos, novas descobertas e experiências por puro medo. De quê? Tudo. A imagem que publiquei logo acima é uma frase que o pai de Jean-René costumava dizer, justo por sofrer deste medo difuso. Pensamos deste jeito: é melhor nada nos acontecer, ao invés de lidarmos com as consequências. Escondemos a paixão, o amor, a alegria e todos os sentimentos por detrás do pânico de saborear o ato de ser normal. Na reunião dos Românticos Anônimos é possível ouvir o relato dos participantes e impossível não se identificar. Somos medrosos ao ponto de dizer "Ufa!" ao término de coisas que seriam maravilhosas, caso acontecessem, só por não estarmos aptos a experimentar o desconhecido.


Com cenas inusitadas e um amor incomum, Românticos Anônimos me cativou desde o dia em que vi o trailer pela primeira vez. Em idioma francês, com a temática do chocolate e belos cenários, o filme conseguiu conquistar quatro estrelas - sou chata para caramba, eu sei. Foi a primeira comédia romântica europeia que assisti, e confesso que não é lá muito apropriado dar este estilo à obra porque remete ao besteirol americano (que deveria ser proibido conforme alguma lei do bom gosto). É sensível, engraçado, mas senti falta de alguns detalhes. Talvez eu tenha gostado tanto, que nem 2hrs de filme seriam o suficiente para me satisfazer (o tempo é de 1hr e pouquinho). O final, que eu não vou contar (calma!), não poderia ter sido mais adorável; do tipo que arranca um sorriso bobo no canto da boca! No mais, a mensagem é clara e direta: não tenha medo de se afogar, pelo contrário, mergulhe!

6 comentários:

gabriela four disse...

Aprender a lidar com pessoas é complicado mesmo, não tem manual nem regras (só a de manter sempre o respeito)... Aí a gente, faz errado e magoa e é magoado, daí vem o medo.
Mas eu gosto de conhecer gente, de ser completada por outras pessoas, ir percebendo aos pouquinhos do que são feitas, em que acreditam, o que detestam. Acho tão encantador... sei lá, acho que também sou romântica, Del.

L.H.C disse...

Românticos anônimos, gostei, e em francês, poxa, queria assistir, mas pensando bem, não tenho tempo não, rs. Eu confesso que gosto do besteirol americano, embora gostar possa ser uma definição muito ampla, enfim, não podemos ignorar as tantas tardes dedicadas à sessão da tarde e aos filmes de Ashley e Mary Kate Olsen e Shane West. Eu não sou romântica, eu acho, não sei

Andreia disse...

Românticos Anónimos... Gostei!

É mais fácil recuar e fingir que não é nada connosco do que ficar e enfrentar o touro pelos cornos. Realmente, somos todos medrosos. E acho que os mais corajosos são aqueles que vão à luta mesmo quando estão cheios de medo.

Adorei a tua última frase. :D

Nina Vieira disse...

Você, romântica?
Brincadeira. Esse filme parece Woody Allen, porque só o tio Woo faz o mundo parecer romântico.
Beijo procê.

Thay disse...

Ainda não assisti a esse filme mas anotei aqui pra iniciar minha experiência no cinema francês. Ultimamente eu tenho gostado dos filmes mais "diferentes", então pode ser que esse me encante - pelo menos eu fiquei bem interessada por tudo o que você escreveu. Até assisto essas comédias românticas americanas, mas geralmente quando está passando na tv e sinto preguiça. XD Não é o melhor tipo de entretenimento, mas dá pra esvaziar a cabeça. ^^

Pri Bragança disse...

Que legal, Del. Fiquei com vontade de assistir. Pena que a locadora mais perto da minha casa tem uma deficiência enorme em títulos. :(

Relacionamento com pessoas é prática. Não tem manual, mas é uma inteligência desenvolvível (ui!). Mas que é difícil pácas, é!

Um beijão, Pri.

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