3 de abril de 2012

Brigando com a sombra

Vou te contar, os últimos dias (acumulando-se já em semanas) não tem sido fáceis para mim. Tudo bem que a vida no geral não tem dado trégua, mas comentemos apenas dos momentos recentes, que é para evitar a fadiga (ou depressão). Venho lutando contra mim mesma há um tempo considerável e o pior de tudo são os resultados lentos, que parecem nunca chegar. Eu fico esperando, enquanto eles se locomovem em slow motion de braços abertos a beira do mar. Parece que tudo funciona de acordo com uma energia negativa, que está empenhada em fuder com a minha vida. "Não, não vai ser feliz!" e pronto, cabô! Fim de papo. Dá um reset e vai embora ser feliz em uma caverna ou ao pé dos alpes, onde ninguém vai a não ser o Pé Grande. É a vontade que dá: sumir, desistir, dar de ombros. Mas como isso é coisa de pau no cu, cá estou insistindo no erro, dando murro em ponta de faca, chovendo no molhado e afins. Embora o peso nos meus ombros esteja incomodando em dobro, não tenho lá muita saída, concordam?

Há uma planta colocada ao lado do divã, no consultório da minha psicóloga. Não sei o nome da bichinha, mas padeço sua desgraça. A doutora afirmou que colocou a dita cuja no lugar certo porque planta tem essas coisas de lugar ideal, tipo humano, mas ninguém liga muito para o nosso lugar. Que seja. Mesmo assim, a coitada está seca, com algumas folhas murchas e manchas por todas as folhas. Está na cara que minha colega vegetal decorativa sofre com os pacientes. "Energia negativa", a psicóloga explica. "Desculpe", eu disse para a planta. O meu intuíto não é matar alguém, eu só quero salvar a minha própria vida (aí sim, com o psicológico em dia ter condições de mat... não). A vontade passa de assassinar, e isso é o suficiente para me manter longe dos tarjas pretas. Agora, antes de entrar no consultório, eu tento chacoalhar os exus pendurados no meu pescoço. Dou um sorrisinho para a planta, sento no divã e faço de tudo para que minha energia não contamine o ambiente. No meio da consulta, porém, eu já estou tão puta com a vida que me esqueço de fazer o bem sem olhar a quem, e mando todo mundo tomar no cu.

Porque eu não vou mais tomar no cu sozinha.
Ah, mas não vou mesmo!

Relatei minha semana complicada, finalmente conseguindo respirar direito; só tenho conseguido isso na terapia. Procuro não esquecer nem dos mínimos detalhes, pois eles fazem toda a diferença. São neles que minha psicóloga encontra o problema, ou melhor, a solução. Ou ainda, o espinho nessa minha pata manca. É na minúcia do meu cotidiano que se esconde essa porra toda. Na maioria das vezes eu sequer noto, e por isso a terapia é importante. Então, de conclusão pronta, ela fica indignada com as pessoas que me cercam; como quando minha mãe disse que desde o começo da terapia ando me sentindo especial demais e ninguém pode falar mais nada, que eu já fico putinha. "Sua inútil, imprestável e idiota" são considerados elogios aqui em casa, logo, se reclamo estou sendo fresca. A terapeuta ficou mei'puta: Quem dera se você estivesse se sentindo especial! Seria um sinal de que meu trabalho está adiantando! - ela disse.

E eu concordei. Há muito tempo não sei o que é me respeitar e acreditar em mim mesma. Como eu disse no divã: estou no automático; cresci ouvindo as pessoas, próximas ou não, dizendo que eram asneiras aquilo que eu queria, fazia ou pensava. Não davam valor para o meu trabalho, meu esforço, e fui criada a base do "não é o suficiente". Escreveu até o ponto de arrancar o tampão do dedo? Não é o suficiente, escreva até perder as unhas. Fez um trabalho escolar (na minha época, escrito à mão e tendo como fonte a Barsa, veja você) de cinco folhas com figuras e desenhos ilustrativos? Não é o suficiente, vá a raiz do problema, seja contratada pelo Museu Paulista ou no Instituto Butantã, entre para um grupo especializado de pesquisas científicas, viaje até a terra natal do tema estabelecido pela escola e só depois de nove anos entregue um trabalho decente de 300 páginas. Pode parecer absurdo, mas em sua escala natural, as coisas funcionaram assim. Sou uma filha da puta perfeccionista em busca da aprovação alheia e distante de aceitar a minha capacidade; covarde também, já que tenho 24 anos e ainda coloco a culpa nos outros. Hei de conviver com isso, algo me diz.

— Por que você briga tanto com sua sombra? - a psicóloga perguntou. - Existem dois lados no ser humano, que nós denominamos "luz" e "sombra", assim como no yin-yang . Não adianta você cobrar de sua sombra uma coisa que ela não tem. Aceite-a! Por que sou a única a enxergar seu potencial? Você é inteligente, sensitiva. Por que não respeita isso?

Eu fiquei sem respostas, como na maioria das vezes. Determinei uma regra para mim mesma, que pouco condiz com o que sou. Não acredito ser inteligente, tão pouco sensitiva e sofro, inconscientemente, com isso. Luto diariamente para me convencer de que sou uma pessoa comum e somente mais uma por aí porque, afinal de contas, assim deve ser mais fácil para mim. Por que eu não posso ser especial? O que há de tão errado comigo para me conformar com o pouco? Por que é ruim buscar um tratamento interpessoal mais digno, de acordo com meu nível? As pessoas que exigem mais estima são fracas? É feio acreditar ser bom em algo que saiba fazer? Estas perguntas, em um curto espaço de tempo, atormentaram minha atenção. Foram elas a base para minha educação, me tornando uma criança submissa e fechada. Mas agora todas caem da árvore, pobres e bichadas. É uma doutrina da qual não preciso mais.

O caminho para aprender isto de uma vez por todas é longo, doloroso e por vezes provoca impaciência. Entretanto, é bom estar disposta a assumir o risco de deixar pessoas "importantes" para trás, que infelizmente não querem ou acham que não precisam aprender mais. Os pais, ainda que a Igreja nos ensine o contrário, não sabem de tudo nem conhecem todas as respostas; e nos devem consideração assim como nós a eles. É uma troca, no fim das contas. Deveria ser. Não só entre essa relação, mas em todas as outras. Acreditar no potencial dos outros e deixar que eles sonhem é gratuito e indolor. Poupa um enorme trabalho futuro, quando a criança cresce e é obrigada a aprender desde o começo o que é se amar. Eu ainda não sei o que é isso, sendo sincera, não me imagino achando isso de mim daqui há algum tempo. Intimamente, me pergunto se serei capaz de admitir minhas virtudes um dia, e se cuidarei de mim como sempre quis que os outros cuidassem. Não pergunto isto para minha terapeuta porque sei que a resposta dela seria 100% otimista. E o grande problema da pessimista, que eu sou, é não querer acreditar.

13 comentários:

Andreia disse...

Bom, um facto que aprendi há muito tempo é que as lições que mais nos magoam são aquelas que mais nos ensinam.

é complicado viver num meio onde ninguém - alem de nos mesmo - consegue ver o nosso potencial. É o problema de se depender da opinião alheia. :|

Com o tempo aprendi a não me importar tanto com os outros pensam de mim quando faço algo. Virei excêntrica, como costuma dizer o meu irmão. Sou feliz assim e quem me amar terá que me aceitar tal como sou.

Se as pessoas não te redor não querem aceitar a pessoa especial e maravilhosa - porque sim, és especial e maravilhosa sim! - que és então manda-as para 'aquele lugar' e vive a tua vida da maneira que melhores achares e que te faz feliz. De qualquer forma, para apontar um pecado as pessoas não pensam duas vezes em fazê-lo, e querem lá saber se te estão a magoar ou não. O importante é apontar o dedo aos outros!

Não conheço detalhes da tua vida intime (e não quero saber, porque não é algo que me diga respeito), então não posso dizer muito... .__."

Beijokas

Jessica disse...

Del... A gente precisa conversar um dia desses. Creio que nossa troca de experiencia nos fará bem. Sério.
Essa história de pais é algo mei complicado.
Já passei por coisa beeeem parecida, pra não dizer igual. Já ouvi muito "eu te amo", mas "eu vou te matar" vem em proporção maior.
Siceramente eu acredito que a família é a base da coisa toda. Se a base não é forte o suficiente, uma hora tudo vai abaixo.
Como eu disse passei muitos problemas com minha família, assim como você. Família de sangue e família postiça. Dei boa parte da minha atenção, carinho e amor a eles. E eles foram embora me deixando na areia pra morrer. Eles ajudaram-me muito também, mas é como eu disse lá em cima. Tanto que considero o computador mais parente do que muita gente.
Assim como você eu ja tentei ver um alguém especial em mim, mas sempre que fazia isso, chamaram-me de "vítima", "mimadinha", "retardada" e talz. Ouvi isso de todo mundo.
Já sem esperança de algo, um objetivo ou um namorado, disse foda-se pra tudo. Tudo mesmo. Família, amigos, cachorro, estudos... tudo.
Tornei-me alguém mais distante, frio e egoista, por opção própria. Deixei de importar com os outros e começei a me importar um pouco comigo. E de certa forma deu certo. E não precisei sair mandando os outros tomarem no cu ou coisa assim pra isso. Não vou mais guardar minha mágoas pra não machucar ouvido e corações do que estão em volta, se foram eles que plantaram a minha dor. Colham o que plantaram.

Seu sonho é o que? Ser escritorá de contos a moda antiga? Ganhar o Oscar? Abrir uma barraca de flores na esquina? Esqueçam que o ostros digam e faça! Ninguém aceita você ser especial? Seja especial pra você mesma. E então você verá que os outros te aceitarão do jeito que for. Sem amor próprio você não consiguira amar ninguém. E ninguém irá te vlorizar.

Pablo disse...

deeel, fico lendo isso e não consigo acreditar que você não encontra valor em si própria. não sei se adianta de alguma coisa, mas esses dias li seu texto (sobre uma garota que vivia numa torre, e viu a trupe do circo passar) para meu irmão e ele se apaixonou pela sua escrita. já vi ele lendo seus textos para várias pessoas. eu AMO ler o que você escreve, e se isso não acontece com tanta frequência é por falta de tempo!
no começo achei que se eu viesse e comentasse, com meu vocabulário tão pobre você nem daria atenção... sempre tentei fazer comentários inteligentes, para acompanhar o nível do texto. hahaha, acredita? depois descobri que você não liga pra isso, afinal... já visitou meu blog algumas vezes! = D

eu fui criado de uma forma em que me fez sentir sempre especial... ou isso foi algo que eu mesmo me OBRIGUEI à sentir, porque as coisas nunca foram fáceis, sabe! tenho que provar ter muitas qualidades para ser aceito... é meio complicado!

mas, moça... olhe-se mais no espelho e enxergue-se! você é bem mais do que imagina, sua psicóloga tem razão!

fica bem, tá?

Camila disse...

Somos parecidas em vários aspectos então. Em casa, nem um garfo que eu lave estará limpo o suficiente, e é triste isso, principalmente quando você atinge uma certa idade em que tudo começa a fazer sentido. E ai percebemos que toda insegurança, e em alguns momentos agressividade virou um escudo de proteção. A partir dai não importa mais os elogios, aquele sentimento de inferioridade já está impregnado na alma. E se você for tão perfeccionista quanto eu, sei que a dor é maior ainda.

Eu ainda não sei lidar muito bem com isso também, e assim como você culpo em grande parte as pessoas que convivem comigo. Afinal, é daí que tudo começa né. Embora eu me ache infantil por isso hoje, com 26 anos, mas é o que eu sinto.

Acho que não tem como alguém ajudar, e nenhuma grande história de superação me fez ver as coisas sob uma perspectiva diferente. Mas, o lance é se jogar, ir pra cima daquilo que acredita que não é capaz de fazer, sabe, aqueles temores absurdos que ficamos formulando, sofrendo por antecipação? Corra na direção deles, é o único jeito que encontrei, as coisas nunca são tão ruins quanto nós imaginamos, mas essa sou eu dando conselhos em um dia estranhamente positivo. De qualquer forma é um longo caminho, e ninguém merece viver se sentindo assim...

Tali disse...

Seria comico falar que já passei por situação semelhante?
Também ando em uma certa crise comigo mesma, alias acho que essa não seria a real descrição mas se fosse já é um começo da minha biografia. Então seria culpa da baixa auto-estima? -Pode ser. Mas Nããão acredito muito nisso! A certeza é que nesse vai e vem desses 'tempos modernos' exitem os rótulos que fulano cá e lá nos rotulam sem ao mesmo nos conhecer e saí despejando tudo o que dá na telha.. falo 'tempos modernos' porque antigamente as pessoas tinham um certo valor de saber o que pensar que nem sempre seria o proposito de dizer.
Já ouvi coisas que me machucaram e acabei por me iludir tanto que hoje estou distante, talves fria (sabendo controlar minhas emoções e diferenciar de bajulações)..de tanto apanhar hoje pouco ligo para o que dizem sobre mim. Minha mãe diz que isso seria uma fulga para não encaram meus problemas de frente e falo pra ela é melhor ficar longe e BEM do que perto e me sentindo uma MERDA! não acha?

Bom, adorei seu blog e o texto até porq me identifiquei!
Bjs, My Sinapse

Blank Space disse...

Isso tudo tem muito a ver comigo... não na parte de não acharem que as coisas que eu faço são boas o bastante, mas como existem outras maneiras de os pais nos "prejudicarem", no meu caso o resultado é bem parecido no final. Acho que eu me cobro mais do que os outros, e ainda assim, eu mesma acho que nunca é bom o bastante. Não. Eu SEI que não é. Mas e as forças pra melhorar? Pra tentar pular essas pedrinhas que colocam no caminho? Difícil.
Mas, olha, pelo menos pelo que eu leio nos seus textos você me parece uma pessoa inteligente e com um potencial enorme. Eu sei que pode ser difícil enxergar isso em você mesma, mas é preciso tentar, porque é algo tão evidente para nós que estamos do lado de cá que é espantoso acreditar que você também não se veja assim.
Enfim, se o que você quer é tão importante assim vá em frente, busque, tente, insista. Pode ser uma daquelas ocasiões em que a vida faz alguma coisa boa, talvez seja a sua vez. Eu ainda aguardo na fila :)
Beijos

L.H.C disse...

AI Del, essa coisa de viver cada diz fica mais complicado; acho que é difícil acreditar no nosso próprio potencial quando as pessoas que mais deveriam nos apoiar são as que mais dificultam a situação. Ah sim, eles deveriam apoiar, incentivar, acreditar; acredito que todo pai ame seus filhos, mas alguns tem um jeito estranho de demonstrar isso.Comigo mesmo, minha vida seria 50% menos difícil se meus pais tivesse cumprido pelo menos a obrigação de serem pais, mas ok, aos trancos e barrancos eu estou conseguindo usar minhas fraquezas a meu favor.
Quanto a acreditar no seu talento,acho que eu sei exatamente como é, depois de tanta coisa dar errada a gente começa a pensar que tudo que fez nessa vida foi errado, desde o momento que saiu do ventre da mãe, e toda escolha foi errada e tal. Eu também tenho muita dificuldade em me dar crédito, mas é preciso aprender a conviver com isso; ser perfeccionista é bom, buscar a excelência, ok, mas a gente também precisa aprender a lidar com o fracasso, só por que erramos não quer dizer que sejamos inúteis. Eu sei que teoricamente, e na base do Se eu fosse você, tudo parece mais fácil, mas, se eu fosse não duvidaria do seu talento, quisera eu ser tão inteligente quanto você, guria.

Nicolas disse...

Não sei o que dizer. Adorei o post. Em alguns aspectos, me identifiquei assustadoramente, em outros, nem tanto. Não tem plantas no consultório do meu psicólogo. E se tivesse, eu provavelmente mandaria ela se foder também, como eu faço com todo mundo, inclusive com o próprio psicólogo. Na maioria do tempo, eu me sinto completamente louco, e eu devo ser mesmo. Concordo quando você cita as fantasias homicidas, mas eu também acrescentaria os meus devaneios eróticos. E é em meio a tanta loucura que nós precisamos que um psicólogo perceba algo, não que eu esteja te chamando de louca, mas eu sou louco. E se você também é, muito prazer gata, meu nome é Nicolas. Rs

Nicolas disse...

E eu achando que meu comentário ficaria grande de mais. Esta muito pequeno perto dos outros Haha

Flá Costa disse...

Ai Del.. é fogo, pra não falar um palavrão.
Eu sou cheia de crises, mas estou vivendo a maior delas, e também tá super dificil pra mim. Lendo o seu texto fiquei imaginando, me deu uma sensação esquisita, por saber que felizmente (ou melhor, infelizmente) existem muitas pessoas insatisfeitas como eu que buscam o melhor incessantemente.

Espero que a gente consiga dar a volta por cima dos nossos problemas e medo, principalmente do julgamento que fazemos de nos mesmas.
Beijinhoos

Mia disse...

Eu comecei a ter longas conversas com psicólogos aos sete anos. Sim, sete anos. Fui criada para ser sempre a melhor e não importa o que eu faça, nada é o suficiente. Fiquei perfeccionista, com sérios problemas de aceitação. Me odiava. Hoje em dia eu gosto de mim. Me amo e muito. E não dou a mínima mais para os outros. Nem para as reclamações da minha mãe (que é a pessoa que mais me coloca pra baixo). Mas demorou anos para que eu pudesse chegar a esse nível. As coisas vão melhorar. Basta dar tempo ao tempo. Sei que isso é clichê, mas é verdade. Respeitar seus limites e se aceitar é o primeiro passo. Dá certo.
Torço para que você melhore. E sei que irá. Ainda mais com os leitores tão queridos que você tem te dando apoio. *-*
Bjo!

Thay disse...

Como assim você não enxerga o quanto você é especial? Poxa vida, aposto que todo mundo que deixou comentários aqui já te disse isso alguma vez! Você pode não ver - e sua família também não - mas tenho certeza que tem muitas pessoas constatando o quanto você faz a diferença. Claro que não posso dizer como é viver o que você vive, mas se isso ajuda, você é SIM inteligente e especial. Cada um o é, na verdade, só falta que mais pessoas digam isso uns aos outros. Ai Del, quando leio textos assim fico muito irritada. Não com o autor nem nada disso, mas com a situação em que foram colocados. Pq todas essas coisas vão crescendo nas cabecinhas de crianças, até que se tornem adultos e se sintam assim como você. Sabe, a família deveria ser a base que sustenta um crescimento saudável e seguro... é muito ruim ver que nem toda família usa isso como ponto de partida... Enfim, nem sei se estou me fazendo entender! Desculpe qualquer coisa. XD

Paloma disse...

Quando se é pequeno, inocente e vulnerável, é muito difícil acreditar que os pais não podem/sabem tudo, eles são nossos protetores, eles têm que saber. Acho que é por isso que muita gente se revolta na fase da adolescência. Minha ficha também caiu um pouco tarde. Foi um dia desses, pra falar a verdade. Não somos mais crianças, e nem tudo o que eles dizem é verdade. Morro de vontade de fazer terapia, eu sinto que existem coisas dentro de mim que precisam sair pra que eu possa seguir em frente, sem essa bola de ferro amarrada no meu pé. Porque a gente merece seguir em frente, Del! A gente não tem que se sentir culpada ou inferior o tempo todo, porque isso cansa e a gente definitivamente não merece isso. E, por mais árdua que seja a caminhada, eu confio que a gente vai conseguir. Eu confio em você! E eu acho que esse texto ficou bom demais!

Beijos

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