Ouvir música é uma das poucas coisas que confirmam a verdade de que sou feliz e estou sabendo disso; também faz com que eu volte ao tempo em que eu era feliz e me esquecia disso. Um par de fones nos ouvidos e pronto, o subentendido emergi buscando violentamente o fôlego, e logo respira aliviado lá pela faixa três ou quatro do álbum que estou ouvindo. É um escape, sem dúvidas - a melhor de todas as fugas. Para mim, assim como para muitos, a música se tornou um remédio eficaz e sem efeitos colaterais; às vezes piores do que a própria doença. Existem pílulas mais eficientes do que outras, naturalmente, e conforme o estudo realizado durante anos e publicado vez e outra aqui no Bonjour Circus e pela internet afora, chegamos a um resultado comum conhecido pela maioria de vocês. Portanto, usarei o ensejo dessas últimas horas e falarei alegremente sobre o The...
"Rasmuuus!"
Eu sou uma coisa linda e cheia de graça. Se não quiser ler sobre eles, basta passar direto para os comentários e dizer a verdade - "não li, não vou ler". Juro que não fico chateada! Mas recomendo a passada ligeira pela playlist, vale a pena!
O lançamento do novo álbum, que leva o nome da banda, está marcado para 18 de abril. A versão digital já está disponível no iTunes Store. Aliás, preciso comentar, aqui no Brasil teremos somente essa versão e não o álbum "físico". Por que? Porque a Universal Brasil é uma filha da puta, que não justifica o salário de seus funcionários, e está com preguiça de trabalhar. Só por isso. Eu adoraria poder gritar que eu quero que você MORRA!, mas algo me diz que a gravadora não dará atenção ao meu ódio. Daí o que a gente faz? Nós, internautas, qual nossa atitude? Nós baixamos o álbum gratuitamente pirateado, oras! Subimos o pau de sebo e ainda rebolamos. Ontem uma amiga me passou o link via Facebook e eu fiz a festa. Baixei o álbum assim que tive tempo e comecei a escutá-lo no último volume. A adrenalina foi para o beleléu e eu chorei. Eu posso achar qualquer porcaria sobre o trabalho do The Rasmus, mas sempre vou chorar emocionada pelos mínimos detalhes.
A minha primeira reação foi mais ou menos parecida com aquela quando mamãe cancela o WOW, mas lógico que de felicidade e não raiva. Quando me acalmei e parei de choramingar feito groupie, comecei a fazer minhas coisas chacoalhando o esqueleto ao mesmo tempo, cantando e improvisando nãnãnã porque ainda não conheço direito as letras e relembrando o motivo de amar tanto essa banda. Sem delongas, demorei bastante para formular minha opinião sobre as músicas e foi difícil não ser influenciada pela volta homérica dos finlandeses hiperativos, mas acho que consegui escrever uma resenha digna de vossa atenção.
É um álbum comercial. Fim de papo. Posso sofrer do Mal Dead Letters, da Síndrome Hide From The Sun e do que mais quiserem nomear - não importa, é um álbum comercial. Continuando, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa. Além de pavorosa, remete aquela velha história do vocalista ser o centro do mundo; ainda tive a boa vontade de procurar o reflexo dos outros membros artisticamente escondido no papel espelho, mas foi em vão - é só um par sombrio de olhos te observando e querendo sua alma. Outra coisa que incomodou foi a posição do nome. Para quem sofre com déficit de atenção (ou só é lerdo, tipo eu) vai demorar um longo tempo para notar o "The" ao lado do "Rasmus". Justo ele, pelo qual lutamos durante anos por sua inclusão no vocabulário dos novatos mimimi. Após ter o álbum na íntegra reparei na quantidade de faixas. A média é de 11/13 músicas, tirando o HFTS (♥) que tem 14. Então, juntando as peças, percebi (espero que incorretamente) que houve uma pressinha em lançá-lo o mais rápido possível. "Que mané escolher nome, que mané ficar escrevendo e gravando músicas, lança logo essa porra e vamos beber vodka!" Repito: espero que eu esteja errada.
Somente com 10 músicas (realmente muito pouco), acho que o álbum começa muito bem e logo fui cativada pela primeira faixa: Stranger. O nome deste texto, aliás, é uma frase da música. I'm a Mess, que eu já comentei por aqui, é um festival de daltonismo que merece ser ignorado, mas a música tem seu valor. Apesar de eletrônico demais, a experiência vai bem por It's Your Night, Save Me Once Again e Someone's Gonna Light You Up. Devo confessar que os nomes me fazem lembrar dos enlatados industriais e caberiam perfeitamente em filmes juvenis; e mais uma vez tenho a impressão de que o processo de produção foi acelerado. End Of The Story marca uma singela mudança dentro do mesmo álbum. Não sei explicar, mas tudo desanda. Apesar de Somewhere, que pode recompensar a playlist pequena porque tem mais de 5 minutos e Sky, que foi feita única e exclusivamente para derreter todos os fãs de propósito, é na faixa 6 que eu vejo que não valeu tanto a pena assim.
Resumindo, End Of The Story, You Don't See Me e Friends Don't Do Like That (a pior de todas) poderiam fazer o favor de se retirar e encurtar um pouco mais a lista, que já é minúscula. Sinto pressa e pouca essência. Acredito ser difícil manter um padrão em tantos anos de carreira e saber sustentá-lo durante a transição, mas por outro lado as mudanças são necessárias e até inevitáveis. Lauri trouxe bastante de sua carreira solo para a banda e ninguém economizou no novo estilo. O ponto positivo é a volta da guitarra de Pauli, mas achei Eero mais mudo do que nunca e Aki não conseguiu ressaltar nenhuma diferença. Assim como Black Roses, The Rasmus não é um álbum que entrará na história. Entretanto, não me decepcionei demais. Com certeza ainda existe a mesma banda debaixo de todas as novidades e, como eu havia dito no texto sobre o primeiro single, a poesia Ylönen deu seu ar da graça - bem tímida, é verdade - e senti aquele arrepio de antes. Posso afirmar que o álbum é melhor do que o BR, mas infelizmente faltou alguma coisa. Aquela coisa sem nome - nunca saberei o quê.
De qualquer forma, é The Rasmus. Isto, gente boa, basta! Eles estão de volta sem ao menos ter ido embora de mim. E agora, com a playlist logo abaixo para vocês ouvirem as novas músicas, eu os convido a entrarem no meu Paraíso!





5 comentários:
É tão bom quando nossa banda favorita retorna dos anos de reclusão! E mesmo que todas as músicas sejam terríveis e a capa do cd ruim, nós achamos tudo lindo - pelo menos num primeiro momento. XD Li todo o seu texto, claro, pq não consigo não ler. Mas achei bem interessante toda sua resenha sobre o cd. Eu não tenho essa capacidade, de resenhar tão bem assim sobre música. Enquanto estou escrevendo aqui, chegou no refrão da primeira música e estou gostando! Já te disse outras vezes que sou ouvinte ocasional de The Rasmus, e minha música favorita sempre será 'Sail Away'. :) Mas estou gostando das músicas, até voltei na 'Stranger'! Beijo, Del!
17 de abril de 2012 21:48
Tu já ta cansada de me ouvir, então hoje só tem meus olhinhos brilhantes. *-------*
17 de abril de 2012 22:16
Del, não conheço nada (nada mesmo, não é exagero) de The Rasmus. Estou em aula (sim) então vou ter que voltar outra hora pra poder escutar. De qualquer jeito, gostei do texto porque me lembrou da minha adolescência com MCR (pois é) e que eu não ouço tem uma eternidade. Mas tem algumas coisas que nunca vão embora, né?
Beijos
18 de abril de 2012 08:05
Ouvir The Rasmus, me faz lembrar da minha adolescência. Da melhor época da minha vida! Que foi marcada por ótimas bandas. Onde, eu descobri o que é bom gosto, talento e música de verdade!
"Stranger", me cativou também. Dá vontade de repetir toda hora.
Beijos, Del. Valeu por compartilhar! Muito obrigado. :)
18 de abril de 2012 09:19
Olá, del! Primeiramente quero agradecer o comentário que fez no meu blog, eu amei! Apesar de ainda estar um pouco confusa por causa da profissão, eu gosto muito dela.
Enfim, achei lindo o que você disse sobre música no início do post, pra mim música é tudo, sem ela eu não sobreviveria, é a única coisa que me deixa feliz quando todo o resto me deixa pra baixo. E The Rasmus, cara, como disse a Nick, lembra minha adolescêcia, naverdade pré-adolescência, era nova. Nunca mais ouvi, confesso, mas entendo você, acho legal quando um fã consegue apontar os defeitos de seu ídolo, afinal nem tudo irá nos agradar sempre, mas se a gente gosta de verdade nunca vai deixar de ouvir. Assim que puder ouvirei o novo CD dos rapazes e quem sabe eu volte a ouvir como antigamente?
Beijos!
18 de abril de 2012 19:24
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