Tudo bem, eu reclamo bastante sobre as mulheres aqui no Bonjour Circus. Comecei este texto de três formas diferentes, mas apaguei cada uma porque não ficaram ao meu gosto. Esta é a quarta (e espero que última) vez. Muito bem, vamos lá! Não vou cair na bobagem de enumerar, mais uma vez, o que não gosto no mundo feminino; vocês já sabem disso. É fato que não dou bola para comésticos, sapatos, mas tenho uma quantidade considerável de bolsas - uma febre que passou, e meu cartão vai à igreja todo domingo agradecer por essa graça alcançada. Também não estou conectada as tendências. Moda, para mim, é um assunto pessoal demais para ser discutido com terceiros. É claro que não vou sair nas ruas vestida ao modo 80's; vocês captaram a mensagem. Quem não me conhece acha que não ligo para roupas e meu armário deve ser um mundo incolor e abstrato. O fato de não conversar sobre o assunto também não ajuda minha imagem em nada, mas eu não ligo. O que ninguém imagina sobre mim, é uma frescura digna do meu lado mulherzinha brutalmente sufocado: Não use a mesma roupa que eu.
Veja você, eu não bato perna em Sampa inteira atrás de roupas diferentes porque gosto. Não fujo de lojas convencionais nos shoppings porque sou esnobe. Não fico semanas atrás da peça perfeita, do jeito que imaginei, porque sofro de algum complexo. Por fim, não caço brechós maravilhosos e lojas escondidas por aí para parecer cool. Eu faço tudo isso para diminuir em zero a possibilidade de trombar com alguém que se vista igual a mim. Se encontro alguma roupa que me agradou, por exemplo, na Renner, faço questão de comprá-la no shopping mais afastado do meu bairro (não que no shopping perto da minha casa exista alguma coisa que me agrade, então nem chega a ser um sacrifício). Meu guarda-roupa é 80% constituído por compras no brechó. Além da (enorme!) economia, tenho roupas dificílimas de serem encontradas por aí. Não adianta, se existe algo detestável, é topar com um clone na rua. Não use a mesma roupa que eu. Não neste estado. Não somos um exército fardado em busca da paz mundial. Eu não sou seu companheiro de guerra. Nunca Se Vista Como Eu.
Eu disse nunca!
Isso explicado, preciso contar que em um domingo à noite aconteceu o que tanto evito. Fui ao cinema com o namorado, usando uma blusa que comprei em uma loja esquecida por Deus e situada em uma rua movimentada, porém, longe de casa, longe de pontos comerciais e longe de mulheres consumistas. Voltando para casa, peguei um ônibus triarticulado. O bicho é grande, minha gente, é violento. Eu não poderia ficar mais feliz porque você anda, anda, anda, chega no fundo, senta e esquece do mundo lá na frente onde velhinhas descem e sobem, vendedores incomodam e crianças caem de boca em uma das separações antes de chegarem nos últimos bancos. Devidamente acomodada na terceira (e última) parte, minha viagem começou. Foi tudo ótimo até o terceiro ou quarto ponto, não lembro, porque neste ela entrou. A vilã da história! Uma senhora trinta anos mais velha do que eu (se como não bastasse) com a mesma blusa. Exatamente igual. Em todos esses anos isso é a primeira vez que me acontece. A senhora, não satisfeita em me ofender, ficou a viagem inteira parada em pé bem do meu lado! As duas, lado a lado, feito vasos chineses. Dupla sertaneja. Minha vida sendo um circo mais uma vez e eu no papel de irmã siamesa.
"O que essa louca tá fazendo aqui?", eu pensei. Então, todos os olhares do ônibus pareceram se dirigir a nós. Conhecem essa sensação, certo? É igual aquela que temos quando vamos pelados para a escola no sonho. Olhei fixamente para a janela e rezei, feito a católica que não sou, para que a mulher ao meu lado não levantasse antes de mim. Sentar junto com a usurpadora não seria nada agradável. Por que ela escolheu justamente a última parte? Por que perto de mim? Por que aquele ônibus? Por que a minha blusa?! Fiquei me perguntando se ela não tinha percebido ou se já estava casada, com netos, e por isso largou de mão e pouco se fodeu para quem se veste igual a ela. Perguntei para meu ego se ela estava gostando de estar usando a mesma blusa que uma jovem linda, inteligente, gostosa e vitaminada inocente. Ela não teve a menor atitude para consertar o erro, mas após uns cinco minutos naquela situação, resolvi tirar meu cachecol da bolsa e colocá-lo ao redor do pescoço e dos ombros. Foi o que consegui fazer na falta de uma burca.
Preciso contar que ela desceu no mesmo ponto que eu? Não, vocês já entenderam como minha vida funciona.
Individualidade. Palavra minúscula se comparada ao seu significado. Existem pessoas que gostam de fazer tatuagens. Outras modificam o corpo. Algumas pintam o cabelo de cores gritantes e há aquelas que se empenham na arte de escolher roupas. Ainda não fiz minha tatuagem circense, o que me distancia da glória individualista, mas enquanto isso vou trabalhando arduamente para me cobrir da melhor forma possível. Eu luto pelo estilo, seja ele clean ou não. Tenho o maior apreço por minha imagem diante da sociedade. Não porque me importo com o que os outros irão dizer (clichê), mas porque gosto de me apresentar bem. Eu gosto de quem eu sou. Estou confortável com meu estilo e ele comigo. Muitos leitores podem não entender lhufas do que estou dizendo e não enxergam a dimensão desse problema, mas para mim não existe coisa mais terrível (em termos femininos) do que duas mulheres iguais no mesmo ambiente. Mata a exclusividade da fêmea. Abafa o odor do ritual amoroso, gente boa. Desequilibra a tribo. Diminui o verdadeiro valor da moda na vida das pessoas.
E você aí, achando que não sou capaz de fazer drama!
Tsc, mulheres...





15 comentários:
hahaha
Toda mulher é capaz de fazer drama. Talvez não como outras fazem, talvez não com os mesmo temas clichês, mas todas nós o fazemos vez que outra na vida.
Enfim. Também DETESTO (assim, em Caps Lock mesmo) pessoas vestidas da mesma forma que eu. Por isso eu uso roupas diferentes das outras pessoas. Brechós servem perfeitamente para tal, é claro. E algumas peças eu mesma customizo.
Sabe de que eu tenho mais ojeriza? Dessa coisa de todos estarem usando o mesmo calçado ultimamente: todos usam All Star. É até bonito o tênis, mas eu não consigo me sentir bem usando um e vendo que 95% das pessoas na escola também o fazem. Enfim.
Entendo muito bem esse drama! haha
Beijos.
8 de maio de 2012 18:32
Puts, falou tudo. Acho tenso encontrar alguém com a mesma roupa que eu, mas não é raro. Dá agonia, sei lá. E quando acontece de alguém bem mais velho estar com a mesma roupa, aí eu quase surto, acho o fim dos tempos. É triste.
E não é drama, é a realidade! kkkkk
Beijo!
8 de maio de 2012 18:57
Dramas femininos, cada uma com os seus, né? Eu seria uma que num caso desses ia achar super engraçado! Ia pensar: Caraca, que coincidência, 7 bilhões de pessoas no mundo e me aparece uma do meu lado com a mesma roupa que eu!!
Beijos!!
8 de maio de 2012 20:09
Fiquei a imaginar a cena tal como se estivesse lá! Deve ter sido bem tenso. Provavelmente se olhares matassem, a mulher já estava chamuscada no chão não? 8D
Oh bom, pensa pelo lado positivo: todos nascemos originais. Só com o tempo - e com a morte - é que acabamos por morrer (quase) todos iguais uns aos outros.
Eu também gosto de um certo individualismo. Fico *uta quando vejo alguém a usar a mesma roupa que eu, mesmo que a peça já tinha uns bons anos. xP
Gostei do post. (:
Beijokas
OBS: Desculpa se não tenho comentando muito no BC. Não ando muito blogueira ultimamente. ._.
8 de maio de 2012 20:36
Hahahaha Del. Certamente não nos vestimos da mesma forma, mááááss... Eu detesto até VER que alguém tem a roupa igual a minha!
Adorei o texto!
8 de maio de 2012 21:03
Sou dessas também. ABOMINO roupas iguais, por isso faço minhas próprias camisetas e procuro as roupas menos convencionais possíveis. Tanto que quando me falaram que eu ia viajar pra Europa, implorei pra minha mãe por dinheiro pra comprar roupas lá, porque tinha certeza que aqui ninguém teria nada igual!
Mas sabe, nunca tive coragem de comprar nada em brechó. Acho que é porque os da minha rua são muito acabados e me dão aquela impressão de roupa mofada que alguém quis se desfazer 30 anos depois de deixar no armário, sabe? E eu tenho nojo disso. O único brechó arrumado que eu conheço cobra mais caro que loja de roupa nova, então, veja bem, fico sem opção.
Já encontrei gente usando minhas roupas compradas na Renner, mas graças ao pai eu não as estava vestindo no momento, então sem problemas!
Essa coisa de par de vaso/dupla sertaneja/ o que quer que seja, deveria ter maneira de ser previsível e evitada forever!
Abraços <3
8 de maio de 2012 21:36
Acho que mesmo mulheres que não estão muito habilitadas para falar de moda, eu por exemplo, sente uma pontada de frustração quando encontra outro individuo da mesma espécie usando a mesma roupa, fica mesmo muito estranho; felizmente eu tenho sorte ao menos nesse quesito, isso nunca aconteceu, mas talvez isso se deva ao fato do meu estilo não ser muito, sei lá, copiável.
8 de maio de 2012 21:49
Tive um ex que tinha irmãs patricinhas, que se gabavam abertamente pra mim que suas roupas eram exclusivas porque eram de boutique, ao contrário das minhas, que são da renner e c&a. Um dia fui com eles num jantar e adivinha quem tava com roupa igual de outra pessoa no mesmo recinto? não eu haha.
Enfim, é raro mais acontece. Já aconteceu comigo, com você e com a ex-cunhada paguá!
adorei o blog =D
Beijocas.
8 de maio de 2012 23:50
Eu tenho manias com roupas, mas não ligo muito se alguém está com a mesma roupa que eu... ok, depende, se a pessoa estiver melhor que eu na roupa eu ligo sim, rs. Mas não me empenho tanto como você no meu estilo, eu te admiro por isso! Minhas roupas um tempo atrás eram super iguais, sempre a calça jeans, o all star e a camiseta de banda. Fiquei aqui imaginando a cena hahaha
Sim! Conheço The Rasmus sim! haha Sei que você é fã, já visitei o The Rasmusologia, mas não sou tãaao fã como você, assim, o Dead Letters fez parte de um momento muito bom na minha vida. :D
9 de maio de 2012 09:22
Drama, alteramos a voz e ainda continuamos no salto SIM!
Rsrsrsrsrs.. que figuraça hein.
Meeenina isso é o fim ( acho que pra boa parte da mulherada ou se não todas) preciso citar que também já aconteceu cmg? = Fecho o tempo! Hahaha.. brincadeira a nossa sorte é que quando ela ia ou voltava..nada, nada de ficarmos como siamesas paradas lado a lado...
Olha Del também adoro um brechó vê lá, para não nos encontramos IGUAIS num ônibus da vida ok! Hahahaha.. Já penso!? Eu ia morrer de rir :D
Bjs, amei o texto.
9 de maio de 2012 17:17
Esse texto poderia facilmente descrever como eu fico em crise, dessa mesma forma! Se tem uma coisa que eu abomino é encontrar outra garota usando a mesma roupa que eu. Ainda bem que isso não me aconteceu - e torço para que nunca ocorra! Esses episódios acontecem muito com minha irmã: teve uma febre de usar aquelas blusas de lã listradas (não sei se foi só por aqui) e ela comprou uma vermelha e branca em um shopping. Sempre que esfria e ela coloca a tal da blusa, SEMPRE encontra uma mulher usando uma igualzinha! Se fosse eu procuraria um buraco pra me esconder. XD Ah, sério, no vestuário nós temos o direito de ser únicas! E isso não é drama, haha.
Depois me diz o que achou de "Helena de Tróia"! Vou começar em breve uma série sobre os Tudors, yey! Beijos!!
(Você tirou a opção de comentar com Nome + Url? Ou eu que tô doida? XD)
9 de maio de 2012 22:07
Preciso falar que já aconteceu a mesma coisa algumas vezes nessa minha pacata vida? Me preocupo muito em parecer "única" e quase sempre obtenho sucesso. Mas quando acontece isso aí, tenho vontade de arrancar a roupa do corpo e sair correndo.
E o cabelo então?! Recentemente, uma amiga minha cortou o cabelo de maneira muito (eu realmente disse MUITO) parecida com o meu corte atual. Fiz escândalo com o namorido, dizendo que ia raspar a cabeça, e já estava com a 'gilette' na mão quando ele me mandou parar de xilique... É foda, camarada!
Buenas!
9 de maio de 2012 23:53
"Foi o que consegui fazer na falta de uma burca." HAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHA
Acho que essa de encontrar alguém exatamente com a mesma roupa que eu, nunca aconteceu comigo. Já aconteceu de eu pegar uma camiseta pra ir pra aula e desistir de usar porque estava amarrotada e eu tava atrasada pra passar, e aí quando cheguei vi que uma menina da minha turma estava com uma IGUAL. Nunca mais usei a minha. Afinal, a vida me livrou disso uma vez, não posso correr o risco de acontecer de novo.
Acho triste quando as pessoas estão com as mesmas cores que eu. Tipo combinar de sair com as amigas e todas aparecerem com blusa vermelha e calça jeans. Mesmo que não seja igualzinho, a sensação de girlband tá lá. E só piora quando alguém solta um "ih, vocês vão cantar?". Ouch.
Beijo, Del!
10 de maio de 2012 10:48
Ai, Del. Nunca ri tanto!
Acho que devem estar me achando louca, aqui. rs
Nem para uma burca cair do céu nessas horas, né!?!
Isso já aconteceu comigo. Nessa hora, você percebe que sim, tem seu lado "mimimi feminista". Porque antes, eu achava que não era nada demais. Que era drama, coisa de gente fresca, enjoada e individualista. Até o dia, em que aconteceu comigo. E, oh céus! Foi terrível!
Foi em uma loja. Eu entrei primeiro e quando olho para trás, o que vejo? Uma mina com a mesma blusa, igual, da mesma cor e tamanho. A reação? As duas ficaram paralisadas, se encarando, como se fossem se atacar.
Foi desconfortável, eu confesso.
E é por essas e outras situações vividas, que nós seres humanos devemos repensar nossas opiniões formadas. Já não acho mais coisa de "gente fresca". É ruim, mesmo. E ponto.
10 de maio de 2012 17:41
Poderia até dizer que me descrevesse nesse post mas eu estaria mentindo em partes. Defendo o estilo próprio também. Chega de clones! Mas meu ódio por correr o risco de parecer estar de uniforme a la infinitos vasos não é suficiente pra me fazer ir atrás de lojas desconhecidas pela sociedade. Vai ver é a sorte que só não me salvou dessa situação uma vez.
Pós show de rock com um povo animado e uma maldita com o mesmo vestido que o meu. Bitch, please! Sorte a minha que não fiquei tempo demais lá pra odiar a Renner.
11 de maio de 2012 23:25
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