A rede e o social

Estou na quarta ou quinta tentativa de deletar minha conta no Orkut; ele está pior do que ex namorado. Digo e repito e arranjo outras formas de expressar a mesma coisa, mas ele insite no relacionamento. Quando entro, meu perfil está online e pronto para receber o mínimo de atenção que eu der. Apesar de ter muita história ali guardada, não tenho apego nenhum. É mais uma página na internet onde antes eu reunia todos os meus contatos, mas agora prefiro importá-los para o Facebook. Tenho fé de que um dia o Orkut irá entender isso e me deixar em paz! Foi bom enquanto durou. Quero seguir em frente e apenas ter um jeito fácil e prático de encontrar todo mundo em um lugar só. Esta é a única função das redes socias para mim e acredito que seja o único foco no fim das contas. Isso acaba causando um desencontro de informações porque, claro, cada um tem sua definição sobre o assunto. O problema é quando os outros acreditam que o mundo é regido por seus conceitos pessoais.

Estou cadastrada em diversas redes sociais por um motivo simples: memória fraca. Eu preciso manter uma lista de filmes para não esquecer o que quero assistir; o mesmo vale para os vídeos na internet, e depois aproveito para favoritá-los. Preciso da minha lista de livros atualizada para não deixar de ler o que me interessou. Também mantenho uma lista de presentes para facilitar a vida de amigos e familiares. Tenho todos os meus contatos no Facebook e não preciso correr atrás de agendas, o que é ótimo porque não tenho paciência de mantê-las. Minhas imagens favoritas não ocupam um espaço precioso no meu notebook, estão todas no Pinterest ou no Tumblr, ou ainda no DropBox. Os blogs que sigo estão listados aqui no Blogger, assim como os melhores tweets que gosto de ler estão no Twitter e uso o Lastfm para nunca deixar de conhecer novos artistas. De quebra, tenho todas minhas artes (oui!) registradas no Deviant e me cadastrei em uma rede social só para memorizar as outras redes sociais. Portanto, minha cabeça se preocupa com o necessário e nada além; todo o resto está devidamente organizado nessas coisinhas lindas.

O meu objetivo não é fazer amizades. Entenda, eu adoro conhecer pessoas na internet, as melhores estão escondidas justo aqui, mas não é esta minha prioridade. Contudo, estando cadastrada em tantos lugares é inevitável o contato, e muitas vezes encontro amigos que jamais trombariam comigo na vida offline. Muitas pessoas me adicionam, eu adiciono algumas, mas poucas mantém uma relação básica. Pode parecer frescura, mas isso me incomoda. Desde a época do Orkut - depois de passada a febre - só aceito quem conheço, aqueles com quem tenho certo diálogo ou quem acho interessante e quero conhecer melhor. Para mim, é difícil compartilhar coisas do meu dia a dia, por mais simples que sejam, sabendo que tenho pessoas completamente desconhecidas na minha lista de "amigos". Às vezes aceito porque acho que ele/ela tem algo importante a dizer ou algum motivo digno de querer entrar no meu círculo social, mas após um tempo percebo que o membro se tornou apenas mais um número, serviu somente de acúmulo. Sinto que estou sendo analisada e criticada por quem não se interessa em saber quem eu sou. Porque uma coisa é você definir alguém pelo o que ele coloca na internet, outra bem diferente é você conhecê-lo pelo o que ele é!

Muita gente foi injusta ao me julgar e eu também pré-julguei outros antecipadamente. Desde então, prefiro manter boa parte de mim trancada e dou a chave apenas para quem se interessar. Volta e meia faço uma atualização dos meus contatos e apago, sem dó nem culpa, aqueles que me adicionaram só por adicionar e não se preocuparam em dizer olá; assim como aqueles que adicionei, mas no fundo não são quem eu pensei que eram - acontece na vida e com muito mais facilidade na internet. Às vezes alguém se chateia, confundindo amizade com interesses em comum, mas duvido que eu deva explicações para quem sequer conheço. De qualquer forma, não tenho nada contra ninguém. É preciso me entristecer bastante para que eu coloque o nome na boca do sapo. Sabe, eu não levo as redes sociais a sério. Eu disse as redes sociais e não as pessoas. A minha vida acontece aqui fora e é com este lado que eu me preocupo. O mundo online serve para entretenimento, informação e nada mais. Gosto muito de cada amigo/colega que conheci aqui e sei que vou conhecer muitos mais, porém, não estou sentada esperando por isso tão pouco correndo atrás. Para mim, é algo que acontece naturalmente.

Entenderam meu ponto de vista?

Criei o Bonjour Circus com este intuito: compartilhar o que penso e receber em contra partida o que os leitores acham disso e a forma deles opinirem sobre o mesmo tema. Como a internet é uma caixa de surpresas, acabei por ganhar comentários maravilhosos e encontrei gente mais maravilhosa ainda! Sou grata por esta consequência e tenho o maior carinho e respeito por cada um que me visita. Querendo ou não, vocês descobrem mais sobre mim do que muitas pessoas que me conhecem há anos, mas nunca quiserem sentar para conversar. Quem dera se eu pudesse trazer cada amizade virtual para o lado offline, mas o maior problema (sempre) é a distância. Resumindo, grande parte de mim está aqui para quem quiser ver, mas enquanto eu puder escolher meu público podem ter certeza de que o farei. Não é saudável mesclar a realidade com as centenas de possibilidades da rede de computadores. Existindo o equilíbrio, entre mortos e feridos todos irão se salvar. Como diria vovô: Modere e pondere.

Sendo assim, eu uso e abuso do meu direito de permanecer calada, e me proteger.

6 comentários:

Thay disse...

É basicamente a minha ideia também! Desde a época do Orkut que só adiciono quem conheço, além de usar a rede apenas para deixar todos os contatos em um lugar só. Hoje o Facebook serve exatamente pra isso, e continuo seguindo a ideia de que só adiciono quem conheço e pronto. Sei lá, mesmo com o blog e participando de várias redes sociais, não gosto de mostrar toda a minha vida assim, de bandeja. Se bem que eu quase não uso o Facebook, salvo para deixar algum recado ou coisas do tipo. ;*

Mayra disse...

Estou contigo e não abro mão! Adoro essa liberdade que a internet dá, mas meus tweets são bloqueados, conheço todos os do facebook, acho engraçado quando desconhecidos vão ao meu blog e uma vez em nunca faço amizade com alguém, só invisto nisso quando vale apena e nesses casos eu não largo de mão! Enfim, adoro seu blog e fico triste por não conseguir ler todos os textos, perdoe-me, mas assim, ADORO saber mais sobre você porque te acho fantástica!
Abraços sua linda <3

L.H.C disse...

Me livrei do Orkut há um bom tempo, aquelas pessoas cuja amizade vingou foram para o Face, Twitter e MSN (e telefone claro) as que eram eram apenas mais um eu nem me preocupei em deixar lá. Eu acredito que a pessoa deve usar nas redes sociais a mesma postura da vida "real", tipo, eu não saio falando detalhes da minha vida para qualquer pessoa portanto não vou fazer isso na internet também, mas não vejo problema em dizer qual minha banda favorita, qual livro eu estou lendo e do que eu não gosto, por que isso faz parte do que eu sou. Além do mais, a internet diminui a distância. O risco existe sim, mas nas pessoas não no veículo.

Karina Azevedo disse...

Tive que parar pra pensar o que aconteceu com o meu orkut, não me lembrava mais de tê-lo excluído porque mesmo na época em que todos usavam eu não tinha muita paciência pra ele. Orkut era uma coisa ótima pra achar links de download e só. Mas só tinha essa relação com ele, nas outras redes sociais a coisa é bem diferente. E, sabe, isso da gente guardar tanta coisa lá e não ter que se preocupar com elas depois se tornou algo tão do cotidiano que fico achando difícil eu me livrar dessas coisas como me livrei do orkut.
E entendo muito o seu ponto de vista com as pessoas. Não é todo mundo que vai ser seu amigo e você não vai sair por aí procurando amigos loucamente - que nem na vida offline. A gente faz amizade com quem dá certo e isso acontece em qualquer ambiente.
Beijo, Del!

Pablo disse...

muito interessante seu ponto de vista! concordo e sou assim também. confesso que ainda me sinto um pouco bloqueado em expôr o que sinto no meu blog, mas é algo que tenho trabalhado nos últimos meses. exclui meu orkut há muito e muito tempo, e hoje tenho facebook para não esquecer de aniversários. não sou muito ligado nesso de aniversários, mas tem gente que REALMENTE se importa e fica brava quando esqueço. tenho memória fraca, e acho difícil quando pessoas colocam isso como um ponto de interrogação na amizade. meu facebook serve pra isso! "Modere e Pondere" estou marcando aqui!

Elizia Cavalcante disse...

Modere e pondere diz tudo.

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