Por que eu gosto de arte circense?


É o que mais as pessoas perguntam para mim: "Por que você gosta de circo?" Na verdade, eu não entendo muito bem essa dúvida já que, para mim, é o mesmo que gostar de Beatles ou Renoir. Eu sei, é incomum descobrir alguém que goste tanto de uma coisa tão... como posso dizer? Comum. O circo passa batido por muitas pessoas. Algumas nem se lembram da existência dele ou acham que está extinto desde o século 19. Tenho colegas que acham brega, outros rídiculo e ainda aqueles que tem medo de palhaços. Nada disso me tira do sério porque não sou do tipo que defende as predileções com unhas e dentes. Não acho que todo o mundo deveria voltar a atenção para o circo, pois entendo que compreendê-lo é coisa para poucos (ou para os dispostos). Por outro lado, sinto falta de ter com quem compartilhar as conversas sobre o assunto, por isso, vou tentar explicar por qual motivo, razão, causa e circunstância gosto tanto da arte circense.

Tentar explicar porque o motivo é complexo até para mim. Não existe uma explicação sucinta, que deixaria todos satisfeitos. São vários fatores ocorridos através do tempo, desde minha infância, que foram amadurecendo e se cultivando dentro de mim. Começou, mais precisamente, quando vi um outdoor promovendo o Cirque du Soleil no Brasil. Lembro se como fosse ontem, eu no carro dos meus pais olhando para fora e lendo tudo o que aparecia na minha frente. De repente, vejo um anúncio enorme do espetáculo Alegría, que se instalou em São Paulo para uma temporada. Fiquei imediatamente encatada pelas cores, e depois, pelo circo. Em seguida, não podendo ir ao Cirque du Soleil por causa do preço, meu pai me levou a um mais simples, modesto, que teria a apresentação da Eliana, se não me engano. Se me perguntarem como foi a apresentação, não vou conseguir respondê-los; eu não me lembro de nada. A única coisa que ficou na minha memória foi a tenda, os trailers e a parte de trás do campo onde a companhia estava. Naquele dia eu soube que o meu lugar sempre seria ali.

Eu gosto muito de comparar a logística circense com a vida em geral. Após tantos anos fazendo isso, é impossível separar um do outro. Por fora, na superfície, existe a beleza, o encantamento, a facilidade em confrontar o perigo. Por dentro, profundamente, há a verdade ofuscada pelo brilho dos olhos, o feio, o difícil, o trabalho árduo e não recompensado. Existem os palhaços, os equilibristas. Um dos meus exercícios preferidos é convencer as pessoas que de fato vivemos em um circo! Basta observar.

Outro fator, mais complexo ainda, é o amor que nasceu comigo. Eu sempre carreguei essa paixão circense, só precisei da minha primeira visita ao circo para descobri-la. Era como se eu estivesse voltando para casa - aquela sensação gostosa de chegar ao lar e ser recebida pela energia e pelos cheiros reconfortantes. Por mais que eu me esforce, fora da tenda me sinto deslocada e incomodada. Tem sempre algo errado, até eu adentrar uma companhia circense e tudo dissipar se como nunca tivesse existido. "É coisa de alma", como diz minha mãe. Inexplicável para muitos, perfeitamente compreensível para os espíritas. Não que eu seja do Espiritismo, na verdade, não sou de ninguém, mas há muitas coisas nessa doutrina que são as únicas capazes de me dar explicações. Assim como a Maria Fumaça em exposição no Memorial do Imigrante, que me arranca lágrimas antes mesmo de eu perceber que estou querendo chorar. Ou o Mercado Municipal que abraça meu coração de uma forma que nenhum ser humano consegue imitar. O circo, que me recebe de braços abertos como a mãe que deixei sozinha em outra vida, e morre de saudades.

Pois é, não existe a explicação. Infelizmente, apesar de tentar, meu coração não fala. As palpitações dele, sinto muito, ainda não consigo traduzir de todo. Eu adoraria poder abrir os olhos das pessoas e dizer: "Olhe, veja, sinta!" Mas estas sensações pertencem a mim. São lindas, emocionantes, e só minhas. O circo desperta cada pedaço meu, até mesmo aqueles que eu nem sabia existir, acorda o lado emocional do meu coração e adormece o meu racional. Eu gosto de circo porque é nele que eu me sinto completa e capaz de tudo. Até de viver, no sentido lato da palavra. Eu gosto de circo porque é impossível não me render a gentileza dos artistas, as cores, sabores, aromas e ao esforço que essa gente itinerante se presta só para levar a arte até as pessoas. Gosto porque nele existe a pluralidade, como diria Fernando Anitelli, existem as possibilidades sem fronteiras, o sonho sem o medo, o medo com amor, o amor repleto de paixão. Este texto está longe de terminar...

Eu gosto porque eu sou o circo.

A arte da nostalgia

As pessoas comentam aqui e eu retorno os comentários sempre que possível. Nisso, acabo descobrindo blogs e textos maravilhosos; ideias que eu nunca teria, inspirações ou blogueiros que eu adoraria conhecer pessoalmente. Foi assim que encontrei esse post aqui e resolvi colocar em prática algo que estou adiando e adiando e adiando... Primeiro comentei sobre minha caixa de recordações e prometi que mostraria para os leitores através de fotos. Depois, baixou uma vontade de fazer três posts sobre determinados pedaços do meu passado, que merecem permanecer em um lugar especial. Não fiz nenhum dos dois. Mas o blog My Sinapse praticamente me obrigou a perder a preguiça e destrancar minha nostalgia!

O texto sobre nostalgia dividido em três não poderei fazer porque, veja você, certa parte importante dele está presa (ao que tudo indica eternamente) em um DVD filho da puta, que não quer rodar nem com reza brava. São minhas riquíssimas e adoradas fotos da minha viagem fora do país; eu faria qualquer coisa para tê-las de volta! A outra parte depende de uma pesquisa nos álbuns de família espalhados pela casa e da minha boa vontade em escanear, ou seja, isso não vai acontecer mesmo. Estou brigada com a boa vontade desde 1990, quando ela simplesmente virou as costas para mim enquanto eu me esforçava em um trabalho artístico de nível fundamental. Sim, desde então sou amiguíssima do drama só para provocar essa ingrata. Portanto, caro leitor querido, ficamos com uma única parte que consiste...

Na minha caixa de recordações!

Eu sou assim mesmo, dou várias voltas ao redor do assunto e termino onde comecei. Desculpa. Bom, aos 14 anos peguei uma caixa de sapatos e colei recortes de revistas. Fiz a mesma coisa com o fichário que usava na escola, mas não consegui encontrá-lo. Ainda bem, diga-se de passagem, porque minha memória me adverte sobre uma foto dos Backstreet Boys estar na capa. Eu adoro personalizar meus pertences! Depois de terminada a arte (oui!), fiquei em dúvida do que guardar na caixa; estava super orgulhosa do meu trabalhinho de colagem, ele deveria comportar coisas importantes. Como eu tinha dezenas de cartas e cartões de aniversário, foram eles os escolhidos para a moradia de alto nível. Fazem 11 anos que coleciono lembranças e afirmo que foi a melhor ideia que tive!

Cartas

Tenho cartas da sexta série, cartões do meu décimo quinto aniversário e ainda correspondências que troquei com minhas amigas quando me mudei para o fim do mundo. Não tenho o costume de reler, mas continuo guardando porque acredito que serei uma velhinha solitária daqui há alguns anos e os pedaços de papel serão minha única companhia, enquanto meus netos filhos da puta se ocupam com suas vidas medíocres e meus filhos fingem que eu não existo preferindo jogar cartas ao invés de passar no asilo para dar um olá. Aposto que você se perguntou por que eu acho que estarei solitária na velhice. Amargura, meus caros.


Fotos

Eu odeio tirar fotos. Na verdade, é o meu nariz que não gosta muito, então o infeliz faz de tudo para sair feio e me manter longe das máquinas fotográficas. Fui linda até os meus sete anos de idade, mas crescer é uma praga imposta a todos os filhos de Adão e Eva. As fotos da minha Confirmação estão guardadas à sete chaves por culpa de um deslize (ah, o eufemismo) capilar feito por uma cabelereira de mal com a vida. Tenho poucas fotos dos meus aniversários. É possível que ninguém acredite que fui eu a autora das paisagens fotográficas penduradas no meu quarto porque não apareço em nenhuma delas. "Sei, você pegou do Google!" não tiro o direito de desconfiar. Mas o meu lado nostálgico conseguiu salvar fotos do meu curso de inglês e algumas do ensino fundamental. Estão todas dentro da caixa esperando por um ataque de ternura. Um dia, eu sei, direi que era linda e não sabia. "Ah, a juventude..." irei lamentar para qualquer planta, a única companhia que terei, "como passou rápido".

Objetos

Coleciono pedaços de momentos. Infelizmente, é uma mania que começou tardiamente, em 2009. Não importa porque não me lembro do que estou perdendo, mas por outro lado fico imaginando tudo o que poderia ter guardado para aprisionar melhor o tempo. Também me culpo até hoje por ter jogado fora a areia de Sardegna, com medo dos fiscais no aeroporto pensarem que era cocaína. Bom, pelo menos voltei sã e salva para casa sem experiências traumatizantes em uma cadeia gringa. Convenhamos, já estou pelo pescoço de mal entendidos, não preciso de mais. Eu trouxe penas legítimas de corvos e isso, para fãs de The Rasmus, é maré cheia! Os objetos é o que me fazem visitar a caixa de vez enquando. Gosto de pegá-los e tentar voltar ao momento em que os peguei. É engraçado como parecem pertencer a outra vida.

Ainda existem coisas que não cabem dentro da caixa. Coitada, chegou sua hora de ser aposentada. Há um tempo estou procurando outra maior para substitui-la, mas criei um forte apego por ela. Foi algo que minhas mãos de 14 anos fizeram. Eram puras àquela época, sem dúvida, e taí uma verdade que eu gostaria de recuperar. Eu adoraria que ela falasse, pois nela contém as mudanças de casa, os ares, as conversas que ouviu de dentro do armário e as vezes em que a peguei com carinho para guardar ainda mais lembranças. É uma pena não sermos capazes de capturar tudo. Quantas sensações perdemos ao longo do caminho? Não quero nem calcular! Nostálgica como sou, é inadmissível perder os grãos do tempo.

Complete a frase

Fui gentilmente indicada pela Del (+1) Santana e pela para participar desse meme! Eu sempre fico em dúvida, e quando finalmente publico acho que poderia ter dado outra resposta. Mas vamos lá:

Frases:
1. Sou muito cri cri. Essa é a expressão certa. Alguns chamam de chata, outros de fresca. Não gosto de repetir o que falei, não gosto de explicar de novo. Não gosto de muita coisa e faço questão de demonstrar isso.
2. Eu não suporto burrice. Entenda, existem várias formas de ser burro. Não saber ler e não efetuar uma equação do primeiro grau não estão dentre elas. Existem coisas fáceis de aprender, como as matérias escolares, e outras difíceis, como as regras da vida.
3. Eu nunca sei lá. "Eu nunca" um monte de coisa! Nunca fiz uma tatuagem, nunca roubei um carro, nunca escalei uma montanha, nunca plantei maconha, nunca comprei gato por lebre e nunca acreditei na palavra nunca.
4. Eu já fiz o que não queria fazer, já fui embora sem me despedir, já errei a pontaria, já fiz xixi no mato, já bebi água da fonte, já fingi que sabia, já dirigi perigosamente, já escrevi "com migo".
5. Quando criança, eu acreditava que o cheque servia para pagar as contas quando os adultos não tinham dinheiro.
6. Neste exato momento, estou ouvindo Uniklubi, sentindo dores nas costas, respondendo isso aqui e observando o Tony dormir bem em cima do meu travesseiro.
7. Eu morro de medo de tudo. Medo de morrer, de altura, cobra, aranha, mariposa (sim), rodovias, do futuro, do passado, do presente. Tenho medo de ter medo.
8. Eu sempre acho que pode piorar. Calma, colega! Calma porque as coisas vão piorar. Sempre existirá espaço para piorar. Sempre haverá chance. A vida está aí para isso!
9. Se eu pudesse, eu fazia minhas malas e mudava para Dornach novamente, ou Arlesheim que é próximo. Eu passaria minhas férias de verão viajando pelas fronteiras, depois pegaria um avião e em duas horas estaria em Helsinki.
10. Fico feliz quando os outros também se fodem. Porque, vou te contar, cansei de tomar no cu sozinha. Digo, quando eles mereceram se foder. O mundo seria melhor se as pessoas recebecem o troco na hora ou o julgamento instantâneo.
11. Se pudesse voltar no tempo, eu jamais teria voltado ao Brasil. Eu morri de saudades da vida que deixei aqui, mas se soubesse o que me esperava, jamais teria colocado os pés no aeroporto de Zurique.
12. Adoro assistir filmes. Não sou muito de televisão e acompanho pouquíssimos seriados. Já os filmes sempre me ajudam com a criatividade e inspiração.
13. Quero aprender alemão, francês e tecido acrobático. Também quero aprender tudo o que for possível sobre arte circense e como me desviar dos cocôs alheios. Quero aprender a me defender.
14. Eu preciso de férias. Não me aguento mais, não aguento minha rotina, não aguento meus problemas e preocupações. Mas não digo férias de sentar a bunda na areia e fritar sob o sol - quero férias psicológicas, emocionais.
15. Não gosto muito de tirar o pó. Adoro limpeza e faço rebolando, mas tirar pó não é comigo. Não gostar muito é meu dom, eu poderia ficar cinquenta parágrafos dissertando sobre isso.

Uma crônica fiel

Os 25 anos chegaram e a escritora foi embora. Como irmãos que se detestam por culpa de suas visões de mundo diferentes, ambos parecem indispostos a compartilharem o mesmo lugar. Desde 04 de junho não escrevo uma letra sequer e minha cabeça passa pela estação da seca. Então pensei: Mas não preciso ser uma escritora o tempo todo no Bonjour Circus. Pelo contrário, é aqui o único lugar onde não há imposição. Eu não preciso acertar nas vírgulas nem me fazer entender - basta desabafar. E eu preciso, confesso. Ando sobrecarregada, só esperando a primeira oportunidade para trovejar. Sempre soube que essa idade me traria a sensação excessiva de comando e auto controle, se quer saber, eu não sabia que sobreviveria até os meus vinte e muitos anos. O que eu não esperava era essa falta de traquejo, essa inexperiência para lidar com a vida, tão própria, que me assusta ao surpreender.

Meu meio-irmão faleceu. Não, não estou de luto. Era um dos quatro filhos do primeiro casamento de meu pai. Nunca o vi e desconhecia seu nome até a notícia da morte. As lágrimas, portanto, seriam hipocrisia de minha parte. Mas existe aquele negócio chamado sangue e, vou te contar, o desgraçado é forte e persistente. O cara não deixa de ser meu irmão, ter o mesmo sobrenome que o meu e, infelizmente, o mesmo pai também. Apesar d'ele ter sido agraciado com a sorte de não crescer ao lado desse homem, ainda dividimos o bendito DNA. Junto com o código vieram os problemas familiares, que não são poucos. Entre suicídios e desvios comportamentais, está a bebida - a culpada pelo fim do rapaz. Não tenho a mínima vergonha de admitir que todos os homens da família paternal tem um fraco pelo álcool. Reconhecer isso deve servir de algo; senão para conscientizar as pessoas, ao menos para fazê-las parar de perguntar "mas por que você não bebe?" Por incrível que pareça, não beber é um insulto sociológico para muita gente.

Na pré-adolscência eu estava convencida de que morreria antes dos meus 25 anos. Olha que graça, cá estou! Digamos assim, somente parte de mim, mas posso afirmar que estou - de um jeito ou de outro. Assoprei as velas do bolo e já me esqueci do que desejei. Com certeza algo bem trivial, levando em consideração minha superficialidade costumeira. Eu adoraria ter a coragem de pedir algo em nível mundial, mas quero que o mundo se exploda. Desculpaí. Poderia ter pedido o fim das dores nas minhas costas, que estão me matando desde o acidente, mas na hora devo ter achado um desperdício de pedido. A saúde, convenhamos, não vai com a minha cara de jeito nenhum. O meu bolo (de nozes) favorito, contudo, não me deixou cair na depressão em plenas boas vindas à metade do caminho aos 30 anos de idade. Pensa bem: vinte e cinco. Vale alguma coisa ou foi acúmulo destemperado?

Já posso ser mãe. Não sou mais chamada de mocinha. Posso casar. Minha mãe não precisa mais saber sobre minhas consultas ginecológicas. Ninguém, na verdade, nunca precisou saber porra nenhuma a meu respeito. A autonomia sempre me pertenceu, eu só optei por ignorá-la. Agora não. Agora eu tenho 25 anos e muita história nas costas, por mais que milhares de outras estejam na soleira da porta, esperando na fila enquanto passam os olhos por um jornal. Quando comi o primeiro pedaço de bolo, não fiquei feliz, apenas pensei: "Estou viva, e agora?" O que faço com isso aqui? Por que não posso mais brincar? Quem foi que me catalogou como adulta, afinal de contas? Essas pessoas não entendem nada, são simples aprendizes quando se trata de mim. Eu não sou adulta. Eu não tenho 25 anos, se querem saber. Minha idade está estacionada em seu cadillac cor de rosa nos 18 anos de idade, onde eu acreditava em uma dúzia de coisas e ainda me importava com outras três ou quatro. Sou uma confusão tão grande, que nem eu mesma sei o que de fato sou. Como podem carimbar meu título de eleitor assim, sem critério algum? Mal sabem a besteira que posso fazer com esse poder em mãos - eu, uma criança débil, posso afundar o país.

Opa, isso já está acontecendo.

O que eu faço com 25 anos? E ao chegar nos 30, terei feito o quê? Não conheço minha família, jamais vi o rosto dos meus meio-irmãos, também desconheço o caminho que tomei e me trouxe para cá. É uma vida estranha, embora na maternidade tenha sido dada como minha, e de mais ninguém. Às vezes tenho vontade de reencontrar o bebê que ficou ao meu lado no bercinho do hospital, só para ver que rumo o coitado tomou. No fim das contas, ele é mais íntimo do que meus próprios laços sanguíneos, que sou obrigada a chamar de parentes. Preciso mudar meu guarda-roupa. Tenho que começar a usar cremes. Salto alto, preciso comprá-lo. Sou mulher? Pois é, parece que a sociedade espera isso de mim. Não posso mais fingir que sou escritora, daqui para frente, até meus 30 anos, terei que ser uma ou qualquer outra coisa. Nem que seja inadequada. É, acho que no fim sempre serei inadequada.

Quer saber? Eu não quero saber.

O Circo da Noite

Eu estava esperando ganhá-lo em um sorteio pela internet. Entrei em alguns blogs, participei, mas meu bichinho circense não aguentou a espera - comprei o livro unicamente por envolver a arte circense no enredo. É isso aí, não tenho vergonha em assumir. Assim como ganhei Água para Elefantes de aniversário pelo mesmo motivo, e comprei O Circo e etc. Quero ter o máximo possível de coisas sobre arte circense, não para mostrar aos outros minha fantástica coleção, mas para conhecer cada vez mais e ler e assistir e acumular o conhecimento sobre uma das artes que mais amo. Foi pensando assim, que me dirigi à Saraiva mais próxima e comprei o romance de estreia da escritora Erin Morgenstern, curiosa pela história e também para analisar alguém que - assim como eu - está começando a carreira.

Obviamente, eu esperava por toda logística de um circo e a vida cigana que os artistas e empregados levam em tal rotina. Esperava conhecer um pouco mais sobre o que já sei, e incluir em minha mínima coleção literária mais um livro encantador e esclarecedor. Só que eu me enganei, respeitável público. O Circo da Noite é um livro mais para mágica do que para circo. A história se passa sim, em um circo, mas não é este o foco principal. A companhia circense sequer segue a tradição. Le Cirque des Rêves é um campo de batalha entre Celia e Marco, que podem ser classificados como ilusionistas ou magos, seja lá o que você preferir. Resumindo, as tendas compostas pelos dois são simplesmente um jogo agregado aos visitantes e pessoas diretamente ligadas a administração do circo. Eu, pessoalmente, não gosto muito desse tipo de leitura que envolve magia e coisas "impossíveis", por isso foi tão difícil terminar o livro.

Pensei muito antes de escrever esta resenha porque sei como é complicado escrever o primeiro romance. Não quero colocar Erin na berlinda, pois ela merece um crédito - o enredo não é de todo mau. As puladas na história, misturando acontecimentos do passado com o presente, atrapalham bastante o acompanhamento do leitor, assim como as descrições detalhistas de lugares e feitiços. A tradutora, devo dizer, também não contribuiu muito - errou em diversas páginas a ortografia do texto e também a colocação das palavras e traduções. Erin se demonstrou um tanto repetitiva em algumas coisas, relapsa em outras, deixou em aberto uma série de mistérios e se esqueceu de explicar e finalizar alguns pontos. Como eu disse, é complicado escrever um romance e acho que ela poderia ter simplificado um pouco para não se perder na linha do tempo e com os passos de cada personagem.

É um livro cansativo, talvez justo pela insistência em detalhes dispensáveis e a mudança drástica entre anos, meses e lugares. Requer certa paciência, pois a história não apresenta clímax. O final, para mim, deixou em aberto uma possível continuação. Pelo menos eu espero por isso já que o enredo termina do nada. Mas tem como ponto positivo a criatividade e o convite ao leitor - somos sempre direcionados à entrada e às vezes para algumas tendas também. A escritora teve uma excelente ideia ao criar os rêveurs e passar a paixão pelo circo através deles, criando assim, possivelmente, amantes reais da história que se identificam. Eu, sem dúvidas, mesmo não gostando tanto do livro e lhe dando apenas três estrelas, seria uma rêveur a andar com casaco preto e cachecol vermelho! Sou uma pessoa suspeita quando o assunto é arte circense, e facilmente influenciada. Portanto, O Circo da Noite merece ao menos uma tentativa. Não recomendo fortemente, mas se acaso você gostar de leituras diferentes, que fogem das histórias convencionais, será uma ótima escolha.

Quem sabe é a oportunidade para você, finalmente, se render ao circo!

Andei pensando...

... que o segredo é pensar menos e fazer mais. Pensamentos são como uma cama quentinha em dia nublado. É uma delícia ficar ali deitada sem precisar levantar. Na verdade, muitas vezes é necessário levantar, mas a zona de conforto quente te impede. Então, você não sente vontade, não quer acordar, não quer fazer nem ser. Nada do lado de fora te convence de que será bem melhor sair dali e brincar; e não ter garantias é tudo o que precisamos para desistir. Basta um aconchego, um dengo ao pé do ouvido, para a gente ter absoluta certeza de que estamos no lugar certo, fazendo a coisa certa. Não importa se o sol resolveu aparecer no meio da neblina com seu brilho esperançoso. O importante é ter um pássaro na mão, e não dois voando.

Penso muito, ultimamente, no fim da trilha de quem pensa demais. Aonde nossos pensamentos nos levam? Não digo a imaginação, porque essa já experimentei e sempre que possível visito de novo. Digo o pensamento, aquele faço ou não faço, vou ou não vou, quero ou não quero. Fico pensando se pensar no que fazer seria fazer alguma coisa. Penso que, se fico só pensando, talvez eu esteja agindo. Porque não estou totalmente parada nem aquém da situação. Mantenho distância dos problemas, mas ainda assim estou tentando solucioná-los. Sentada na varanda, minha cabeça a quilômetros dali, fazendo cálculos e mais cálculos. Uma culpa e outra surgem como ponto e vírgula, quebrando ao meio a linha de raciocínio, mas há de ser útil só pensar.

A gente tenta, arduamente, se convencer de que a cabeça é nosso mestre. Desviamos a atenção de nossas pernas e braços, curtindo só mais um pouquinho os cinco minutos de cochilo. Muitas pessoas se perdem, não acordam mais. Outras despertam assustadas, olhando para o relógio, para o calendário, para as mãos enrugadas, percebendo quanto tempo se passou. Há também as pessoas que, por opção, desligam o despertador. Eu gostaria de me encaixar no grupo daqueles que tiram uma soneca leve, aquela que qualquer barulho provoca sobressaltos. Eu queria dormir com um olho aberto e o outro fechado. Pensar cansa tanto, desgasta tanto, que uma esticada rápida na cama quente é tudo o que mais quero.

A todo instante pensamos em algo. Como seria a vida de um jeito A ou B? E se tivéssemos tentado só mais uma vez? Pensamos em dezenas de contrapartidas e atalhos que pegamos para desviar do trânsito. Fico aqui pensando, sozinha, como seria pensar acompanhada. E se eu fizesse assim? E se tivesse feito assado? Então, penso que fiquei tempo demais pensando. Pensei, pensei, pensei e não fiz nada. Minha cabeça trabalhou, se esgotou e não produz mais. A fábrica fechou. A vida, talvez, ficou de pé ao meu lado pensando no que eu estava fazendo que não fazia alguma coisa. Quero tomar uma decisão de gente grande e me esforçar para segui-la. Ou eu penso o resto da vida em como tudo seria diferente do lado de fora da zona de conforto, ou sinto na pele a prática incerta de acordar, levantar e ir brincar no frio.

Mas ainda estou pensando nisso...

Rip your heart out

A Anna postou primeiramente no So Contagious e eu fiquei babando para participar. Abri um bloco de notas e comecei a guardar as letras que lembrava e aquelas que encontrei ouvindo músicas. Depois, a pequena Mayra do blog A Casa de um Alien me indicou. Yey! O meme tem tudo para ser memorável: são as letras de música que fazem seu coração chorar, sangrar, se contorcer e arrepiar. Eu tenho de me segurar para não postar 300 quotes, sendo 299 do The Rasmus e o outro d'O Teatro Mágico. Comecei recentemente a colecionar citações de livros que leio, mas se fizesse isso com músicas algo me diz que o espaço do meu notebook não seria o suficiente. Respirem fundo...


I passed a stranger who had your eyes. Or was it you?
— Live Forever, The Rasmus
I died in my dreams, what's that supposed to mean? Got lost in the fire. I died in my dreams reaching out for your hand. My fatal desire.
— Funeral Song, The Rasmus
Take my heart and hold it in. Kill the beast under my skin. The endless dark will be the death of my senses.
— Open my Eyes, The Rasmus
Trust I seek and I find in you. Every day for us something new. Open mind for a different view. And nothing else matters.
— Nothing Else Matters, Metallica
Just one year of love is better than a lifetime alone. One sentimental moment in your arms is like a shooting star right through my heart. It's always a rainy day without you. I'm a prisoner of love inside you. I'm falling apart all around you and all I can do is surrender.
— One Year of Love, Queen
I am your mirror image. I'm all you left behind. You made me what I am. Then who the hell am I?
— How Can I Live, Ill Niño
Von meiner brennenden Liebe kann dich kein Dämon erlösen. Von meiner brennenden Liebe kann dich kein Gott und kein Wunder mehr befrein.
— Brennende Liebe, Oomph!
(Nenhum demônio irá te libertar do meu amor ardente. Nenhum Deus ou milagre irá te salvar do meu amor ardente.)
Du weisst genauso gut wie ich. Dass ich nicht schlafen kann. Denn meine Träume kreisen. Immer nur um dich.
— Träumst du, Oomph!
(Você sabe tão bem quanto eu que não posso dormir, pois meus sonhos acabam sempre em torno de você.)
At last the skies above are blue. My heart was wrapped up in clover the night I looked at you.
— At Last, Etta James
When you were here before couldn't look you in the eye. You're just like an angel. Your skin makes me cry. You float like a feather in a beautiful world. I wish I was special.
— Creep, Radiohead
An abyss that laughs at creation. A circus complete with all fools. Foundations that lasted the ages, then ripped apart at their roots. Beyond all this goos is the terror. The grip of a mercenary hand. When savagery turns all good reason. There's no turning back, no last stand.
— Heart and Soul, Joy Division
Meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar. Já no peito trago em bronze, não tem vaga nem lugar. Pra que me serve um negócio que não cessa de bater, mas me parece um relógio que acaba de enlouquecer? Pra que que eu quero quem chora, se eu estou tão bem assim? E o vazio que vai lá fora, cai macio dentro de mim.
— Além Alma, Arnaldo Antunes
All the pretty girls get cut in half while the sad clowns make us laugh.
— Cirque Dans La Rue, Plain White T's
He's the beautifullest. Fragilest. Still strong. Dark and divine. And the littleness of his movements. He hides himself. He invents a charm to makes he invisible. Hides in the hair. Can I hide there too?. Hide in the hair of him. Seek solace. Sanctuary.
— Hidden Place, Björk
I hurt myself today to see if I still feel. I focus on the pain, the only thing that's real.
— Hurt, Johnny Cash
You could be my unintended choice to live my life extended. You should be the one I'll always love.
— Unintended, MUSE
You must remember this. A kiss is still a kiss. A sigh is just a sigh. The fundamental things aplly. As time goes by.
— As Time Goes By, Louis Armstrong
You had all the prayers of my loose heart.
— Le Banlieu, Beirut
Bailo en este lienzo de dolor. Funàmbulo sin mapa ni brùjula. La dulce locura mi sòlo refugio. Nazco en la sombra del payaso.
— Quidam, Cirque du Soleil
(Danço nessa lona de dor. Equilibrista sem mapa ou bússola. A doce insanidade é meu único refúgio. Eu nasci na sombra do palhaço.)

A teoria da mesa

Abri uma votação na página do blog para os leitores escolher o próximo texto dentre três títulos. Com incríveis 0.000.004 votos, é este o tema publicado. O texto não foi muito desenvolvido, como vocês podem ver, isso devido a uns problemas pessoais que venho passando. O próximo será melhorzinho, prometo :)

Na mesa de jantar, escuta-se os talheres raspando nos pratos e os copos sendo repostos à mesa. Alguém tosse de leve, a geladeira chia, uma moto desce e um carro com som alto sobe a rua. O suco é servido preenchendo o espaço meio vazio. É assim que eu e meus pais fazemos nossas refeições - ninguém conversa, puxa assunto ou comenta sobre o clima. Eu mantenho meus olhos no prato, me consentro na comida e eles fazem o mesmo. Quando alguém termina, pega o prato juntamente com os talheres, o copo, levanta e vai embora se como estivesse sozinho.

Não é uma reclamação, é uma teoria.

Já almocei e jantei em muitas casas diferentes. Em cada uma delas, os moradores se comportavam de forma adversa - alguns conversavam bastante, outros davam risadas, brincavam ou apenas faziam comentários aleatórios para não deixar o silêncio predominar. Na minha casa não. É possível ouvir o barulho da comida caindo no estômago, fazendo um baque surdo de saco de batata. A gente ouve o gole de suco. A salada sendo triturada. Quando pequena, cada um comia em seu canto predileto - eu no meu quarto, meus pais no deles. Crescida, meu pai resolveu me obrigar a comer na mesa "igual uma família". Tudo bem. O problema é que a família unida e amorosa não solta um miado durante a refeição. Eu e minha mãe somos obrigadas a assistir de camarote a cara de bunda dele e nada além disso.

Então, esta é a minha teoria: a mesa de refeições personifica a família. É ali que toda a verdade fica exposta, aproveitando a distração da fome. Essa bendita acaba por abrir todas as jaulas dos instintos! Se está tudo bem, tudo bem. Se algo vai mal, as pessoas emudecem com a desculpa de não falar com a boca cheia - de comida, talvez, mas eu diria que em 99% dos casos a boca está cheia de verdades destrutíveis. "É melhor dar uma bela garfada nessa carne, antes de mandar esse desgraçado enfiar a faca no próprio pescoço". Coisas assim, razoáveis. Não adianta, família precisa passar a maior parte do tempo distraída, caso contrário, uns pulam por cima dos outros querendo matar à grito. Ótimo terem inventado esse ritual para satisfazer tal necessidade! Juntou a fome com a vontade de comer (se me permitem o trocadilho infeliz).

Não vejo a hora...

... de ter um lar para chamar de doce. Uma casa ou apartamento, tanto faz, mas que tenha harmonia. Um lugar que tenha a minha personalidade e a de quem viver comigo. Tudo no lugar certo, do jeito certo, sem improvisos. Seria ótimo se tivesse um espaço para o Benjamin brincar, mas também ficarei contente se a localização for em um bairro bom de passear. Nossa, e como ficarei contente! Que haja tranquilidade para dar e vender. Que haja porta bonita para colocar um tapetinho de boas vindas. Que haja muito amor.

... de ter um banheiro para chamar de meu. Ah, como é irritante dividir banheiro! Ainda mais quando a idade disso já está longe, e o companheiro de higiene é seu pai. Mulher com mulher, todo mundo sabe, não há problema algum, mas homem? Fim da picada. Não aguento mais ver meus objetos pessoais fora do lugar ou sendo usados. Se ainda fosse minha mãe, vá lá. Mas há tempos que andam querendo transpassar o limite da tolerância. E já que vaso ruim não quebra, não vejo a hora de plantar minha natureza em outro lugar.

... de finalmente terminar meu livro. Desde 2008 o escrevo e não aguento mais adiar seu fim. Não por falta de ideias, mas sim por outros fatores. Uma hora é falta de vontade, na outra depressão e em outra barulho ou problemas que adoram me atrapalhar só pela diversão da coisa. Força de vontade tem fim! Coitada, essa também precisa descansar. Mal posso esperar pelo dia que esse sonho irá se materializar nas minhas mãos, mas sei que até lá vou ter que ralar muito.

... de conhecer quem me inspira. Faz tanto tempo que espero por isso, que quase não acredito mais que possa acontecer. Espero, de verdade, que eu quebre a cara e morda minha língua! Espero que eu esteja errada e conheça, sim, as pessoas certas na hora certa. Que seja tudo um sonho bem gostoso, bem real, e que me mantenha sonhadora para o resto da vida. Seria tão bom, mas tão bom! Quem dera durasse para sempre.

... de viver. Cansei desta casca. Cansei de me forçar a fazer as coisas só porque elas tem que ser feitas. Só porque alguém tem que fazê-las, e esse alguém é o idiota que esqueceu de dar um passo para trás. Quero viver do meu jeito porque tenho idade e cicatrizes o suficiente para me aguentar. Ir ao cinema quando der na telha, andar pela casa quando eu quiser e para qualquer lugar. Quero parar de querer e fazer antes mesmo da vontade chegar. Não ser mais eu, mas sim somente eu e mais ninguém.

Take me home

Existe essa dificuldade em sonhar. Ô coisa complicada! Para alguns parece tão fácil, e eu simplesmente não sei o que faço de errado. Confesso, eu não consigo. Fantasiar é uma habilidade muito longe do meu domínio. Por isso, nesse meu mundo, é tudo tão sólido e presente no ar. Tudo existe em estruturas sobre bases - sobre terra firme - sobre mim. Aqui e pronto, somos e estamos. O labirinto da memória, feito das cartas que nunca enviei, guia as imagens como em um filme e minha vida ganha história. Quem dera eu fosse abençoada com o dom de sonhar! Deve ser mais fácil gozar da ideia impossível de ser cumprida. A possibilidade, todavia, faz o coração aumentar.



Somehow I feel like I've known you all my life
And we have been together
Since the gone of time and
I've been missing vital pieces of the puzzle
You might be the answer, stranger

Este é "Stranger", o novo clipe do The Rasmus lançado hoje. Não pude deixar de escrever a ligação que há entre essa música e eu, mesmo que nenhum dos leitores entenda. Prometo que o Bonjour Circus voltará com os textos de costume em breve!

E o mundo é perfeito

Arranquei de mim a poetisa para plantá-la no mundo.
Que ela floresça em você!



Feliz aniversário para mim.

Look do dia

É um pesadelo ir à praia quando não se tem um biquíni que preste. Não que eu tenha planos de ir à praia, mas se caso esse milagre chover na minha horta, eu terei que recusá-lo. Veja você, deve ser desagradável recusar um milagre, ainda mais na minha situação. Eu tenho um biquíni, mas como foi comprado na França a parte de baixo é uma fralda! Prefiro usar algo no meio termo, porque detesto aqueles biquínis "brasileiros" que ficam enfiados no rego. Minha bunda tem personalidade demais para se igualar as outras. Então, eu fico nesse impasse: querendo muito ir à praia, mas tensa por não possuir um traje adequado. Uma lástima, realmente.

Cuido bastante do meu guarda-roupa. Não o móvel, as roupas. Preocupo-me com o que visto porque acredito que nosso vestuário passa mensagens para os outros. Somos o que vestimos. Antes de você achar esta afirmação um absurdo, pare e pense nas vezes que julgou uma pessoa pela roupa que ela usava. Em uma única noite no barzinho, garanto que você cutucou pelo menos uns cinco infelizes com os olhos, mesmo que não tenha comentado com alguém. É, queridos! A tia Del sabe o que vocês fizeram no verão passado. Portanto, não adianta tentar fugir de tais regras: iremos comentar sobre o traje uns dos outros. Isso jamais deixará de ser um cartão de visitas, uma forma de se apresentar ao mundo.

Daí que, como tudo na internet, os blogs de moda surgem por todos os lados em um piscar de olhos. As moças mais acanhadas preferem inaugurar uma categoria no blog nomeada "Look do Dia" (super original, aliás - not). Nem que a coleção de panos seja uma bosta de mau gosto. Nem que a única interessada no assunto seja somente a mãe. Há quem saiba desenvolver muito bem o projeto e se desprende do fantasma de Cris Guerra, a pioneira. Outras se perdem para todo o sempre no mundo do plágio; sem gosto, incolor e amador.

É uma pena, por outro lado, que ninguém tenha tido a ideia de trazer o Look do Dia para as ruas. Se por um acaso alguém não saiba, é lá que as pessoas se escondem. Não adianta procurar pela internet porque você só encontrará fotos e verdades manipuladas. A realidade, o corpo a corpo, só acontece do lado de fora da sua casa. Vai por mim, não existe lugar melhor do que a calçada para observar o comportamento alheio e suas vestimentas. Sabe, sair um pouco do mundinho de Marie Claire e construir seu estilo por conta própria. Juro que não dói! Tempos atrás vi fotos da senhora Kate Middleton usando uma combinação vermelha de sapato, cinto e bolsa. Depois vi dezenas de peruas usando sapato vermelho e a mesma combinação nas ruas de Sampa. É aquela velha história sobre discernimento.

Eu não sei onde foi parar a elegância feminina; aquele bom senso na hora de escolher o caimento da roupa no corpo. As mulheres andam se cobrindo com trapos ao invés de comprarem roupas que condizem com sua beleza. Ótimo você defender a ideia de que "basta estar se sentindo bem consigo mesma", só não estranhe se for chamada de cafona (ou de coisa pior). Quer se sentir bem acima de tudo? Prepare-se para ignorar as pessoas que não se sentirão bem com você. Olha, serão muitas. Esperamos que alguém atinja nossas expectativas, por mais íntimas que sejam, e quando não fazem isso é bom saber que será cobrado. Um absurdo? Com certeza. Mas só sei que é assim.

Sem querer entrar na discussão, mas acho engraçada a lógica feminista (estou usando meu sarcasmo). As mulheres conquistaram o direito de votar e de, sei lá, serem motoristas de ônibus, porém, com o passar dos séculos tiveram que diminuir a circunferência de seus vestidos até aderirem as calças para conseguirem caber na sociedade. As roupas foram encurtando, diminuindo, e viraram pedaços de coisas desformes. As santas (ou putas, não sei; mulher demora para se decidir) acabam por usar um guarda-roupa que agrada unicamente aos homens e exclusivamente para se destacaram das outras fêmeas nesse zoológico desembestado. Se como isso fizesse sentido. De qualquer forma, as roupas estão ficando pequenas e, de uns tempos para cá, transparentes também. Decotes, antes lindos e sedutores, tornaram-se uma fenda medonha até o umbigo. Mini-saias, fofas e com um toque de feminilidade, não passam de uma bandeira da vulgaridade cobrindo um quadril, que na maioria das vezes é impróprio para uma saia tão curta.

Adianta pedir para que as mulheres abram os olhos? Inútil de minha parte. Cada um, cada qual. Enquanto algumas buscam o perfeito alinhamento entre suas curvas e o corte da roupa, outras se acham lindas ao sairem por aí vestidas como os travestis da Rua Augusta. Para ser sincera, já vi travestis por lá com um gosto melhor do que muitas moças que acham estar "na moda". Eu? Permaneço na minha luta íntima em busca das peças perfeitas para minha simetria. Vivo no eterno sonho dourado de topar por aí com a Dona Elegância, que um dia irá sair do coma. Então, seremos obrigadas a nos vestir como mulheres e não manequins.