12 de maio de 2013

A arte de costurar - Parte II


Outro dia uma menina da turma da manhã no curso conseguiu costurar o dedo na máquina reta. A agulha bateu três vezes e banhou a mesa de sangue deixando Stephen King no chinelo. Eu não presenciei a cena porque estudo à tarde, mas quem estava presente ilustrou desmaios, retalhos ensanguentados e muitos bombeiros bonitos salvando a aluna em perigo. Não, ela não perdeu o dedo (só porque a agulha não pegou o osso) e também não está de licença. No dia mesmo, ela preferiu continuar no curso ao invés de ir para casa. Depois dizem que costurar não vicia.

Começamos, finalmente, a mexer na galoneira e fizemos algumas peças de malha. Assim, ainda estou cá a pensar para que raios uma máquina daquele tamanho para fazer apenas dois tipos de costura - e ainda por cima só em malhas. Taí uma coisa que deveriam rever: o tamanho das máquinas. Eu sei que são industriais, produzem muito mais rápido e aguentam o tranco de uma fábrica, mas continuam grandes demais para poucas funções. Só para colocar a linha (ou linhas, no caso), a gente demora alguns séculos.

Juro que é só isso que uma galoneira faz.

Agora estamos fazendo as roupas do bazar. Apesar do medo da agulha assassina me fazer de próxima vítima e o estresse em produzir peças perfeitas, acho que estou me saindo bem. Terminei uma saia e comecei a fazer uma calça social sem ter derramado uma única lágrima. Já não posso dizer isso de outras alunas, que semana passada se desentenderam. Sabe como é, trinta mulheres, quinze máquinas e apenas uma galoneira e uma caseadeira. É lógico que mais cedo ou mais tarde acabaria em briga. O curso é gratuito, então é óbvio que depende do aluno aprender, ter atitude e também compreensão, pois trabalhar em equipe é fundamental. Algumas pessoas acham que estão ali sozinhas, ou que tem mais direitos do que os outros porque pagam impostos, ou que não estão nem aí, simplesmente vivendo na Lei de Gerson. É algo comum de acontecer quando a classe média alta se envolve em programas do governo. Muitas madames da minha turma podem pagar um curso com folga, mas ficam atrapalhando o rendimento de quem está ali para ter uma profissão.


Mas como eu disse para uma das professoras: estou me dando bem, faço o que deve ser feito e aprendo o que fui aprender. A minha saia ficou melhor do que eu esperava, para ser sincera, e vejo que a calça não será um bicho de sete cabeças. Se eu quisesse, já poderia confeccionar um vestido para mim se não fosse a falta de tempo e a máquina do século retrasado que temos aqui em casa (desculpa, mãe, mas depois de mexer em uma reta industrial jamais serei a mesma). Tirei uma foto bem porca da saia (acima); foi o que deu para fazer porque não podemos trazer as peças para casa. O próximo passo místico são os botões da calça, que também usam uma máquina gigantesca - caseadeira industrial - e com o trabalhão que ela produz - só que não.

O próximo passo - caseadeira!

4 comentários:

Dea Carvalho disse...

Deu inveja, morro de vontade de aprender, mas falta tudo - coordenação motora, inclusive.

Jana disse...

que saudade de fazer meu curso ;____;
eu não aprendi a casear ainda e graças à Deus, não consegui costurar nenhum dedo também. =P

"Só para colocar a linha (ou linhas, no caso), a gente demora alguns séculos." Pensei que fosse só comigo.

PS: Essa galoneira é a mesma goleira? aqui chamamos goleira a que costura malhas e faz acabamentos, eu acho (sou péssima aluna, oi.)

Beijos, Del!

Jamilly Costa disse...

Realmente costurar vicia! E ri com a história da menina, HAHA

Beijinhos, já estou seguindo, amei o blog!
Lia ¨
www.limaoealecrim.blogspot.com

Paloma disse...

Cara, que tenso costurar o próprio dedo (diz a menina que já grampeou o próprio dedo - mas nem se compara). Tenho muita vontade de fazer um curso desses, infelizmente tempo é o que eu menos tenho no momento.
Estou achando que suas peças estão um arraso, Del!

Beijos

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