12 de junho de 2013

Crônicas de um bairro qualquer - Parte 2

Outro dia apareceu um rosto em cima do muro da minha casa. Esse rosto tinha um nome: Vizinho da Rua de Trás. Suado, gordo e assustado, o cara procurava seu papagaio que acabara de aprender a voar e fugira de casa. Ele saiu gritando pelo quarteirão: "Você não viu um papagaio por aí, não"? E as pessoas respondiam em negativa. A minha casa foi a única em que ele entrou porque o meu pai tem essa mania de convidar todo mundo para conhecer o lar - seja vizinho ou mendigo. O backstreet boy (piada ruim) entrou, olhou, foi ameaçado pelo Benjamin que detesta gente intrometida e foi embora cabisbaixo. "Olha, o nome dele é Leleco", avisou caso a gente se deparasse com um papagaio dando sopa pelo quintal. Mas não apareceu Leleco nenhum e o vizinho não voltou a rondar o quarteirão. O coitado estava com medo de roubarem seu papagaio. Fica a pergunta: para que alguém o roubaria, meu Deus?!

O Benjamin é um cachorro muito exigente, que tem sua praça preferida. São três que cercam as proximidades de casa, mas ele escolheu apenas uma para seu deleite matinal. A questão é que em uma das casas na rua dessa praça há uma cachorrinha que espera religiosamente pela chegada dele; a chamamos de Toalha. Ela chega chegando, dá umas cafungadas no cangote do Benjamin e abana o cotoquinho toda satisfeita. Acho que eles estão namorando. Confesso que eu não estava preparada para o súbito amadurecimento do meu bebê, mas tudo indica que meu filho me deu uma nora.

De repente, eu acordo com uma sinfonia parecida com aquelas de caminhão de gás, mas tocando o tema de Titanic. Abri a janela do meu quarto e me deparei com uma Kombi branca passando devagar na rua e anunciando, veja você, a dedetização da dengue. "Retire suas roupas do varal, guarde o carro na garagem e matenha seus animais de estimação dentro de casa. A dedetização começará em cinco minutos. Por favor, colabore"! O que raios o Titanic tem a ver com isso, jamais saberemos. Saí no portão para bisbilhotar e me deparei com uns vinte agentes vestidos de branco saindo da Kombi. Era como ver trinta anões de circo saindo de um Fusca. Eles se espalharam pela rua usando máscaras e bonés, batendo nos portões e afastando os cachorros soltos. Depois de um deles me olhar feio, como se eu estivesse sujando seu trabalho sacro, entrei e ajudei minha mãe a fechar as janelas. Coloquei o Benjamin debaixo da minha asa e escutei o bairro se aquietar como em dia de treinamento militar na Suíça. Logo, o único barulho ouvido era o da máquina de dedetização. Ficamos todos dentro de casa por uns vinte minutos achando aquilo muito inconveniente, porém, foi o ponto mais alto da minha semana. Veja a que ponto cheguei.

2 comentários:

livroseoutrasfelicidades disse...

ahahaha, anões de circo de branco... fiquei imaginando a cena!

Douglas Rodrigues disse...

Cara... Sigo seu Blog há um tempo já, mas acho que nunca me pronunciei!
Adorei o banner do topo!
O meu ainda chega nesse nível.. rsrs.
Cara.. você escreve super bem! Seu post prende minha atenção do início ao fim!
Você consegue fazer coisas tão simples parecerem interessantes.. Gosto muito disso!
Achei sua nora super fofa! (De verdade)
Cara, fiquei com pena.. Postar, em pleno dia dos namorados, que o ponto alto da semana foi o carro de combate ao mosquito da dengue... (Ai, que dó!)
Brincadeira, ok?! Desculpa aí.. rsrs
Ah... deseje sorte ao vizinho!

Bjs

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