8 de junho de 2013

Enquanto o Candy Crush não libera

Estou aqui esperando infinitos 5min. e 44seg. para que o Candy Crush libere mais uma vida e me deixe jogar. Eu não havia me permitido esse frisson até que fiquei sem o que fazer na sala de um hospital e baixei o aplicativo no tablet do namorado. Foi um caminho sem volta. Consegui esquecer o joguinho assim que cheguei em casa, mas dias depois meu namorado resolveu acessar minha conta no Facebook e instalá-lo no meu perfil. Ele estava criando um monstro. Ou começando a formar seu grupo de adeptos, que mandarão quantas vidas ele necessitar. Acho que fui vítima de uma armadilha. Para vocês terem uma ideia, só me dei conta de que não tenho minha cunhada na lista de amigos agora, quando fui solicitar um bônus para ela. Vou adicioná-la por motivo torpe. É o que a balinha faz. Benjamin já está sentindo o impacto dessa nova rotina e estamos o chamando de bebê do crack.

Por incrível que pareça, Candy Crush dá assunto para um parágrafo pomposo. O que me fez pensar em tantas outras coisas mínimas que podem abrir espaço para um debate sério e agregador. Como, por exemplo, os atores da Globo - ou globais se você for pau no cu. Faz tempo que eu gostaria de saber se é um requisito obrigatório ter sotaque carioca. Transformar o ésse em xis e arrastar o érre deve ser mais importante do que uma interpretação regular (eu não disse boa, eu disse regular porque não dá para ser exigente nos dias de hoje). Malvino Salvador que o diga. Mesmo o núcleo sendo em São Paulo ou num agreste ficcional, todos irão conversar e interagir em carioquês. Talvez isso contribua para que o resto do país acredite que o Rio de Janeiro é realmente um lugar feito por Deus, sendo que a única culpa do Todo Poderoso deve ter sido derramar sua paleta de aquarela bem no meio da obra e tentar limpar com água raz.

A contagem regressiva do Candy Crush já terminou. Tenho uma vida preciosa, só para mim, e vou fazer valer a pena mas não neste exato instante porque me empolguei com coisas que com toda certeza não empolgaram vocês. Porque, veja você, outra dúvida me incomoda bastante: o humor atual. Ele não cabe em mim. Não serve. Eu não consigo, simplesmente. Nas novelas, em stand-ups, talk shows, MTV ou vídeos no Youtube: as pessoas dilatam seus ânus de tanto rir enquanto eu me pergunto onde vamos parar. Não pode ser tão engraçado assim. Vocês estão fingindo, não estão? É o que tem para hoje, nossa geração falhou, então vamos rir para não chorar. Aliás, o entretenimento como um todo tem a atenção que não merece. Mas estando nesse barco furado, acho que só nos resta aceitar para não sofrer tanto. Eu adoraria aceitar. Adoraria fingir ser burra para ser aceita por mais pessoas. Adoraria rir de vez em quando porque achei algo engraçado e não porque se divertir é uma obrigação.

Outra coisa que me aflige é a natureza humana. No que ela se transformou, não é mesmo? Estamos ficando civilizados demais. Todo mundo discute sobre política e feminismo agora, mesmo não entendendo porra nenhuma. O feiss está cheio de intelectuais que leram todos os livros do mundo e eles não gostam de feedback porque, aparentemente, apesar da inteligência estar se alastrando pelo planeta como a Peste Negra, só eles sabem do que estão falando e são os únicos com acesso as revistinhas da Folha de São Paulo. Ou seja, muito chato. Eu nem sei porque me preocupo com isso, afinal de contas. Ter internet, feiss e um aplicativo como o Candy Crush instalado em meu perfil é tudo do que preciso no momento.

5 comentários:

Ana (: disse...

Estamos na mesma hahaha.

Thay disse...

Mas esse Candy Crush é uma praga! Fica nos prendendo nas fases e tentando nos obrigar a comprar coisinhas pra destravar "novas aventuras"! Mas não me renderei! D:

E te indiquei um meme, se te interessar fazer. (:
Beijo!

Mariana M. disse...

"Nada nesse mundo é tão bem distribuído quando a inteligência, pois cada um acha que tem bastante."

Isto posto, vamos ao Candy Crush. Não jogo por diversos motivos: a) medo de viciar (já tive minha fase do Farmville, depois veio Plants vs Zombies...) b) medo de me tornar uma dessas pessoas doidas implorando por vida/sei lá o quê na timeline do Caralivro. Nossa, tinha uma época que eu joguei Bejeweled também, que inferno que era minha vida! Cada partidinha era só um minuto, mas quando eu olhava no relógio eu tinha perdido horas naquela porcaria... Joguinho hoje só de leve, enquanto espero dar a hora da aula. E só!

Rick disse...

É um post sobre jogo no facebook? aiai

Clara disse...

Me deu vontade de jogar esse troço, há tempos que procuro um joguinho que preste depois de ter enjoado das fazendinhas. Estou lendo seu livro, Del. Já dei muitas palas com Helena e fiquei curiosa sobre como mijar em pé. Maldade sua não explicar como. :P

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