10 de julho de 2013

O que o seu ego acha sobre isso?

Carole Brémaud
Dentre todos os meus defeitos (e você adoraria conhecer cada um), existe a necessidade de estar certa. Não sempre nem sobre tudo, mas quando sei que tenho razão. O problema é que às vezes eu não tenho razão e ninguém consegue me convencer do contrário. Porque além de tudo isso, eu também sou cabeça dura. Então eu continuo seguindo em frente crente de que a minha opinião foi baseada nas mais profundas reflexões, os outros que me acompanham estão perdidos em sua ignorância e mal posso imaginar a corrente de pensamentos equivocados que isso forma. Uma teia de aranha, sem dúvidas, pronta para o bote.

Na adolescência, eu me debatia entre quatro paredes usando camisa de força, mas não admitia que estava errada. Este tem sido um impasse que me acompanhou, digamos, até um bom tempo. Se não fosse a vida para dar uns pontapés de vez em quando, talvez eu ainda estaria acreditando em coisas que hoje não passam de fábulas ou absurdos para mim. Não foi fácil. Ninguém disse que seria. Este meu defeito nunca prejudicou ninguém além de mim, logo, sair da zona de conforto se tornou uma guerra particular. Por que assumir um erro se a única a reivindicá-lo sou eu mesma? As pessoas não estão interessadas nas minhas convicções. Se estou certa ou errada, dá na mesma para a sociedade. Não é assim que funciona?

Só que passei a perceber como minha mente andava fechada. Eu não me abria para novas coisas, era pouco receptiva, estava tornando minha conversa num discurso chato. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ninguém iria me ouvir mais. Mudei, não do dia para a noite, mas aos poucos. Como tudo deve ser. Estar errada, hoje, para mim é um alívio. “Ufa! Que bom que o mundo não é exatamente como eu achei que deveria ser, pois minha visão era realmente assustadora”. Sabe, mudar de ideia é ser mais otimista. Descobrir que o mundo não é movido por suas regras pessoais - por mais que você seja movido por elas - é libertador. Há outras verdades por aí, muitas vezes várias delas para um mesmo assunto, e tudo bem. Isso não precisa se tornar um problema.

Daí que outro dia, escrevendo para o Bonjour Circus, de repente apaguei o texto inteiro. Quer saber? Eu não preciso dar a minha opinião o tempo todo. É um insulto para o meu ego assumir que o que eu acho não vale mais do que um pacote de adubo. Doeu bastante nas primeiras vezes, amargou, ardeu. Hoje ele está mais acostumado. Até sai para brincar com outros egos no parquinho de diversões da sociedade. Eu, que tanto leio e tento aprender sobre a educação, estava criando um chorão mimado bem aqui, debaixo da alma. Não, eu não vou dar a minha opinião (leiga, na maioria das vezes). Eu não vou dizer o que eu acho assim, sem ser perguntada porque, cara, ninguém é obrigado.

Agora sei que estava errada sobre muitas coisas que disse e escrevi (inclusive aqui no blog). E olha, é gostoso saber disso. Vivo desejando ser burra para sofrer menos, mas no fundo o que quero mesmo é viver atenta. Eu quero estar ciente. Alerta. Ouvir cada palavra que sai da minha boca e saber que antes de chegar aos meus lábios meus pesamentos foram cuidadosamente podados. Pois sim, caro leitor, é preciso reciclar as ideias. Desculpe-me se eu estiver errada. Bem vindo se acaso concordar com minhas avaliações baratas. Porém, acima de tudo, agradeço-lhe a paciência com minhas virtudes rasas!

3 comentários:

Israel Bonfim disse...

É sempre assim, estamos sempre em guerra com nós mesmos! Mas, só tenho uma coisa a dizer: Quem sabe um dia, isso tudo passa, ou piora. Depende de você. :D

Fabiana C. disse...

Humildade é a melhor coisa que podemos almejar, porque tira das nossas costas certas necessidades sem sentido como estar sempre certa e não cometer erros, coisas que como você mesma disse só prejudicam a nós mesmas. Estou na mesma vibe que você. ;)

Thai Catedral disse...

Dia desses me descobri na mesma situação, tendo certeza de que estava certa mesmo quando estava errada.
E é bom de vez em quando se perceber errada, muito bom!

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