27 de julho de 2013

Vou bem, obrigada

Estou aqui, sentada pois não digito em pé, fazendo de conta que não tenho comentários e visitas a retornar e encarando o Tony, que está deitado na minha cama com cara de poucos amigos. Ele ficou #chatiado depois de ser vestido com sua roupinha (filha única, mas limpinha). Desfez minha cama, se esfregou nos lençóis limpos, rosnou, tentou tirar a roupa por si mesmo balançando as patinhas no ar, mas sua incompetência canina só o deixou mais puto da vida. Se ele soubesse que essa injustiça afeta até mesmo nós humanos, que somos teoricamente capazes, tenho certeza de que ele pediria apenas um biscoitinho e tudo bem, estamos quites. No mais, está frio. Ele vai ficar com a roupinha porque, por enquanto, é a única coisa sob a qual tenho controle nessa vida - decidir se um cachorro permanecerá vestido ou não.

As coisas caem de minhas mãos com muita mais frequência agora. Ontem, por exemplo, derrubei um pote inteiro de ração canina no chão e só fiz observar os grãos se espalharem pela cozinha inteira - debaixo da geladeira, dos armários, da mesa, do fogão e debaixo de todas as coisas, caso contrário não teria graça. Se não fosse a lógica - a única que ainda se presta a me salvar - teria tudo ido para debaixo dos azulejos também. Você deve estar pensando “ok daí você limpou, que história babaca”, mas não. Eu não limpei. Eu subi as escadas, entrei no meu quarto, deitei na minha cama e liguei a televisão. O plano inicial era colocar a culpa no vento. Depois achei melhor colocar a culpa no meu pai. Com resignação, admiti que nada disso faria sentido para a mente conspiratória e sempre antenada de mamãe, então desci as escadas, entrei na cozinha e sentei em uma das cadeiras da mesa.

Fiquei olhando para o chão colorido. Ração mista deve ter de tudo um pouco, menos vegetais.

O Benjamin chegou abanando seu rabo de gato, fungou, colocou as orelhinhas para trás e olhou para mim. “Você bebeu, mamãe? Devo ligar para o papai”? Às vezes ele fala com os olhos. É lindo de se ver. Então, de repente, me peguei conversando com um cachorro - por mais que seja o meu filho e por mais que eu o ame, não deixa de ser um cachorro. E eu expliquei ao Benjamin, enquanto o chão continuava sujo, que a vida anda uma merda. As pessoas andam uma merda (ou na merda; ainda não decidi). E eu disse: Eu deveria incluir um 'não que eu esteja reclamando' nessa nossa conversa porque nem isso a gente pode mais: reclamar. Ao que tudo indica, está na moda demonstrar que somos felizes e estamos satisfeitos. Posso até estar satisfeita, mas é com essa minha infelicidade. Veja você, não há problema em ser infeliz.

Ser mal comido é feio, atrapalha a vida alheia, mas ser infeliz pode.

5 comentários:

Dayane Pereira disse...

Acho que reclamar faz todo o sentido, esse é quase um lema na minha vida, sempre reclamar, de tudo e de todos, é uma arte e um direito que eu faço questão de usar e abusar rs.
E olha que neste ano aprendi a ser mais otimista...

L.H.C disse...

Eu nem ando reclamando tanto, sabe, acho que já me acostumei à lama.
p.s acho que o Tony tem toda razão de ficar #chatiado, o pobrezinho de roupa, Del, ele deve ter se sentido muito embonecado, rsrs.

Renata Cristina disse...

Não que se deva reclamar a todo tempo, mas do contrário fico achando também que estamos nos acomodando. Quer dizer, entende? XD

http://reenoceronte.blogspot.com.br

Nathy disse...

Ah, é difícil não reclamar, principalmente quando tudo tá uma bosta! (desculpe a expressão!) É claro que não devemos reclamar sempre da vida, mas às vezes....rsrs. E desabafar no blog é uma terapia, conversar com o cachorro também... hahaha

Beijos!

Thay disse...

Reclamar dá uma vasão aos sentimentos. Às vezes não temos outra opção se não reclamar, gritar aos quatro ventos o quanto as coisas estão ruins e se sentir um pouco aliviado com isso.

Meu cachorro gosta de colocar roupinhas, fica todo animado quando abrimos a caixinha aonde ficam as coisas dele. Acho que ele só é assim pq aqui faz frio sempre, então já acostumou. (:

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