4 de outubro de 2013

Cinco filmes que recomendo

Dou preferência ao diferente. Nem precisa ser bom, para falar a verdade, basta ser incomum. Depois a gente discuti se valeu ou não a pena. E nessas buscas encontro muitas coisas boas que são ignoradas ou trocadas pelo mastigado – a mesma história contada de um jeito diferente. Como é errando que se aprende, eu não tenho medo de perder meu tempo com um filme ou um livro. Filmes, no caso. Adoro títulos e roteiros cabeludos, daqueles que você não sabe o que esperar ou espera no mínimo um diálogo ou mesmo uma simples sentença que vá mudar o seu dia.

Já assisti muitos filmes que me mudaram de uma forma ou de outra. Continuo procurando por eles e me afastando do que normalmente está exposto nos cinemas (porque lá nunca aparece o que realmente importa assistir). Não estou fazendo a blasé, não é isso. Curto um americano enlatado. Porra, “Os Vingadores” foi um dos filmes que me levou ao cinema três vezes, e eu iria pela quarta vez se tivesse oportunidade!

Daí que para encher linguiça, e nada além disso, escolhi cinco filmes que acho interessantes e inimagináveis para as mentes estreitas de Hollywood. São obras com as quais não topamos por aí todos os dias. Eu poderia ter escolhido no mínimo trinta, mas convenhamos: se você ler ao menos um dos cinco itens estarei no lucro.

Fogo e Desejo (1996)

O filme em si não tem nada de especial. Não se você desconsiderar que foi filmado na Índia em 1996 e conta a história de lésbicas. Não o avaliei bem, mas reconheço o seu valor cultural. Deve ter sido um tapa na cara dos indianos, suas castas, costumes e religiões. Segundo o Blog de Cinema: “(...) no dia de estreia várias cinemas foram atacados por fundamentalistas hindus em revolta contra a história de duas mulheres que se apaixonam. Banido da Índia por “insensibilidade religiosa”, foi também proibido no Paquistão”. Ainda não assisti as continuações (é uma trilogia) porque o primeiro não me conquistou em termos de... agradabilidade. É o tipo de filme para assistir quando se está interessado na realidade, o que não é o meu caso no momento. Por enquanto prefiro esvaziar a cabeça ao invés de enchê-la com críticas sociais e etc.

Archipelago (2011)

Conheci Tom Hiddleston no supracitado “Os Vingadores” e logo de cara vi que ali estava um puta ator! A primeira coisa que fiz assim que tive um tempinho foi pesquisar sua carreira. Descobri outros três filmes, dentre eles “Archipelago”. É uma ótima chance de conhecê-lo melhor e ver sua atuação brilhante que vai além de Loki. O filme é introspectivo, de pouquíssimos diálogos, “clima de velório”, mas nos diz muitas coisas. Se você é daqueles que dá valor aos críticos de cinema (uma espécie peculiar que deveria pisar em peças de Lego mais vezes), saiba que este foi avaliado com cinco estrelas no The Guardian. Para mim não faz a menor diferença, mas vá saber... Enfim, só não é um dos meus filmes prediletos por causa da falta de diálogos mesmo. Achei que o diretor perdeu uma chance de ouro nesse ponto. Por outro lado, não deixou a desejar nas imagens e em todos laços familiares quebrados.

Histórias de Cozinha (2003)

Uma palavra: sensacional. Quando foi que você parou para pensar em escrever uma história onde um homem ficaria sentado na cozinha de outro, ambos completos estranhos, anotando os movimentos do morador da casa para uma pesquisa? Quando?! Aposto que nunca. E não passa disso: um homem anotando o movimento da cozinha de uma casa. Mas o sentimentalismo e o humor leve são impagáveis. É o tipo de filme que você jamais esperou encontrar. Folke e Isak (personagens centrais) são de uma doçura, eu diria, bovina. Olhares murchos, atitudes relapsas, mas no fim há também uma cumplicidade tocante. O melhor é que não será nada do que você esperava, do começo ao fim!

Casamento Silencioso (2008)

Imagine que você acabou de se casar. Estão todos a caráter reunidos e ansiosos pela festa de comemoração com muita comida, bebida e música boa. De repente, enquanto todos estão ao pé da diversão, é anunciada a morte de Stalin e uma semana de luto - festas e qualquer tipo de comemorações estão, obviamente, proibidas e as ordens muito bem monitoradas por policiais. E aí, o que você faria? Os noivos, Mara e Iancu, e seus convidados usaram de uma criatividade hilária! Há todo um drama russo, mas vale a pena só pela situação cômica. Também não é uma ideia com a qual você dê em qualquer esquina. Foi inesperado para mim e recompensou muitas comédias meia-boca que assisti por aí (lembrando que eles não fazem o tipo de humor escrachado com que estamos acostumados).

Trem da Vida (1998)

Não deixo nenhum filme sobre guerras passar batido. Minha lista não é lá muito respeitável, mas está crescendo continuamente. A única coisa que faltava para eu senti-la completa era uma obra com um toque de comédia, o que parece ser impossível (ou não recomendável) se tratando de um assunto doloroso para muitas nações. O “Trem da Vida”, que tinha tudo para ser um filmezinho sem vergonha, superou as expectativas. Em 1941 o louco de uma vila de judeus anuncia que os nazistas estão se aproximando. Pronto! É o bastante para que os habitantes se desesperam e tomem medidas drásticas para fugirem o mais depressa possível. A solução seria cômica, se não fosse trágica: comprar um trem e montar um teatro para escapar da fiscalização. Há judeus que fazem papel de nazistas e outros que fazem papel de, bem... Judeus a caminho dos campos de concentração, todos aglomerados nos vagões da locomotiva enquanto são comandados por soldados suados de tão tensos. Afinal, ninguém ali estudou teatro! É uma receita fácil de gostar: tem risada, suspense, um pouco de drama e diálogos lindos.

2 comentários:

Thay disse...

São histórias peculiares mesmo! Tanto são que nunca havia ouvido falar de nenhum deles - e muito pelo fato de não serem os tais blockbusters de sempre. Archipelago já me ganhou fácil quando você disse que Tom Hiddleston está no elenco, mas essa falta de diálogos me parece um pouco estranha. Mas não custa nada tentar. :)

Aline Aimée disse...

Não assisti a nenhum!
Vou anotar as dicas!
;)

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