15 de outubro de 2013

Still feels like the first time

Foram várias as vezes que escrevi sobre The Rasmus aqui, no Bonjour Circus, mas fica a sensação de que na realidade eu nunca falei uma palavra sequer sobre eles antes. É se como o dicionário, as metáforas e as razões se esgotassem e tudo continuasse sem um fim. É como se eu fizesse uma palestra e os ouvintes saíssem do evento sem saber nada do assunto. Passarei mais dez anos falando sobre The Rasmus, e tenho a impressão de que não serão o suficiente.

Eu os conheci e a história pula para agora, dez anos depois. Não tenho mais dezesseis anos, tenho vinte e seis - uma idade em que talvez estaria velha demais para bandas de pop rock, mas que chegou apenas para intensificar meu interesse. Isso pode soar repetitivo, e peço desculpas desde já, pois não estou falando de um grupo formado por quatro homens. Estou falando do conjunto geral de uma inspiração que perdura por dez longos e densos anos.

Alguns acreditam que para a arte existir é necessário um grau intelectual incomum para a maioria das pessoas. Outros dizem que arte não passa de um movimento social, que representa determinada tribo, época ou ideologia. Pessoalmente, para mim a arte é o combustível que move um ser humano, seja ela praticada ou representada da forma que for. Se você se emociona com um quadro, por mais que seja uma cesta repleta de frutas, ninguém pode lhe negar sua arte. Concordam? Espero que sim. Porque se foi possível para vocês compreender o meu ponto de vista a respeito disso, será fácil captar a estrutura básica entre uma banda finlandesa e a minha insistente perca de tempo com ela.

De todo o amor e de todo o compartilhamento que eu poderia expor hoje aqui, escolhi falar sobre a representação, a identidade como modo de sobrevivência. A humanidade por mais auto suficiente que demonstra ser precisa desse reconhecimento mútuo entre si, de um lugar-comum, de percepção dentre seus iguais. Por isso os artistas vendem suas artes. Por isso as pessoas compram e colecionam. Elas foram representadas por um gênio, um criativo, um distraído, um disposto. Então, quando falo de The Rasmus, estou falando - na sua língua - de um quadro, de um poema, de uma porcelana pintada à mão, de uma dança. Estou falando da forma mais simplória possível: de amor.


Nos descobrir numa letra de música pode parecer superficial para os intelectuais de plantão (a internet está cheia deles). A não ser que você leia as rimas sem melodia, é provável mesmo achar ridículo que uma música inspire tanto alguém. Destrinchar a obra de um songwriter é uma mania que passa despercebida para muitos ouvintes (que às vezes se dizem entendidos). Acompanhar uma carreira, que ao primeiro momento nos mostra apenas glamour, é um ato de desocupação para a maioria que se sente ocupadíssimo coçando o saco no sofá. Agora, estudar uma pessoa ao longe e sentir vontade de conhecê-la pessoalmente, elogiar seu trabalho e sair do anonimato para que ambos troquem experiências não parece psicótico na opinião de ninguém.

É preciso mudar a forma de observar.

Além de agradecer ao The Rasmus por ter me ajudado a criar minha arte íntima, tenho muitas amizades, descobertas e momentos bons para incluir na lista. Eu fui em shows, e tenho histórias boas para contar. Eu conheci pessoas, e tenho amigos por perto (mesmo longe). Eu conheci outra cultura, e meu intelecto agradece muito. Eu encontrei um ponto de referência, e talvez essa banda não tenha a dimensão exata da influência que exerce sobre seus fãs. Não sei se vou conhecê-los pessoalmente, sequer tenho certeza se daqui há dez anos estarei comemorando vinte anos de banda. A única coisa que eu sei, é que um dia foi bom vivê-los!

1 comentários:

Suzi (Vulgo, Emilie) disse...

Acho que é a primeira vez que vejo alguém tão leal a uma banda assim. 10 anos é muito tempo. Até mesmo pra um fã, porque bandas tem seus altos e baixos. E você passou por todos essas fases. Imagino que tenha sido, sim, tudo isso que descreveu
:::: {Emilie Escreve} | @emilie_escreve

Postar um comentário