8 de dezembro de 2013

Objetivos derradeiros

Ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore são três itens que fazem parte de uma lista para os fracos. Se você tem uma rebimboca da parafuseta no lugar do coração e não considera o Benjamin como meu filho legítimo, então digamos que já cumpri dois objetivos. Bom, levando em consideração que fiz trabalho de passarinho – jogar sementes por aí – plantei uma árvore, sim! Só que a vida é uma só. E esse é um bom motivo para não se ter filhos. É também uma boa razão para enriquecer essa lista tão simplória. Depois do livro e da árvore, eu tenho que:

1. Experimentar vestidos de noiva

A cada dia que passa, não sei exatamente o que me acontece, mas vou criando uma certa aversão por casamentos. De quem sonhava com uma igreja grande e uma festa abarrotada de gente, passei a uma praia com poucas pessoas, depois uma pequena reunião em um cartório, até subi novamente aos sonhos extravagantes e desejei uma tenda circense, mas venho caindo vertiginosamente na completa clandestinidade de uma relação a dois. Sobrevivente a todas essas mudanças drásticas está minha vontade de usar um vestido de noiva. Culpem as princesas da Disney, o patriarcado, o seriado Friends, o que ou quem quiserem. A única coisa que falta para realizar essa bizarrice é um tempo considerável para ir à loja mais próxima de casa. A cara de pau, eu já tenho.

2. Me hospedar em um hotel sem estar viajando

Quando eu era criança meu pai adorava arrastar a família para o interior do Rio Grande do Sul. Eu já devo ter mencionado isso aqui no blog. Enfim, é daí que vem grande parte dos meus traumas e sede de vingança. Durante a viagem, de carro, nós parávamos em hotéis de estrada. Tirando os chocolates gratuitos, era um ambiente inóspito para uma criança com cinco anos de idade. Não me lembro de ter me hospedado em um bom hotel (nem me refiro àqueles com cinco estrelas, três delas já estava bom) ao longo da vida. Então é isso. Sonho de classe média baixa? Sempre que os personagens dos livros que leio se hospedam em hotéis e são servidos, ou quando assisto os episódios de Miranda em que ela se hospeda em hotéis pelo mesmo motivo que eu, sinto uma enorme vontade de.

3. Jogar uma garrafa-mensageira ao mar

O mundo é grande e nós, pequenos. O mar é gigantesco, assustador e um grande obstáculo para a comunicação. Como eu gosto do improvável e do desconhecido, jogar uma garrafa ao mar contendo um pedaço de papel com uma mensagem pode se transformar em uma puta experiência de vida. Não importa se a resposta vir de um marinheiro gorducho do porto de Santos, do Jack Sparrow, de um norueguês solitário cheio de histórias para contar ou do Chuck Noland.

4. Deixar Helena num banco de ônibus

Mais do que vender, acho que um escritor deveria doar. Se eu tivesse lançado meu livro sob o selo de alguma editora e recebido certo número de exemplares até para limpar a bunda se eu quisesse, teria distribuído todos pela cidade afora. Não porque acredito na mensagem que ele transmiti ou porque acho que todo mundo deveria ler, mas simplesmente para espalhar a surpresa de encontrar um livro em lugares inesperados e, quem sabe, lê-lo ou dá-lo para alguém que saberá o que fazer dele. O banco de um ônibus qualquer foi o primeiro lugar que pensei e onde eu mesma me sentiria especial por ter encontrado o presente de um anônimo.

5. Um musical na Avenida Paulista

Depois de conhecer o mundo encantado de Bollywood passei a ver os musicais com outros olhos. Sim, os americanos e europeus (com exceção d'O Fantasma da Ópera) continuam uma bosta. A ideia de fazer um musical indiano em plena Avenida Paulista, portanto, parece ridícula. Imaginem um bando de garotas usando sarees e chocalhos de ouro requebrando na faixa de pedestres. Imaginem as buzinas mandando esse pessoal todo à merda. Imaginem a festa! Tem coisas que só os indianos são capazes de fazer. Um musical na Paulista é uma delas.

4 comentários:

Lívia disse...

Hahaha, que delícia!
Bom, se jogar sementes vale como plantar árvores, a partir desse momento já me sinto mais aliviada. Escrever um livro eu ainda quero e muito, mas provavelmente eu junte minhas poesias de anos e faça uma capa, já tá bom. rs E quanto a um filho, apesar das minhas mudanças de opinião quanto a isso, é... quero sim.

Vestido de noiva... eu não quero experimentar nenhum a não ser quando eu for casar de verdade. Casar... outra coisa que eu mudo de ideia volta e meia, mas agora, como estou apaixonada, ando pensando com uma positividade maior, hahaha.

Não tem porque não querer se hospedar num hotel a qualquer momento. Conforto, sossego e serviços a seu dispor. Por mim eu morava em um!

Bom, já que você tá com toda essa disposição para doar livros, doa um pra eu? *w* (Não custa tentar! rs)

Beijo! Lívia, olapso.blogspot.com.br

Monique Químbely disse...

Own, amei o post ^^
Sou encantada com vestidos de noiva, mas não acho graça em casamento.
Sou apaixonada por musicais. Vê aquela pessoas com uma felicidade do tamanho do mundo cantando e dançando, e o melhor: de uma forma tão sincera que contagia...
Me hospedar ao menos uma vez num bom hotel já virou meta de vida. Tipo, lê ou assisti sobre alguém, mesmo que por acaso, se hospedando em um, dá aquela vontade de fazer também :{
Bjss
sete-viidas.blogspot.com

Letícia disse...

Amei sua lista.
Nunca plantei árvores, o mais perto que cheguei disso foi plantar um pezinho de feijão no algodão, haha. Nem escrevi um livro, mas pretendo.
Achei bacana a ideia de *presentear* alguém com o seu livro. Nossa, eu ia adorar encontrar um livro no ônibus!
Tenho uma ideia parecida com a da garrafa, mas não seria bem assim. Tem um sebo perto da minha escola e eu sempre sinto vontade de escrever alguma coisa num papel e deixar dentro de algum livro, sei lá por que eu sinto essa vontade. Às vezes ainda vou mais longe e penso que eu poderia fazer isso mais vezes e em outros lugares e como seria e se eu poderia ajudar alguém ou pelo menos fazer alguém sorrir depois de um dia de cão ou sei lá, encontrar o amor da minha vida através de mensagens pela cidade (ok, to assistindo muito Amélie Poulain)

L.H.C disse...

Acho todos esses objetivos muito válidos, mas provar vestidos de noiva poderia ser meio deprimente para mim, ahaha
beijos, Del.

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