15 de fevereiro de 2014

Doomed Queens (Kris Waldherr)

Estou tentando (veja bem, tentando) perder a preguiça de ler em inglês. Desde que fiz o curso em 2000 e pouco por causa das bandas americanas, como todo mundo, não treinei nada contrariando as recomendações de todos os professores, que já naquela época faziam grupinho para ler minhas redações. Eu só escrevia bobagens enquanto os outros alunos contavam que Mary bought an ice cream...

Tá, mas não estou aqui para falar disso.

Comecei encorajada pelo fato da Carol, do blog Deewaneando, ter uma verdadeira biblioteca bollywoodiana; e ela me passou todos seus arquivos porque é uma pessoa verdadeiramente abençoada. Não pensei duas vezes: fui logo no Shahrukh Khan com “King of Bollywood Shah Rukh Khan”. Esse livro foi, no mínimo, uma chacoalhada – quanta coisa bacana estou perdendo só porque as editoras brasileiras não se dão ao trabalho de atender meus caprichos. Depois, segui em frente com o primeiro volume da trilogia “Call the Midwife”, que conheci através do seriado da BBC One.

Então adentramos o mundo dos ebooks. “Quer saber?”, eu pensei, “Vou me esbaldar”. Sacudi a poeira e parei com essa baixa autoestima que, coitada, achou mesmo que meu inglês melhoria num passe de mágica. Sobrecarreguei meu e-reader e fiquei um bom tempo sem saber por onde começar (típico). Como gosto, adoro, sou viciada em história optei pelo levíssimo “Doomed Queens – Royal Women who Mat Bad Ends, from Cleopatra to Princess Di”, de Kris Waldherr. Não sei se sou sortuda no quesito literatura, mas dessa vez acertei na mosca. Sim, eu estava com medo de detestar o livro e abandonar de vez as tentativas de ser uma bilíngue, digamos, fluente em duas línguas.


Confesso que nunca tinha ouvido falar da grande maioria das rainhas mencionadas (com exceção, logicamente, das Tudors, Maria Antonieta, Mumtaz Mahal, Sissi e essa turma aí); e mesmo assim, algumas eu não fazia ideia do final que tiveram. Eu gosto de ficar por dentro das fofocas monárquicas, sabe – primos casando com primos, tios com sobrinhas, toda uma reestrutura genética desrregulada condenando descendentes a insanidade, no meio de tudo isso muitas intrigas familiares, parente degolando parente, mãe cegando o filho, marido aprisionando esposa. Esse pessoal sabia viver, ou melhor, sabia morrer. Parece que desejavam a todo custo um afogamento, um envenenamento, um pontapé pela janela.

This turbulent era was capped by the murder of Marie Antoinette by the peasants she had aped at the petit hameau. The queen’s execution elevated the guillotine from personal threat into fashion statement. Upper-crust ladies adorned their earlobes and necks with jewelry sporting tiny guillotines or tied red ribbons around their throats. Not wanting to be left out of the fun, men cropped their hair à la victime.

É um livro curioso. É essa a palavra: curioso. Kris Waldherr foi uma linda ao organizar as rainhas em uma linha do tempo crescente, que é para ninguém ficar perdido com tanta traição e disputa territorial. Kris tem um humor irônico que, se você for um leitor atento, deve saber que muito me agrada. Em cada capítulo há um quiz para refrescar tudo o que aprendemos e contabilizar quantas cabeças rolaram e porquê, assim como no final do livro para sabermos qual nosso potencial em perder a cabeça (literalmente). Eu, que sou boba alegre, respondi. Fiquei aliviada com o resultado: “While you may not be royally inclined, your humility will gain you many years of life.”

Entre rainhas envenenadas, afogadas, decapitadas, fuziladas, acorrentadas, casadas com Cristo e vítimas de tantas outras punições, terminei o livro já sentindo saudades da excelente narrativa de Kris Waldherr. “Doomed Queens”, até onde sei, não foi trazido ao Brasil, mas é uma boa desculpa para você treinar seu inglês, ou em outro caso, ler algo super diferente. A única conclusão que tirei – além de, com certeza, ter nascido na época certa – é que deveria existir mais livros assim!

4 comentários:

Antônio LaCarne disse...

como estudante de letras inglês eu tento me policiar ao máximo na leitura da língua. confesso que é na poesia que eu me realizo mais.

parabéns pelo blog e pelas postagens super inspiradoras.

Thay disse...

Desde o momento em que foi citado no Twitter, já cresci os olhos pra cima desse livro! Parece bem o tipo de leitura de que eu gosto, com história e toda essa fila de rainhas azaradas, com seus finais nada felizes. Não que eu goste de saber que elas se deram mal, mas eu sou curiosa a respeito do "como". :D

Filipe Machado disse...

Uau, parece realmente bem curioso e interessante. Tô pensando em começar a ler em inglês, meu problema no caso é apenas o pdf. Não gosto de ler muito no computador :/ Tanto que alguns livros eu ainda não li por esse fato...
Ótimo comentário, viu... Abraço.

Erica Ferro disse...

Del, a sua resenha ficou muito legal, cara. Chorei de rir com alguns trechos ("Esse pessoal sabia viver, ou melhor, sabia morrer. Parece que desejavam a todo custo um afogamento, um envenenamento, um pontapé pela janela..." e "Em cada capítulo há um quiz para refrescar tudo o que aprendemos e contabilizar quantas cabeças rolaram e porquê, assim como no final do livro para sabermos qual nosso potencial em perder a cabeça (literalmente)...").
Gosto pra caramba do modo como escreve, com esse humor irônico e crítica afiada.

Fiquei triste porque o pouco que sei de Inglês não me permite ler esse livro, que parece ser muito interessante e divertido.
Mas isso é um tapa na minha cara pra eu criar vergonha e fazer logo um curso de Inglês.
Obrigada pelo tapa. Foi necessário. hahaha

Um abraço!

Sacudindo Palavras

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