25 de março de 2014

Esvaziando os pneus de bicicleta

Deixa eu contar uma coisa engraçada: engordei. Para quem nunca passou dos 53 quilos é, de fato, uma piada. Acabei de me pesar e estou com 62 quilos, os quais se fizeram presentes enquanto eu ia ao supermercado com minha mãe. Pois sim, parei no meio da rua e implorei para que ela cortasse as costuras com a chave de casa e abrisse os ajustes na cintura da calça – empaquei, não consegui seguir em frente porque estava presa na minha própria roupa. Fiquei sem movimentos e sem fôlego. No meio da rua. Porque a calça não cabe mais em mim. Esta, cujo número aumentou por causa dos ansiolíticos, agora encolheu de novo por causa dos quadris. No meio da rua.

Vesti a calça e saí de casa. Não desconfiei de nada na hora de fechar o zíper e o botão. Já fazia um tempo que as saias estavam demorando a encaixar, outras calças mais leves (que não jeans) botavam para fora alguns gramas de quadril, pijamas não estavam mais confortáveis, um macacão foi para a caixa de doação e eu terminava de subir uma escada se como tivesse acabado de participar do Triathlon. Mas até aí: tudo bem. Sedentarismo, mais os ansiolíticos que “engordam um pouquinho”, achei normal ter ganhado um pouco de peso. E como meu relacionamento com a balança sempre foi estável, nem me preocupei. Comprei calças novas e não dei bola: continuei tomando refrigerante, comendo chocolate, devorando uma lasanha inteira sozinha.

Não sei. Talvez o metabolismo tenha, finalmente, começado sua aposentadoria ou – por incrível que pareça! – está provado que não sou uma deusa. Engordei. Nunca achei que um dia diria isso, pois minha família (de ambos os lados) foi abençoada com o físico palito de fósforo, mas cá está: estou gorda, preciso de uma dieta. À beira dos 27 anos, tenho de aprender a lidar com sabonetes e cremes para oleosidade da pele (e os antissinais e protetor solar também apareceram), cera quente para pêlos encravados (pêlos, com acento, eu posso, sou do século passado) e agora estou brigando com meu peso. Apavorada é a palavra certa. Seria muito fácil simplesmente aumentar, de novo, o número das minhas roupas, mas o futuro obscuro dessa escolha me deu arrepios. Então, ao invés de empurrar uma solução com a barriga (cada vez maior), decidi arrancar o mal pela raiz!


Cortei doces e bobagens da minha lista de supermercado. Aqui em casa, compramos frutas, legumes, verduras, estamos misturando couve em sucos naturais e tomo três copos de água por dia. Faço exercícios todos os dias, inclusive a maldita prancha, para o assombro dos sedentários de plantão. Daí você deve pensar que estou me sentindo melhor, bem comigo mesma, mais leve, orgulhosa... Não. Eu estou mau humorada. Quero comer chocolate, beber Fanta no almoço e comer Doritos no meio da tarde. Não é legal contrair o corpo até os músculos queimarem, eu não me divirto fazendo isso e a dor é tanta que não tenho ânimo para sentir qualquer satisfação que seja. Está chato. Quero parar.

Mas toda vez que sou obrigada a encolher a barriga para vestir uma calça 42 (e mantê-la encolhida para que o botão não escape e eu passe vergonha – no meio da rua), a culpa me corrói. Assim não dá para continuar. Sou dessas que apoia os pneuzinhos e gordurinhas e não acho que uma barriga seca deva ser o objetivo de uma vida feliz, tanto que me afastei das araras com numeração 38 numa boa, sem escândalos. Só que, conforme vou me aproximando do 44 num piscar de olhos, e percebo que se continuar assim ultrapassar o 46 será uma questão de tempo, senti que era hora de parar com o consumo de porcarias e que um exercício me cairia bem. Vida saudável nunca matou ninguém, não é? A não ser de tédio, mas até aí tudo bem, vou conseguir lidar com isso...

2 comentários:

Camila de Paula disse...

Você podia encher os pneus da bicicleta, literalmente!
Eu estou na mesma fase, fui comendo e sendo feliz e de repente tô vestindo 44. Como eu sou muito alta eu nem percebi, só quando os botões de todas as calças começaram a ficar "vagabundos" e o zíper a estourar atoa.

Como odeio esporte físico, optei pelo menos insuportável: bicicleta. Sabe que tirando as partes de subir morro, a volta pra casa com a ventania das descidas é até boa! Mas cortar doce... essa é a parte que dói de verdade :(

Thaly disse...

Mas mas mas... não precisa fazer exercício todos os dias. o_O
4 vezes por semana tá de bom tamanho ;)

Postar um comentário