2 de março de 2014

O mundo invencível das bolsas

Houve um tempo em que eu era maluca por bolsas. Não podia entrar numa loja que comprava logo duas. Isso, lógico, me rendeu uma respeitável coleção. Com o tempo fui perdendo o vício e percebi que vendi a maioria delas sem usar uma única vez – uma situação ridícula, que me fez repensar e parar de vez com esse impulso consumista. Ainda tenho algumas remanescentes daquela época. São poucas, mas ainda conseguem me dar trabalho. Bem que eu queria me livrar de mais modelos se não fosse o fato de cada uma combinar com determinada roupa ou sapato. Daí fico no dilema do “impossível totalmente possível”.

A problemática do excesso de bolsas é a seguinte: você não encontra o que procura. Existem aquelas bolsas enormes ou lotadas, que escondem as chaves, o celular, a carteira. Até aí, a gente encontra se virar tudo em cima da mesa. Agora, se você é como eu, que troco de bolsa toda hora: pode esquecer. Aquela caneta, por exemplo, nunca mais será vista. Mudo de bolsa e na anterior deixo tudo o que não me parece necessário no momento, ou que pode ficar ali mais um pouquinho porque não vou usar imediatamente. E nesse “ah, depois eu arrumo” acabo passando por apuros na rua.

Tipo o dia que tive uma crise de rinite homérica. Foi o único dia da minha vida que cogitei seriamente a ideia de dar um tiro na minha cabeça. Estava morrendo de dor de cabeça, meus olhos ardiam e lacrimejavam, meus ouvidos zuniam e meu nariz escorria como uma torneira. Assim que entrei no ônibus e dei cinco espirros consecutivos percebi o drama: não tinha um lencinho sequer na minha bolsa, o pacote estava na outra – aquela que ficou em casa, na minha cama, porque “ah, depois eu arrumo”. Dei um jeito (brasileiro não desiste nunca) e quando cheguei em casa encontrei três pacotes de lenços em três bolsas diferentes.

Ou o dia que “ainda bem que eu trouxe meu guarda-chuva” e tive de parar num bar para procurá-lo no infinito e além, tirar tudo de dentro da bolsa: casaco, garrafa d'água, estojo, caderno, celular, chaves, carteira, lencinhos, linha de bordar (!), e-reader e “puta que pariu, ficou na outra bolsa”! Então fiquei ali no bar mesmo, pedi um pão de queijo, uma Coca-Cola, liguei para mamãe. “Mãe, vou esperar a chuva passar...” sim, ela já sabia, pois o meu guarda-chuva estava na sua mão.

E teve o dia bem recente que passei fome na rua (aquela fome, sabe?) porque além de ter esquecido minhas barras de cereal na mesa da cozinha, esqueci também meus trocados no bolso de uma calça. Era um daqueles momentos “não vou demorar, mas puta que pariu como tudo demorou”. As pessoas, despreocupadas em cumprir meus prazos particulares, não pouparam preguiça em adiantar para o meu lado e junto com a ansiedade foi crescendo a fome. Um calor de matar, eu ali presa, sem dinheiro porque afinal de contas fui ingênua a ponto de acreditar que o mundo só daquela vez funcionaria sob minhas regras, estava passando por um vexame. Fiquei pálida, minha pressão desabou, me vi rodeada de bons samaritanos e uma água de procedência desconhecida se materializou na minha frente. Cheguei em casa, decidi limpar a bolsa que usei nesse dia e veja você: no bolso falso da parte de dentro havia cinco barras de cereal.

5 comentários:

Camyli Alessandra disse...

Isso acontecia comigo quando eu trabalhava e estudava GENTE bolsa com coisas da aula e bolsa para o serviço sempre dava confusão... Hoje eu tenho as coisas básicas que não posso tirar independente se for para a faculdade ou para o serviço...

Tenho um problema com bolsas que parece que nenhuma tem o tamanho ideal comprei uma esse ano vamos ver até quando ela será ideal

Lakota Mellyssa disse...

Não entendo do problema, mas deve ser assim mesmo. Texto hilário e ótimo!

Mima disse...

Ahhh tive esse problema demais. Nunca tive muitas bolsas mas sempre tive a necessidade louca de ficar mudando e sempre deixando coisas importantíssimas na outra bolsa.
A solução?
Mochila de costas. Vou pra todo lugar com ela. Tem lugar quem nem combina, mas todo mundo já me acha estranha e a mochila é só mais um excentricidade. O que eu sei é que ela é ótima, cabe meu notebook, câmera (que eu ando pra todo lugar), comida, agenda, caderno, água, livro, e uma série absurda de bugigangas essenciais.

Texto super legal!

Camila disse...

Se existe alguém que não gosta de bolsas sou eu..
prefiro as pequenas.. de levar apenas documentos, celular e dinheiro!!
tenho uma maior para levar guarda chuva e coisas assim.. mas odeio carregá-la, ainda mais em um ônibus lotado ne?? rs
ameeeeeeeei esse tema :)

livroseoutrasfelicidades disse...

E eu sempre penso: como os homens vivem sem bolsa?

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