15 de março de 2014

Precisamos falar sobre Shahrukh Khan

As chances de você não me seguir no Twitter são enormes – 50% por eu não ser uma pessoa interessante e 50% por culpa da minha histeria bollywoodiana. Não raro, me dá a louca após assistir um filme da ilustre indústria de Bombay e faço chover tweets dramáticos dando a impressão de que estou a beira de cometer harakiri. Se você é um desses ex-seguidores, olha, desculpaí. Tento me redimir, mas a verdade é que não vou parar. É mais forte do que eu. Quem conhece Bollywood, sabe: chega um determinado momento da trama (de mais ou menos três horas e uma vida) que fica impossível se manter, digamos, estável. Ou você chora todas as lágrimas do ano, ou arranca os cabelos, ou desabafa numa rede social. No meu caso, tudo isso junto de uma vez só.

Eu me derramo, me acabo, me divirto. Bollywood é a coisa mais supimpa que poderia ter me acontecido em termos de cultura e não economizo. Já tenho meus filmes favoritos, meus ídolos, meus inimigos gratuitos e estou prestes a fazer um curso de Hindi porque sou porra louca. E seguindo por essa linha 8/80, descambei para o lado dele: Shahrukh Khan. Aconteceu aquela coisa de “meu Deus, nunca vi alguém atuar assim”! Tipo quando você assiste novelas só que ao contrário. Quando assisti meu primeiro SRK tentei me reconectar a realidade para ver se era isso mesmo – se eu realmente havia encontrado um dos melhores atores desse planeta. Shahrukh Khan não é nada do que normalmente esperamos. É bem melhor do que qualquer expectativa e tão surpreendente quanto nos promete a cultura indiana. Ele é o rei de Bollywood.

É muito ladoo para pouca Índia.

Foi depois de ler o livro “King of Bollywood Shah Rukh Khan – And the Seductive World of Indian Cinema”, que eu resolvi assistir todos os filmes protagonizados por ele (depois, quem sabe, aqueles em que faz apenas participação especial). Não vou me dar ao trabalho de buscar um elogio mais a altura nem pesquisar sobre o que não lhe interessa só para parecer cult. Não vou dar uma de “nossa, como ela entende do assunto” para impressionar ou convencer quem quer que seja. Bollywood, Shahrukh Khan e eu não funcionamos desse jeito. Vou pular logo para a melhor parte: os filmes.

1. Devdas (2002)

Vamos começar pelo pior. Não, “Devdas” não é um filme ruim. Por favor, sem heresias! Digo o pior porque demorei um bom tempo para me recuperar. A história me atropelou de um jeito, que eu achei que só uma pá e um balde poderiam dar conta do que sobrou. Shahrukh Khan bêbado e destroçado é uma escola. Madhuri Dixit, essa divindade, só ajudou a me deixar mais perdida na vida. Aishwarya Rai, para mim, é questionável, mas até o seu trabalho ficou impecável. “Devdas” é um clássico. Muito cuidado com o momento escolhido para assisti-lo. Tenha certeza de que seu emocional está calibrado.

2. Rab Ne Bana Di Jodi (2008)

Eu bem que queria usar a palavra “fofo” para descrevê-lo, mas esse filme tem características bem mais fortes do que isso. O ideal seria eu ter um vocabulário mais extenso do que esse de gueto. Bom, é o que tem para hoje. A trilha sonora tem uma das minhas músicas favoritas, “Tujh Mein Rab Dikhta Hai”, que eu não consigo parar de cantar e até aprendi a pronúncia correta do refrão de tanto repeti-lo (me achei foda) – além de linda, o clipe é um bom resumo da história. Haule Haule também é de suspirar. Até hoje dou risadas quando revejo a cena de Surinder Sahni (SRK) carregando a lancheira amarela pela primeira vez. Ah, gente, desculpa mas é fofo!

3. Chennai Express (2013)

Passamos por um clássico de nos virar do avesso, depois uma fofura sem tamanho e agora chegamos no ponto crítico. “Chennai Express”: ame-o ou deixe-o. Se não me engano, foi o único filme que Shahrukh se prestou a fazer em 2013 (em Bollywood é comum os atores e atrizes filmarem mais de um filme ao mesmo tempo). Teve gente que adorou, tipo eu. Teve gente que detestou, achando que o protagonista King Khan já foi melhor. Para mim, é difícil – eu diria impossível – olhar para o trabalho dele e achar qualquer coisa mal feita ou fora do lugar. Quer dizer, estamos falando de Shahrukh Khan! “Chennai Express”, além de Deepika Padukone, (essa linda, essa deusa, vou ser igual a ela quando crescer) mostra um Rahul humorado e, mais uma vez (porém jamais cansativo), romântico. Lembrando que Shahrukh já carregou muita piriguete nos braços, mas Deepika foi a única a ser carregada trilhões de degraus acima. Beijo no ombro para a Kajol.

4. Swades (2004)

Ser o rei de Bollywood não é para qualquer um. A Índia viu muita gente passar no cinema, uns bons, outros mais ou menos, teve também os memoráveis, mas rei? Até onde sei, só um. Não conheço a carreira de SRK de cabo a rabo, mas o que li e vi por enquanto me deu uma ideia do porque ele ter sido o escolhido. “Swades” pode não ser o exemplo adequado do ponto de vista de quem conhece todo o trabalho dele. Na minha opinião, pelo menos está bom para começar. Uma simples viagem se transforma na sangria de uma cicatriz indiana. É inspirador. Mohan Bhargava vê o que muitos ocidentais (e mesmo conterrâneos) não se dão ao trabalho. A cena em que ele bebe a água vendida na estação de trem é uma das pouquíssimas no cinema que conseguiram me arrepiar. Não há como explicar, vocês tem que assistir.

5. Jab Tak Hai Jaan (2012)

Fiquei tão na dúvida de qual filme escolher por último... Por mim, eu falava de todos que asssiti até agora. Falta muito para completar minha SRK-List, é bem provável que essas indicações que acabei de fazer mudem completamente daqui uns meses. Daí eu pensei: se estou falando de Bollywood, sou obrigada a mencionar Yash Chopra. E se vou falar do diretor mais dramático do mundo, tenho que indicar “Jab Tak Hai Jaan”. Lembram de “Veer-Zaara”? Aquele filme que me fez ligar para a terapeuta em pleno fim de semana porque simplesmente despiroquei? Então, é do mesmo diretor. Só que “Jab Tak Hai Jaan” não teve o mesmo efeito. Acho que o assisti na época errada. Se eu assistisse hoje, talvez me acabasse de tanto chorar e surtasse de novo. Talvez. Tenho uma relação complicada com esse filme. Ele é ótimo. Mesmo. Mas não sei lidar com o Shahrukh Khan no papel de Samar Anand. Será intenso demais? Será que rola muita projeção do tipo quero-para-mim-peloamordedeus e meus sentimentos disfuncionais entram em crise? Não sei. É possível que Yash Chopra tenha superado o próprio talento e não se aguente (onde quer que esteja). Enfim, assista e tire suas próprias conclusões. Mas depois não me culpe pelo término do seu relacionamento.

Existem muitos outros, lógico. Já falei de “My Name Is Khan” aqui e, por favor, por favorzinho, pare de ler este texto e vá assistir agora! Esse filme é de cair o cu da bunda. Nunca falei de “Paheli” porque, além de ser meio vergonha alheia, é indiano demais para quem está começando. Mesmo assim, é recomendável, assistível, vocês vão gostar depois de conhecerem outros trabalhos do Shahrukh. E o que mais? Ah, “Don” é um mafioso sensacional, melhor ainda e muito mais apetecível em “Don II”. Para finalizar (infelizmente), puxo o saco da Deepika mais uma vez indicando “Om Shanti Om”, que trabalha em cima de uma das crenças mais fortes do Hinduísmo: a reencarnação. Chega a ser quase ridículo, mas a Deepika, sinceramente, é igual ao Shahrukh Khan: não tem limites.

4 comentários:

{lisa cristine} disse...

Você sempre me mostrando mais do cinema que é mais interessante do que eu podia imaginar. Valeu pelas dicas ótimas.

http://trezedigitos.blogspot.com.br/

Thay disse...

Ai Del, estou com Black aqui no computador desde aquela vez em que me indicou e ainda não consegui sentar pra assistir adequadamente. Dia desses eu comecei, mas chegou visita em casa e fui lá fazer sala, só avancei quatro minutinhos no filme. E Ram Leela eu baixei também, por sua influência e do tumblr (meu Deus, que protagonistas mais lindos de viver! Acho que a moça é a mesma do Chennai Express, certo?) e estou morrendo pra assistir! Mas tempo é uma coisa, a gente só tem quando não pode usar - tipo agora, que estou esperando meu orientador, mas não posso começar a assistir um filme. Mas ainda quero enveredar pelo cinema bollywoodiano, parece estar repelto de coisas fascinantes! <3

Nick Soad disse...

Del, estou me sentindo uma besta agora, por não conhecer nada disso. Hahahaha.
Eu só me lembro de assistir um único filme indiano. E agora, você é eternamente responsável por meu interesse pelo cinema bollywoodiano. Feliz agora!? Hahaha. Fiquei com vontade de assistir a segunda indicação. Mas, vou procurar todos os outros também. Vindo de você, só espero coisas boas. ;)

Beijão, amora:*

cronistaamadora disse...

Del, acompanhei seus loucos tweets sobre o assunto - mas não deixei de te seguir por isso. Pelo contrário! Adorei seu entusiamos, até porque, o cinema indiano é algo bastante desconhecido para mim. Gostei das tuas indicações aqui e darei uma procurada.
Beijos.

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