10 de abril de 2014

Cinco livros que mudaram minha vida

Ler é importante. Mais importante ainda é ler o que se gosta. Você, por exemplo, que gosta de Crepúsculo, eu poderia dar uma machadada na sua cabeça tudo bem. Eu já aceitei a ideia de existir pessoas assim no mundo e hoje sei que há espaço para todos nós. Estou calma.

Então, como eu ia dizendo: ler é importante. Qualquer dia desses conto minha história com os livros, que com certeza de emocionante não tem nada. Por enquanto, vou apenas dar um parecer rápido a respeito de leituras que, se não mudaram minha vida completamente, pelo menos reestruturaram minha forma de pensar. E é disso que estou falando, afinal de contas: leia porcarias, se isso te faz feliz, mas não se esqueça de ser uma pessoa melhor.

1. Os livros de Florbela Espanca
Quando descobri Florbela Espanca o meu mundo particular feminino sofreu uma reviravolta. Até então eu dava valor para a poesia, conhecia certos poetas famosos que às vezes conseguiam, como dizem, se conectar comigo. Mas era só isso. Com Florbela foi tudo diferente: todas as suas poesias, sem uma única exceção, me fazem arrepiar. Quando abro um de seus livros e começo a ler, é como se me colocasse diante de um espelho.




A Vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo ou o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!...

2. A Filosofia da Liberdade, Rudolf Steiner
De todos os livros que li e ainda vou ler, este é o mais complexo. É o tipo de leitura que deve ser repetida ao menos uma vez por ano durante, sei lá, duzentos anos. Só então entenderemos por completo a teoria de Steiner. Mesmo assim, mesmo dando um nó no cérebro e passando dias com a cabeça quente de tanto pensar e tentar compreender este é, por enquanto, o único livro que me tirou do lugar.

3. A Doutrina de Buda, Siddhartha Gautama
Sou batizada na igreja luterana, mas nunca, jamais, me senti parte da comunidade. Religião, para mim, sempre foi um assunto muito complexo o qual os adultos tratavam com uma simplicidade suspeita. “Porque sim” nunca me satisfez. Minha mãe sempre dizia que bastava acreditar em Deus para que tudo corresse bem, enquanto eu, na surdina, descobria por mim mesma no que acreditaria ou não. Foi pensando assim que acabei encontrando o budismo. E com ele, a coerência que tanto fez falta na minha infância e adolescência. Tudo se encontra no “caminho do meio”.

4. O Mito da Beleza, Naomi Wolf
Encontrei o livro no CMI Brasil numa época em que não me preocupava com o feminismo. Quer dizer, ao menos não pensava nisso conscientemente. Não que eu dê muita importância para o movimento contemporâneo, mas todas as coisas tem o seu lado bom. Enfim, li e gostei. Naomi Wolf me fez ver o mundo com outros olhos. Não concordei com 100% do que ela escreveu, mas talvez isso seja fruto da idade e experiência pessoal, ou somente uma questão de observação. Apesar dos pontos de vista diferentes, a escritora colocou para mim tudo em seu lugar correto. Muitas coisas começaram a fazer um sentido assustador.

5. Deus, um Delírio, Richard Dawkins
Eu pergunto. Dizem que é este o meu pecado. Pergunto muito, sobre tudo, para qualquer um. Se você é formado em uma especialidade, pode ter certeza de que vou bombardeá-lo com dúvidas. Adoro saber, descobrir e, principalmente, deixar de me perguntar. Richard Dawkins é bem conhecido por seus livros, mas só ouvi falar dele ao lançar o “Deus, um Delírio”. Infelizmente, não é a bíblia dos ateus como muitos dizem, pois cerca de metade do livro não passa de uma provocação entre colegas de trabalho e uma autoafirmação científica que já foi enfatizada o bastante, creio eu, ao longo da carreira do escritor. Mas tudo bem. Mesmo assim o livro derruba argumentos religiosos até então “sólidos” e também traz explicações valiosas para algumas de minhas questões pessoais. Enfim, é o tipo de leitura que me deixou com um pé atrás para antigas crenças.

Não organizei por ordem de importância ou qualquer hierarquia. Também escolhi a dedo, já que o número de títulos que mudaram a minha vida é bem maior. Dei prioridade aos menos pessoais, que podem influenciar outros dentro de um contexto mais amplo. Deixo em aberto para quem quiser participar (e quem o fizer, deixe o link do post por aqui para que eu possa ler).

5 comentários:

Fábio Alves disse...

Vlw pelas dicas!

Anna Vitória disse...

Já tô correndo atrás desse da Naomi Wolf. Se o tema te interessa, recomendo o que mudou minha vida nesse sentido, que é A Terceira Mulher, do Gilles Lipovestsky. Demaizão MESMO!

beijo

Thay disse...

Se tem uma coisa que eu sei que tenho que fazer nessa vida, é ler Florbela Espanca. Já li muitas coisas positivas sobre a autora, e agora vindo de você, alguém que considero a opinião, se tornou item obrigatório. E vi esses dias que farão um filme sobre Flor (íntima, huahua), mas não vi detalhes sobre nem como e nem quado. E outra que sou bem curiosa sobre a doutrina budista, o pouco que sei me deixa realmente admirada. Acho que todos deveríamos aprender sobre o budismo em algum momento, principalmente na escola. O ensino religioso que me foi imposto no fundamental, e depois na faculdade, encarava apenas o lado católico da coisa, e isso não é lá uma visão muito imparcial dos fatos. Enfim.

Teu comentário lá no blog fez meu dia mais feliz! Fico realmente lisonjeada, Del!! <3

Aline Aimée disse...

Adoro a Florbela!

Tatiana disse...

Gostei muito dos livros selecionados e dos comentários.

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