18 de abril de 2014

Não é para entender

Faz tempo que estou me perguntando: cadê? Para onde foi minha vontade de escrever, onde estão os rascunhos de livros que escrevi com tanto entusiasmo, para onde foi a busca pela inspiração, por quê? Por que eu paro, assim, simplesmente de uma hora para outra quando as coisas parecem ter se encaixado? O que acontece (e por que deixo acontecer)? E então eu fico assustada, com medo da própria sombra, achando que é agora. É agora que minha depressão não tem volta. É meu fim. Acabou. Isso é o máximo que consigo, me desculpe. Eu não posso, ou pior, eu não quero passar dos limites, não quero que melhore. Melhorar abre um espaço infinito para que as coisas piorem, e eu não tenho bem certeza se hoje eu conseguiria lidar com essa merda toda.

Daí eu paro. Seja porque não me dou o direito, porque estou fadada a acreditar que não há direito algum, porque tem que ser desse jeito e pronto. Eu paro porque estou de saco cheio, também. De tudo. Antes fosse de uma pessoa específica, de uma situação particularmente complicada, de uma conta que paguei e ainda me cobram, mas não. É de tudo. Do fio de cabelo que nasceu branco ao vizinho da outra rua que pintou seu portão com uma cor feia. Por que ele fez isso? Por que as pessoas fazem isso? Se elas tem a oportunidade, por que gastá-la com um amarelo gema? Se eu tivesse a chance de pintar o meu portão, eu a aproveitaria como se fosse a última. Porque para mim é sempre a última. Oportunidade não estoura dentro da panela. Todo mundo deveria saber disso, pois estou cansada de saber sozinha.

Existem esses cidadãos por aí que reclamam da prova difícil, da cerveja quente, do amigo ausente como se fosse o fim do mundo e eu fico: porra, olhe ao redor. Toda hora: porra, etc... Eu observo, questiono e chego a conclusão de que, por incrível que pareça, só está difícil mesmo para mim. Não é possível. Parar a vida para reclamar que pisou num cocô de cachorro na calçada – não podem estar falando sério. Eu penso: quando você se sentir o próprio cocô pisado, a gente conversa. E vou embora. Já deixei muita gente para trás. Muitos ficaram falando sozinhos enquanto eu dava as costas para nunca mais voltar. Porque eu tenho problemas. Olha, bastante.

Uns dizem que essa é a vida adulta, outros que é assim mesmo, fazer o quê? Ainda tem aqueles que não sabem como ajudar e por causa disso acham melhor se afastar. Encontrei pessoas que começaram a dividir seus problemas se como eu tivesse pedido por. E também os únicos e exclusivos que acham saber melhor do que eu. Estou exagerando, não estou fazendo o suficiente, preciso me esforçar, preciso esquecer, a solução cairá do céu quando eu rezar e ninguém, ninguénzinho parou para se colocar no meu lugar. Sabe por quê? Porque não conseguiriam suportar. Mas até aí, tudo bem. No cu dos outros é refresco.

Ninguém disse que seria fácil.
Ninguém disse que seria impossível.

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