27 de maio de 2014

Cem anos de leitura

Então, eu queria fazer uma resenha sobre “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel García Márquez (ou Gabo, esse nome que me irrita), mas não achei justo haja visto o momento frágil que os fãs do leitor estão passando. Não que eu me importe, mas também não vou cutucar a onça com vara curta. Ok, eu vou. Só um pouco. É que eu não gosto dele, nunca gostei, li “Cem Anos de Solidão” por causa de sua morte, para ver se esse fato havia me fragilizado. Não, não funcionou. Felizmente, os mortos para mim continuam como em vida: ninguém vira santo. Minha impaciência com Gabriel é a mesma de sempre, mesmo após a leitura de três livros.


Foram os outros que me fizeram dar mais uma chance. Conheço tantos leitores que adoram o autor, que comecei a desconfiar de mim mesma. Eu só podia estar errada! “Essa piada deve ter passado batida”, pensei. Depois de ter detestado e chorado sangue com “Do Amor e Outros Demônios”, parti direto para “O Amor no Tempo do Cólera”. Li, li, li e li mais um pouco até que meu saco encheu e pulei umas dez páginas. É sempre assim. Eu pulo as páginas de Gabriel García Márquez sem o menor remorso. Ou faço isso, ou enlouqueço. Eu capto a ideia do livro lá pela metade da leitura e o resto é pura repetição, um longo e doloroso labirinto com informações desnecessárias, que não fazem a menor diferença. Não sei vocês, mas às vezes eu converso com o autor enquanto leio sua obra.

— Seu Gabriel, pelo amor de Deus, eu já sei de tudo isso.
— Mas eu nem cheguei na melhor parte.
— Eu já estou quase no final! Como assim não chegou na melhor parte?
— Eu nem contei aquele causo ainda, filha.
— Outro, Seu Gabriel?!
— Ih, ainda tem muito chão. Então, onde eu estava?

Em “Cem Anos de Solidão”, por exemplo, é tanto José Arcadio que eu decidi pelo meu bem deixar de acompanhar a linha do tempo. Não parei, um só minuto, de pensar em “O Tempo e o Vento”, de Erico Verissimo, que tem a mesma proposta, mas é infinitamente melhor. Resultado? Pulei umas vinte páginas e dei de cara com um final patético. Não se escandalizem vocês, fãs de “Gabo”, esse é meu jeitinho. É um autor que não me conquistou, fazer o quê? Suas histórias são boas, alguns diálogos são dignos de uma moldura dourada, mas nada que surpreenda. Daí você diz: “Mas ele ganhou um Nobel”! Poxa, que bom. Porém, isso não muda o fato de que toda vez que eu leio uma de suas obras tenha a impressão de que vá envelhecer instantaneamente e morrer com o livro na mão.

8 comentários:

Mima disse...

Acho que os livros dizem muito sobre nós. Talvez Gabo (esse nome que morro de afeto) não tenha dialogado contigo pois as histórias que eles tem a contar não te são familiares. A mim particularmente Gabo é divo eterno. Cem anos de solidão diz muito de mim, é árido mesmo, é repetitivo, é solitário e por isso gosto horrores.
Penso de verdade que devemos gostar de um livro porque gostamos, pelo seu conteúdo puro e simples e não pelos peso de um nome ou das mil referências e prêmios, porque leitura é muito particular. Mario Quintana diz que ocorre entre o escritor e o leitor confluências e não influência. Ele diz que o escritor só toca se ele nos fala de algo de que é familiar mas não sistematizamos em linguagem. Gosto desse pensamento e acho que é por aí.
Tenho uma relação igual com a Clarice Lispector, não gosto dela mesmo com tanta pompa em volta do seu nome, porque ela é estranha a mim.
A leitura só tem sentido se lemos coisas que ecoam, se não, pode ser o maior clássico não tem importância alguma.

Texto legal!

Douglas Rodrigues disse...

Amo sua forma de analisar e dissertar sobre qualquer coisa, por isso li e me diverti muito imaginando suas caras diante do tão citado "Gabo".

Confesso que o nome dele me é familiar, mas não o conheço, nem nunca li algum livro seu. Você pode até pensar: "Claro! Um cara de 23 anos que ainda lê John Green!!" rs! E é isso mesmo... Me considero muito imaturo e inculto diante dos livros "de adulto" que você lê, mas... Como já disse anteriormente, seu jeito provoca em mim imensa admiração.

E, se você não gosta de Gabriel Garcia Marquez, me dou o direito e não gostar também, mesmo sem ler!

Bjs =*
http://www.opierrotmalamado.blogspot.com

Ana Flávia Sousa disse...

Del, acredita que ontem respondi aquele meme Palavras Cruzadas para publicar daqui uns dias e no item "não é você, sou eu" eu coloquei "Gabo" e O amor nos tempos do Cólera?!
Pode ser que eu tenha tentado ler numa época errada, sem maturidade, não sei, mas o livrinho não me pegou. Achei cansativo demais.
Que bom que não sou um extraterrestre e que tenho companhia. :p
Mas tentarei ler novamente, pra poder falar com mais propriedade.
Adoro sua sinceridade e os textos que ela rende.
Abração. :D

Douglas Rodrigues disse...

Oi!
Meu e-mail é douglasrodriguesoficial@gmail.com
Bjs


P.S.: Já te respondi, mas precisei mandar de novo para tirar um Print! ;)

Cristiano disse...

Nunca li um livro dele...

Mila disse...

Apesar de adorar e estar no tal momento frágil que você disse, pela morte dele e tudo mais, adorei esse post.
É raro ver alguém sustentar sua opinião mesmo prevendo as críticas e a revolta dos contrários.
Minha primeira visita aqui e já vou incluir nos meus links para visitar mais vezes. Gostei!

Beijos

Mima disse...

E com relação ao Hemingway, o que mais gostei de ler foi Paris é uma festa, o que menos gostei foi O sol também se levanta. Faz tuas experiências e descobre o que achas do Hem.

Abraço.

cronistaamadora disse...

Hahhaha, ai, ai Del!
Eu gosto do Gabo. Ponto. Inicio assim meu comentário. Mas entendo absurdamente você.
Eu sempre fui fã de uma literatura mais realista, que fala de pessoas comuns e conte sobre a vida da gente sabe?
Mas quando li o Gabriel, minha visão mudou completamente. Havia em mim um preconceito enorme quanto a obras fantásticas. E o Gabo me apresentou a realidade, só que de uma maneira fantasiosa. Isso sim eu gostei. E isso aconteceu exatamente com "Cem Anos de Solidão", que reli agora e estou para resenhar.
Mas é isso, muitas vezes não rola identificação mesmo.
Beijos.

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