15 de maio de 2014

Desculpe por mais um meme literário

Assim, talvez eu desagrade algumas pessoas com o que vou escrever agora, mas eu sou assim mesmo. Vocês que se acostumem. Então, não curto a maioria de blogs literários que pipocaram por aí. Não que sejam ruins, é que eles simplesmente não falam direito sobre livros. Pelo menos no meu conceito. A maioria só serve para encontrar tags legais, e é por isso que mantenho minha assinatura em alguns. Foi assim que descobri essa tag, esse meme, essa coisa, essas questões, enfim, mas não me lembro onde. Fico devendo os créditos. Sinto muito. Mesmo. Até comprei coroa de flores.  – A Anna, do So Contagious, solucionou o mistério: a tag se chama Palavras Cruzadas e foi criada por InesBooks!

1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)
É um saco responder essa pergunta porque não tenho livros diferentes dos que já indiquei. Eu me esforço, mas nem sempre é fácil. “Americanah”, do nome impronunciável Chimamanda Ngozi Adichie, me surpreendeu positivamente. Não é tudo o que dizem por aí. Menos, bem menos. Mas é uma novidade no mundo literário, e isso é sempre bem vindo. “A Noiva do Tigre”, da Téa Obreht, também foi uma surpresa. Eu esperava uma história morna, sem começo, meio e fim, uma mistura de romance mela-cueca, enredo furado, mas olha: vale a pena! “Os Filhos da Meia-noite”, de Salman Rushdie, talvez seja nacionalista demais, mas é tão incrível quanto. Acredite. Você precisa conhecer a história da Índia através da perspectiva de Saleem.


2. Maldito plágio (um livro que gostaríamos de ter escrito)
Qualquer livro do Mia Couto, só para começar. Eu queria (todo mundo, eu acho) ter a capacidade dele de amordaçar o leitor. Ele não é desse mundo. Assim como Florbela Espanca – eu queria ser capaz de arrancar o coração das pessoas e comê-lo ao som de Chopin. Agora, descendo um pouco (bastante, ok) e atingindo meu nível intelectual porque... né, vamos ser realistas só por um minuto: eu queria muito ter a sensibilidade de Sally Nicholls ao escrever “Como Viver Eternamente”. Ou a criatividade e o desapego de Maria Semple em “Cadê Você, Bernadette?”.

3. Não vale a pena abater árvores por causa disto.
Acho que nem preciso responder essa. Vocês estão cientes da minha opinião a respeito de crepúsculos, tons de cinza e o caralho. Mas por outro lado, há o “O Amor é Fodido”, de Miguel Esteves Cardoso. Esse livro é tão ruim, que chega a doer. E o problema é que ele não pode ser ruim. Tipo, você espera qualquer porcaria de autoras que viveram no porão a vida inteira e não entendem nada de vampiros e palhetas de cores, mas quando o fogo é amigo a gente percebe que nunca está preparado. Ao afirmar que a pobre árvore não merecia isso, estou dizendo que o livro é realmente um erro. Assim, um erro bem grande. Reflitam. O mesmo vale para Schopenhauer. Pois é. Você está em plena guerra e seu colega soldado aponta a metralhadora no meio da sua testa. É o cúmulo. Quem nessa vida não admira Schopenhauer?! Estou louca? Olha, não sei, mas depois de ler “A Arte de Escrever” fiquei com tanta raiva desse mané, que não pretendo fazer as pazes. Schopenhauer é um babaca.

4. Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)
Às vezes acho que se eu ler novamente “Memorial do Convento”, de José Saramago, e “A Trama do Casamento”, de Jeffrey Eugenides, eu vá gostar mais do que a primeira vez (analogias permitidas). Só um pouco mais. Normalmente, não me engano com minhas classificações. É sempre a altura certa de ler um livro porque eu quero ler aquele livro naquele momento, senão não o leria. Sabe, não parece, mas sou uma pessoa bem descomplicada.


5. Eu tentei... (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)
De cara me lembro do “Resistência”, de Agnès Humbert. Tinha tudo para ser um máximo, até gastei meus caríssimos pontos no Skoob e o solicitei como troca, mas não rolou. Meu Deus, que sacrifício virar cada página! A história não acontece, por incrível que pareça. O mundo está se acabando em guerra e Agnès não consegue fazer o sangue ferver com a injustiça de tudo isso. E nada nesse mundo, nenhum ser vivo, conseguirá algum dia me convencer da magnitude de “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley. Não tem nada dentro desse livro. Se você chacoalhá-lo de cabeça para baixo só vai cair traça.

6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um final surpreendente) 
O final do livro “A Peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão”, de Aimee Bender, é uma coisa que até hoje me dá vontade de peidar na cara da autora. Sinceramente. É mais uma árvore que deveria ter sido poupada. Aliás, se tivesse virado papel higiênico seu final seria mais digno. Já o final de “Eu Sou o Mensageiro”, de Markus Zusak, é uma coisa que me inspira há anos. Foi a coisa mais incrível que li na vida. Sou capaz de ficar no jardim regando uma árvore só para esse autor.

7. Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)
“Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, é uma delícia. Fiquei sorrindo para o livro depois de terminá-lo. Lembro do dia que peguei “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, para ler e só consegui largá-lo no fim. Eu precisava muito saber o que aconteceria. Foi uma experiência e tanto. E teve a época (estranha porque eu não esperava por isso) em que não via a hora de terminar tudo para continuar lendo “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert. Eu adorava as histórias dela na Indonésia e na Índia!


8. Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)
Fiquei morrendo de vontade de experimentar o arroz de coco da Ifemelu, em “Americanah”. Mas eu estava com fome quando li essa parte, então... E os pratos de Mary, em “Os Filhos da Meia-noite”. Toda manhã, quando esqueço de comprar pão, por exemplo, e tento me contentar com um potinho de Activia, me lembro das refeições que Jennifer Worth, do livro “Call the Midwife”, fazia no St. Raymond Nonnatus. Meu estômago ronca.

9. Fast Forward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)
“Divórcio”, de Ricardo Lísias, podia ter página nenhuma. Mas já que ele se deu ao trabalho, perdeu a oportunidade de nos poupar de muitas coisas. É irritante. O máximo que posso dizer é isso: irritante. O engraçado é que gostei muito de “Céu dos Suicidas”. “O Menino do Pijama Listrado”, de John Boyne, é aquele livro em que viramos a página pensando “ok, entendi, agora pula logo para a moral da história” porque a gente sabe que tem uma moralzinha bem barata. Sempre tem. Ou “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, que a cada diálogo dela provoca a reação “ai, se mata”.

10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)
Eu faço isso. Me sinto um lixo depois em 90% dos casos, só que... Vocês sabem: continuo. A lista é maior do que minha vergonha na cara. Tem “Azazeel”, de Youssef Ziedan; “Eu Hei-de Amar uma Pedra”, de António Lobo Antunes; “Receitas de Amor para Mulheres Tristes”, de Héctor Abad Faciolince; “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, de Mary Ann Shaffer; etc. Com títulos assim a gente nunca acha que pode dar errado, né?


11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)
Estou tentando me curar do Mal da Capa. Sempre que me interesso por um livro de capa feia me dou um biscoito. Eu poderia citar um monte de títulos lançados pela Martins Fontes, que tal? Ou simplesmente passar o link do catálogo deles e deixar a escolha do freguês. É isso! Vai lá no site da editora e divirta-se. Julgar um livro pela capa não me pertence mais.

12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Tem um conto no livro “Histórias de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar, que me fez rir demais. Infelizmente, não me lembro qual, mas está nos meus planos reler. “Os Maias”, de Eça de Queirós, também me rendeu boas risadas – o que a gente nunca espera de um clássico, né? Markus Zusak, eu nem deveria mencionar porque é mestre em me fazer rir. E não posso me esquecer de “Doomed Queens”, de Kris Waldherr. Foi um jeito legal de ler história!

13. Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)
“Marley & Eu”, de John Grogan, lógico. Minha cadelinha estava bem velhinha na época e, por um motivo desconhecido, eu não sabia o que acontecia no final. Nem desconfiei. Eu sou uma anta. Quando comecei a desconfiar (veja bem, desconfiar) parei de ler na hora, aos prantos, nariz escorrendo, me sentindo traída. Papai Noel não existe, como assim? Traumático. Não era para acontecer aquilo, era para o mundo ser perfeito. Nossa, muito chato.

14. Este livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)
O meu bloco de concreto carinhosamente chamado de “The Circus 1870-1950”, de Noel Daniel, que contém a história circense completa (ok, quase isso) e sequer sai do meu lado. Eu não deixo as pessoas encostarem nele. “A capa mancha muito fácil, por isso deixo ele fora do alcance” – o que já deveria ser uma dica, mas as pessoas demoram a entender (ou se fingem de desentendidas, o que é bem mais perigoso). Eu não empresto nenhum livro, na verdade. Isso não funciona. E para que emprestar em plena era tecnológica do eReader?! Se vira, mermão.

15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)
Todo mundo está falando do Borges. Não sei o que deu que qualquer hora é Nooooossa, Borges! e eu tenho imensa preguiça. Meu volume único de “As Crônicas de Nárnia” está acumulando pó na estante há anos. É o único caso registrado de O Filme é Melhor. Pode me julgar. Adquiri o “O Espetáculo Mais Triste da Terra”, de Mauro Ventura, mas não estou na vibe de ler sobre animais de circo queimados e agonizantes. Ah! Tem o caso sinistro do livro “O Papa de Hitler”, de John Cornwell, que eu demorei anos, põe muitos anos nisso, para encontrar, falava toda hora dele, finalmente troquei no Skoob, o livro chegou e: nada. Está encostado e não tenho a menor vontade. Freud não explica.

5 comentários:

Nicole Isoton disse...

Oi, faz alguns meses que eu leio o seu blog e comecei um de resenhas agora (mas sem desafios ou parcerias porque eu gosto de ter minha leitura livre, ler o que eu quiser e falar sobre isso) então esse meme veio a calhar :D P.S.: mais influência indiana por favor! As músicas são lindas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ana Luísa disse...

Ei Del :)
Adorei esse meme, acho que vou fazer!
Nossa vida literária é bem diferente, então quase não sei comentar sobre os livros que você citou.Mas "Eu sou o mensageiro" do Zusak é realmente apaixonante! E sabe que não achei que "O menino do pijama listrado" era prolixo? Achei até curtinho!
Beijo

Helen Araújo disse...

Nossa, mas eu concordo totalmente com o não emprestar meus livros. É como deixar um ente querido nos "cuidados" (o apropriado seria descuidados) de um completo estranho. Já emprestei uma vez, o primeiro livro que li na vida (e relia sempre), e nunca mais tornei a vê-lo...
Tô com Os Maias aqui, adoro Eça, mas nunca pensei que ele pudesse fazer rir! haha, vou tentar ler logo.
Abraço!

Anna Vitória disse...

Adorei muito esse meme, estão amando ler as respostas por aí <3

Já estava com vontade de ler Chimamanda e agora fiquei com mais vontade ainda. Acho esse nome tão legal! hahaha #critérios

No fim das contas temos poucas leituras em comum, mas se serve de alguma coisa, sou perdidamente apaixonada por "Eu sou o mensageiro", devorei "Comer, rezar, amar" e também me desidratei de tanto chorar ao ler Marley e Eu. Pensei que, por já ter visto o filme, não me abalaria tanto com a leitura, mas não precisei chegar no fim pra soluçar de tanto chorar.

beijo!

Clara disse...

Achei o final do Eu Sou o Mensageiro totalmente inspirado no Jostein Gaarder. Se não tiver lido ainda O Dia do Curinga, penso que deve tentar! Nossos gostos literários são divergentes, eu amei As Brumas de Avalon e não consigo ler o Lobo da Estepe! Mas, eu adorei Comer Rezar e Amar também! =D

Postar um comentário