11 de maio de 2014

Não gosto de nada

Decidi participar pela primeira vez da blogagem coletiva do Rotaroots, que em maio tem o tema “o que todo mundo ama e eu odeio”. É um assunto ao mesmo tempo fácil, pois odeio praticamente tudo o que os outros amam, e justo por isso é difícil, pois tenho tantas opções que não sei quais escolher. Se eu não me engano, já escrevi um ou dois textos no Bonjour Circus falando sobre isso, mas algo me diz que sempre terei material para publicar outros tantos.

Contudo, eu gostaria de ressaltar que cada um tem o direito de apreciar o que bem quiser, assim como eu tenho o direito de odiar os mesmos objetos de afeição. Ou seja, estamos condenados eternamente a esse cabo de guerra. E eu queria implorar também para que as pessoas entendessem de uma vez por todas que as críticas sempre são direcionadas a estes objetos e não a elas. Isso esclarecido, quero dizer por último que fiz o máximo para fugir do comum e não me repetir. Seria fácil citar Valesca Popozuda e Luan Santana, por exemplo, ou incluir todos esses hypes malditos, insistentes, pegajosos que assim como aconteceu com o É o Tchan e a calça boca de sino, no futuro ninguém terá coragem de assumir que um dia adorou.

1. Gatos

Eu amo os animais. Protejo, adoto, cuido, denuncio maus tratos, me manifesto contra rodeios, etc. Vivemos em harmonia e eu jamais seria capaz de fazer sofrer qualquer formiga que fosse. Mas nem por isso crio rinocerontes em casa e se vejo uma barata saio correndo como o diabo da cruz. É assim com gatos: bonitinhos, graciosos, os acaricio quando visito amigos que os tem, brinco com a gatinha Mel que mora em um dos sebos que mais frequento, e não passa disso. Minha mãe adora, mas enquanto posso escolher, prefiro não tê-los. Na verdade, fizemos tentativas mal sucedidas de abrigar três deles em épocas diferentes e a experiência foi pouco satisfatória para mim – não brincam, arranham, são egoístas e indiferentes ao meu tatibitate que tem boa fama entre os cachorros. Estes, aliás, são infinitamente mais sociáveis e companheiros, na minha opinião. Gatos, em suma, não tem graça alguma. Talvez sejam animais para pessoas mais independentes do que eu, pois reciprocidade é uma coisa incomum aos felinos.

2. Paris

Eu já li tanto, já assisti tanto, que conheço Paris por osmose. Eu não preciso visitá-la para recomendar os melhores restaurantes e os pontos turísticos mais visitados. Nem preciso sair de São Paulo para comprar uma miniatura da Torre Eiffel e exibi-la como souvenir na minha estante. Paris, a capital do consumismo, do céu fechado, do ar perfumado, dos jardins franceses. Paris é boba. Pode ter sido romântica nas décadas de 20 e 30, mas envelheceu precocemente graças a exaustiva propaganda. Todo mundo só fala dela, a deseja acima de todas as coisas, não vê a hora de poder fazer inveja dizendo: “Ah, Paris... Você precisa conhecer”! Não, eu não preciso. Não tenho a menor curiosidade de visitar uma cidade abafada sob uma torre com mais de 120 anos, cujo principal atrativo é o consumo em lojas de grandes estilistas, gastando o dinheiro que ninguém tem com coisas que jamais irão usar (para não estragar ou acabar porque são de Paris), e onde o turismo não tem alma e calor humano.

3. Bebês

Se eu vejo um berçário, a primeira coisa que penso é: “ai, meu Deus, quanta gente! Para onde vai todo mundo”? Enquanto uns suspiram e acham a cena tranquilizadora, eu me desespero. São coisinhas pequenas, frágeis demais, que expelem secreções por todos os buracos, berram, choram, sofrem com cólicas mesmo não tendo muito espaço para isso, podem morrer de uma hora para a outra sem mais nem menos e o pior: vão crescer. Vão se tornar crianças insuportáveis, mimadas na maioria das vezes, cheias de vontades, maldades, bullying e a promessa de um futuro pouco promissor. E, novamente, ao olhar para dentro do berço onde um recém nascido dorme, eu penso: “tenho certeza que os pais dessa criança vão foder com a vida dela”. Porque é isso que nós, adultos, fazemos. A gente destrói, inconscientemente, tudo o que encontramos pela frente – inclusive, e principalmente, a própria cria. Bebês são imprevisíveis, eu nunca sei o jeito certo de segurá-los e tenho pavor de começarem a chorar enquanto estão no meu colo. Eu sei que vão vomitar em mim, ficar vermelhos e encherem a fralda numa sincronia perfeita com as minhas palmadinhas em seus bumbuns e vão ficar me encarando se como eu fosse de outro planeta, ou irão decepar a mãozinha de tanto enrolarem meu cabelo.

4. Remédios

Quando você está gripado, qual é sua primeira atitude? Tomar uma boa dose de Naldecon, não é? E se tem uma crise de gastrite? Também, um remédio qualquer para dor ou o receitado pelo seu médico. Analgésicos, antitérmicos, aspirinas, pílulas: só tomo se estiver à beira da morte. As pessoas inteligentes procuram o alívio imediato e correm para a farmácia mais próxima. Eu, ao contrário, sou meio bicho-grilo. Sou do tipo que prefere boicotar a indústria farmacêutica e cultivar ervas no meu quintal. Quando se fala em Buscopan, Dorflex, Apracur, eu só consigo ouvir: câncer, testes em animais, dependência, queda na produção de anticorpos e dominação mundial. Consigo resistir por um tempo invejável, mas no fim acabo arregando. Sempre tomo um BuscoFem, ou um Dramin para dormir por três dias e não ter que viver. É um pecado imperdoável para mim, mas a modernidade está aí para isso.

5. Gnomos

Antes de qualquer coisa, preciso tirar uma dúvida: existe mesmo pessoas que cultuam gnomos? Eles fazem parte da Wicca? Esse povo é doido assim mesmo ou eu que não entendi a piada? Enfim, eu odeio gnomos. A classe média adora enfeitar seus jardins com eles, colocá-los nos vasos de flores (oi, mãe) e até na estante de livros ou em cima da mesa de trabalho. Eles estão por toda parte e tem gente que jura de pés juntos que já os viu ao vivo e em cores. Tirando a minha teoria de que são os principais responsáveis pelo sumiço dos meus objetos inanimados favoritos e hematomas que surgem no calar da noite, eu duvido muito que esses seres estejam ocupados em existir de fato. Acho mesmo que seu único objetivo é passar dia e noite nas prateleiras de lojas para materiais de construção. Para ser sincera, eles me dão mal estar. Eu fico inquieta na presença de um gnomo, tenho a impressão de que ele moverá lentamente a cabeça na minha direção para me encarar com seus olhinhos frios. Aqueles sorrisinhos de escárnio pintados a mão, sabe? Eu sei que significam muito mais do que imaginamos.

6 comentários:

Cecília Maria disse...

DETESTO GATOS! Amo bebês e crianças <3 Hahaha
Beijo

Camyli Alessandra disse...

Eu não gosto de gatos pelo simples fato de eles serem muitos independentes... Sou Felicia com os meus cachorros gosto de brincar, apertar ... e com gato eu ia viver arranhada.

Não gosto de crianças... elas me adoram sou o tipo de adulto que da atenção 5 min e elas querem brincar a vidaaaa toda HAUAHAUAHUAHU

Cacá disse...

que lista polêmica! amo gatos, gnomos e paris! hahaha
bebês também fico meio assim, tenho um pouco de pânico dessas mini pessoas, recentemente ganhei uma priminha que é bem próxima e estou começando a me adaptar com bebês, ela é muito fofa e dou mamadeira e nino e é uma delícia, mas só ela por enquanto! hahaha
remédios eu sou assim tb! sou meio que contra a indústria toda e ainda por cima sou alérgica à diversos componentes de diversos remédios, aguento tudo no osso, cólica, dor de cabeça, gripe. a única coisa que tomo só quando tenho febre é tylenol hehe

Nick Soad disse...

Aahuahuahuahuhauhauhuahua, morrendo de rir com a sua opinião sobre gnomos.
"Tenho a impressão de que ele moverá lentamente a cabeça na minha direção para me encarar com seus olhinhos frios. Aqueles sorrisinhos de escárnio pintados a mão..."
Fiquei imaginando a cena e com receio também, haha.

Bem, sobre a sua lista... Concordo com a maioria, menos um: bebês!
Adoro crianças! São sinceras, dispostas, não são chatas, ranzinzas, não destroem sonhos... Não gosto é de adolescentes e adultos, haha.
Mas, super te entendo e não critico. Cada um é cada um. Todo mundo tem o direito de gostar e não gostar do que quiser. Também não entendo essa paixão avassaladora e repentina por Paris, nem porque eu preciso ter gatos para provar que gosto de animais...
Adorei o post, Del! Um beijão:*

Marcela disse...

Odeio Gatos. Acho nojentos =/

http://mahjestic.com/blog

Vulgo Emilie {@hisakurasan} disse...

Hahaha, essas lendas urbanas sobre gatos pegam mesmo. Os daqui de casa são umas fofuras de tão pegajosos. Mas, ok, todos tem direito de preferir os bichinhos que quiserem. Tenho um sentimento confuso quanto à bebês: acho fofos, porém não curtiria cuidar de um (apenas uma intuição minha). Remédios? E tem como viver sem quando se ficamos doentes, ou sei lá, quando dá aquela cólica? Acho que cê tá só prolongando as coisas...
{Emilie Escreve}

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