22 de junho de 2014

A Casa das Sete Mulheres (Letícia Wierzchowski)

Na verdade, eu tinha gravado um vídeo falando sobre o livro, mas depois de editá-lo percebi que muitas coisas ficaram de fora. E tive certeza de que não sirvo para isso, o meu negócio é escrever. Então, fica para a próxima. Não consegui escrever um texto bom sobre A Casa das Sete Mulheres, pois no fim das contas não foi uma história que me marcou. Minhas expectativas eram altas, bem altas, enormes, e caíram por terra. Não sei se é um mal que acomete leitores, mas sempre acho que o próximo livro será o definitivo, aquele que mudará minha vida. Com a história de Letícia não foi diferente: esperei pela emancipação feminina, por uma Revolução Farroupilha jamais vista, por um Rio Grande do Sul convulsionado. Pois é, a maldição das mulheres gaúchas se abateu sobre mim: fiquei esperando.

É um pouco estranho, para mim, não ter gostado tanto do livro mesmo ele sendo bem escrito e perfeitamente contemporizado no século XIX. Tenho de admitir que Letícia Wierzchowski é perfeccionista e escreveu sim, um clássico da literatura nacional. Eu goste ou não, A Casa das Sete Mulheres pode ser considerada uma obra que Jane Austen tupiniquim teria escrito. Do início ao fim, somos transportados para uma época mais pura, dolorosa, para um Brasil que não conhecemos, mas que é nosso de qualquer maneira. Letícia retirou personagens da realidade e os colocou em seu romance para que a Revolução Farroupilha fosse lembrada. Ponto positivo para ela. Seu povo tem o dever de se orgulhar.

Não sou fã das histórias do sul do país por vários motivos. O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo mudou um pouco minha opinião, mas continuo preferindo o nordeste e relatos do meu estado (São Paulo). Escolhi A Casa das Sete Mulheres por três motivos: 1) era um livro que estava há muito tempo na fila de leitura e 2014 é o ano de limpar a estante; 2) eu queria conhecer o trabalho mais antigo de Letícia Wierzchowski antes de ler seu último lançamento e; 3) nunca assisti a minissérie da Globo, mas desde então tenho vontade de ler a obra. Não foi nada do que eu esperava, como já disse, mas valeu a pena pela riqueza de detalhes e a perspicácia da escritora.

Caetana baixou os olhos, retomando o trabalho. Não entendia de leis. Tudo o que lhe importava agora era aquele tricô, era a certeza de que seu Bento não passaria frio, de que ela mesma não receberia um telegrama semelhante àquele — o telegrama nefasto que temia desde o começo daquela revolução.

Para ser sincera, o livro não vai muito além de sete mulheres em uma estância esperando pelo retorno de seus homens. O romantismo do início ao fim ficou pesado para um paladar agridoce como o meu. Não tenho paciência para esse tipo de coisa, desculpa. Até porque minhas expectativas eram massacradas sem dó nem piedade a cada capítulo. Ao longo dos anos pouca coisa muda. Quero dizer, a única personagem com potencial para proporcionar um pouco de discussão inteligente, por exemplo, ficou louca. Mandaram a pobre coitada para um convento e lá ela ficou. E se como não bastasse, Manuela escreve em seu diário pessoal, ganhando assim mais espaço para mais lágrimas, mais drama, mais desespero de minha parte.

A famosa Mal Comida

Um bom livro para quem ama Jane Austen, é o melhor que tenho a dizer. É mulher a perder de vista, bordando, cozinhando, desmaiando, bailando, se enamorando, casando, parindo. Os homens fazem papel de homens enquanto as mulheres aceitam de bom grado permanecer com a barriga quente no fogão a lenha. Porque sim, elas podiam se mexer, tirar as bundas da frente da lareira e no mínimo prover uniformes para os soldados. É impossível aceitar a falta de atitude delas diante de uma crise nacional como a Revolução Farroupilha, que não acontecia tão longe assim, e sim dentro da própria família. Afinal, eram seus filhos, irmãos e maridos que estavam sangrando na batalha. O país de ponta-cabeça enquanto pessegadas são feitas tranquilamente no pampa bucólico é uma coisa que não consigo compreender. Coitada da Anita Garibaldi!

(...)
— Eles sabem o que fazem, tia. — Perpétua guardou o telegrama no bolso do vestido. — Vamos esperar para ver.
(...)
— E temos feito outra cosa nesta vida? — D. Ana tomou também do seu bordado. (...), desacreditara daquilo tudo. Só o que desejava era paz, era ter José na estância, cuidando do gado e da venda do charque. Tudo o que desejava era um passado que já não voltaria mais. (...)

4 comentários:

Cecília Maria disse...

Não sou muito fã de literatura nacional, nos meus quase 19 anos de vida já me traumatizei o suficiente, acredito eu. No entanto, acho que vou acabar dando uma chance para A Casa das Sete Mulheres. Eu era pequena quando passou a minissérie na Globo, mas já gostava dessas histórias de época. Sou muito fã da Jane Austen e você ter comparado Letícia Wierzchowski a ela me deixou um tanto curiosa.

Ana Flávia Sousa disse...

Eu gostei do livro e favoritei! :/ E amo Austen.
E Anita é a melhor personagem! <3


Mª Fernanda Probst disse...

Nunca tive vontade de ler esse livro. E, depois da tua resenha, fiquei com menos vontade ainda!

Beijos

Bia Alper disse...

Eu tenho preguiça da Austen, mas gosto muito de literatura brasileira. Faz tempo que quero ler esse livro e agora não sei mais ):

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