1 de agosto de 2014

Diário de um cão

Oi, o meu nome é Amor da Mamãe, mas quando estão bravos comigo me chamam de Benjamin. Sou um Rottweiler disfarçado de vira-lata para melhor proteger a casa onde moro (os humanos não tem muito medo de vira-latas, então engano todo mundo). Tenho quatro anos. Minha mamãe disse que a cegonha me trouxe, já a vovó conta que fui adotado em um estacionamento. Acredito na mamãe porque ela nunca mente para mim. Como daquela vez em que ela disse “Amor da Mamãe, se você morder a perna da cadeira vai passar mal”. Pois é, a perna tinha gosto de pimenta e eu fiquei mal mesmo.

Eu tenho uma dinda, que mora longe, mas sempre me manda um beijo pelo Facebook. Tenho vovô e vovó, um papai e a minha mamãe. A vovó diz que sou muito sortudo, que há cachorros que não tiveram o mesmo destino que o meu, e por isso dou a patinha para todos eles, como forma de agradecimento, sempre que surge uma oportunidade. Aos três meses de idade aprendi a dar a pata e parece que isso os diverte bastante, mesmo eu não sabendo muito bem a razão. Aliás, sei usar minhas quatro patas como ninguém: abro portas, agarro coisas e estou usando as dianteiras para escrever esse texto.

Às vezes deito ao lado da minha mamãe quando ela está usando o computador e observo seus movimentos. Fico sonolento na maioria das vezes, acho que é por causa do barulho do teclado, mas fico atento também. Assim, aprendi a usar isso aqui e decidi publicar o meu lado da história. Sei que mamãe escreve sobre mim, publica fotos minhas, então pensei: por que não eu para dizer alguma coisa aos leitores dela? Os cachorros tem voz! Eu, por exemplo, quero compartilhar com outros humanos o meu dia-a-dia.


Outro dia prendi minha cabeça entre as grades no corrimão da escada. Comecei a chorar porque achei que perderia minha cabeça para sempre, me debati fazendo um barulhão, depois me soltei sozinho. Mamãe apareceu, não sei de onde, branca feito um papel, assustada e, para variar, me beijou bastante. Não é uma coisa ruim, o beijo, mas ela vive fazendo isso. Imagine você que um dia eu estava cumprimentando minha amiga labradora no portão, daí minha mãe apareceu e começou a me abraçar, dizendo “sua amiguinha é uma graça, bebê”, fez carinho nela (antes mesmo de terem sido apresentadas!) e me encheu de beijos. Nossa, passei muita vergonha, por isso comecei a rosnar. Mamãe ficou chateada, mas são todas assim: elas não entendem nada de socialização canina.

Eu gosto de caçar moscas e pernilongos. Sou ótimo nisso! Aprendi observando meu papai. Ele odeia mosquitos, afasta todos. Eu resolvi ajudá-lo, toda vez que vejo um, pulo e abocanho sem nunca errar a mira. Gosto de roubar uvas do vizinho, mas só aquelas que crescem do lado do meu quintal. E só faço à noite, para ninguém notar. Tenho um amigo chamado Tony, que veio da rua. Talvez seja por isso que ele vive estressado. É um cara legal. Quando chove vou me proteger nos braços da mamãe. Adoro latir no portão, mas não posso fazer isso – se escuto alguém abrir a porta da frente, corro para o corredor lateral e me escondo lá até que eles entrem em casa novamente, saio de novo para o quintal e lato mais um pouco. Infelizmente, tenho que ter cuidado redobrado, a mamãe já descobriu meu segredo...

Acho que é só isso. Estou ouvindo alguém se aproximar, é melhor escrever o resto mais tarde. Só quero deixar um último recado para os humanos que leem o blog da mamãe: nós, cachorros, também temos alma. Nós sentimos dor, saudades, alegria e medo. Tudo bem se você não for muito com a nossa cara, porém, ainda assim, nos respeite. Não abandone um animal indefeso, pois nós não sabemos nos defender apropriadamente da crueldade. Ao invés de comprar um filhotinho, adote! Existem muitos animais precisando de um lar, de uma segunda chance, de alguém que queira compartilhar com eles uma vida melhor. Nossa gratidão é eterna! Ah, e se vocês conhecerem o humano que solta fogos de artifício, por favor, me avisem. Quero, caninamente, morder o saco dele.

Obrigado pela atenção.
Benjamin

8 comentários:

Camyli Alessandra disse...

Eu sou Felicia com muito orgulho. Amo apertar muito essas fofuras tenho dois caninos que "sofrem" muito comigo heheheh

André Luiz disse...

Oi, Amor da Mamãe! Adorei te ver por aqui. Manda um beijo pra Mamãe do Amor, ok? Até a próxima ;)

ancoragem disse...

Esse texto me fez rir insanamente e imaginar um diário de todos os cães que conheço. Fala pro Benjamin que tbm odeio o cara dos fogos, porque tenho peninha dos cães!
Sensacional o texto, como sempre!
Vai até pro fb!
Abraços

Cecília Maria disse...

Que post mais delicinha! Super gostoso de ler, fiquei imaginando o que se passa na cabeça dos meus filhos também. Será que se eu deixar o notebook dando sopa eles me aprontam uma dessas?
Ben - posso chamar assim? - apareça mais vezes, você é uma graça!
Beijo

Ana Flávia Sousa disse...

Que amor este texto! ♥
De todos os cachorros que tive, só o Macgyer foi comprado pelo namorado.
Mas o amor é o mesmo, independente da raça ou da forma que ele chegou até nós.
Na casa da mamãe ainda tem dois adotados e uns cinco gatos adotados também.
É muito amor pra dividir.
Benjamim, você é um lindo tá? Escreva mais pra gente. ♥

Thay disse...

Ai que coisa mais amor! Benjamin é um lindo, sempre fico mais feliz quando você publica alguma foto dele no Instagram - e do Tony também, que é outro amorzinho. Lembro de quando você fez a campanha em busca dos donos do Tony, com direito a banner feito pela Jana e tudo! Ah, e o recado final do Amor da Mamãe tem que ser efetivamente espalhado mundo a fora, inclusive sobre as pessoas que soltam fogos, bando de infelizes. Um beijo!

Aline Aimée disse...

que amorzinho! de texto e de cão! ♥

Renata disse...

Aiiin, que lindo o Benjamin! <3
Eu fico torcendo para ter logo um cachorro lindo como o seu, Del! *-*

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