14 de novembro de 2014

O caminho do Boho


Vou contar uma história para vocês: tem um amigo da família que é exótico. Ele não está preocupado com os padrões, muito menos em se encaixar n'algum deles. Apesar da criação alemã, se converteu ao hinduísmo. Ficou ainda pior quando visitou a Índia e não quis mais voltar – seu pai teve de ir buscá-lo pelos cabelos. Isso não era problema dos meus pais até eu resolver nascer no mesmo dia que ele. Todo mundo ficou meio tenso, achando que eu iria pelo mesmo caminho. Olha, eu não passo o dia inteiro sentada na posição de lótus pintando quadros lindos, consumo carne vermelha, não sigo freneticamente nenhum guru, não me exilei na Índia, mas... É, eu sou bicho-grilo.

É claro que a data dos nossos aniversários não tem nada a ver com isso, mas além de verídica, a história é engraçada. As pessoas realmente se preocuparam com o meu destino e com a influência que esse homem poderia me dar. Até hoje, aliás, meus passos são vigiados, mesmo que de longe e com todo mundo negando fervorosamente. “Eu nunca acreditei nessas coisas de aniversário”, eles dizem, mas bem que ninguém gostou da minha ideia de passar uns meses na Índia. “É melhor não”.

Bom, mas é um fato. Eu sou assim. Aos quinze anos, voltei da escola certa tarde carregando uma cartela de terceiro olho para colar na testa. Acho que foi ali que minha mãe desistiu de ter esperanças. E apesar dos meus trejeitos serem apenas um estereotipo mal treinado de ciganos (outra influência circense), não gostar de escovar os cabelos, fazer tranças, usar anéis, saias longas, bolsas bordadas e gostar de artesanato são coisas que acabam por reforçar um estilo que sempre foi meu, mas que recentemente venho reassumindo com mais propriedade. Eu nunca pude ser eu mesma por causa do meu pai, que sempre monitorou tudo de bem perto para que nada saísse dos padrões conservadores de uma Alemanha que só existe na cabeça dele. Nada era aceitável ou moralmente correto senão Lutero, Bonn e kartoffelpuffer (ok, kartoffelpuffer é gostoso mesmo). Daí que aos 22 anos, eu cansei. Joguei a merda no ventilador e voltei da Suíça sabendo fazer chá de ervas, conectada com a natureza, sabendo fazer um monte de trabalhos manuais e bicho-grilando à vontade.

Ninguém se atreveu a enfrentar a profecia do 4 de junho.

Mas por que estou contando tudo isso? Porque descobri que é impossível ser assim aqui no Brasil. Quero dizer, ervas e florestas temos para todos os lados, mas montar um estilo, criar um guarda-roupa de acordo com o que você acredita, é praticamente uma luta desonesta. Estou cansada de garimpar brechós e não encontrar roupas confortáveis, que não sejam de jeans, que não tenham estampa de animais ou que pelo menos não brilhem no escuro. Veja bem, não sou uma maconheira que anda por aí de dread, calça rasgada, cheirando a incenso. A única coisa que quero é uma roupa leve, se possível bordada porque adoro bordado e não sei porque isso seria crime. Eu suo demais e calhou que a moda boho me ajuda muito com esse problema, pois as roupas normalmente são de tecidos finos, não marcam o corpo, deixam a pele respirar.

Há uma infinidade de opções em lojas gringas, o Etsy é um paraíso para pessoas como eu, mas quem está podendo com o dólar? Quem tem colhões para brincar com um cartão de crédito? No fim, recorro para o bom e velho Faça Você Mesmo, corto mangas, costuro barras, pinto, bordo e dou um jeito nas minhas roupas quando vejo que estão quadradas demais. Só que chega uma hora que fico de saco cheio, quero algo pronto, novo, uma peça que não posso reproduzir nem nos meus sonhos e me frustro muito ao perceber que é impossível, pois os tupiniquins ainda não se cobrem com esses panos.

Outro dia sentei em frente ao notebook, decidida: só sairia dali quando encontrasse fontes consideráveis de boho no Brasil porque não é possível que esse país seja completamente desprovido de bom gosto, caramba. Olha, foi difícil. Lamento informar que não foi muito produtivo também. Encontrei pouquíssima coisa, mei' assim, mas dá para o gasto. Nem sei se você aí curte o barato, todavia, fica a lista para os perdidos do Google. Se alguém conhecer outra loja brasileira, pelo amor de tudo, deixe nos comentários!






7 comentários:

Lisa Cristine disse...

partiu pegar o cartão de crédito, daqui a pouco volto aqui e leio o resto do post k
A M E I

Mia Sodré disse...

Del, eu AMO esse estilo - não sabia que o nome era boho até agora, veja só. Não consigo achar peças assim por aqui, infelizmente, mas tenho algumas recicladas dos tempos de juventude de minha mãe. E, realmente, são tão levinhas, tão gostosas de usar... São amor. ♥

Grazi Lotti disse...

Mas gente, esse post foi feito numa hora linda! Eu tô super há um tempo amando esse estilo e estava/estou em busca de umas peças por aqui <3.
Tbm suo pra caraca e esses vestidinhos, macaquinhos, saias, blusas são tão amor, né? Putz, post de utilidade pública! vlw (=

Hilza de Oliveira disse...

Olha, tem outras lojas que vez em quando lançam peças na pegada boho. Tem a Farm, a Dress to, a Oh, Boy!**
Obrigada por compartilhar essas daí!

Cyntia Campos disse...

Eu acho lindo demais o boho, acho que por causa da minha mãe e tias, que se vestem dessa forma. Em Recife e Olinda nem é tão difícil encontrar esse estilo. No centro da cidade tem umas lojas indianas e até mesmo uma parte do camelódromo vende sandálias e bolsas de couro ou tecido bordado, vestidos, batas e saias, blusinhas de renda, bijuterias e tals. Apesar de ser camelódromo as peças são bem bonitas e tem boa qualidade, porém não são baratas. Aqui é fácil de encontrar por causa da cultura da cidade mesmo, é uma mistureba incrível de maracatu, cultura oriental, pessoas livres aí quase todo mundo acaba meio hippie. rsrs

Ps.: Andei vendo umas peças no Aliexpress, dá uma passada lá.

nandacastilho disse...

Mas ce acha que o estilo bicho-grilo e os carinhos por coisas artesanais são coincidência? Nada, é que ser hippie tá fora de moda. Se quer usar, tem que fazer! hahah

Ana Mattos disse...

Adoro o estilo Boho! Não sou adpeta dos pés a cabeça mas adoto muitas coisinhas... Tem um site que chama "Amo Muito" que vendo uns anéis, brincos e pulseiras com essa pegada, depois dá uma olhada! ;-)

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