5 de dezembro de 2014

Até logo, meu gordo

O Benjamin uivou a manhã inteira. Seu melhor amigo, Tobias, foi levado para o veterinário e não voltou. Tenho o costume de conversar bastante com ele e contei que Tobias precisava ficar um tempo internado porque estava doente. Sempre que converso com o Benjamin, falo aquilo que eu mesma quero ou preciso ouvir. Aos 14 anos de idade, o Tobias, um dos meus cachorros, não superou o câncer e teve de ser sacrificado – quatro anos após o sacrifício da Laika, pela mesma razão. Apesar de não ter sido tão apegada a ele como eu era à Laika, o vazio que ele deixou é enorme. A morte tem isso de assustador: o Nunca Mais.

Nunca mais brigar para que ele não roube a comida dos outros cachorros, nunca mais ser recebida em casa por ele, nunca mais chamá-lo de “gordo”, com todo o carinho, porque o que mais o Tobias tinha era fome. Essa certeza irremediável faz estragos. Deixa marcas. A gente pensa que poderia ter feito diferente, tentado de outra forma, sente culpa por tudo. Acho que fui fraca, que deveria ter lutado por ele, que não precisava terminar desse jeito. Eu o amava, é lógico, e o que a morte coloca no lugar desse amor não me é agradável.

Eu não queria escrever. Não me sinto bem. Passei por várias fases do luto em poucos minutos: chorei, me conformei, senti alívio por saber que ele não sofrerá mais, então veio a culpa, a sensação de injustiça e agora fica a saudade. Ele suportou a doença por anos, enfrentou com coragem, deu o melhor de si e não desistiu. Foi um campeão, sem dúvidas, que quis ficar mais um pouco por aqui porque gostava demais da gente. E apesar de ele ter sofrido muito, sentido dor, acho que a frágil fui eu.


6 comentários:

Thay disse...

Não consegui terminar de ler sem chorar. Meu cachorro morreu também, faz pouco mais de um mês e pela mesma razão. E eu senti - e sinto - tudo isso, igualzinho. Filé não precisou ser sacrificado, quando foi internado ele teve uma parada cardíaca e não resistiu, mas a dor e o pensamento de que eu poderia ter feito mais por ele ainda persistem na minha cabeça. Se eu tivesse percebido antes, se o tratamento tivesse sido iniciado antes. Tantos "e se", e só fica saudade. Saudade e uma casa sem cachorro, uma caixinha cheia de roupinhas e gravatinhas que não tem mais um peludo pra usar. Enfim. Tô chorando de novo, haha, e fazia tanto tempo que eu achei que não tinha superado. A identificação foi tão forte que minhas torneiras se abriram de novo (e eu tô no escritório! sozinha, mas estou "trabalhando"). Beijo Del! Agora o Tobias tá junto com o Filé no céu dos cachorros. <3

Yuu disse...

Sinto muito, muito mesmo. Eu perdi minha gata e meu cachorro em menos de um ano, e ainda sinto o que você sente. Por mais que mais de um ano tenha se passado, o amor incondicional que essas criaturinhas demonstram e que nos conquista, só intensifica a saudade toda vez que a gente olha para o lugar deles, agora vazio. Uma coisa é saber que as vidas dos bichinhos são mais curtas que as nossas, outra coisa é aceitar esse fato, depois de tanto amor e de tantas memórias. Essa posição de donos guardiães que assumimos sempre nos deixa com essa sensação de que poderíamos ter feito muito mais, mas algumas coisas não temos como prever ou estão além das nossas capacidades, e creio que se pudéssemos ler as mentes dos cachorros, eles não nos culpariam. Vamos pensar que agora o Tobias está no céu dos cachorros, sim, junto com o Filé da Thay e com o meu Bilu. Força, Del. Agora é esperar o tempo trabalhar na gente. ♥

Robson Assis disse...

Meus sentimentos. Mesmo. Embora quase nunca comente aqui, estou sempre lendo suas coisas e nessa não tive como não me emocionar. Amigos são pra sempre, tenho certeza que ele viveu bem e vai continuar pra sempre na sua memória. Espero que fique bem.

Luciana Brito disse...

Ai, que triste.
Imagino um pouco do que tu está sentindo, pois passei por isso ano passado. Duas vezes. Dois, dos três cachorros que tínhamos morreram com pouco tempo de intervalo entre um e outro e o pior, foi em casa e eu vi tudo.
É triste quando perdemos alguém, seja um bicho ou ma pessoa. Na verdade, a morte nos deixa mesmo com uma sensação de vazio.
Fique bem. <3

Na Estante da Imy disse...

Own amiguinha não fica triste, imagino o que você esta sentindo, mas sei que alguma vezes na vida passar por isso é inevitável. melhoras.

Aline Aimée disse...

:(

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