14 de dezembro de 2014

Desgostosa

Várias coisas me irritam na casa onde moro. Algumas irrelevantes como, por exemplo, o armário de panelas e o outro, de tupperware. Minha mãe ama tupperware, não pode ver uma promoção que compra logo uns vinte, mesmo comigo insistindo na ideia de que potes de vidro são melhores e, de quebra, mais saudáveis para guardar alimentos. Enfim, acumulamos muitos tupperwares. O armário de panelas vive em pleno caos. Toda vez que preciso de uma derrubo cinco para consegui-la. É um trabalho de garimpo, eu diria, assim como para encontrar a tampa certa do maldito tupperware. Não há o mínimo de organização, mas não cobro isso de mamãe porque é visível a falta de método. Não sabemos como fazer nem por onde começar. Então, entra ano e sai ano, continua tudo amontoado na mais perfeita falta de espaço.

A outra coisa que odeio na minha casa é o jardim. Quero dizer, é como dizem por aí: o fruto não cai longe do pé, então, por osmose, eu gosto de jardins, mas não do meu. Não caí longe do pé porque todo mundo da família gosta de plantas. Tem planta em todos os cantos, todas as casas, de todos os tipos, uma loucura. Só que o pessoal não entende jardinagem. Eles não fazem a mínima ideia de como funciona, do que é planejamento e acho que nunca ouviram falar em poda. Estou, secretamente, germinando sementes para um bonsai, mas se a notícia se espalhar, se alguém descobrir, tenho certeza de que no dia seguinte trezentos vasos se materializarão no quintal, numa vibe bem errada, cheios de sementes provavelmente já secas e mosquitos e terra espalhada e eu vou desistir. Não, meu bonsai sendo apenas o feto que é precisa de silêncio e paz.

Mas o que eu odeio de verdade, no momento, é ter deletado, meses atrás, a minha conta no Filmow. Não sei por qual causa, motivo, razão ou circunstância tomei essa decisão, que por causa da minha memória curta atrapalhou meu progresso nos filmes que queria ver. Sabe por quê? Porque eu esqueci quais eram. Estavam todos anotados no meu perfil da rede social e, automaticamente, uma vez salvos ali, minha cabeça não se viu obrigada a memorizá-los. Agora estou aqui tentando lembrar o que queria assistir e de quebra o que já vi. Porque vocês sabem que eu tenho esse tic nervoso (os anos 90 mandaram abraço) de não conseguir deixar nada pela metade, então preciso completar todas as estapas do meu Filmow para conseguir dormir bem. É claro que estou nessa há uns três dias e longe de terminar, mas pelo menos já encontrei a maioria dos filmes que quero ver. Descobri que já assisti muita merda, mas muita mesmo, só que isso não vem ao caso.

E o mouse que comprei há três semanas atrás, como ele está? Quebrado. Não quebrado, quebrado, é só um mau contato que me tira do sério. Não posso movê-lo bruscamente que o notebook emite um som de dispositivo desconectado, sabe? E esse som irrita. E o mouse que pára de funcionar de repente também não ajuda. Limitei meus movimentos ao máximo, o que é ridículo, pois o que fazemos com um mouse senão movimentá-lo? O problema, de verdade, é a preguiça de comprar outro. Eu tenho certa razão porque, se você pensar bem, fiz isso há três semanas atrás. Não estou afim de fazer de novo em tão pouco tempo.

Para completar, eu queria dizer que odiei os últimos quatro meses. Não foram fáceis, bons até certo ponto, não posso negar, mas deram em nada. Foi bom ter me dedicado a algo importante, ter mudado um pouco de trajeto, cresci um pouquinho, mudei algumas coisas, aprendi outras – o melhor é ter consciência disso. Acabou em nada. Digamos que fiquei com o cu liso de tanto tentar. Digamos que não foi totalmente em vão. Acho que estou de volta. Não é isso que importa? A boa filha à casa torna.

4 comentários:

Larissa Fonseca disse...

Ah, seus textos que eu adoro...! Compreendi perfeitamente muitas de suas frustrações narradas neste, mas, em especial, as do penúltimo parágrafo. Meu mouse está com EXATAMENTE o mesmo problema que você descreveu. E, caramba, é uma sensação desesperadora... Quando descobri o problema, passei por várias etapas para superá-lo: conectar o USB com força (ok, sei que isso é meio doentio e não faz diferença nenhuma, mas, velho, tem gente que estapeia a TV para consertá-la, então se você pensar bem a filosofia é a mesma). Evitar movimentos bruscos. Experimentar gambiarras (cheguei a imobilizar parte do fio com um dicionário de um lado e um furador de papel do outro, mas não tardou muito para que o tal do som irritante de "dispositivo desconectado" me sobressaltasse). Por fim... a conformação: preciso de um mouse novo.

Flá Costa * disse...

Pequenas irritações. Eu vivo falando delas para a minha irmã, criamos até uma tag oral "coisas simples que me irritam" e toda vez que tomamos consciência de uma, compartilhamos oralmente. Tipo quando lavam o banheiro de casa e esquecem de fechar o chuveirinho, aí eu ligo o chuveiro e o banheiro toma um outro banho. Ou quando pegam a minha chave de casa sem avisar e não colocam no lugar. Ou a cozinha mesmo daqui de casa, que precisa de uma reforma urgente, mas ninguém quer fazer.

Enfim, gosto muito daqui. Vinha tanto! Parei um pouco com o mundo blogosfera, mas sempre que passo, venho aqui. ♥

Ana Mattos disse...

Há algum tempo pensei em criar uma postagem no blog chamada "o que me irritou essa semana". Sim, eu me irrito fácil e consigo sentir na pela esses incomodos que você sentiu nessas pequenas coisas.

Fábio Alves disse...

O q mais odeio onde moro são os vizinhos, mas isso não posso mudar. Só posso me mudar, mas tá difícil achar um lugar q preste! E qto ao mouse, parece q são feitos pra cada vez durar menos!!! Umas drogas mesmo!

Postar um comentário