14 de janeiro de 2015

Tirando a TV da tomada

A educação nos anos 80/90 não era levada muito a sério. Quero dizer, era levada a sério ao modo da época o que hoje, para nós, mais parece uma total negligência. Ninguém se preocupava ao fumar perto das crianças, passar protetor solar para ir à escola, ou com rótulos de produtos indicando traços de leite. Isso se refletiu um pouco no uso da televisão. Vou tomar minha infância como exemplo: eu passava o dia inteiro assistindo televisão, ou todo o tempo que tivesse livre. Como minha mãe sempre trabalhou muito, não podia monitorar os programas que eu escolhia; o que não foi um problema já que eu nunca tirava da TV Cultura. Mas quando meu pai se juntava a mim, à noite, de Castelo Rá-Tim-Bum nós íamos para Você Decide, e daí para baixo. Ele, o meu pai, não se perturbava um cêntimo ao me fazer assistir programas sensacionalistas, muitas vezes episódios violentíssimos, que por fim danificaram uma parte de mim – até hoje encontro rastros de filmes ou cenas marcantes que me incomodam, ou que de certa forma meu comportamento absorveu.

E por que estou contando essa história? Estou querendo condenar a televisão? Digo que quem a assiste é uma bruxa, ou um bruxo, que queimarão na fogueira dos pecadores? É um papo bicho-grilo de como educar os filhos que não tive? Não, é a minha opinião pessoal e minha experiência de vida. Sabe, o nosso cérebro procura constantemente por informações a serem interpretadas. Se uma postagem num blog de uma Zé Ninguém instigou você, imagine o que os programas televisos fizeram com sua mente.


Eu não acredito em entretenimento. Nós, instintivamente, estamos sempre aprendendo ou caçando conteúdo nas entrelinhas. Um livro não é só um livro, assim como a grade de programação dominical não é só mais um domingo no sofá. Não acredito que uma pessoa consiga sentar em frente à televisão e simplesmente desligar – a situação é pior, com a sensação corporal de relaxamento o cérebro fica ainda mais exposto a qualquer coisa que quiserem transmitir com muita música, cores, dançarinas e celebridades. Não li isso em lugar algum, é apenas o que eu acho, o que observei em mim mesma ao longo de tantos anos consumindo produtos enlatados anunciados por grandes âncoras da comunicação. É no que eu acredito, quer você queira, ou não.

Qual foi minha conclusão? Tirar a televisão do quarto. Percebi que gradativamente fui perdendo o costume de ligá-la nas horas de ócio e só o faço quando há visitas em casa, ou quando minha mãe quer assistir à novela na minha companhia (sim, novelas são legais apesar de venenosas; continuo adorando o Silvio de Abreu). A televisão ainda está lá, inutilizando um canto do meu quarto onde caberia a estante de livros que quero comprar, mas seus dias estão contados – é uma questão de tempo escolher um outro lugar para ela e convencer minha mãe de que não virei Hindu (nem me pergunte). Não pensem que foi fácil descobrir que não preciso desse aparelho, que isso aconteceu da noite para o dia: é um exercício. Afinal, nós somos criados para assistir televisão, é tão natural quanto comer todos os dias – ou temos um insight (mesmo que provocado), ou assistiremos Gugu para o resto de nossas vidas.

10 motivos para não ter uma televisão
1. Você ouve muito mais música
2. Você aprecia o silêncio
3. Conversa-se muito mais dentro de casa
4. Você fica mais produtivo
5. Você consome menos
6. Você não vê absolutamente nada que não esteja afim
7. Você vê mais filmes e documentários
8. Você aproveita melhor o seu tempo
9. Você aprende a fazer nada
10. Aquele motivo que todo mundo já sabe. Junte o item 1 com esse, e tudo fica melhor
Leia o texto completo no blog Abra a Janela

2 comentários:

Mia Sodré disse...

Parei de ver tevê há muitos anos e tá algo do qual não me arrependo.
Também concordo contigo nisso de que não apenas relaxamos e desligamos a mente, mas incorporamos tudo de alguma forma. Subconsciente tá sempre trabalhando e nossos sonhos são a prova disso.

Menos tevê, mais vida fora da telinha.

Brendha Cardoso disse...

Concordo com tudo, em gênero, número e grau.

Quando comecei a cursar Odonto, que é integral, passei a assistir o mínimo de tv possível. Lá pro meio do semestre eu já chegava pregada em casa e não tinha mais tempo pra tv. Reparei que ela não me fazia falta alguma. A partir daquele momento, minha lista de livros lidos e filmes assistidos - com conteúdo bem mais aproveitável que os programas que eu assistia só pra passar o tempo - aumentou consideravelmente.
Gugu nunca mais.

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