20 de fevereiro de 2015

Por que não respondi seu comentário?

Faz tempo que quero escrever este texto, mas não encontro a forma adequada para me expressar. Eu quero ser didática, ética e quadrada. Talvez por não fazer ideia de como uma pessoa didática, ética e quadrada pense, eu não consiga evoluir. Porque eu não sou, nunca fui didática, ética e quadrada. Então, acho que jogarei os trabalhos para o alto e boa sorte a todos nós.

Eu adoro visitar blogs. Existem alguns que, aparecendo no topo da lista de atualizações, eu paro tudo o que estou fazendo para ler e, de praxe, fuxicar a página inteira porque não me canso de ler textos antigos, bisbilhotar o blogroll, saber o que a pessoa leu ou assistiu. Não é stalkear, já que as informações estão ali expostas para todo mundo, e mais um pouco. Foi, aliás, essa minha paixão que me ajudou a decidir voltar à blogosfera de uma vez por todas. Mas, não se engane, isso não fez de mim um membro mais presente.


Faço questão de visitar diariamente os blogs que mais gosto. Com ou sem textos novos, lá estou eu reciclando velhas estórias. Porque eu gosto da pessoa que está por trás daquilo. De alguma forma, ele/ela me conquistou. Às vezes, compartilho no Twitter ou no Facebook; meus seguidores e/ou amigos precisam ler as palavras que me fazem bem. Indico o endereço para interessados, insisto. “Leia esse blog. Não, sério, vale a pena #mindblowing <3”! Agora, se eu disser a você que comento em cada um deles, assiduamente, estarei mentindo. Para falar a verdade, consigo contar nos dedos quantas vezes fiz isso.

Para alguns blogueiros isso é o fim. Eu entendo, sim, com certeza. Receber um comentário naquele texto que levou embora duas semanas da sua vida para todo o sempre é um afago – é o pônei que seu pai não te deu. É lógico que eu adoro ler os comentários do Bonjour Circus. Mas (talvez isso choque você, portanto, se prepare) eu não escrevo para isso. Quero dizer, não é a minha finalidade primordial. O que eu quero é ter leitores que se identifiquem e que, por um acaso, passem adiante uma ideia que julguem boa. Eu sei que corro o risco de parecer mal agradecida, mas é preciso esclarecer: o Bonjour Circus quer ser compreendido, não comentado.

Ao sair para passear na blogosfera, levo esse pensamento comigo. Se o texto for sensaional, compartilharei. Se o texto mexer comigo, me desarrumar, inspirar, vou voltar para lê-lo, guardá-lo, mostrá-lo para a luz do mundo que o merece. E se o texto não for tão bom assim, ou péssimo, ou lhe falte algum detalhe, tudo bem, faz parte. Se, de repente, enquanto leio, me vier à cabeça algo importante a dizer, algo que eu realmente quero que a pessoa saiba, um recado, um carinho, uma urgência – eu comentarei. Caso contrário, prefiro não desperdiçar opiniões, causar mal entendidos (como muitas vezes acontece com os meus textos) ou, o pior de tudo, comentar só porque é o que se espera de mim (mesmo que seja vazio, mesmo que não acrescente). Olha, isso é coisa que eu não faço.

Então, eu sei que deixo a impressão de não retornar as visitas que recebo, mas não é bem assim. Vou em todos, todos, os blogs que passam por aqui (posso afirmar que sou uma, de um grupo seleto, que lê os perfis, abouts, sobres...). Garimpo os arquivos, leio as páginas internas e enfim, se o último texto publicado é uma Coca-Cola toda, vocês já sabem. É o meu jeito de respeitar o trabalho de alguém. É o que eu acho. Estão todos livres para discordar – seja nos comentários, ou nunca mais voltando aqui. O importante é encontrar a sua forma de se expressar, de se fazer entender. Eu sei que faz parte saber ser amado, mas existem outras formas de alcançar isso. Eu, por exemplo, escolhi a sinceridade.

Obrigada, se deixar um comentário.
Obrigada, se não deixar.

11 comentários:

Luuh C. disse...

Penso da mesma forma. Claro que receber mensagens e comentários é muito bom, mas não é o foco principal de um blog. Ter um blog significa amor, carinho e cuidado, significa amizade e coisa linda mesmo e perceber quando uma pessoa se identifica com você, com seu blog, gosta e acompanha as postagens, em segundo lugar, o comentário e carinho fica especial da pessoa que passa a acompanhar o teu blog e faz dele uma casa. Isso é lindo, é carinho!

Amei bastante o teu texto e concordo plenamente com tudo. Bloggar é ter essência, carinho e amor. Quem não conhece que bloggar é isso, precisa conhecer.

Um beijo, Luuh
21invernos.blogspot.com

Sarah Kaeda disse...

Só li verdades.
Blog Fada sem asas

Brendha Cardoso disse...

Eu adoro comentar nos blogs que eu gosto e, assim como você, quando vejo que tem post novo daquele blog que eu tanto adoro, largo tudo pra ir ler. Um dos meus pequenos prazeres é sentar em frente ao computador e vascular meus blogs favoritos de cabo a rabo, lendo e relendo textos que até mesmo o (a) autor(a) já deve ter esquecido que escreveu.

Outra coisa que eu gosto bastante é sentar, com tempo, pra comentar os textos que eu leio. Gosto muito, muito mesmo de expor minha opinião, ainda que resumida, e dizer o motivo de ter gostado do texto. Se concordo ou não, enfim, essas coisas. Só que assim como não é sempre que estou inspirada pra escrever no meu próprio blog, às vezes bate aquela preguicinha de comentar. E pra não deixar um comentário vazio, prefiro não deixar nada. Já aconteceu de eu gostar tanto de um texto que voltei outro dia pra comentar, porque no dia em questão eu não conseguia me concentrar e colocar em palavras o que eu tinha sentido.

De certa forma eu me sentia culpada quando não conseguia comentar. Eu pensava "meu Deus, eu gostei tanto desse texto e a pessoa que escreveu isso gastou, sei lá, um bom tempo pra escrever e espera que alguém comente..." mas depois de ler esse teu texto eu percebi... Eu, particularmente, escrevo mais pra mim do que pros outros. Fico feliz que as pessoas comentem, é claro, fico mais feliz ainda em saber que elas se identificam ou me acrescentam novas ideias... Mas não fico necessariamente triste por ninguém comentar. E esse texto me abriu os olhos pra isso.

Enfim, já falei demais.
Só pra deixar registrado que eu amo o teu blog e leio todos os textos. Quando não tem nenhum novo, caço os antigos e sempre acabo me surpreendendo.

Beijos!

Ana disse...

Cara, eu amo seu blog, seus textos e principalmente sua sinceridade. Devo confessar que tu me inspira!

http://amorticinio.blogspot.com.br/

Lucí disse...

1- Idem.
2- Entendi.
3- Entendeu?

;)

Nina Galdina disse...

Nem preciso dizer que adoro o seu blog e tenho a mesma visão de que não escrevo desejando comentários - embora fique contente com esse afago, porque é legal saber de fato que há alguém do outro lado que venha a se identificar. Por isso, sempre fiz questão de deixar espaços para comentários e até meu e-mail disponível para quem quiser dialogar, adoro um debate.
Mas a gente escreve para se expressar e liberar certas coisas, não é? Acho meio tosquinho, também, desejar fama na internet através de um blog (se vier claro, tanto melhor. Mas essa não é uma função primordial, como alguns fazem ser).
Beijos.

http://ninagaldina.tumblr.com/tagged/blog

Fernanda disse...

Eu já li vários textos nesse blog. Vários mesmo. Mas acho que nunca comentei. Não porque não tinha nada para dizer, provavelmente, mas porque é muito raro eu começar a conversa - ou eu começar a comentar. Achei interessante, então, fazer isso dessa vez.

Eu quase sempre retribuo qualquer comentário que recebo no blog, a não ser que não tenha nada mesmo a dizer sobre o post, porque a última coisa que quero é deixar um comentário completamente genérico no blog de alguém.

Mas eu concordo com você sobre o motivo para escrever. Eu escrevo para que outras pessoas possam ler, claro, ou não teria um blog público. Mas o número de acessos do post, ou o número de comentários, não é uma coisa essencial. De verdade. Eu fico feliz por ter um espaço para me expressar. O que não quer dizer que um daqueles comentários em que a gente vê que a pessoa sentiu vontade de dizer alguma coisa pra gente não me deixem superfeliz, porque é claro que deixam.

Beijo!

Bruna disse...

As vezes eu comento meio forçada ou alguma coisa nada haver. As vezes eu comento alguma situação parecida sabe, a pessoa nunca sabe como responder mas eu comento. Mas eu também sinto que essa coisa de comentar está saindo da tradição, as pessoas leem mas poucas comentam?

Thay disse...

Receber comentários é sempre muito bom, mas dá na cara quando a pessoa comentou só por comentar. Esse tipo de comentário, ao meu ver, só empobrece a discussão - e geralmente me deixa irritada, haha. Sabe aqueles comentários aleatórios que é mais pra deixar o link do que pra qualquer coisa? Então, esses me irritam bastante!

Às vezes eu leio textos ótimos, lindos e tão perfeitos que sinto que minha contribuição nos comentários não vai acrescentar em nada, então favorito o texto em questão e vou embora sem comentar. Alguns textos são muito introspectivos, por exemplo, e fico sem saber o que dizer, então também saio sem comentar. Acho que nada feito por obrigação é legal, então da mesma forma que não gosto de receber comentários sobre pipas quando falei sobre dromedários, acredito que o coleguinha do outro blog também pode se sentir assim. É praticamente a mesma coisa que penso na vida off: se não tem nada de bom pra dizer, pq abrir a boca? :D'

Beijo, Del!

Camyli Alessandra disse...

Confesso que eu li essa postagem mais de três vezes! E todas essas vezes me senti intrigada a comentar (comentar no modo antigo... curtir e compartilhar não vale!).
Ter um blog significa ter "um canto" na blogosfera para se expressar escrevendo e fotografando... Uma atividade muito individual sabe, para pensar que as pessoas se envolvem ao ponto de sentir empatia e comentar... Não levo na obrigação de receber comentários e ter que comentar no blog alheio... Mas, não "respondo comentários" no meu próprio blog acho muito "comodismo" pois, assim não precisa dar o trabalho de visitar o blog alheio...

Margery L. disse...

Me identifico com o BC. Nem sempre comento, por preguiça, mas sempre leio. Favoritíssimo.

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