2 de março de 2015

Blogar: como a mágica acontece?

Eu não sou a pessoa mais indicada para ensinar, seja o que for, para alguém. Sou péssima em dar explicações, meus exemplos são mais complicados e densos do que uma teoria matemática bem cabeluda, eu me perco nas minhas próprias ideias e quando dou por mim estou precisando de explicações também. Um caos, como tudo que me envolve. Contudo, eu tenho meu orgulho. Eu sei de algumas coisas, tenho meus conhecimentos práticos, manjo dos paranauê. Blogar é uma das minhas práticas, por exemplo.


Seja uma pessoa de cada vez
Meu primeiro blog surgiu em 2004/2005. Dizem que quando mordido pelo bichinho a pessoa fica viciada, doente, não solta mais. Para mim foi diferente, prefiro o termo “chutar o pau da barraca” mesmo, que esse negócio de ser mordida não é minha praia. De lá para cá, aprendi – tanto por curiosidade, quanto por necessidade. Desbravei o mundo selvagem do HTML e do CSS. Instalei um Adobe CS só para fazer layouts de melhor qualidade (hoje, o uso para inúmeras coisas, menos para isso). Pesquisei temas interessantes, grupos de escrita criativa para blogueiros, todas as ferramentas para sair do comum e me encaixar em algum lugar. Pois sim, um blogueiro por mais que queira escrever sobre tudo, precisa encontrar um único lugar para si. Não é possível estar em toda parte a todo instante.

Não se limite em nome do que não lhe representa
Nessa internet sem porteira, aprendi que a originalidade é o tal do bichinho que morde – os leitores são seduzidos por conteúdo novo. É o que você é, sem medo de punição, que atrai visitantes. Então, eu corri atrás do ideal para mim. Ao contrário do que muitos pensam, acertar logo de primeira se tratando da personalidade não é tão fácil de acontecer. A gente muda, rapidamente, e não consegue se acompanhar. O blog, que antes tinha a nossa cara, é abandonado. Por falta de tempo, de ideias, de vontade? Não, foi porque a gente mudou. Perdi a conta de quantos endereços criei e deletei numa época de transição, e quantas vezes me arrependi de não ter criado em determinada fase produtiva, ou de ter excluído para sempre certas memórias que não deveria ter registrado. O blog é sua roupa, sua estante, seu espelho. Troque ou renove sempre que puder.

Não siga ideias que deram certo, faça com que o “errado” funcione
Quando vi que era blogar o que eu queria para passar meu tempo livre na internet, me organizei. Gastei um tempo considerável construindo um nome bacana, mais um tempo imenso e cansativo buscando a identidade visual e até hoje estou trabalhando no conteúdo – sim, o principal e interminável trabalho de rechear a bolacha (não, não é biscoito). A minha prioridade foi, é e sempre será a autenticidade. Se eu falar de moda, maquiagem ou tendências quaisquer, pode ter certeza que vou descer o cacete, que é para deixar a galera mais ligeira. Vou escrever o meu ponto de vista do meu jeito, quer você queira ou não. Assim encontrei meu encaixe: fazendo o que outros deixaram de fazer.

Escreva além das palavras
Um tempo atrás participei de uma entrevista sobre criatividade, na Revista 21. Dei dicas juntamente com outras pessoas, tentando mapear o caminho para o pote de ouro, e é um ótimo artigo para quem não sabe como começar. Só não se engane, a criatividade é um assunto farto – sabe aquela macarronada servida no domingo? Aquela feijoada que arrebenta o zíper da calça sábado sim e sim? A mesa de Natal na casa da sua tia solteirona? A personificação da criatividade. Sabe todas essas analogias que acabei de citar? São o resultado de exercícios, observação e leitura. Eu acabei de prender sua atenção, aguçar sua imaginação, te iludir, fazer o coelho aparecer na cartola, e me dei bem.

Cale a boca
O começo de um blog é a parte mais fácil. Afinal, se não existisse um fim, um objetivo, não nos daríamos ao trabalho. Eu criei o Bonjour Circus após um longo inverno, uma ressaca das bravas que me afastou da blogosfera por um período. A vida estava agitada, eu morava fora do Brasil (o que por si só seria um ótimo motivo para blogar, mas sou burra desse jeito), não havia o que escrever, ou ao menos, a ponte para chegar lá estava interditada. O que eu fiz? Dei um tempo. Não forcei a barra. A única explicação para postar com a produção em baixa seria uma necessidade física, do tipo dedo apodrecendo, braço caindo, cérebro derretendo. Escrever nesse estado ao invés de tomar Rivotril é a maior causa de plágio, opinião irrelevante e pior: vergonha de si mesmo. Respeite seu tempo, não invente moda, não saia por aí copiando os outros para livrar seu blog do ostracismo. Se você não sabe o que fazer, não faça.

Cuidado com os gnomos
De onde vem as ideias? Para onde elas vão? As anotações, cadê as anotações que fizemos naquele papel só para passar a limpo depois? Deixamos ali, em cima da mesa, não é possível que tenham desaparecido por vontade própria. Eu tenho a resposta: gnomos. Esses seres minúsculos, patéticos, assustadores, levaram suas ideias embora. Ou ainda: sua mãe, cuja finalidade não tem grandes diferenças. O aspirador de pó, a empregada, o irmão mais velho, o vento – todos formam um complô para que suas melhores ideias não prosperem. O mundo está cheio, não aguenta mais gênios e inovações. Ele quer descanso, logo, vai coibir suas criações. Eu mesma já fui vítima do cosmos mesmo tomando todas as precauções. Aprenda com o que eu não fiz: crie arquivos com títulos, parágrafos, temas, tudo o que você for precisar ou o mínimo lampejo de proposta. Salve se como sua vida dependesse disso, pois ela depende.

Os bastidores do Bonjour Circus funcionam mais ou menos dessa forma: eu tenho uma pasta só para o blog onde guardo tudo, absolutamente tudo sobre ele. Lá estão as imagens, códigos de todos os layouts que usei e o usado nesse momento, textos, listas, imagens, créditos e fontes de terceiros, prints, o certificado de direitos autorais, back up de arquivos, etc. Essa pasta está no computador, no Dropbox, pendrive, armário de rodoviária com cadeado, numa garrafa amarrada a uma pedra que descansa no fundo do mar.

E ainda, existem blogs úteis, necessários, eu diria, que podem ajudar um cego no meio do tiroteio. The Daily Post publica temas originais, por vezes desafiadores, todos os dias para que sua criatividade não morra seca, estorricada. É um bote salva-vidas para mim. Nem sempre tem assunto, sabe como é, e apesar de tags ajudarem, nenhum leitor aguentaria ler uma a cada semana. O texto 101 Blog Post Ideas That Will Make Your Blog “HOT”, do blog Start Blogging Online, foi outro achado assim... Chorei uma lágrima.

Ajudei? Atrapalhei? Confundi sua cabeça? Fiz você desistir antes mesmo de começar? Calma, blogs não são coisas de outro mundo quando feitos com carinho. Se você gosta disso, siga em frente. Se não gosta tanto assim, pense melhor. Se não gosta, mas quer cinco minutos online de atenção, é melhor postar uma foto de biquíni ou sunga no Facebook. Blogar é coisa de gente séria!

9 comentários:

Camila de Paula disse...

Caiu como uma luva! Abandonei o blog por meses e agora estou me organizando pra voltar. Essas dicas acrescentam muito, é bom saber que alguém que admiro como blogueira também já passou por fases de constante mudança de endereço e ressaca brava.

Bruna disse...

Suas dicas são boas, mas não sei se servem para mim. Veja bem, meu blog é pessoal e apesar de eu ter opiniões ( fortes muitas vezes) sobre assuntos e tals, eu nunca consigo me expressar lá. Eu o levo como um diário e um mata-tédio enquanto a minha vida não sobe ou desce de vez.

Mas são dicas boas para quem está sempre com duvidas sobre o que escrever.

nandacastilho disse...

Você é uma fofura, agora me sinto aliviada, ok ok tks bye.

Sou meio bipolar quanto ao meu blog, sei lá. Quando eu quero escrever no blog e não consigo sinto que eu não tenho nada sobre o que falar, menina mais sem conteudo, etc. Estou começando a pensar agora que talvez, talveeeez, eu só queira manter minhas ideias pra mim, sem ficar divulgando tudo o que penso, daí o post foi tipo um apoio.
E os links, <3

:)

Thay disse...

Tem muita gente precisando dar uma lida nesse post, sinceramente! Nunca segui uma cartilha para blogar, pois o blog, pra mim, sempre foi meu espaço e pronto. Coloco o que quero, quando quero e não penso muito no que os outros vão achar. Claro que gosto de receber visita, gente compartilhando opiniões comigo, mas nunca tentei seguir uma moda, digamos assim. E acho que é por isso que o blog funciona pra mim, pois o mantenho puramente para o meu prazer - o que vem disso, as pessoas que conheço e as coisas que aprendo, vem de lucro. (:

Anna Vitória disse...

"Se não gosta, mas quer cinco minutos online de atenção, é melhor postar uma foto de biquíni ou sunga no Facebook. Blogar é coisa de gente séria!"
AMÉM!
Tô farta de gente que cria blog, faz o maior auê, divulga o dia inteiro por 3 dias e depois desiste. Posta uma selfie, né? Pelamor!
beijo!

Paloma Engelke disse...

Estou há anos nesse meio, indo e voltando, e realmente não é fácil. Mas é bom demais (para quem gosta). E é por isso que deveria permanecer PARA QUEM GOSTA, né? Mas eu entendo algumas pessoas que tentam e falham, porque tem coisas que parecem boas demais quando os outros fazem, mas só tentando pra saber que não é a nossa praia. Agora existem alguns que realmente deveriam tentar pendurar melancia no pescoço.

Beijos!

livroseoutrasfelicidades disse...

Sem inspiração para fazer um comentário engraçado, inteligente e perspicaz sobre seu post, só me resta dizer: MUITO BOM!

Camila Faria disse...

Blogueiros, o que comem, onde vivem, como encontram inspiração para "blogar"? Hahaha! Adorei esse post-reflexão-cartilha cheio de bom humor e inteligência.

http://naomemandeflores.com

Sharon Domingues disse...

Oie.
Tenho blog a tanto tempo, já escrevi tanta coisa útil e tanta coisa inútil... acho difícil manter um blog hoje em dia. Tem tantos...
Uma coisa que me incomoda são as tendências: moda, livros, maquiagem... já segui blogs por anos e vi ele se transformar em tudo aquilo que odeio. Pq fazem isso ??
Tive uma fase que achei que seria legal, comecei a fazer resenhas do que lia eme senti uma idiota. Hoje em dia meu orgulho é quando faço meus próprios textos. Não sei opinar sobre um pó caríssimo que nem gosto de usar.

Falei, falei e não disse nada. Ótimo post :P
Bjooos

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