11 de abril de 2015

Luna entra em cena

Já contei essa história tantas vezes desde sábado, que minha vontade de vir aqui escrevê-la é nula. Resumindo: minha mãe salvou uma cachorrinha do atropelamento no sábado passado, ficamos o dia inteiro procurando por um dono para ela e à noite encontramos uma família disposta a adotá-la. É claro que não foi tão simples assim. Antes, tive de divulgar em todas as minhas redes sociais, no whatsapp e até na OLX. Domingo à noite ela já estava na nova casa, apesar de eu ter balançado um pouco na hora de entregá-la.

Eu me apego muito fácil aos animais. Para mim, ela ter passado dois dias e uma noite aqui em casa já foram o suficiente para nos tornarmos amigas de infância (quem dera eu tivesse a mesma facilidade com cerezumanos). Talvez eu não assumisse isso na frente de algumas pessoas, em público, mas como o Bonjour Circus, de certa forma, me protege de eventuais desconfortos, posso contar tranquilamente que chorei feito um bebê assim que o carro virou a esquina levando consigo a filhotinha. É lógico que me senti uma criança, que me perguntei aonde estava a maturidade. Doá-la era o que queríamos, afinal. Além de uma fêmea não combinar com os três machos que já temos, um quarto cachorro não caberia no orçamento.

Dormi mal no domingo, preocupada com a adaptação do filhote e, por que não, da família também. Segunda-feira, o dia inteiro, fiquei com a cabeça nas nuvens tentando convencer a mim mesma de que apesar da cachorra ter se acostumado comigo não sentiria falta tendo uma criança para brincar. Cachorros se acostumam com qualquer situação (e eu não diria o mesmo dos humanos). Agora, na segunda-feira à noite eu estava convencida de que nunca mais dormiria, que o aperto no coração não passaria, que o mundo estava ao contrário e ninguém reparou. Eu não tinha uma noite dessas há muito tempo, desde que o Benjamin era bebê e eu me assustava com cada ronco dele.

Pois bem, depois de uma noite terrível, acordo na terça-feira com uma mensagem da família comunicando a devolução da cachorra. Disseram que ela chorou no domingo e na noite de segunda-feira sem deixar ninguém dormir. Os vizinhos reclamaram que ela chorava o dia inteiro, pois ficava sozinha na casa. Nesse ponto fiquei surpresa porque pensei que a partir do momento em que a criança tivesse uma companhia não iria mais para a casa da avó antes da escola, mas sim ficaria com a cachorra para brincarem. Pelo visto, nada do que imaginei de fato aconteceu. A família toda saía às seis da manhã e só voltavam às sete da noite. Nesse período a filhote, em fase de desmame, ficou sozinha na garagem à mercê de um gato que invade as casas e come a ração dos animais.

Talvez eu exija demais das pessoas, ninguém é obrigado a raciocinar como eu, mas num cenário como esse, se eu estivesse no lugar deles, seria evidente que um cachorro atrapalharia o meu cotidiano. Por mais que meu filho, ou filha, pedisse um animal de estimação eu não precisaria de muito tempo nem de cálculos para descobrir que não poderia assumir tal responsabilidade. Porque, afinal de contas, um animal, qualquer que seja a espécie, exige cuidado e atenção. Ademais, eu não faria outras pessoas perderem seu tempo e saliva doando para mim um filhote do qual eu não pudesse tratar. Sabe? Não era só uma cachorra sem dono, eram eu e minha mãe também. Foi estressante para nós, não só o sábado, mas os dias que se seguiram.

Pensando em tudo isso e com a cabeça fervendo de raiva, terça-feira recebi a filhote de volta. Quando ela me viu e começou a abanar o rabo e a chorar; quando eu a peguei no colo e ela mordiscou meu rosto e lambeu meu pescoço; quando ela se agarrou como pôde no meu ombro implorando para que eu não a soltasse, para mim, valeu a pena. Naquele momento, eu e minha mãe decidimos que a cachorra nunca mais sairia da nossa casa. Uma castração resolverá o convívio com os três machos. Muitas costuras e bordados irão aumentar o orçamento. O nosso sobrado é espaçoso e o quintal é amplo. Eu trabalho em casa, o que me proporciona acompanhá-la o dia inteiro e ajudá-la na fase difícil que é a do desmame.


Nessa mesma noite escolhemos o nome: Luna. Queríamos algo que remetesse aos olhos dela, que são marcantes, e sem querer acabei sugerindo este (“lua” em italiano). Minha mãe, que adora o luar, aceitou na hora. Na quinta-feira a levamos ao veterinário (pois nem isso a família adotiva fez), onde ela foi pesada (dois quilos), descobrimos que está com dois meses e que tem uma saúde de ferro. Ela crescerá do tamanho médio ao grande, a veterinária não soube especificar. Semana que vem iremos vermifugá-la (preparem as máscaras de gás) e logo depois vaciná-la. Aos seis meses faremos a castração.

Luna é muito boazinha, não chorou uma única vez desde que voltou para nós. Adora morder, como todo filhote feliz, e lamber nossos rostos. É geniosa feito o diabo, mas isso só a deixa mais engraçada. Rosna quando interrompemos sua brincadeira com beijos. Gosta de dormir aninhada no meu colo com a cabecinha no meu ombro. Sabe brincar sozinha, mas senta na minha frente com cara de bunda quando fica entediada. Roubou minhas pantufas e vai mastigá-las até sobrar só a lembrança. Entende mais o “não” do que o próprio nome. Meus outros cachorros ainda não se acostumaram com ela, estão com ciúmes. Todo mundo, aliás, está se adaptando. O meu quarto virou um playground de cachorro, tem um monte de brinquedinhos (que o Benjamin ignora desde que cresceu) espalhados pelo chão. Quando ela dorme (por uma hora e meia ou duas, mais ou menos), aproveito para “viver” e, claro, tiro um monte de fotos porque enquanto acordada Luna é um furacão. Como, repito, todo filhote feliz.

6 comentários:

Camyli Alessandra disse...

Eh por isso que eu sou contra a adoção alguns"seres-humanos" só valorizam quando pagam uma nota por qualquer coisa... Fico indignada com essas histórias o meu cachorro que eu "adotei" a família anterior não tinha noção do tamanho que ele iria ter e seu temperamento... se ele não viesse para a minha casa sabe se lá onde ele estaria agora.

Thay disse...

Ai Del, quando você contou isso no Twitter já fiquei com o coração em pedacinhos! E lá mesmo eu te disse o que penso, é incrível o quanto o ser humano pode ser mesquinho e patético. Tratar um filhote como se fosse brinquedo, pensando que é só dar água e comida que tá ok, é o fim! E como ultimamente estou adotando a filosofia de (tentar) enxergar o copo sempre meio cheio, fico feliz pela bebê ter voltado pra você e sua mãe, que são pessoas que eu sei que amam os bichinhos e cuidam deles com todo amor do mundo. Luna (adoro esse nome e realmente combina com ela, com esses olhos lindos!) será muito feliz na família de vocês. ♥

Alessandra Rocha disse...

Nossa Del, que putos! Que putos! Que putos! Que putos!
Garro raiva desse povo que não pensa! Essa coisinha linda precisa mesmo de muito amor, carinho e cuidado! E você fez bem em acolhê-la! Agora que ela tá cheia de amiguinhos novos e amor ela vai crescer e ficar muito mais feliz e saudável! Só desejo boa sorte pra vocês, porque aqui eu tenho um cachorro e meio! Meu boxer que a gente "resgatou" da babaquice do meu tio e um poodle cujo dono mora na minha rua, mas que vive abandonado porque ele cresceu e deixou de ser bonitinho -.- vontade de estrangular esse povo!

Muita felicidade pra essa nova pequena integrante da família (e pra vocês também!)

beijo

Yuu disse...

Fiquei muito triste ao ler a primeira parte da Luna, mas feliz ao ler a segunda, pois tenho certeza que ela vai encontrar muito carinho na sua casa. :)

Recentemente adotei dois gatinhos, que daqui a alguns dias vão completar três meses, portanto, estão naquela fase serelepe e destruidora. Diante de quase todos os vasos de plantas quebrados, minha mãe têm insistido para que eu os devolva, mas eu ignoro por dois motivos: o primeiro é que eu sei que ela não fala sério; o segundo é que esse negócio de devolver animalzinho pra mim não existe. Não é de conhecimento geral que o apego que eles têm com a gente é incondicional? Perder essa confiança deveria estar fora de cogitação. É inacreditável que algumas pessoas realmente subestimam a genuinidade dos sentimentos dos animais, mas né.

Enfim, muitas felicidades para a Luna na sua nova família. Esses zói azul são de morrer. <3

Ana Jähne disse...

ain como ela é linda!
luna é o nome da minha cachorrinha que ficou no brasil (na verdade meus pais roubaram ela de mim).
e olha, a história da tua luna é mais uma prova de que animais säo mais humanos que alguns cerezumanos, viu?!
que bom que a luna tem você :)

nandacastilho disse...

Eu leio essas coisas e já quero sair por aí procurando meus gatos pra abraçar e agarrar e jogar pra cima de tanto amor. De vez em quando me preocupo com a responsabilidade que é eles, como vai ser quando eu sair da casa da mãe, gato é mais chatinho com mudanças, etc. Mas nada se compara ao que virou a vida depois que eles chegaram (a minha Luna e o Milo).
Esses bichinhos...

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