10 de maio de 2015

Cinco coisas que faço quando ninguém está olhando

Fiz uma visita ao blog I'm talking with myself (adorável, aliás) e encontrei essa tal lista de cinco coisas que a autora faz quando ninguém está olhando. Ana Luiza é engraçada, adoro ler seus textos, e acabei me inspirando na ideia. Sou o tipo de pessoa que gosta de ficar sozinha. Arrisco dizer que só demonstro o melhor de mim justo quando não tenho ninguém para testemunhar. Faço isso de propósito? Acho que não.


1. Pratico alemão
Já faz muito tempo, muito tempo mesmo, que estou aprendendo alemão por conta própria. Estou longe de ser uma autodidata, por isso o aprendizado demora tanto. Alguns exercícios de pronúncia necessitam de gravações de áudio, ou seja, preciso falar em voz alta. Acontece que eu ainda tenho vergonha de falar em alemão. Quando me escuto repetir as sentenças, automaticamente me vem à cabeça qualquer nazista de um filme aleatório sobre a Segunda Guerra Mundial, ou um parente caipira da família por parte paterna. Logo, me sinto uma idiota. Portanto, espero a casa ficar vazia para que eu possa gravar meus exercícios. Aproveito que ninguém pode me ouvir e já emendo um monólogo com meus cachorros, também. Às vezes tento interpretar “Fausto”, fazendo com que Goethe se revire no túmulo, mas além de cansativo é complicado demais para o meu nível de compreensão.


2. Danço...
Bom, estou na eterna luta contra o ansiolítico que me deu de boa vontade dez quilos a mais. Além de yoga, de vez em quando rebolo feito a Madhuri Dixit que não sou. É óbvio que não vou dançar músicas indianas na frente de uma audiência gigantesca. Não chega a ser um “exercício físico para emagrecer”, está mais para diversão. Infelizmente, não tenho jeito algum para a coisa. Eu sou o que chamam de dura. A impressão que dá é de que tenho vergonha dos meus próprios movimentos. Resumindo, eu não dançaria comigo se eu não fosse eu. Já pisei no pé de muita gente e não tenho carisma corporal (ouvi isso uma vez e nunca mais esqueci).


3. Leio poesia em voz alta
Eu acredito na poesia. Sou do tipo que coloca a mão no coração, ou no estômago, quando termino uma leitura. Oh, meus caros, eu sofro a poesia! Acredito tanto, enfim, que quando estou sozinha me dou ao luxo de ler em voz alta para mim mesma. O poder é outro. As palavras se expandem. E depois, o silêncio que a poesia deixa quando acaba, é divino. Recomendo que tentem em casa.


4. Desenho
Eu não consigo desenhar quando tem alguém olhando, analisando os meus traços. Fico esperando ouvir uma crítica, ou uma dica. Isso me sufoca, me trava porque eu sei que as pessoas falarão. Elas sempre falam. Se acham na obrigação de falar. Não conseguem simplesmente observar sem cutucar, tocar, fazer barulho. Mas diferente dos outros itens, neste não preciso estar totalmente sozinha, basta fechar a porta do quarto, ou ser ignorada por todos ao meu redor. Antes, eu pensava que não sabia desenhar de jeito nenhum. Hoje, descobri que não sei desenhar na frente dos outros.


5. Alinho o universo
Eu tenho um lado Monica Geller, mas tenho vergonha dele. Quase todo mundo que conheço já me zuou por causa disso. Então, o que eu faço? Quando viram as costas, eu ajeito o quadro na parede, os talheres na mesa, o vaso em cima da mesa. Não consigo mexer no computador se ele estiver torto em relação à borda da mesa. Eu cheguei a dar umas viradinhas nos bibelôs dos outros para que o “melhor lado” ficasse mais exposto. Não é um TOC. Só gosto de ver as coisas direitinhas em seus lugares. Mas nem sempre é possível esconder. Às vezes, assim que alguém desalinha um objeto, ou guarda algo no lugar errado, eu arrumo na mesma hora, sem pensar. No ônibus, uma vez, havia um cara com o nó da gravata descentralizado. Passei o caminho inteiro com a ideia fixa de fazer contato com ele só para dar o toque. Fiquei encarando (e disfarçando) aquela gravata torta. Levei a mão ao meu pescoço.

Não, não é um TOC.

8 comentários:

Dayane Pereira disse...

Eu costumo unir duas coisas que você citou: leitura em voz alta (não poesia, infelizmente) em inglês (não alemão, infelizmente). E danço também. Escrotamente. Já fiz um post desses há alguns meses também e me divirto muito lendo os alheios.

livroseoutrasfelicidades disse...

Diverti-me horrores com esse seu texto!

Alessandra Rocha disse...

Só queria confessar que meu notebook está totalmente desalinhado da borda da mesa, desculpa! hahahaha mas assim é mais confortável porque dá pra esticar as pernas em cima da cama #velhices
Eu te entendo completamente em relação a dança, mas ao contrário de você não consigo dançar em casa exatamente por achar muito ridículo. Já dancei valsa com meu amigo na plataforma do metrô, sambei com o catador de lixo do lado de fora da casa de show às 3:30 da manhã, mas sempre quando estava acompanhada e me sentia "ok" o suficiente pra ser besta e não ligar... Será que faz sentido? hahaha
Também prefiro desenhar sozinha, não gosto de gente que não seja meu professor dando pitaco!

Beijo Del!

bloglucicaroline disse...

Ou seja, quando estamos sozinhos, somos nós mesmos.
Acho que vou pensar nisso também...

Camis disse...

Que pessoa incrível, você! Eu gostei de todos os itens, e confesso que ri pra caramba com o último hauaha Eu gostaria de falar Russo (projeto pro futuro), eu não consigo dançar em público, é muito medo do ridículo :( Ah, e eu amo poesia, e a partir de hoje vou lê-las em voz alta <333

Sarah Kaeda disse...

Alinha o universo? Que querida, realmente não pode ser considerada TOC. Muito engraçado o texto, beijos.

Débora Braga disse...

Eu super faço isso de alinhar o universo haha, como é bom encontrar alguém como você.
No meu trabalho, às vezes eu vou na mesa das minhas amigas e ajeito as coisas tortas ou bagunçadas porque aquilo vai ficando ali e me irrita muito hahaha.
Beijo
http://www.deborabp.wordpress.com

Ana Jähne disse...

como eu adoro listas! e melhor ainda é ler as listas dos outros e comparar com a sua pra se sentir menos só nesse mundäo!
ahhhh... eu também alinho o universo. e se näo dá pra alinhar de verdade alinho em pensamento. várias vezes. :/

Postar um comentário