30 de maio de 2015

Este texto poderia virar um livro

Estou tentando escrever um novo livro. Veja bem, antes eu estava tentando escrever três ao mesmo tempo, mas decidi escolher um único para ver se meu trabalho renderia mais. Não rendeu. Acho que o problema não era a quantidade excessiva de ideias. O problema, de verdade, está sendo colocá-las no maldito arquivo em branco do Word. Não, não é nenhum tipo de síndrome, daquelas que os escritores (ou quase isso, no meu caso) gostam de sofrer – até porque não tenho dificuldades com as páginas em branco que mais tarde serão os textos do Bonjour Circus. Só me falta um mapa.

Não concluo um “trabalho” (vamos abrir um belo parênteses aqui: eu chamo de “trabalho”, entre muitas aspas, porque não aceito o luxo de chamar meus livros de obras literárias. Eles não são, simplesmente. São apenas histórias que quero contar. Clarice Lispector escrevia obras literárias. Mia Couto escreve livros de verdade. Tolstói era, e sempre será, um escritor. Eu não faço nada disso; me esforço, mas nem chego perto. Eu escrevo histórias cotidianas e não pretendo mudar a vida de alguém. Então, me deixa), pois bem, onde eu parei? Odeio parênteses. Ok, não consigo terminar um livro desde que lancei “Helena”. Bem que tentei, alguns títulos apareceram. Promissores, até. Continuam, todavia, encostados numa pasta que não é aberta desde o ano passado.

Cheguei a pensar que perdi o tesão. Acontece com frequência: me empolgo com uma coisa, quero aprender, dominar o assunto e depois de considerar a missão cumprida abandono da mesma forma que agarrei, no início. Mas a escrita? Se fosse esse o caso, eu teria fechado o Bonjour Circus muito antes de empacar diante de um novo livro. Poderia ser uma fase, então, como as muitas que tenho. Mas ainda assim, repito: por que não acontece o mesmo com o blog? Por que não é um problema que se estende ao meu journal, que continua vivo e recheado? Por que os livros?

Alguns podem pensar que fiquei desgostosa com os resultados e feedbacks de Helena. Em nenhum momento! Pelo contrário, o livro teve uma repercussão maior do que eu esperava. Ainda tem. “Helena” foi bem recebido e avaliado. Divulgá-lo foi um trabalho divertido onde conheci pessoas novas e aprendi com os erros. Escrevê-lo, então, foi um presente. As pessoas confiam no meu trabalho, compram minhas ideias, e eu acho isso um máximo. Pois sou sincera e é bom saber que acreditam em mim. Este, aliás, é o principal motivo para querer lançar outro livro.

Será que, em contrapartida, seria o principal problema para escrevê-lo?

2 comentários:

The Escapist disse...

Olá, Del, quanto tempo! rsrs
Olha, pelo menos você conseguiu o primeiro, ehehe, claro que dá aquela sensação de: ué, se eu fiz o primeiro, o segundo deveria sair mais fácil, né? Mas acredito que talvez você tenha um pouco de razão, a expectativa que as pessoas que leram e gostaram de Helena colocam em um segundo trabalho (sim, vamos chamar de trabalho, porque não é fácil, certo?), pode ser um entrave pra você; você pode não se sentir exatamente pressionada, mas sente que há um tipo de obrigação com quem acredita no seu potencial. Eu adoraria poder dizer a melhor forma de você lidar com isso, mas não sei. Como você, eu escrevo histórias do cotidiano, mas ainda não tenho coragem de chamar nenhuma deles de 'livro', são publicadas na internet para o caso de alguém encontrar e ler, apenas por diversão, não espero nada em troca. Não estou dizendo que o caso contigo, que você espera algo em troca, mas talvez se você se desligar um pouco da "obrigação" de escrever um novo livro e o faça apenas por si, porque é o que você gosta e sabe, talvez ajude um pouco.
Até a próxima!

Felipe Fagundes disse...

Acho que nem Clarice Lispector chamava os próprios livros de obras literárias.

Livro é muito mais custoso para escrever do que um blog. O livro pede uma continuidade que, às vezes, deixa a gente sem paciência. Você poderia tentar, talvez, escrever uns contos até se sentir satisfeita consigo mesma.

Postar um comentário